Todas as usinas elétricas da Ucrânia sofreram ataques russos. O ministro da Energia ucraniano Denys Shmyhal alertou que “não sobrou uma única central elétrica na Ucrânia que o inimigo não tenha atacado”. A situação energética chegou ao limite. Temperaturas de até -19°C em Kiev deixaram milhares de residências sem aquecimento. O inverno rigoroso transforma cada apagão em questão de vida ou morte.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
O cerco energético que sufoca milhões de ucranianos
Críticos militares interpretam os ataques russos como estratégia para quebrar a resistência através do frio. A Rússia tem bombardeado repetidamente a infraestrutura energética ucraniana desde 2022, usando ondas de mísseis e drones para paralisar a geração de energia. Observadores apontam que cada transformador destruído representa milhares de famílias sem aquecimento no inverno mais rigoroso dos últimos anos.
Em Kiev, 471 edifícios residenciais permaneciam sem aquecimento quase uma semana após o último grande ataque russo. Cerca de 800 prédios residenciais ficaram sem aquecimento e eletricidade, afetando aproximadamente 200.000 pessoas. Os números são frios, mas representam famílias inteiras enfrentando temperaturas glaciais dentro de casa.
O prefeito de Kiev foi direto: quase 6.000 edifícios na capital ficaram sem aquecimento porque a infraestrutura crítica foi danificada pelo ataque massivo russo. “Esta é a primeira vez em quatro anos de guerra em grande escala que vemos uma situação dessa magnitude”, admitiu o prefeito Vitali Klitschko.
A guerra elétrica não poupa ninguém. Elevadores de prédios pararam de funcionar, deixando idosos presos em suas casas. O barulho dos geradores tornou-se trilha sonora constante. Em dezembro, os moradores de Kiev ficaram sem eletricidade por 9,5 horas por dia em média. Cada família virou estrategista da própria sobrevivência.
Sistema elétrico ucraniano: devastação técnica sem precedentes
A escala dos danos impressiona até especialistas. Pela primeira vez, subestações-chave de 750 kV, os nós centrais da rede elétrica, foram afetadas. Analistas militares sugerem que os russos mudaram de tática. Antes atacavam usinas. Agora destroem o sistema de transmissão. É mais eficiente. Uma subestação destruída apaga várias cidades de uma vez.
O número de drones usados em um ataque aumentou para centenas, indicando aumento da capacidade produtiva russa. O último grande ataque consistiu em quase 300 drones, 18 mísseis balísticos e sete mísseis de cruzeiro. É guerra de atrito. Críticos argumentam que os russos apostam que a Ucrânia não conseguirá reparar na velocidade da destruição.
A defesa ucraniana funciona, mas tem limites. A Força Aérea conseguiu derrubar todos os dez drones que se dirigiram a Kiev entre 7h e 17h. Cada interceptação custa caro. Cada drone destruído representa recursos que poderiam ir para outras necessidades. Observadores apontam que os russos sabem disso. Por isso mandam centenas de uma vez.
O inverno complica tudo. A Rússia atacou infraestrutura energética todos os dias na última semana, enquanto as temperaturas despencaram. O timing não é coincidência. Especialistas interpretam isso como crueldade calculada. Atacar energia no verão incomoda. No inverno, mata.
Resposta ucraniana: a guerra vai para o território russo
A Ucrânia não ficou passiva. Os contra-ataques ucranianos atingiram várias regiões russas. Em Briansk, duas subestações foram atacadas pelos ucranianos. Em Voronezh, instalações elétricas também sofreram danos. A estratégia é simples: se não podemos ter luz, vocês também não terão.
A refinaria de Ryazan foi atingida por drones ucranianos na madrugada. As imagens mostram transformadores em chamas. É a guerra elétrica funcionando nos dois sentidos. A diferença é que a Ucrânia tem ajuda ocidental para reconstruir. A Rússia depende só dela mesma.
Na região temporariamente ocupada de Zaporizhzhia, os ucranianos destruíram uma estação de 330 kW e outra de 150 kW em Primorsk. Em 8 de janeiro, duas embarcações civis com bandeira estrangeira foram atingidas por drones russos na região de Odessa, com duas mortes e oito feridos. A guerra se espalha pelo Mar Negro.
Analistas observam que cada ataque ucraniano tem propósito estratégico. Não é vingança. É pressão. Mostrar aos russos que a guerra tem custos dos dois lados. Que atacar civis ucranianos terá consequências para civis russos. É a lógica brutal do conflito moderno.
Proteções de concreto: a adaptação ucraniana à guerra permanente
A Ucrânia aprendeu a se defender. Os ucranianos construíram “sarcófagos de concreto” ao redor dos transformadores. Essas proteções resistem a 20 ataques de drones. Uma proteção de nível dois custa mais de 3 milhões de dólares. Um míssil Patriot custa a mesma quantia. A conta é simples: é mais barato proteger do que interceptar.
As escolas ucranianas agora são construídas com salas subterrâneas. Não são bunkers. São adaptações à realidade de um país em guerra permanente. As crianças precisam continuar estudando, mas também precisam sobreviver aos ataques aéreos. É a normalização do absurdo.
A sociedade ucraniana se transformou. Equipes da Cruz Vermelha servem refeições quentes e bebidas aquecidas em pontos de aquecimento pela capital e subúrbios, atendendo cerca de 700 pessoas diariamente. Cada bairro tem seu plano de emergência. Cada família sabe onde ir quando a luz acaba.
O governo criou “pontos de invencibilidade” espalhados pelo país. São abrigos com aquecimento, energia e comunicação. O nome não é casual. É propaganda de guerra. Mostrar que o povo ucraniano não será quebrado pelo frio. Que a resistência continua mesmo no escuro.
O apoio ocidental: linha de vida contra o cerco energético
A Noruega fez uma doação inicial de 200 milhões de dólares para ajudar com os problemas energéticos da Ucrânia. O Reino Unido anunciou mais 20 milhões de libras para infraestrutura energética. É ajuda que chega na hora certa. Sem o apoio ocidental, a Ucrânia já teria sucumbido ao cerco energético russo.
O presidente tcheco Peter Pavel visitou Kiev para discutir esforços de paz. Os ministérios das Relações Exteriores e Energia organizaram um apelo internacional por fundos para enfrentar os problemas energéticos da Ucrânia. É diplomacia energética. Transformar a crise em mobilização internacional.
Segundo estimativas da ONU, 10,8 milhões de pessoas na Ucrânia precisam de assistência humanitária. Um apelo humanitário de 2,31 bilhões de dólares foi lançado para 2026 para apoiar 4,12 milhões de pessoas. Os números mostram a dimensão da catástrofe humanitária.
A vantagem ucraniana é estar do lado certo da história. O Ocidente tem interesse estratégico em impedir a vitória russa. Cada dólar investido na reconstrução ucraniana é investimento na contenção da expansão russa. É cálculo geopolítico disfarçado de humanitarismo.
Mudança no comando: tecnologia contra burocracia soviética
Mykhailo Fedorov assumiu como ministro da Defesa. É o homem por trás do sistema de drones ucranianos. Sua nomeação sinaliza mudança de estratégia. Menos burocracia soviética, mais sistemas digitais. A guerra moderna não é apenas sobre soldados e armas. É sobre dados, logística e velocidade de informação.
Fedorov foi responsável por conseguir milhares de terminais Starlink no início da guerra. O sistema de comunicação por satélite foi fundamental para a resistência ucraniana. Agora ele quer aplicar a mesma lógica de inovação ao exército inteiro. É modernização forçada pela necessidade.
A Rússia continua extremamente burocrática e soviética em sua estrutura militar. A Ucrânia abraça a modernidade por necessidade. Centenas de empresas ucranianas desenvolvem drones. É capitalismo de guerra funcionando. A iniciativa privada encontrando soluções que o Estado não consegue.
A nomeação de Fedorov pode indicar que a Ucrânia espera acordo de paz em breve. Reformar exército em tempo de guerra é complicado. Reformas estruturais se fazem em tempo de paz. Se Zelensky colocou Fedorov para reformar, é porque espera que a guerra termine logo.
Inverno rigoroso: aliado natural da estratégia russa
O inverno de 2026 está sendo um dos mais rigorosos dos últimos anos. As temperaturas chegaram a -19°C na capital Kiev. O frio extremo transforma cada apagão em emergência médica. Famílias inteiras enfrentam risco de hipotermia dentro de casa.
As casas ucranianas são preparadas para o frio, mas têm limites. Mesmo com isolamento térmico, temperaturas extremas sem aquecimento se tornam perigosas. As temperaturas diurnas chegaram a -10°C. Pessoas mais pobres com casas mal preparadas enfrentam riscos maiores.
O inverno ucraniano é longo e cruel. Janeiro e início de fevereiro são os piores meses. A primavera só chega no final de abril. São ainda dois meses de frio intenso pela frente. Dois meses em que cada apagão pode ser fatal para os mais vulneráveis.
Analistas interpretam a estratégia russa como aposta no cansaço. Que o povo ucraniano vai pressionar o governo por paz para escapar do frio. Que a sociedade vai escolher capitulação em vez de resistência. É aposta na quebra da moral através do sofrimento físico.
Mas os ucranianos mostraram resistência extraordinária. Como disse o Comissário de Direitos Humanos: “Presto homenagem à extraordinária resistência do povo ucraniano”. Três anos de guerra ensinaram que a sociedade ucraniana não quebra facilmente.
Starlink e guerra eletrônica: a batalha tecnológica invisível
Uma descoberta preocupante: drones russos começaram a operar com Starlink. Imagens mostram terminais Starlink Mini instalados em drones russos. Em teoria, eles não deveriam ter acesso ao sistema. Na prática, contrabando e mercado negro sempre encontram um jeito.
Drones com Starlink são mais difíceis de interceptar. A comunicação se dá pela internet, não por ondas de rádio. Os sistemas de guerra eletrônica ucraniana não conseguem interferir. É evolução tecnológica que muda o jogo. Os ucranianos também usam a mesma tecnologia, mas a vantagem se equilibra.
A interceptação de drones virou arte de guerra. Usar mísseis contra drones é caro demais. A solução: interceptadores FPV menores. Drone contra drone. É dogfight do século XXI. Cada interceptação bem-sucedida economiza recursos preciosos.
A guerra moderna é também guerra de comunicações. Quem controla melhor a informação tem vantagem tática. O Starlink deu aos ucranianos superioridade comunicacional no início da guerra. Agora os russos começam a equilibrar o jogo. É corrida armamentista no espaço.
Putin e o dilema da guerra perpétua
Vladimir Putin tem um problema: não pode parar esta guerra. Análises apontam que ele sabe que no momento em que a guerra terminar, soldados voltarão para a Rússia com sentimento de derrota. Mesmo que seja o plano de 28 pontos que Putin mencionou, será vista como derrota. Os russos esperavam tomar toda a Ucrânia.
Historicamente, quando a Rússia perde uma guerra e soldados voltam para casa, acontecem golpes e derrubadas de governo. Putin conhece a história russa. Observadores argumentam que sua sobrevivência política depende de manter a guerra funcionando. É regime de guerra permanente para evitar colapso interno.
Muita gente na Rússia trabalha hoje para o esforço de guerra. Soldados recebem muito mais em situação de guerra do que em paz. No momento em que a guerra parar, essa economia artificial desaba. Críticos sugerem que Putin precisa da guerra para manter estabilidade social interna.
Ex-ministro das Relações Exteriores ucraniano Dmitro Kuleba foi claro: Putin vai lutar até o último suspiro porque é a maneira que ele encontrou de manter o governo. É luta pela própria sobrevivência política. Para esses analistas, a guerra não é sobre território. É sobre poder.
China: o verdadeiro beneficiário da guerra permanente
Observadores geopolíticos argumentam que a China quer que a Rússia continue lutando indefinidamente. Não tem interesse nem em vitória russa completa nem em derrota total. Quanto mais a Rússia luta, mais se enfraquece como rival regional da China. E mais ela enfraquece a Europa e o Ocidente.
Na visão desses analistas, a Rússia virou braço de combate do Partido Comunista Chinês, fazendo o trabalho sujo de desestabilizar o Ocidente. É relacionamento que alguns interpretam como parasitário. A China fornece recursos suficientes para a Rússia não perder, mas não suficientes para ganhar decisivamente.
Uma vitória russa fortaleceria a posição de Moscou em relação à China. Uma derrota russa enfraqueceria a posição da Rússia no balanço global de poder. Críticos sugerem que a China quer a Rússia dependente, não vitoriosa. É estratégia de longo prazo para hegemonia asiática.
Os Estados Unidos podem estar fazendo cálculo similar. Manter a guerra na Ucrânia drena recursos russos e mantém a Europa dependente da proteção americana. É geopolítica cruel onde ucranianos pagam o preço da rivalidade entre grandes potências.
O custo humano da guerra energética
Dados recentes da ONU mostram que 2025 foi o ano mais mortal para civis na Ucrânia desde 2022, com 2.514 mortos e 12.142 feridos. Cada número representa família destruída. Cada estatística esconde tragédia pessoal.
O acesso a serviços básicos está sendo cortado: aquecimento e abastecimento de água são interrompidos, e a capacidade de hospitais e instalações de saúde de funcionar está ameaçada. A perda de acesso a comunicações e transporte público elétrico isola pessoas. É colapso civilizacional em câmera lenta.
Os mais vulneráveis sofrem mais. Idosos, pessoas com deficiência, doentes e famílias com crianças enfrentam riscos fatais devido à exposição ao frio. A guerra energética não distingue combatentes de civis. Crianças morrem de frio porque transformadores foram bombardeados.
As consequências humanitárias de apagões prolongados são graves. Essas condições juntas colocam tensão imensa na saúde física e mental, dignidade e segurança do povo ucraniano. Críticos classificam isso como terrorismo de Estado disfarçado de estratégia militar.
A comunidade internacional condena, mas condenações não aquecem casas. Ataques contra infraestrutura civil ucraniana devem cessar imediatamente, e os responsáveis devem ser responsabilizados. O Tribunal Penal Internacional emitiu mandados de prisão para comandantes militares russos. Mandados que provavelmente nunca serão cumpridos.
A perspectiva libertária: quando o inverno vira arma de guerra
Na visão libertária, a guerra na Ucrânia expõe a fragilidade da civilização moderna. Basta cortar a energia para transformar cidades avançadas em campos de sobrevivência. É lembrança brutal de como dependemos de sistemas que podem ser destruídos em minutos e levam meses para reconstruir.
Para defensores da liberdade individual, o Estado russo descobriu que não precisa conquistar território para quebrar um povo. Basta destruir sua infraestrutura básica e esperar o inverno fazer o resto. É estratégia que críticos libertários classificam como barbárie com verniz de modernidade militar. E funciona porque o sofrimento humano tem limites que a ambição política não conhece.
Diante dessa guerra energética sem precedentes, fica a pergunta: até quando uma sociedade consegue resistir quando o próprio inverno se torna arma de guerra? A resposta está sendo escrita nas ruas geladas de Kiev, onde famílias ucranianas provam diariamente que a liberdade vale mais que o conforto, e a resistência é mais forte que o frio.
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 16/01/2026 11:03
Fontes
- Regional Paulista – Ucrânia luta por energia enquanto ataques russos atingem infraestrutura
- Tribuna do Sertão – Rússia lança mais um grande ataque à rede elétrica da Ucrânia
- Observador – Zelensky nomeia novo ministro da Defesa
- Renascença – Rússia atinge infraestruturas energéticas em 150 zonas na Ucrânia



