dezembro 9, 2025

Ludwig M

TST pune condomínios em R$ 20 mil por substituir porteiro

TST pune condomínios em R$ 20 mil por substituir porteiro

Em 17 de outubro, o Tribunal Superior do Trabalho publicou uma decisão que obriga condomínios a pagarem indenização de 10 pisos salariais – cerca de R$ 20 mil – por cada porteiro substituído por sistema virtual. A medida transforma o progresso tecnológico em crime financeiro, penalizando quem ousa sair do século passado em nome da justiça social.

Essa decisão nasce em um país onde a produtividade já é risível. Mesmo assim, as instituições parecem determinadas a proteger um modelo de economia fossilizado. O Brasil se comporta como se estivesse preso no século passado, resistindo a qualquer modernização que ameace estruturas corporativas.

Enquanto o mundo avança rumo à eficiência, o Brasil se orgulha em defender empregos que só existem porque a automação foi proibida. O discurso estatal inverte os papéis e coloca o progresso como vilão, mesmo que a automação sempre beneficie o trabalhador com mais eficiência, salários maiores e menos carga horária.

Não é incompetência. É projeto de manter o país atrasado em nome de uma proteção que empobrece a todos.

O caso dos frentistas: quando o trivial vira crime

O exemplo mais claro dessa mentalidade retrógrada são os frentistas de postos de combustível. No mundo desenvolvido, os postos funcionam em sistema self service há décadas. O resultado é serviço mais rápido e menos custoso para o cliente. No Brasil, algo tão trivial e funcional é simplesmente ilegal.

A justificativa oficial não é segurança ou eficiência, mas o medo do desemprego. Assim, empreendedores são obrigados a recrutar trabalhadores para fazer o que máquinas fariam por centavos. O resultado são preços mais altos na bomba, pagos por todos os consumidores.

Para o Estado brasileiro, seria melhor dar colheres para mil trabalhadores abrirem um buraco do que usar uma escavadeira. Afinal, assim vários empregos seriam “protegidos”. Essa lógica perverte o conceito de trabalho e transforma a ineficiência em virtude.

O consumidor final sempre paga a conta dessa proteção forçada. Cada vez que uma tecnologia é proibida, o preço sobe para todos. A classe trabalhadora que supostamente é protegida acaba pagando mais caro por produtos e serviços básicos.

Os números da tragédia: Brasil, campeão da improdutividade

Dados do setor industrial revelam que em 2015 cada trabalhador brasileiro produziu cerca de 20% abaixo da média global. No agronegócio, mesmo sendo um dos setores mais modernos do Brasil, ainda ficamos muito atrás dos Estados Unidos em produtividade por hectare.

No setor de serviços, o peso da burocracia nos sufoca. Pagar impostos consome mais de 1.500 horas por ano e devora 65% do lucro das empresas. Segundo o Doing Business 2020, o Brasil é o país onde o tempo gasto para obedecer o Estado supera o tempo gasto para inovar.

A logística ilustra bem o problema: o Brasil gasta 11,6% do PIB em custos logísticos, contra 8,7% da média da OCDE. Um abismo de ineficiência que não se deve apenas à falta de automação, mas ao próprio Estado que amarra a economia em correntes invisíveis.

Impostos altíssimos, regulações sufocantes e insegurança jurídica completam o cenário. O Estado cria todos os obstáculos possíveis e depois se apresenta como protetor dos trabalhadores prejudicados por sua própria incompetência.

Desmontando os mitos contra a automação

O primeiro mito é que “a automação destrói empregos”. Esse mantra é repetido desde os tempos da destruição das máquinas têxteis na Inglaterra. O raciocínio parece simples: se uma máquina faz o trabalho de 10 pessoas, nove ficarão desempregadas.

A história mostra o contrário. A automação elimina tarefas, não o trabalho em si. Cada revolução tecnológica criou mais empregos do que destruiu, embora em áreas diferentes. A diferença é que no Brasil entraves regulatórios impedem essa transição natural.

Quando a produtividade aumenta, o consumo se expande, novos mercados surgem e novas demandas nascem. A automação é o motor da prosperidade – o problema é o freio de mão estatal que impede o motor de funcionar.

A culpa não é da tecnologia. É do sistema que criminaliza a adaptação e força a sociedade a manter estruturas obsoletas.

A falácia da desigualdade tecnológica

Outro argumento comum é que “a automação aumenta a desigualdade”. Pensadores como Thomas Piketty gostam de pintar o capitalismo como vilão que lucra com máquinas enquanto trabalhadores ficam com migalhas. É o velho papo marxista de mais-valia com roupagem moderna.

A verdadeira desigualdade não nasce do mercado livre, mas dos privilégios concedidos pelo Estado. Subsídios, monopólios e patentes eternas concentram poder – não a livre concorrência. Em mercado desregulado, o capital é acessível a todos e a tecnologia reduz preços.

A automação democratiza o conforto e multiplica a abundância, beneficiando especialmente os mais pobres. Apenas quando o Estado interfere essa dinâmica é pervertida. O problema não são as máquinas, mas quem controla seu uso.

Em sociedade livre, tecnologia significa mais produtos baratos e acessíveis para todos. É o intervencionismo que transforma progresso em privilégio de poucos.

O mito da desumanização pelo progresso

Existe também a visão de que “a automação desumaniza o trabalho”. Segundo essa corrente, se máquinas assumem tarefas humanas, perdemos o sentido da vida. É argumento que ouvimos muito no meio artístico contra inteligências artificiais generativas.

Se a vida humana depende de bater ponto, talvez o problema não esteja nas máquinas, mas na forma como fomos condicionados. O trabalho não é valor moral – é meio para atingir fins desejados. A tecnologia que nos liberta da labuta mecânica nos devolve o tempo.

Tempo para criar, explorar, pensar e viver. A automação é libertação, não ameaça. Apenas mentes aprisionadas pelo conceito de trabalho como obrigação veem nisso um problema. A humanidade sempre buscou maneiras de trabalhar menos e viver melhor.

A automação realiza esse sonho milenar. Transformar isso em pesadelo é perversão ideológica que beneficia apenas quem lucra com a miséria alheia.

Rumo à economia pós-trabalho: o futuro que o Brasil rejeita

A economia pós-trabalho representa o ápice da automação – um ponto onde máquinas substituem quase 100% da força humana. Robôs e inteligência artificial fazem em segundos o que antes exigia dias, sem erro, descanso ou encargos trabalhistas.

Isso multiplicaria o PIB global, reduzindo custos e transformando a economia em máquina de gerar abundância. Para empresas, os incentivos mudariam: não mais maximizar empregos, mas acelerar automação oferecendo transições justas para afetados.

Para indivíduos, o foco seria outro: não emprego como identidade, mas propósito como escolha. A educação sairia do adestramento técnico para desenvolvimento intelectual, filosófico e artístico. Preparar pessoas para pensar livremente, não apenas executar.

Mas surge a questão: se ninguém trabalha por salário, com que dinheiro comprar produtos? A resposta estatista é renda básica universal financiada por impostos. A resposta libertária é participação acionária no capital produtivo – voluntária, meritocrática e ética.

Por que o Estado teme a automação

Quando a produção for totalmente automatizada, a função do governo se tornará redundante. Se robôs cuidam da produção, se capital é distribuído via investimentos voluntários, se pessoas vivem sem depender de empregos CLT, para que serve o Estado?

Sua justificativa principal – regular sociedade e proteger trabalhadores – se dissolve diante de sociedade autossuficiente. A revolução da inteligência artificial será o golpe final no velho Leviatã. É isso que estatistas temem quando atacam automação.

Mundo pós-trabalho é mundo pós-coerção. Quando máquinas libertarem o homem da necessidade, o Estado perderá o último argumento que o mantém de pé. Por isso criminalizam cada avanço tecnológico e transformam progresso em contravenção.

O medo deles não é o desemprego. É a liberdade que vem quando ninguém mais precisa de patrão – nem do Estado como patrão universal. Máquinas livres significam pessoas livres.

A decisão do TST contra sistemas virtuais de portaria é apenas mais um capítulo dessa guerra contra o futuro. Enquanto o mundo caminha para economia pós-trabalho, o Brasil insiste em permanecer na era pré-industrial dos direitos trabalhistas.

Até quando uma nação aceita pagar R$ 20 mil para manter a ineficiência? A resposta definirá se o Brasil será protagonista ou espectador da próxima revolução econômica da humanidade.

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