dezembro 19, 2025

Ludwig M

Trump reclassifica maconha nos EUA: o que isso significa

Trump reclassifica maconha nos EUA: o que isso significa

Trump muda classificação da maconha para facilitar pesquisas médicas

O presidente americano Donald Trump assinou um decreto que reclassifica a maconha nos Estados Unidos. A substância saiu da categoria de droga classe I, onde estava junto com heroína e cocaína, para a classe III, ao lado da quetamina e outros medicamentos controlados.

A medida não legaliza a maconha para uso recreativo. Trump foi claro ao explicar sua posição: sempre adotou uma abordagem de dizer não às drogas, orientando seus próprios filhos a não usar drogas, não beber e não fumar. O presidente não bebe nem fuma.

Segundo Trump, os fatos obrigam o governo federal a reconhecer que a maconha pode ter aplicações médicas legítimas quando administrada com cuidado. A reclassificação facilita pesquisas científicas e tratamentos médicos com a substância.

A decisão gerou críticas de vários senadores republicanos e deputados, que temem normalizar o uso da droga, especialmente entre jovens. Curiosamente, a medida segue diretrizes já iniciadas pelo governo Biden, mostrando uma mudança bipartidária na forma como o governo federal encara a substância.

Sistema de classificação americano versus brasileiro

Nos Estados Unidos existe um sistema de classificação detalhado para drogas. No Brasil, a abordagem é mais simples: ou é droga proibida ou não é. Os americanos dividem as substâncias controladas em diferentes categorias baseadas no potencial de abuso e valor médico.

A maconha estava na classe I, reservada para drogas consideradas mais perigosas e sem valor médico reconhecido. Agora na classe III, ela fica na mesma categoria de medicamentos que podem ser prescritos por médicos, mas ainda são controlados.

Cada estado americano tem suas próprias leis sobre maconha. Alguns permitem uso médico, outros liberaram também o uso recreativo. A lei federal ainda considera a substância proibida, mas a nova classificação reduz a severidade das penalidades.

A mudança não altera o combate ao tráfico ou a proibição da venda não autorizada. O impacto maior será na área de pesquisa científica e desenvolvimento de medicamentos baseados na cannabis.

A ineficiência da guerra às drogas

A reclassificação da maconha expõe um problema maior: a ineficácia das políticas proibicionistas. No Brasil, quem quiser comprar drogas consegue em qualquer cidade, independente do tamanho. A facilidade de acesso contradiz décadas de investimento em repressão.

O economista Milton Friedman explicava como a proibição pode ter efeitos contrários ao desejado. Quando uma substância é proibida, os traficantes preferem transportar drogas mais concentradas e lucrativas. É mais vantajoso traficar cocaína do que maconha pelo tamanho, peso e margem de lucro.

Durante a Lei Seca americana, entre as décadas de 1920 e 1930, observou-se fenômeno similar. Os contrabandistas preferiam transportar whisky ao invés de cerveja. O risco era o mesmo, mas o lucro do destilado era muito maior.

Muitos especialistas acreditam que a epidemia de crack no Brasil e de fentanil nos Estados Unidos decorre dessa lógica perversa. Pessoas que buscariam drogas mais leves acabam tendo acesso mais fácil às pesadas, com consequências devastadoras.

Como a proibição fortalece organizações criminosas

O Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital diversificaram suas fontes de renda. Lucram com gatonet, venda de gás, cobrança de serviços nas regiões que controlam. Mas o tráfico de drogas ainda representa parcela significativa dos recursos dessas organizações.

A proibição mantém os preços artificialmente altos e garante margens enormes de lucro. Esse dinheiro compra armas, recruta membros e corrompe autoridades. A guerra às drogas financia exatamente aquilo que deveria combater.

A legalização não acabaria com essas facções criminosas da noite para o dia. Elas encontrariam outras atividades ilegais. Mas perderam uma fonte importante de financiamento, enfraquecendo sua capacidade operacional.

No México, cartéis de drogas mantêm arsenais que rivalizam com exércitos nacionais. Nos Estados Unidos, gangues urbanas controlam territórios inteiros das grandes cidades. A proibição criou um mercado negro trilionário que alimenta a violência mundial.

Estado versus livre mercado na solução do problema

Drogas fazem mal. Destroem vidas, famílias e comunidades inteiras. Ninguém deveria usar cocaína, crack, heroína ou fentanil. Álcool e tabaco também causam milhões de mortes anuais. O problema é real e grave.

A questão é: qual a melhor forma de lidar com essa realidade? Décadas de proibição não reduziram o consumo nem a oferta. Pelo contrário, criaram mercados mais violentos e drogas mais perigosas.

Campanhas educativas funcionam melhor que prisões. Tratamento médico custa menos que encarceramento. Programas de redução de danos salvam mais vidas que operações policiais espetaculosas.

O Estado brasileiro gasta bilhões na guerra às drogas sem resultados mensuráveis. Esse dinheiro poderia financiar educação, saúde e programas sociais que realmente previnem o uso de substâncias nocivas. Não é incompetência. É insistir em políticas comprovadamente ineficazes.

A abordagem libertária para políticas de drogas

Libertários defendem a descriminalização de todas as drogas, não por acharem que são boas ou inofensivas. Pelo contrário, reconhecem os danos causados por essas substâncias. A questão é pragmática: proibição não funciona e causa mais problemas que soluções.

O papel do Estado deveria ser proteger direitos individuais e combater violência, não decidir o que adultos podem ou não colocar no próprio corpo. Cada pessoa deve ser responsável pelas consequências de suas escolhas.

Informação é a melhor defesa contra drogas. Pais, escolas e comunidades têm papel fundamental em educar sobre os riscos. Médicos e terapeutas podem tratar quem desenvolve dependência. A polícia deve focar em crimes com vítimas.

Países como Portugal e Suíça adotaram políticas de descriminalização com resultados positivos. Reduziram mortes por overdose, infecções por HIV e criminalidade associada ao tráfico. O consumo não disparou como os proibicionistas previam.

O que esperar da mudança americana

A reclassificação da maconha por Trump pode ser o primeiro passo para mudanças mais amplas. Se pesquisas médicas comprovarem benefícios terapêuticos significativos, a pressão por legalização total aumentará.

Estados americanos continuarão experimentando diferentes abordagens. Uns manterão proibição total, outros avançarão na liberalização. Essa diversidade permitirá comparar resultados e identificar melhores práticas.

O impacto econômico também será relevante. A indústria legal de cannabis nos estados que já liberaram movimenta bilhões de dólares anuais. Gera empregos, recolhe impostos e desenvolve tecnologias que podem beneficiar outras áreas da medicina.

Para o Brasil, a mudança americana pode influenciar o debate interno. Parlamentares e autoridades de saúde terão mais dados para avaliar políticas alternativas. A pressão social por mudanças na abordagem brasileira pode crescer.

O mundo está mudando sua visão sobre políticas de drogas. Trump, um presidente conservador, reconheceu a falência da abordagem puramente repressiva. Isso sinaliza que até setores tradicionalmente linha-dura percebem a necessidade de mudança. A pergunta que fica é: quando o Brasil terá coragem de repensar suas próprias políticas fracassadas?

Fontes

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