O presidente americano Donald Trump anunciou tarifas de 25% sobre países que fazem negócios com o Irã, enquanto grupos de direitos humanos reportam que mais de 2 mil pessoas já morreram nos protestos que completam sua terceira semana. O Brasil está diretamente na mira da medida, com exportações ao Irã que totalizaram US$ 3 bilhões em 2025.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
Escalada de violência e blackout de comunicações
Os números são alarmantes. Ativistas relatam que centenas de pessoas foram mortas pelas forças de segurança em sua tentativa de conter os protestos. Segundo dados mais recentes, pelo menos 1.850 manifestantes foram mortos, com outros grupos reportando números ainda maiores.
O regime iraniano cortou praticamente toda comunicação com o exterior. Autoridades iranianas cortaram internet e linhas telefônicas na noite de 8 de janeiro, deixando o país isolado do mundo. Aliás, essa tática de blackout comunicacional é típica de regimes autoritários quando enfrentam crises de legitimidade.
O que começou como protestos econômicos se transformou em algo muito maior. Os protestos começaram há cerca de duas semanas nos bazares de Teerã por causa da inflação descontrolada, mas se espalharam para mais de 180 cidades. Quando comerciantes tradicionalmente leais ao regime se rebelam, é sinal de que a situação política está no limite.
Brasil na linha de tiro das sanções americanas
A decisão de Trump atinge em cheio o agronegócio brasileiro. Dados federais mostram que as exportações brasileiras ao Irã superaram US$ 3 bilhões em 2024. Entre os principais produtos estão soja, milho, açúcar e outros produtos agrícolas — setores que já enfrentam pressões econômicas domésticas.
Por sinal, o timing não poderia ser pior para o Brasil. Em meados de 2025, o Brasil já enfrentou tarifas americanas adicionais sobre carne bovina, café e suco de laranja. Washington depois mudou de rumo parcialmente, mas agora a situação se complica novamente.
O dilema é claro: manter negócios lucrativos com o Irã ou evitar tarifas punitivas do principal parceiro comercial brasileiro. Observadores da política externa brasileira questionam se vale a pena sustentar relações comerciais com regimes que massacram seus próprios povos. Afinal, há custos crescentes em apoiar ditaduras — algo que o governo brasileiro parece relutante em reconhecer.
Trump sinaliza possível intervenção militar
As ameaças americanas vão além de tarifas comerciais. Trump disse que sua administração está monitorando os protestos mortais no Irã e continua avaliando opções militares potenciais, prometendo que “ajuda está a caminho” para os manifestantes.
A mudança de tom é significativa. Trump declarou que cancelou todas as reuniões com autoridades iranianas, sugerindo que a janela diplomática que ele via se abrindo há dias se fechou. Isso indica uma escalada preocupante nas tensões.
O regime iraniano, por sua vez, tenta projetar força. Autoridades afirmam estar “preparadas para a guerra”, mas também abertas ao diálogo. É a típica postura de regimes autoritários: ameaçar externamente enquanto reprimem brutalmente internamente.
Impacto na economia global
As medidas atingem parceiros comerciais importantes do Irã. Nos primeiros 11 meses de 2025, a China exportou US$ 6,2 bilhões em produtos para o Irã e importou US$ 2,85 bilhões. A nova tarifa pode significar uma alíquota mínima de 45% sobre produtos chineses versus os 20% atuais.
A reação chinesa foi imediata. O ministério das relações exteriores da China criticou a medida, dizendo que “não há vencedores numa guerra tarifária”. Pequim promete defender firmemente seus interesses legítimos — o que sugere retaliação comercial.
Outros países também ficam vulneráveis. Índia, Emirados Árabes Unidos e Turquia mantêm relações comerciais significativas com o Irã e podem enfrentar as mesmas pressões. Trata-se de uma estratégia agressiva de usar poder econômico americano como arma geopolítica.
A perspectiva libertária sobre controle estatal
Na visão libertária, a situação iraniana ilustra perfeitamente os perigos do poder estatal concentrado. Um regime teocrático que controla todos os aspectos da vida dos cidadãos — economia, religião, comunicações — inevitavelmente se torna opressor quando sua legitimidade é questionada.
Para defensores da liberdade individual, o blackout de internet representa uma das violações mais graves dos direitos humanos na era digital. Quando governos podem simplesmente “desligar” a comunicação de 85 milhões de pessoas, isso demonstra um nível de controle estatal que seria inaceitável em qualquer sociedade livre.
Críticos libertários da política externa brasileira argumentam que manter relações comerciais próximas com ditaduras não é apenas questionável moralmente — agora tem custos econômicos diretos e mensuráveis para empresários e trabalhadores brasileiros.
Futuro incerto para o regime iraniano
A combinação de pressão interna e externa coloca o regime iraniano numa posição cada vez mais delicada. Os protestos se transformaram em um dos maiores desafios que a República Islâmica enfrentou em seus 47 anos de história. Quando manifestações começam nos bazares tradicionais e se espalham para mais de 180 cidades, isso sinaliza uma crise de legitimidade profunda.
A resposta internacional também se intensifica. Além das tarifas americanas, a União Europeia sinaliza novas sanções sobre o que considera um número “horroroso” de mortos e feridos na repressão governamental.
Para o povo iraniano, cada dia representa uma escolha entre submissão e resistência — com consequências potencialmente fatais. Para o regime, cada manifestação pode ser o início do fim ou uma oportunidade de demonstrar força através da brutalidade.
A questão que fica é: quanto tempo um regime pode sustentar legitimidade apenas através da força? A história sugere que ditaduras podem resistir por décadas, mas quando a legitimidade popular desaparece completamente, o colapso pode ser surpreendentemente rápido.
Enquanto isso, países como o Brasil precisam decidir se vale a pena manter relações comerciais com regimes que massacram seus próprios povos — especialmente quando essas relações agora têm custos econômicos diretos impostos por parceiros democráticos.
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 13/01/2026 16:02
Fontes
- ABC News – Trump announces 25% tariff on any country doing business with Iran
- NBC News – Trump says Iran wants to negotiate as protest crackdown death toll rises
- CNN – Why are there mass protests in Iran, and could the US get involved?
- TIME – Trump Threatens Tariffs on Countries ‘Doing Business’ With Iran
- CNN Business – Trump ‘immediately’ imposes 25% tariffs on countries that do business with Iran


