A The Economist, conhecida pelos críticos como “The Communist”, publicou sua edição “The World Ahead 2025” no final de 2024. A publicação, conforme comunicado oficial, previu que as repercussões da vitória de Trump afetariam tudo, desde imigração e defesa até economia e comércio, e que sua política “America First” faria amigos e inimigos questionarem a solidez das alianças americanas, podendo levar a realinhamentos geopolíticos, tensões elevadas e até proliferação nuclear.
Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não afirma como fatos comprovados a prática de crimes ou ilícitos, nem substitui decisões judiciais. Seu objetivo é promover reflexão crítica sob uma perspectiva editorial libertária.
As poucas previsões que se confirmaram
Entre as 10 tendências listadas pela publicação britânica, apenas algumas se materializaram. A revista acertou ao prever que Trump adotaria uma postura mais protecionista com tarifas — o que de fato aconteceu logo no início do ano. O presidente americano impôs restrições comerciais não apenas à China, mas também aos aliados, causando questionamentos sobre a confiabilidade das alianças americanas.
O aspecto geopolítico também teve alguns acertos. Segundo reportagem da NBC, Trump transformou seu resort Mar-a-Lago em um centro de diplomacia global, com reuniões de alto nível com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, marcando tentativas significativas de cimentar um legado como pacificador global. Isso confirma parcialmente a previsão sobre realinhamentos geopolíticos.
A revista também previu corretamente que haveria mudanças políticas globais significativas. De fato, 2025 testemunhou uma onda conservadora varrendo a América Latina, com mudanças políticas importantes em países como Chile, Honduras e outros. A tendência de derrotas dos partidos no poder, mencionada na publicação, se concretizou em várias regiões.
Quanto aos déficits fiscais, The Economist antecipou que os bancos centrais enfrentariam o desafio de reduzir déficits após controlar a inflação. Isso se mostrou preciso, especialmente nos Estados Unidos, onde Trump continuou gastando pesadamente apesar das promessas de cortes.
Gaza e Ucrânia: previsões parcialmente corretas
A publicação antecipou que Trump empurraria a Ucrânia para um acordo com a Rússia e daria maior liberdade a Israel nos conflitos. Esta previsão se confirmou parcialmente. Segundo informações documentadas, o desenvolvimento diplomático mais consequencial do ano veio no início de outubro, quando o governo Trump ajudou a intermediar um cessar-fogo entre Israel e Hamas, interrompendo os combates em larga escala após meses de confronto intenso e permitindo a libertação de todos os reféns restantes do ataque de 7 de outubro do Hamas.
Entretanto, a situação não foi exatamente como previsto. De acordo com análise do Council on Foreign Relations, em Gaza, o plano de paz de 20 pontos que Trump saudou como “não apenas o fim de uma guerra, mas o fim de uma era de terror e morte” não terminou completamente a violência entre Israel e Hamas, com relatos de palestinos mortos desde o cessar-fogo em outubro e forças de paz que deveriam supervisionar as fases subsequentes ainda não totalmente criadas.
Com relação à Ucrânia, a situação se mostrou mais complexa. Conforme reportado pela NBC, Trump se vangloriou durante sua campanha presidencial de que terminaria a guerra na Ucrânia “em 24 horas” — uma afirmação que era questionável quando a fez, mas seus esforços para convencer os dois lados a parar de lutar ainda não renderam frutos, com o presidente posteriormente admitindo que era “uma exageração”.
E mais: o que The Economist não previu foi o envolvimento direto dos Estados Unidos em ataques ao Irã. Este foi um desenvolvimento significativo que surpreendeu analistas e não constava nas previsões da revista.
Inteligência Artificial: onde a elite perdeu o rumo completamente
A revista caracterizou a IA como “a maior aposta da história dos negócios”, com mais de US$ 1 trilhão sendo gasto em data centers para inteligência artificial, mesmo com empresas ainda incertas sobre como usar a tecnologia e baixas taxas de adoção. A publicação questionava se os investidores perderiam a paciência ou se a IA provaria seu valor.
Ora, a realidade de 2025 foi completamente diferente. Pesquisa da UNCTAD estima que o mercado de inteligência artificial saltará dos atuais US$ 189 bilhões em 2023 para US$ 4,8 trilhões até 2033. Mais impressionante ainda, segundo análise divulgada pela Fortune: a demanda por IA foi responsável por 92% de todo o crescimento do PIB americano durante a primeira metade de 2025, tornando-se literalmente o sistema de suporte à vida da prosperidade nacional.
Não houve estouro da bolha que a revista insinuou ser possível. Pelo contrário! O CEO da Nvidia, Jensen Huang, anunciou em outubro que a empresa tinha US$ 500 bilhões em pedidos para 2025 e 2026 combinados para seus chips de IA, sendo que “o número vai crescer”. A empresa continua batendo recordes trimestrais.
Aliás, a questão energética — que se tornou central para a IA — também não foi adequadamente antecipada. Segundo análise especializada, o principal gargalo para o crescimento da IA em 2025 mudou da disponibilidade de chips para eletricidade, com a demanda energética dos data centers atingindo níveis que agora são um fator significativo na política energética nacional.
Por sinal, essa falha de The Economist revela algo mais profundo: as elites acadêmicas simplesmente não conseguem compreender a velocidade e a escala da inovação privada quando ela é verdadeiramente liberada.
Turismo e viagens: completamente equivocada
The Economist previu que o movimento global de pessoas enfrentaria crescente fricção, com conflitos interrompendo a aviação global, a Europa adicionando verificações de fronteira e o sistema Schengen se desfazendo. A revista também antecipou que a reação contra o “overturismo” diminuiria em 2025, mas restrições introduzidas por muitas cidades, de Amsterdã a Veneza, permaneceriam.
Esta previsão se mostrou amplamente incorreta. Embora algumas cidades pontuais tenham mantido restrições turísticas, o setor de turismo global continuou crescendo em 2025. As grandes interrupções na aviação não se materializaram na escala prevista, e o sistema Schengen não se desfez como antecipado.
Afinal, o que a revista não considerou foi a capacidade de adaptação da indústria do turismo e a demanda reprimida por viagens. Mesmo com alguns gargalos pontuais, o fluxo global de pessoas manteve sua tendência de crescimento, contrariando as previsões pessimistas da publicação.
A falha nesta previsão revela um padrão comum nas análises das elites: superestimar a importância de problemas pontuais e subestimar a resiliência dos mercados e da iniciativa privada. Quando há demanda real, o mercado sempre encontra um jeito.
O envelhecimento populacional: análise rasa demais
A revista afirmou que líderes mundiais estavam envelhecendo junto com suas populações, sugerindo que haveria mais discussões sobre limites de idade para líderes políticos. Também previu que a China procuraria oportunidades econômicas em um mundo envelhecido.
Essa previsão se mostrou equivocada em vários aspectos. Não houve debates significativos sobre limites de idade para presidentes em 2025. A questão do envelhecimento, embora real, não se traduziu em mudanças políticas concretas como antecipado.
Mais importante ainda: a análise sobre a China foi superficial demais. A revista não considerou que a própria China enfrenta uma crise demográfica severa, com envelhecimento acelerado e declínio populacional. A ideia de que a China se beneficiaria do envelhecimento mundial ignorou suas próprias limitações estruturais graves.
Esta falha de análise demonstra como as publicações mainstream frequentemente repetem narrativas sem examinar profundamente os dados fundamentais. A China não está em posição de explorar oportunidades demográficas quando enfrenta seus próprios desafios populacionais críticos.
O padrão dos erros: por que as elites sistematicamente falham
Vamos aos números frios: das 10 tendências principais, a revista acertou apenas 3 ou 4, dependendo da interpretação generosa. Isso representa uma taxa de acerto inferior a 50% — literalmente pior que jogar uma moeda!
O problema fundamental está na metodologia das elites intelectuais. Elas tendem a supercomplicar análises, criando modelos teóricos sofisticados que ignoram a realidade prática do chão de fábrica. Preferem cenários dramáticos e transformações radicais a mudanças incrementais e adaptações naturais do mercado.
Outro fator crucial é o viés ideológico. The Economist, apesar da pretensão de neutralidade, carrega preconceitos profundos sobre livre mercado, globalização e papel do Estado. Isso distorce suas análises, levando a previsões que refletem mais wishful thinking estatista do que análise objetiva.
A revista também subestima consistentemente a capacidade de adaptação dos agentes econômicos. Empresas, indivíduos e mercados são infinitamente mais resilientes e criativos do que os modelos teóricos sugerem. Essa rigidez mental acadêmica impede previsões precisas.
Por fim, há o problema da “sabedoria” coletiva das elites. Elas se retroalimentam em bolhas intelectuais, criando ecos de ideias similares. Quando toda a classe pensante concorda sobre algo, frequentemente estão todos errados — porque estão todos olhando para o mesmo lugar errado.
As lições valiosas para o investidor e cidadão comum
Os erros sistemáticos da The Economist oferecem lições valiosas para quem busca entender o mundo real. Primeiro: desconfie sempre de previsões grandiosas e cenários dramáticos. A realidade costuma ser mais mundana e incremental do que as elites imaginam.
Segundo: foque nos fundamentos econômicos reais e tangíveis. O boom da IA não foi bolha porque havia demanda genuína e aplicações práticas imediatas. O turismo continuou crescendo porque as pessoas valorizam experiências e viagens. Estes são fatores básicos e humanos que modelos teóricos complexos frequentemente ignoram ou menosprezam.
Terceiro: sempre considere a capacidade de adaptação do setor privado. Mercados livres e iniciativa privada encontram soluções criativas que burocratas e acadêmicos não conseguem antecipar. Esta foi uma constante nos erros da revista: subestimar a criatividade e resiliência empresarial.
Para investidores, a lição é cristalina: não baseie decisões em previsões de publicações mainstream. Elas carregam vieses sistemáticos anti-mercado e falham regularmente. Prefira análises que considerem incentivos econômicos reais e comportamento humano prático, não teorias econômicas abstratas.
Finalmente — e isto é fundamental — lembre-se que as elites intelectuais vivem em bolhas completamente isoladas da realidade. Suas previsões refletem mais seus ambientes acadêmicos e corporativos do que a realidade das ruas, dos negócios reais, da vida comum. O cidadão comum, com bom senso e observação direta, frequentemente enxerga melhor que especialistas “renomados”.
O ano de 2025 provou mais uma vez que o mundo real é mais complexo, resiliente e surpreendente do que as teorias das elites sugerem. Quem souber enxergar além do ruído intelectual e confiar na sabedoria prática estará sempre um passo à frente.
Diante de tantos erros sistemáticos e previsíveis, a pergunta que fica é: por que diabos ainda damos tanto crédito às previsões dessas elites autoproclamadas? Talvez seja hora de confiar mais no bom senso, na observação direta da realidade e — principalmente — na capacidade infinita do mercado livre de surpreender os “especialistas”.
Fontes e Referências
- PR Newswire – Comunicado oficial The Economist World Ahead 2025
- NBC News – Encontro Trump-Zelensky em Mar-a-Lago
- Wikipedia – Plano de paz para Gaza
- NBC News – Trump chama promessa de 24h de ‘exageração’
- UNCTAD – Projeção mercado IA $4.8 trilhões
- Fortune – IA responsável por 92% crescimento PIB americano
- CNBC – Nvidia $500 bilhões em pedidos 2025-2026



