dezembro 31, 2025

Ludwig M

The Economist abandona Lula e dispara: idade é risco demais para 2026

A revista britânica The Economist publicou um editorial nesta terça-feira (30) recomendando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não concorra à reeleição em 2026. O principal argumento é a idade: aos 80 anos, segundo reportagem da Revista Oeste, Lula representaria um risco elevado para o país caso seja reeleito. Se vencesse, deixaria o cargo somente aos 85 anos. Uma perspectiva que deveria fazer qualquer democrata — de verdade — refletir.

Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não afirma como fatos comprovados a prática de crimes ou ilícitos, nem substitui decisões judiciais. Seu objetivo é promover reflexão crítica sob uma perspectiva editorial libertária.

O paralelo perigoso com Biden

A publicação traça um paralelo direto com o ex-presidente americano Joe Biden, lembrando que “Lula é apenas um ano mais novo do que Joe Biden era no mesmo período do ciclo eleitoral de 2024 nos Estados Unidos, e isso terminou de forma desastrosa”, segundo a Gazeta Web. A comparação é brutal — e realista. Biden desistiu da reeleição após questionamentos sobre sua capacidade mental que viraram constrangimento nacional.

“Apesar de todo o talento político, carisma não é escudo contra o declínio cognitivo”, afirma a revista. E aí está o ponto: mesmo políticos habilidosos não estão imunes aos efeitos da idade avançada. O carisma que sempre salvou Lula pode não ser suficiente desta vez. Afinal, não existe mágica que barre o tempo.

A The Economist reconhece que Lula “parece estar em muito melhor forma do que Biden”, mas lembra dos problemas de saúde recentes do presidente brasileiro. A cirurgia cerebral realizada em dezembro de 2024 após uma queda doméstica serve como alerta sobre os riscos de manter um octogenário no comando da maior economia da América Latina.

O editorial britânico não poupa críticas: “candidatos com mais de 80 anos representam riscos elevados para a estabilidade política e institucional”. É uma declaração dura, mas justa, sobre os limites da democracia quando confrontada com lideranças envelhecidas. Por mais que doa no ego petista.

Políticas econômicas “medíocres” pesam contra Lula

Além da idade, a revista classifica as políticas econômicas do governo como “medíocres”, criticando o foco em transferências de renda combinado a medidas de aumento de arrecadação consideradas pouco amigáveis ao setor empresarial. É uma crítica direta ao velho e conhecido modelo petista de gestão: mais Estado, menos liberdade econômica.

A publicação reconhece que “a economia brasileira apresentou resultados positivos”, mas aponta que isso não basta. O crescimento não esconde as falhas estruturais da política econômica atual. Aliás, o Brasil cresceu apesar do governo, não por causa dele — algo que qualquer empresário brasileiro sabe na pele.

A crítica vai além dos números: questiona a sustentabilidade do modelo econômico petista. Transferências de renda podem gerar popularidade no curto prazo, mas não garantem crescimento sustentável. E mais: sufocam o setor produtivo com impostos e burocracia. O resultado? Uma economia que funciona apesar do Estado, não graças a ele.

Escândalos de corrupção ainda assombram

A The Economist lembra que Lula está “sobrecarregado pelos escândalos de corrupção que se desenrolaram durante seus dois primeiros mandatos”, pelos quais “muitos brasileiros não conseguem perdoá-lo”. Mensalão e Petrolão permanecem como feridas abertas na biografia política do petista. E por boas razões.

Os escândalos não são apenas história. Representam um passivo político que compromete a credibilidade de qualquer campanha futura. A revista britânica entende que “uma nova campanha eleitoral de Lula seria marcada pelos escândalos de corrupção” do passado. Não é paranoia: é realidade.

Para muitos brasileiros, Lula continua sendo associado aos episódios de corrupção sistêmica dos seus governos anteriores. Não importa quantas decisões judiciais ele tenha obtido a seu favor — a percepção popular sobre sua ligação com esquemas bilionários permanece inalterada. Esta é uma realidade que nenhum marketing político consegue reverter completamente.

A combinação entre idade avançada e passado controverso cria um cenário eleitoral complicado. “Outro ponto levantado é o desgaste provocado por escândalos de corrupção associados aos seus primeiros mandatos, que, segundo a publicação, ainda pesam para parte do eleitorado”. Por sinal, uma “parte” considerável do eleitorado.

Lula sem sucessor: o vazio da esquerda

“Assim como Biden, Lula não deixou sucessores para as eleições presidenciais. Tanto no centro quanto na esquerda, o The Economist afirma que o petista não tem adversários sérios”. É o grande dilema da esquerda brasileira: dependência total de uma única figura política. Um problema típico de quem confunde projeto partidário com culto à personalidade.

Segundo análises políticas recentes, o presidente “não preparou um sucessor viável e acabou desestimulando potenciais candidaturas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é citado como um nome que chegou a ser cogitado, mas teria sido descartado por falta de apelo eleitoral”. Haddad, que já perdeu eleições importantes, não inspira confiança como alternativa. E isso diz muito sobre o estado da esquerda brasileira.

“Na avaliação do Economist, Lula poliria seu legado caso optasse por não concorrer novamente, abrindo espaço para uma disputa mais ampla dentro da centro-esquerda por uma nova liderança”. Mas quem disse que Lula tem interesse em polir legado? O poder vicia — e ele sabe disso.

A revista sugere que “o presidente faria um favor ao seu país e consolidaria seu legado — algo que Biden não fez — anunciando que cumprirá sua promessa e se afastará da disputa. Isso daria tempo necessário para encontrar um postulante mais apropriado da centro-esquerda”. Uma sugestão sensata que provavelmente será ignorada. Afinal, quem largaria voluntariamente o poder no Brasil?

Financial Times erra na direção oposta

Enquanto a The Economist recomenda que Lula não concorra, o Financial Times aposta na vitória do petista, destacando “a disputa entre o presidente americano Donald Trump e Lula ao longo de 2025 e o impacto disso para as eleições no ano que vem”. Duas visões completamente opostas da mesma realidade política. Interessante, não?

O contraste entre as duas publicações britânicas revela algo importante: a mídia internacional não consegue decifrar adequadamente o Brasil. E isso acontece porque confiam demais na imprensa brasileira tradicional, que há décadas funciona como departamento de marketing da esquerda. Uma distorção que tem consequências práticas.

A imprensa brasileira mainstream não representa o pensamento real da população. Globo, Folha de São Paulo e outros grandes veículos vivem numa bolha ideológica que os impede de compreender os movimentos genuínos da sociedade brasileira. Quando jornalistas estrangeiros se baseiam nessas fontes, chegam a conclusões igualmente distorcidas.

O erro é compreensível, mas grave. Quem quer entender o Brasil precisa ir além da narrativa oficial. Precisa escutar as vozes que a grande mídia sistematicamente ignora. Só assim é possível fazer análises precisas sobre o futuro político do país. E isso vale para qualquer democracia — não só a nossa.

Flávio Bolsonaro: o alvo fácil da esquerda

No campo da direita, o editorial aponta que Bolsonaro “indicou seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), como possível candidato presidencial, mas o classifica como impopular e ineficaz”. É uma crítica previsível, repetindo exatamente os mesmos argumentos da esquerda brasileira. Coincidência?

“Flávio é impopular, ineficaz e quase certamente perderia uma disputa contra Lula”, afirma a revista. Curiosamente, essa avaliação ignora as pesquisas eleitorais que mostram empate técnico entre os possíveis candidatos de direita e Lula. Mais uma vez: a narrativa sobrepondo-se aos fatos.

A publicação sugere que partidos de direita “abandonarão Flávio e se unirão em torno de um candidato capaz de superar a polarização dos anos Lula-Bolsonaro”. É uma análise que subestima a força real do bolsonarismo no eleitorado brasileiro. E também revela certo desejo de que isso aconteça — mais do que análise baseada em dados.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é apontado como alternativa mais viável, descrito como “ponderado e democrata”, além de “aparecer melhor nas pesquisas contra Lula”. Tarcísio realmente representa uma opção competitiva, mas ainda não definiu sua candidatura. E isso faz toda a diferença numa corrida presidencial.

A realidade que a mídia internacional não enxerga

Pesquisa Datafolha realizada em junho mostrou que “ao mesmo tempo em que a candidatura parece certa para a maioria dos brasileiros, ela é rejeitada por 57% dos entrevistados. Para eles, Lula não deveria buscar a reeleição, ante 41% que defendem a empreitada”. Os números revelam a fragilidade real da candidatura petista — e isso deveria preocupar qualquer estrategista de campanha.

“Um levantamento do mesmo instituto de pesquisa em dezembro mostrou que a aprovação do governo está estagnada. Consideram a gestão boa ou ótima 32% dos ouvidos, enquanto 37% a avaliam como ruim ou péssima, e 30% a veem regular”. São números de um governo em crise de popularidade. Por mais que a mídia tente mascarar essa realidade.

A combinação entre rejeição pessoal e desaprovação governamental cria um cenário eleitoral muito diferente do que a mídia internacional imagina. Lula não é o favorito natural que muitos pensam. É um candidato vulnerável, dependente de circunstâncias favoráveis para vencer. E circunstâncias mudam rapidamente na política.

“O Brasil tem tudo em jogo em 2026 — e o resultado é preocupantemente incerto”, conclui a The Economist. Esta talvez seja a única avaliação realmente precisa de toda a análise: a incerteza é o único elemento seguro sobre 2026. E isso deveria deixar todos nós em alerta.

O projeto de poder que não quer sair de cena

A The Economist comete um erro fundamental em sua análise: acredita que Lula poderia voluntariamente abrir mão da candidatura. Essa ingenuidade revela desconhecimento sobre a natureza do poder petista. Lula não é apenas um político idoso — ele é o centro gravitacional de um sistema de poder que depende de sua presença para sobreviver.

O PT e seus aliados construíram um aparato político-ideológico que funciona através do culto à personalidade de Lula. Sem ele, esse sistema desmorona como um castelo de cartas. Por isso, jamais permitirão que ele se retire voluntariamente. A máquina precisa dele funcionando, mesmo que seja apenas como símbolo.

Críticos políticos interpretam que “Infelizmente, parece improvável que Lula desista”, admite a própria revista. É a confissão de que toda a análise anterior foi apenas exercício teórico. Na prática, Lula disputará porque não tem escolha: o sistema que o sustenta exige sua presença. É uma prisão dourada, mas ainda assim uma prisão.

A idade é realmente um fator preocupante. Mas não para quem vê Lula como peça fundamental de um projeto de poder. Para eles, é melhor ter um Lula fragilizado do que não ter Lula algum. É uma aposta arriscada — mas é a única que possuem no baralho.

Diante de tudo isso, a pergunta que fica é: o eleitorado brasileiro está preparado para mais quatro anos de um governo centrado numa figura octogenária? A resposta poderá redefinir o futuro da democracia brasileira. E também determinar se finalmente amadurecemos como nação ou continuaremos presos aos messianismos de sempre.


Fontes e Referências

  1. Reportagem Revista Oeste sobre editorial da The Economist
  2. Gazeta Web sobre posicionamento da The Economist
  3. Público Portugal sobre cirurgia de Lula
  4. CNN Brasil sobre previsões do Financial Times
  5. F5 Online sobre pesquisas Datafolha mencionadas
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