janeiro 2, 2026

Ludwig M

STF no escândalo Master: como as controvérsias geram combustível para 2026

O escândalo do Banco Master fez algo que parecia impossível: transformar críticas ao STF em assunto de mesa de jantar. O que antes soava como teoria da conspiração agora é conversa de botequim. E quando você precisa explicar vínculos contratuais milionários com bancos investigados, é porque a coisa desandou de vez.

Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não afirma como fatos comprovados a prática de crimes ou ilícitos, nem substitui decisões judiciais. Seu objetivo é promover reflexão crítica sob uma perspectiva editorial libertária.

Quando o tiro sai pela culatra

Não é todo dia que você vê o próprio STF entregar de bandeja o que o bolsonarismo mais queria: credibilidade para suas críticas. Segundo a Gazeta do Povo, a revelação de vínculos pessoais, contratuais e decisões judiciais controversas envolvendo os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no caso do Banco Master colocou o STF no centro de uma nova crise de credibilidade.

Por anos, qualquer questionamento ao comportamento dos ministros era rotulado como “ataque à democracia”. Agora? Bem, fica difícil defender a democracia quando quem deveria protegê-la enfrenta questionamentos sobre viagens em jatinhos com advogados de investigados ou vínculos contratuais através de parentes.

A ironia é cruel. Conforme reportado, o Banco Master patrocinou ao menos seis eventos no Brasil e no exterior com a presença de ministros do STF — entre eles Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Luiz Fux. Os encontros ocorreram em cidades como Nova York, Roma, Londres, Paris e Cambridge.

Você consegue imaginar o constrangimento? Depois de anos chamando opositores de “golpistas” por questionarem a lisura da Corte, surgem evidências de comportamentos no mínimo questionáveis. É como se o herói do filme revelasse ser o vilão no final.

O caso Toffoli: timing é tudo na vida

Dias Toffoli conseguiu uma façanha: fazer uma viagem ao Peru virar caso de polícia. Segundo O Antagonista, o ministro Dias Toffoli tornou-se um dos principais focos de críticas após assumir a relatoria do caso no STF. Onze dias depois da prisão de Daniel Vorcaro, Toffoli foi sorteado relator do recurso apresentado pela defesa do banqueiro e, no mesmo dia, viajou a Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores em um jatinho no qual também estava o advogado de um dos diretores do banco.

Coincidência? Claro, e eu sou primo do Pelé. Como noticiado, Toffoli não se pronunciou, mas seu argumento para manter o caso no STF e decretar sigilo total sobre as investigações é a existência de um contrato recolhido pela Polícia Federal como evidência que tem o nome de um deputado federal, que tem foro privilegiado.

Aliás, sobre esse sigilo total: nada grita mais “tenho algo a esconder” do que colocar um processo sob segredo de Estado. É a versão jurídica do “não tem nada aqui, pode passar” enquanto esconde algo atrás das costas.

E a pressa para fazer uma acareação no meio do recesso? Especialistas classificaram como atípica a decisão do ministro Dias Toffoli de manter a acareação entre o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB, por não apresentar urgência justificada nem envolver depoimentos previamente colhidos.

Pergunta sincera: o que era tão urgente que não podia esperar janeiro? A única urgência que se vê, segundo críticos, é tentar identificar quem está falando demais sobre os bastidores do caso.

Alexandre de Moraes e o contrato dos sonhos

Se Toffoli gera controvérsias, Alexandre de Moraes bateu o recorde. Segundo reportagem da Gazeta do Povo, Alexandre de Moraes passou a ocupar posição central nas controvérsias envolvendo o Banco Master após a revelação de que o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, firmou um contrato de R$ 129 milhões.

R$ 129 milhões em três anos. Isso dá R$ 3,6 milhões por mês. Para ter uma ideia: é mais do que muitas empresas faturam em um ano inteiro. E estamos falando de “consultoria jurídica”. Como observou editorial da Gazeta do Povo, por serviços de assessoria e consultoria jurídica, o banco pagava a vultosa soma de R$ 3,6 milhões mensais.

Mas calma, tem mais. Conforme relatado, o ministro Alexandre de Moraes disse que se reuniu com Galípolo para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky. Sobre sua esposa ter um contrato para receber R$ 129 milhões do Master, o ministro disse que ela nunca lidou com qualquer assunto ou pressão para aquisição do banco pelo BRB.

Claro, R$ 129 milhões caíram do céu. Foi só coincidência mesmo. E eu que achava que só existia essa sorte em filme de comédia.

O timing das reuniões também gera debates. Segundo a Revista Oeste, foi chamado justamente o diretor que, no dia 14 de agosto de 2024, teve audiência com o dono do Banco Master. Porque, no mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes também teve audiência com Galípolo, supostamente sobre a sanção da Lei Magnitsky, mas críticos levantam dúvidas sobre se a conversa se limitou a isso.

A acareação que ninguém pediu

Aqui a coisa fica interessante de um jeito sombrio. Para Deltan Dallagnol, a acareação é um instrumento destinado ao confronto de versões entre investigados e testemunhas e só se justifica quando as investigações já estão maduras — o que não ocorre no caso Master. Ainda assim, o ministro Dias Toffoli determinou a medida de ofício, sem provocação da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República.

Nem a PF pediu. Nem a PGR pediu. Mas Toffoli achou por bem marcar uma acareação no meio das férias, como se fosse o caso do século. Como observou Deltan Dallagnol, a Polícia Federal não pediu a acareação. A Procuradoria-Geral da República também não. Não havia debate prévio, contradição a esclarecer ou fato novo que justificasse esse procedimento. Ainda assim, Toffoli impôs o procedimento.

E por que tanta pressa? Analistas sugerem que alguém está vazando informações internas sobre pressões e pedidos realizados ao Banco Central envolvendo o caso Master.

Em outras palavras: parece que alguém no BC está contando a real sobre o que aconteceu nos bastidores. E isso gera desconforto. Muito.

Quando o remédio vira veneno

O que deveria ser uma jogada para proteger os ministros virou tiro no pé. Conforme a CNN Brasil, entidades empresariais e do mercado financeiro divulgaram notas em defesa da autonomia do BC. A Federação Brasileira de Bancos afirmou que um regulador técnico e independente é “pilar essencial” para um sistema financeiro sólido e criticou o que chamou de ingerência do Judiciário.

Quando até a Febraban – que não é exatamente conhecida por confrontar autoridades – sai em defesa do BC, você sabe que a coisa fugiu do controle. Como reportado pela Revista Oeste, depois da prisão do controlador Daniel Vorcaro por 12 dias, empresários de peso passaram a expressar preocupação com os impactos do caso sobre a imagem do STF e a confiança institucional no país.

Segundo relatado, o escândalo envolve a atuação do Banco Master, alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura operações com suspeita de irregularidades estimadas em R$ 12,2 bilhões. São R$ 12,2 bilhões em suspeitas de fraude. Não é brincadeira. E diante de um número desses, questionar uma decisão técnica de liquidação gera debates sobre limites institucionais.

O problema é que precedentes estão sendo criados. Se o STF pode questionar decisões técnicas do Banco Central, onde fica a autonomia dos reguladores? Onde fica a segurança jurídica que tanto defendemos?

O bolsonarismo ri à toa

E aqui está a maior ironia de todas: o bolsonarismo não precisou fazer nada. Simplesmente sentou e esperou os próprios alvos de suas críticas se enrolarem sozinhos. Como noticiado, parlamentares de oposição retornaram a Brasília e, mesmo durante o recesso parlamentar, trabalham na coleta de assinaturas para um novo pedido de impeachment contra Moraes. Eles também almejam a abertura da CPMI do Banco Master.

Anos dizendo que o STF era parcial, que havia promiscuidade entre Judiciário e interesses privados, que a “defesa da democracia” era papo furado. E agora? Agora eles têm R$ 129 milhões de argumentos.

Segundo a Revista Oeste, o ex-banqueiro e fundador do Partido Novo, João Amoêdo, defendeu o afastamento imediato de Moraes. “O ministro Alexandre de Moraes deveria solicitar imediatamente o afastamento do STF e só retornar se comprovar que não tentou interferir no processo de liquidação do Banco Master”.

Para 2026, isso muda completamente o jogo. A oposição não precisa mais atacar as instituições – pode defender sua depuração. Não precisa mais ser contra a democracia – pode ser a favor de uma democracia limpa. É uma narrativa muito mais palatável e, pior ainda, tem base fática.

O eleitor comum entende perfeitamente o que significa um contrato de R$ 129 milhões com a esposa de um ministro. Entende o que significa viajar de jatinho com advogados de investigados. Entende que isso tá errado, independente de partido.

O preço da promiscuidade

O caso Master expôs algo que muita gente já desconfiava mas não conseguia provar: a existência de relações controversas entre o alto escalão do Judiciário e interesses privados. Como apontou editorial da Gazeta do Povo, apontar essas situações e afirmar que elas levantam questionamentos sobre a capacidade de Toffoli e Moraes para atuar em qualquer ação envolvendo o Banco Master não é nenhum “ataque à democracia”.

Liberdade econômica pressupõe segurança jurídica. Segurança jurídica pressupõe instituições confiáveis. E instituições confiáveis pressupõem transparência e decoro. Há questionamentos sobre se estamos falhando em todos esses aspectos.

Como observado, entre empresários, cresce a avaliação de que comportamentos questionáveis fragilizam a credibilidade do STF e reforçam a percepção de insegurança jurídica — fator visto como um dos principais entraves à atração de investimentos.

O STF sempre se arvorou em guardião da Constituição e das instituições democráticas. Mas como defender instituições quando você mesmo vira parte do problema? Como falar em Estado de Direito quando surgem questionamentos sobre o comportamento de ministros?

A conta que não fecha

No final das contas, o caso Master é muito maior que Toffoli ou Moraes. É sobre um modelo de poder que gera crescentes questionamentos. Como reportado, por ora há indícios, e não provas definitivas, das relações entre Toffoli, Moraes e os controladores do Banco Master. Mas os indícios são suficientemente sérios para exigir explicações. E as explicações, até agora, geram mais dúvidas que certezas.

Como avaliou Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central: “Acho que finalmente a sociedade civil está se mexendo. Os casos recentes são uma afronta ao cargo que estas pessoas ocupam”.

E realmente, quando você vê ministros do STF enfrentando questionamentos sobre comportamentos que parecem de lobistas de alto padrão, algo precisa mudar. A pergunta não é mais se há problemas no STF – a pergunta é se ainda há tempo de consertar antes que o descrédito vire irreversível.

Para quem acredita no livre mercado e no Estado de Direito, ver o Judiciário sob suspeita de captura por interesses privados é particularmente doloroso. Porque sem instituições íntegras, não há capitalismo que funcione nem democracia que se sustente.

O Brasil merece coisa melhor. Merece um Judiciário que sirva à lei, não aos amigos. Merece reguladores técnicos, não políticos. E merece, principalmente, que quem ocupa cargos públicos se comporte à altura da responsabilidade que tem.

O caso Master é um divisor de águas. Ou fazemos a limpeza necessária, ou assistimos passivamente ao aprofundamento de uma crise institucional que pode custar muito caro ao País. A escolha é nossa – enquanto sociedade livre ainda temos essa prerrogativa.


Fontes e Referências

  1. Reportagem Gazeta do Povo sobre pressão no STF
  2. O Antagonista sobre viagem de Toffoli
  3. Gazeta do Povo sobre contrato da esposa de Moraes
  4. Coluna Deltan Dallagnol sobre acareação
  5. CNN Brasil sobre reação da Febraban
  6. Revista Oeste sobre críticas de empresários
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