dezembro 16, 2025

Ludwig M

SBT perde 1 milhão de seguidores após evento com Lula

SBT perde 1 milhão de seguidores após evento com Lula

O SBT está enfrentando a maior crise de sua história recente nas redes sociais. Patrícia Abravanel perdeu cerca de 1 milhão de seguidores após o evento que contou com a presença do presidente Lula e sua esposa Janja na emissora. A situação se agravou ainda mais depois das declarações de Zezé di Camargo criticando a família Abravanel, gerando uma verdadeira convulsão interna na empresa.

A força do bolsonarismo nas redes sociais se mostrou muito maior do que a direção do SBT imaginava. O que deveria ser um evento para atrair anunciantes para o novo SBT News se transformou num pesadelo de relações públicas. A emissora começou a tomar decisões contraditórias em sequência, mostrando total despreparo para lidar com a pressão popular.

O caso expõe uma realidade inconveniente: quem realmente paga as contas da TV aberta não são os telespectadores, mas os anunciantes. E quando o público rejeita, os patrocinadores ficam nervosos. É por isso que o SBT entrou em modo pânico total.

A carta da família Abravanel que não convenceu ninguém

Diante da crise, Daniela Beyruti, filha de Silvio Santos, publicou uma carta aberta tentando justificar as decisões da emissora. No texto, ela afirma que o SBT é “imparcial e isento”, mantendo um “jornalismo confiável, sem partido, sem lado”.

A carta revela a principal estratégia da empresa: vender a imagem de neutralidade para conquistar anunciantes. Segundo Daniela, o SBT foi reconhecido pelo Instituto Reuters como o “jornalismo de maior confiança e credibilidade” nos últimos cinco anos. Ela destaca que o evento de sexta-feira, 12 de dezembro de 2025, “refletiu pluralidade e respeito a todas as instituições”.

Mas a tentativa de se mostrar neutro gerou o efeito contrário. O público percebeu que essa suposta isenção é apenas uma estratégia comercial. Quando você coloca Alexandre de Moraes no mesmo palco que o presidente da República, não está sendo neutro. Está legitimando um sistema que concentra poder de forma perigosa.

A carta também critica quem “julga antes de ver o trabalho”. É um argumento fraco. O brasileiro já viu esse filme antes. Globo News, Record News, todas prometem isenção e entregam parcialidade disfarçada. A diferença é que agora o público não engole mais essa narrativa.

O algoritmo que não existe mas existe

Um dos pontos mais curiosos da carta é a promessa de que o SBT News “não terá algoritmo”. Essa afirmação revela um profundo desconhecimento sobre como funciona qualquer veículo de comunicação. Todo canal de notícias tem algoritmo, mesmo que seja humano.

Algoritmo não é uma palavra mágica ou algo necessariamente ruim. É simplesmente o processo de escolha do que vai ser mostrado para o público. O YouTube tem algoritmo, o Facebook tem algoritmo, até o jornal impresso tem algoritmo – alguém decide o que vai na primeira página.

O SBT News obviamente terá algoritmo. Alguém vai decidir qual notícia entra, qual fica de fora, que ângulo será dado para cada assunto. A diferença é se esse algoritmo será transparente ou se será disfarçado de “isenção”.

Quando a direção do SBT chamou Alexandre de Moraes para o evento, aplicou um algoritmo: a decisão de agradar determinado público e determinados patrocinadores. Não foi acaso, foi estratégia. O problema é que a estratégia deu errado.

Zezé di Camargo cancelado por falar a verdade

A situação ficou ainda mais tensa após as declarações de Zezé di Camargo criticando as decisões da família Abravanel. O cantor sertanejo atacou diretamente a condução da emissora, gerando uma reação imediata da direção do SBT.

Inicialmente, a emissora disse que manteria o especial de Natal do cantor, que estava programado para ir ao ar na quarta-feira às 23 horas, logo após o programa do Ratinho. A justificativa oficial foi “respeito ao público que aguarda a atração e principalmente aos anunciantes envolvidos no projeto”.

Mas a pressão foi tanta que o SBT recuou. A emissora cancelou definitivamente o especial de Zezé di Camargo. O comunicado oficial informou que a decisão foi tomada “após ataques à família Abravanel”. Ou seja: criticou a família que manda, perdeu o programa.

A situação mostra como funciona a lógica empresarial na TV aberta. Primeiro vem o dinheiro dos anunciantes, depois a lealdade política, por último o público. O especial foi cancelado não porque Zezé estava errado, mas porque incomodou quem tem poder de decisão na empresa.

Flávio Bolsonaro: convidado, desconvidado e reconvidado

O caso mais bizarro de toda essa confusão envolveu Flávio Bolsonaro. O senador foi inicialmente convidado para participar do evento de sexta-feira, mas desistiu na última hora. Ele não explicou publicamente os motivos da desistência.

Depois do evento com Lula, o SBT decidiu convidar Flávio para o programa do Ratinho como forma de “equilibrar” a situação. Mas quando o senador fez declarações apoiando as críticas de Zezé di Camargo, a emissora mudou de ideia e cancelou o convite.

A reviravolta veio durante o programa do Léo Dias, que é contratado do SBT. Durante a entrevista ao vivo, que chegou a ter mais de 100 mil pessoas assistindo simultaneamente, o convite foi refeito. O SBT voltou atrás mais uma vez e decidiu receber Flávio Bolsonaro.

Essa gangorra de decisões expõe a total falta de planejamento estratégico da emissora. Não é possível construir credibilidade quando você muda de posição três vezes no mesmo dia. O público percebe a insegurança e perde a confiança.

Janja volta a falar e Lula perde votos

Como se a situação já não estivesse complicada o suficiente, Janja decidiu se manifestar sobre o caso. A primeira-dama classificou as declarações de Zezé di Camargo como “reflexo do machismo e da misoginia”. Ela voltou ao mundo dos mortos políticos depois de um período de silêncio estratégico.

Janja tinha ficado quieta justamente porque sua equipe percebeu que suas declarações públicas prejudicam a imagem do governo Lula. Cada vez que ela fala, o presidente perde pontos nas pesquisas. Mas a tentação de defender o SBT foi mais forte que a estratégia eleitoral.

A declaração de Janja revela uma mentalidade perigosa: a ideia de que mulheres não podem ser criticadas por suas decisões profissionais. Segundo essa lógica, questionar as escolhas de Daniela Beyruti ou Patrícia Abravanel seria automaticamente machismo.

Essa proteção excessiva é, na verdade, infantilizante. Mulheres também erram, também tomam decisões ruins, também devem ser responsabilizadas por suas escolhas. Tratar críticas legítimas como preconceito é uma forma de escapar do debate real sobre os problemas da empresa.

SBT News estreia com cara de STF News

Depois de toda essa confusão, o SBT News finalmente estreou. E as primeiras análises não foram nada animadoras. O jornalista Cláudio Dantas classificou a estreia como tendo “cara de STF News” e decepcionante para a audiência.

Agora que o programa está no ar, as críticas estão liberadas. Não dá mais para usar o argumento de que “não se pode julgar antes de ver”. O público já pode avaliar se as promessas de isenção e qualidade estão sendo cumpridas na prática.

Os primeiros sinais indicam que o SBT News seguirá a mesma linha editorial da TV aberta tradicional: tentativa de agradar todos os lados sem tomar posições claras. É uma fórmula que funcionou no passado, mas que não tem mais espaço no ambiente digital atual.

O problema é que o público de hoje não aceita mais essa falsa neutralidade. As pessoas querem transparência sobre as posições dos veículos. Preferem honestidade a uma isenção fingida que só serve para proteger interesses comerciais.

O fracasso do modelo de TV aberta

Todo esse episódio expõe a agonia da televisão aberta brasileira. O SBT, que já não é mais a força que foi no passado, apostou numa estratégia ultrapassada para um mercado que mudou completamente.

A TV aberta funciona numa lógica antiga: agradar anunciantes vendendo audiência em massa. Mas o público se fragmentou, migrou para plataformas digitais onde pode escolher exatamente o que quer consumir. Ninguém mais aceita ser tratado como massa de manobra comercial.

A internet permite que cada pessoa monte sua própria grade de programação. Por que assistir a um telejornal que tenta agradar gregos e troianos quando você pode seguir canais que falam diretamente com seus interesses e valores?

O SBT cometeu o erro de tentar aplicar a lógica da TV aberta no ambiente digital. Resultado: perdeu 1 milhão de seguidores e virou motivo de chacota nas redes sociais. A empresa precisa decidir se quer ser relevante ou se quer apenas sobreviver vendendo uma neutralidade que ninguém acredita.

A grande lição desse episódio é simples: quem tenta agradar todo mundo acaba não agradando ninguém. No mundo atual, é melhor ter um público fiel e engajado do que uma audiência dispersa e desconfiada. O SBT ainda não aprendeu essa lição básica do século XXI.

Diante de toda essa confusão, uma pergunta permanece: até quando a TV aberta brasileira vai insistir em fórmulas que já não funcionam mais? O mercado já deu sua resposta através dos números de audiência e engajamento. Resta saber se as emissoras vão escutar.

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