Um banco privado médio com quase 5 bilhões de dólares em perdas foi suficiente para colocar um dos regimes mais duros do mundo em colapso. O Ayandeh Bank, segundo reportagem do Wall Street Journal, ruiu em setembro de 2025 após anos de empréstimos bilionários a empresários ligados ao regime iraniano. O resultado? Milhões de iranianos estão nas ruas desde dezembro de 2025, exigindo a queda do governo em protestos que analistas consideram “a ameaça mais severa ao regime em 50 anos”.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
O pequeno banco que virou avalanche econômica
A história do Ayandeh Bank deveria estar na mesa de todo brasileiro. Fundado em 2013 por Ali Ansari — empresário sancionado pelo Reino Unido como “banqueiro iraniano corrupto” —, o banco cresceu oferecendo taxas de juros estratosféricas. Especialistas econômicos internacionais descreveram a instituição como “muito bem conectada, corrupta”, destacando que “o sistema bancário em si é um canal para enriquecimento dos bem conectados”.
Aliás, o paralelo com o Brasil salta aos olhos. Enquanto o Ayandeh oferecia rentabilidades impossíveis no Irã, aqui tivemos o Master prometendo 140% do CDI. Lá, economistas disseram que o banco “operava como um cassino”, financiando projetos megalomaníacos como o Iran Mall — um complexo duas vezes maior que o Pentágono. Aqui, o Master cresceu com promessas similares até quebrar no final de 2025.
A diferença está no timing. Se aplicarmos a cronologia iraniana ao Brasil, março e abril de 2026 podem ser meses decisivos para nosso país.
Quando a impressora vira solução (e depois vira problema)
Analistas econômicos apontaram que “a tentativa desesperada do governo de cobrir as perdas imprimindo dinheiro apenas mascarou um déficit cavernoso, transformando uma falência bancária em símbolo de desintegração nacional”. Quando um banco quebra, o problema nunca fica contido — funciona como uma avalanche que arrasta tudo pela frente.
No Irã, o governo precisou imprimir rial aos montes para salvar outros bancos contaminados. O resultado foi inevitável: em dezembro de 2025, o rial iraniano despencou para 1,45 milhão por dólar, desencadeando protestos massivos que se espalharam por todas as 31 províncias do país.
Aqui no Brasil, o BRB já precisou de socorro após injetar recursos no Master. O Fundo Garantidor de Crédito promete cobrir os 41 bilhões do Master, mas essa conta será paga pelos próprios bancos — que inevitavelmente repassarão o custo para correntistas e empresas.
A lógica é simples: quando o Estado “salva” bancos, ele não usa dinheiro próprio. Na perspectiva libertária, isso representa a socialização dos prejuízos e a privatização dos lucros — um arranjo que pune quem age responsavelmente para proteger quem assumiu riscos irresponsáveis.
Da crise bancária aos protestos nas ruas
Segundo reportagens internacionais, os protestos começaram em 28 de dezembro de 2025 com comerciantes no bazar central de Teerã fechando lojas para protestar contra o colapso da moeda iraniana. O que começou como reclamação de lojistas virou revolução nacional em questão de dias.
Observadores internacionais destacaram um aspecto crucial: “O descontentamento econômico entre a classe comerciante do Irã, anteriormente vista como apoiadora da República Islâmica, foi rapidamente espelhado por um conjunto mais amplo da população”. Quando até os tradicionalistas começam a protestar, críticos apontam que o sistema político está em colapso.
Por sinal, os protestos iranianos revelam uma verdade universal que deveria preocupar qualquer governo: pessoas podem ser enganadas com discursos, mas não conseguem ser enganadas no bolso. Relatórios parlamentares britânicos mostram que a inflação disparou para 48,6% em outubro de 2025, com preços de alimentos subindo 72%.
No Brasil, nossa inflação ainda está “controlada” comparada ao Irã. Mas economistas libertários argumentam que a tendência é clara: mais gastos públicos, mais interferência estatal na economia, mais pressão inflacionária. O governo atual já sinalizou expansão de programas sociais e aumento de investimentos estatais. De onde virá o dinheiro? Da mesma impressora de sempre.
O Estado como salvador e causador da crise
A ironia é brutal: o mesmo Estado que criou as condições para a quebra bancária agora se apresenta como salvador da economia. Em resposta aos protestos, o governo iraniano nomeou um novo governador para o Banco Central e prometeu reformas. Trocar nomes no comando não resolve estrutura deteriorada.
O novo dirigente fez promessas que soam familiares: controlar inflação, acabar com privilégios para pessoas bem conectadas e combater irregularidades bancárias. São as mesmas promessas que políticos fazem há décadas. Críticos libertários argumentam que o problema não são as pessoas no comando — é o sistema que permite e incentiva esse tipo de arranjo.
Para enfrentar a crise, o governo iraniano ofereceu auxílios mensais que totalizam cerca de 7 dólares por família. Vinte e dois centavos por pessoa por dia. Essa é a “solução” estatal para uma crise criada pelo próprio Estado.
Aqui no Brasil, quando a situação apertar, podemos esperar medidas similares: auxílios emergenciais, programas de renda, subsídios temporários. Tudo financiado com dinheiro que o governo não possui, impresso às custas da inflação que corrói o poder de compra de todos os brasileiros.
A anatomia do capitalismo de compadrio
O Ayandeh Bank não era uma empresa privada no sentido real do termo. Era um braço financeiro do Estado disfarçado de negócio particular. Investigações revelaram que cerca de 70% dos empréstimos do banco foram para empresas do próprio fundador, violando limites legais “mais de mil vezes”.
Essa estrutura é familiar para qualquer brasileiro: grandes grupos econômicos crescendo com empréstimos subsidiados do BNDES, contratos privilegiados com estatais, proteção regulatória contra competidores. Quando quebram, quem paga a conta é o contribuinte. Quando dá certo, os lucros ficam com eles.
Na perspectiva libertária, o verdadeiro livre mercado pune irresponsabilidade com falência. O que críticos chamam de “capitalismo de compadrio” recompensa irresponsabilidade com socorro público. Especialistas apontam que o sistema bancário iraniano está “efetivamente insolvente”.
A diferença entre um empresário de verdade e um capitalista de compadrio é simples: o primeiro cria valor para consumidores e assume riscos do negócio. O segundo socializa prejuízos e privatiza lucros. Adivinha qual tipo domina na América Latina?
Lições para o Brasil: estamos no mesmo caminho
Os paralelos entre Irã e Brasil são assustadores. Ambos têm Estados inchados, sistemas financeiros entrelaçados com poder político, e governos que tratam o Tesouro como conta pessoal. A diferença é que o Irã chegou primeiro no precipício.
Analistas internacionais observam que “o regime perdeu o atributo mais básico de um estado funcional: controle sobre sua moeda”. Quando um governo perde credibilidade, a moeda nacional vira papel sem valor. O rial despencou porque ninguém mais confia no governo iraniano. E confiança, uma vez perdida, é quase impossível de recuperar.
No Brasil, ainda temos margem de manobra. O real mantém relativa estabilidade, a inflação está em níveis “aceitáveis”, nossa dívida pública, embora alta, não chegou ao ponto de ruptura. Mas a trajetória é clara: mais gastos, mais dívida, mais interferência estatal, menos confiança dos investidores.
Observadores internacionais destacam que, no Irã, “o custo insuportável de vida esvaziou as classes média e média-baixa por mais de uma década”. Aqui, nossa classe média também está sendo espremida há anos entre alta carga tributária e baixo crescimento econômico.
A pergunta não é se teremos uma crise. A pergunta é quando ela chegará e se estaremos preparados. O exemplo iraniano mostra que até regimes aparentemente sólidos podem desabar quando a economia implode.
O que fazer diante do inevitável
Primeiro, entenda que proteção patrimonial não é paranoia — é necessidade. O rial perdeu 84% de seu valor em 2025, com inflação alimentar disparando para 72%. Quando a moeda nacional colapsa, quem tem ativos em moeda forte sobrevive. Quem tem tudo em moeda local quebra junto com o país.
Segundo, diversifique geograficamente. Várias companhias aéreas cancelaram voos de e para o Irã. Quando um país entra em crise severa, as conexões internacionais são cortadas rapidamente.
Terceiro, mantenha-se informado através de fontes independentes. Em janeiro de 2026, a conexão de internet do Irã foi reduzida a 1% dos níveis normais para interromper coordenação entre manifestantes. Governos em crise sempre atacam primeiro a liberdade de informação.
Quarto, não confie em promessas governamentais de estabilidade. Quando um governo oferece migalhas como solução para crise estrutural, é porque não tem mais munição real.
Na visão libertária, a história mostra que governos quebrados sempre tentam quebrar primeiro os cidadãos. Proteja-se antes que seja tarde demais. O exemplo iraniano prova que nenhum regime é forte demais para cair quando a economia implode. E nenhum cidadão é rico demais para quebrar quando confia cegamente no Estado.
A conta sempre chega
O colapso do Ayandeh Bank prova uma verdade universal: não existe almoço grátis na economia. Quando bancos oferecem rentabilidades impossíveis, quando governos prometem soluções mágicas para problemas estruturais, quando políticos afirmam que “desta vez é diferente” — desconfie.
Analistas americanos preveem que “a República Islâmica pode suprimir esta rodada de protestos, mas não emergirá de 2026 com sua autoridade, coesão ou capacidade preservadas”. O regime iraniano pode sobreviver fisicamente, mas sua legitimidade econômica já morreu.
No Brasil, ainda estamos a tempo de evitar o precipício. Mas isso exige escolhas difíceis: menos Estado, mais livre mercado; menos interferência política na economia, mais responsabilidade fiscal; menos promessas populistas, mais realismo econômico. O problema é que essas escolhas não são populares entre políticos que vivem de promessas.
A alternativa é clara: ou mudamos o rumo voluntariamente, ou a realidade econômica fará a mudança por nós. O exemplo iraniano mostra que a segunda opção é sempre mais dolorosa e imprevisível. Quando a economia colapsa, não é só o governo que cai — é toda a sociedade que paga o preço da irresponsabilidade estatal.
E você, está preparado para o que pode vir por aí? A história não se repete, mas frequentemente rima. E o som que vem do Irã deveria servir de alerta para todos os países que seguem o mesmo caminho de endividamento e irresponsabilidade fiscal. A conta sempre chega. A única dúvida é quando.
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 15/01/2026 11:28



