A primeira pesquisa Quaest de 2026 traz números que alteram significativamente o cenário eleitoral. De dezembro para janeiro, Flávio Bolsonaro avançou 2 pontos percentuais enquanto Lula oscilou 1 ponto para baixo, reduzindo a diferença entre os dois de 10 para apenas 7 pontos percentuais. Para um governo no terceiro ano de mandato, essa aproximação em pleno ano eleitoral representa um sinal de alerta.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
Números de aprovação revelam governo em dificuldades
Os indicadores de aprovação presidencial contam uma história preocupante para o Palácio do Planalto. A desaprovação ao trabalho de Lula se manteve em 49% enquanto a aprovação aparece com 47%, caracterizando um empate técnico que analistas consideram desfavorável para um incumbente.
Mais revelador ainda: segundo a mesma pesquisa, 56% dos brasileiros acreditam que o presidente não merece mais 4 anos no poder. São números que desafiam qualquer narrativa de consolidação governamental.
A avaliação geral da gestão reforça esse cenário de dificuldades. Críticos apontam que 39% dos eleitores classificam a administração como negativa, contra apenas 32% que avaliam positivamente — uma inversão que poucos governos conseguem reverter em ano eleitoral.
Para completar o quadro, 43% dos entrevistados consideram a gestão atual inferior aos dois primeiros governos Lula (2003-2010). Analistas interpretam isso como evidência de que nem mesmo a nostalgia da “era de ouro” petista consegue sustentar o apoio popular.
Flávio conquista terreno além do eleitorado bolsonarista
O crescimento do senador não se explica apenas pela fidelidade automática da base bolsonarista. Segundo Felipe Nunes, CEO da Quaest, os dados indicam movimento além do apoio bolsonarista, alcançando também a direita não-bolsonarista que começa a considerá-lo viável.
Nos cenários testados, Flávio demonstra força crescente. No primeiro turno, suas intenções variam de 23% a 32%, dependendo da configuração dos adversários. Quando Tarcísio de Freitas não está no páreo, Flávio sistematicamente ultrapassa os 30%.
A percepção sobre a seriedade da candidatura também mudou. Em dezembro, mais pessoas viam a candidatura como estratégia de barganha política; agora, 54% acreditam que o senador levará a disputa até o fim. Essa consolidação da percepção é fundamental para qualquer projeto eleitoral.
Observadores políticos destacam que essa mudança reduz incertezas no eleitorado mais fiel e amplia a visibilidade nacional do candidato — dois fatores cruciais para crescimento eleitoral sustentado.
A impressionante queda na rejeição
Um dos movimentos mais significativos captados pela pesquisa foi a redução na rejeição a Flávio Bolsonaro. De dezembro para janeiro, sua rejeição caiu de 60% para 55% — uma queda de 5 pontos em apenas um mês.
Isso coloca Flávio praticamente empatado com Lula na rejeição, com diferença de apenas 1 ponto percentual. Para um candidato que ainda se apresenta nacionalmente, igualar-se ao presidente em exercício nesse quesito é resultado extraordinário.
Há ainda espaço significativo para crescimento: 11% dos entrevistados afirmam não conhecer Flávio Bolsonaro. Estrategistas eleitorais interpretam isso como reserva de mercado considerável.
A tendência observada em um mês sugere que o senador tem potencial para ter rejeição inferior à de Lula — fator que pode ser decisivo numa eleição polarizada, na avaliação de analistas.
Segundo turno caminha para empate técnico
O cenário de segundo turno mostra disputa muito mais equilibrada do que se previa. Lula teria 45% das intenções contra 38% de Flávio — diferença de 7 pontos que pode parecer confortável, mas representa queda significativa da vantagem petista.
Em dezembro, a diferença era de 10 pontos. Flávio reduziu em 30% a distância que o separava do presidente em apenas 30 dias. Se essa tendência se mantiver, críticos apontam que o segundo turno pode chegar em situação de empate técnico.
A comparação com outros nomes da direita é reveladora: Tarcísio de Freitas registra 39% contra Lula, aproximando-se do desempenho presidencial. Isso demonstra que qualquer candidatura forte da oposição tem potencial real para desafiar o incumbente.
Analistas destacam que embora Lula lidere todos os cenários, sua candidatura não desperta entusiasmo na maioria dos brasileiros — sinal preocupante para qualquer incumbente em ano eleitoral.
Economia mina narrativa governamental
Os dados econômicos revelam outro flanco vulnerável do governo. 43% dos entrevistados afirmam que a economia piorou nos últimos 12 meses, contra apenas 24% que apontaram melhora. Economistas observam que essa percepção negativa corrói qualquer discurso de sucesso administrativo.
Paradoxalmente, há otimismo para o futuro: 48% acreditam que a economia melhorará nos próximos 12 meses, enquanto 28% esperam piora. Analistas especulam se essa expectativa não está relacionada justamente às eleições e à possibilidade de alternância.
A pressão inflacionária segue castigando o orçamento familiar. 58% afirmaram que os preços dos alimentos subiram no último mês, contra apenas 16% que apontaram queda. Historiadores políticos lembram: inflação é sempre problema grave para governos em busca de reeleição.
O quadro geral mostra um governo que perdeu controle da narrativa econômica e enfrenta resistência crescente até entre eleitores tradicionais.
Uma perspectiva libertária sobre os números
Na visão libertária, esses números refletem algo mais profundo que simples preferências eleitorais. Representam, segundo defensores dessa corrente, o cansaço da população com o gigantismo estatal e a concentração excessiva de poder.
Críticos libertários argumentam que a queda na aprovação governamental coincide com o aumento da percepção de que o Estado brasileiro interfere demais na vida cotidiana dos cidadãos. A pesquisa não mede diretamente esse aspecto, mas analistas dessa escola interpretam os resultados como reflexo dessa tendência.
Para libertários, o crescimento de candidaturas de oposição — independentemente de quem sejam — representa movimento saudável numa democracia que concentrou poder demais no Executivo federal nas últimas décadas.
O que esses números projetam para outubro
A pesquisa Quaest desenha cenário eleitoral muito mais competitivo do que se imaginava no início do ano. Flávio Bolsonaro demonstra capacidade real de crescimento e consolidação como alternativa viável.
A velocidade da aproximação — 30% de redução na diferença em apenas um mês — indica que o humor eleitoral pode mudar dramaticamente nos próximos meses. Se o padrão se mantiver, outubro pode reservar surpresas.
Para o governo, os dados representam alerta vermelho. Um presidente no terceiro ano deveria ter números muito mais confortáveis, especialmente em ano pré-eleitoral. A combinação de alta rejeição pessoal e desaprovação governamental cria ambiente propício para alternância.
O crescimento de Flávio não se baseia apenas em rejeição ao status quo, mas em consolidação positiva de imagem política. Isso torna a candidatura mais sustentável e menos vulnerável a oscilações conjunturais.
A eleição de 2026 promete ser muito mais disputada do que qualquer analista previu. Afinal, se um mês pode mudar tanto o cenário, o que não pode acontecer em oito meses de campanha?
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 14/01/2026 20:01
Fontes
- Gazeta do Povo – Flávio Bolsonaro diminui rejeição e se aproxima de Lula
- CNN Brasil – Lula lidera contra todos eventuais adversários
- Jota – Lula segue favorito, Flávio avança e se consolida
- Poder360 – Lula lidera todos cenários de 1º e 2º turno
- Em Dia ES – Pesquisa aponta Lula na liderança em todos os cenários



