Míssil hipersônico russo Oreshnik sendo lançado contra território ucraniano próximo à fronteira da OTAN

janeiro 9, 2026

Ludwig M

Putin lança míssil Oreshnik contra Lviv: escalada perigosa na fronteira da OTAN

A madrugada do dia 9 de janeiro de 2026 foi marcada por um novo capítulo na escalada militar russa contra a Ucrânia. Segundo a NBC News, pela segunda vez na história, Moscou utilizou seu míssil balístico hipersônico Oreshnik contra território ucraniano, desta vez atingindo um depósito de gás natural em Lviv, cidade a apenas 60 quilômetros da fronteira com a Polônia. Conforme reportado pela CNN, quatro pessoas morreram em Kiev durante o ataque simultâneo que envolveu 278 drones e mísseis.

Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não afirma como fatos comprovados a prática de crimes ou ilícitos, nem substitui decisões judiciais. Seu objetivo é promover reflexão crítica sob uma perspectiva editorial libertária.

A justificativa questionável de Moscou

A explicação oficial de Moscou para o ataque foi recebida com ceticismo por observadores internacionais. O Ministério da Defesa russo alegou que o ataque foi “retaliação” por uma suposta tentativa de drone ucraniano contra uma residência de Putin. Kiev negou categoricamente qualquer operação contra propriedades do líder russo.

Putin afirmou que não existem “meios de interceptar” o míssil balístico de alcance intermediário, gabando-se que o Oreshnik pode atingir velocidades de até Mach 10. Especialistas militares questionam essas alegações, apontando que sistemas de defesa modernos têm capacidade de interceptação de mísseis hipersônicos.

A escolha de Lviv como alvo não parece casual. A cidade está localizada a menos de 70 quilômetros da fronteira com a União Europeia, enviando “um sinal claro aos nossos parceiros internacionais: a guerra da Rússia não para em nenhuma fronteira”, declarou o prefeito local.

O que especialistas dizem sobre o míssil “imparável”

A comunidade internacional de defesa mantém uma postura cética em relação às capacidades anunciadas do Oreshnik. Fabian Hoffmann, especialista em defesa da Universidade de Oslo, avalia que ficaria surpreso se o Oreshnik tivesse mais de 10% de peças novas, sugerindo que provavelmente se baseia no RS-26 Rubezh, um míssil balístico de alcance intermediário com capacidade nuclear.

Segundo o Comando Ocidental da Força Aérea da Ucrânia, o Oreshnik viajou a uma velocidade de 13.000 quilômetros por hora. A eficácia do míssil é questionada pelos seus custos elevados versus os danos limitados que produz.

Um detalhe que chama atenção dos analistas é que a Rússia avisou os Estados Unidos 30 minutos antes do lançamento para evitar confusão com um míssil nuclear. Esta comunicação prévia contradiz a narrativa de “invencibilidade” propagada por Moscou.

O ataque simultâneo em Kiev

Enquanto o foco midiático se concentrou no espetáculo do Oreshnik em Lviv, a capital ucraniana enfrentou bombardeios devastadores. Um repórter da CNN relatou que o ataque começou por volta da meia-noite com drones atingindo edifícios residenciais, deixando quatro mortos e dez feridos.

Entre os mortos estava um trabalhador de assistência médica de emergência, configurando uma violação dos protocolos internacionais de guerra que protegem socorristas.

Entre os edifícios danificados em Kiev estava a Embaixada do Catar, país que atua como mediador para a libertação de prisioneiros. O ataque a instalações diplomáticas representa uma escalada preocupante.

A estratégia do inverno como arma

A Rússia tem bombardeado sistematicamente a infraestrutura energética da Ucrânia nas últimas semanas, deixando dezenas de milhares sem energia ou aquecimento em meio às temperaturas congelantes do inverno.

Esta tática de usar o frio como arma contra civis é considerada pelos especialistas em direito internacional como uma forma de guerra psicológica. As temperaturas em Kiev chegaram a -5°C durante os ataques, forçando famílias a buscarem abrigo em estações de metrô.

O bombardeio também afetou as linhas ferroviárias entre a Polônia e a Ucrânia, deixando trens parados por horas sem aquecimento adequado, criando situações de risco para os passageiros.

Contexto econômico e militar russo

Analistas econômicos apontam que a Rússia enfrenta crescentes pressões internas. A inflação dispara, o rublo perde valor, e as sanções internacionais continuam impactando a economia russa. Cada míssil Oreshnik lançado representa um investimento milionário em um contexto de recursos limitados.

No front militar, há relatos de que as forças russas enfrentam dificuldades para manter avanços significativos, recorrendo a táticas de desgaste que resultam em altas baixas. Cidades estratégicas como Pokrovsk e Kupyansk permanecem sob resistência ucraniana.

O isolamento geopolítico da Rússia também se intensifica com mudanças de governo em países tradicionalmente aliados, reduzindo as opções diplomáticas e de apoio internacional de Moscou.

Reações da comunidade internacional

“Putin usa um IRBM perto da fronteira da UE e da OTAN em resposta às suas próprias interpretações — isso é verdadeiramente uma ameaça global”, declarou um oficial ucraniano, pedindo medidas mais rígidas da comunidade internacional.

A chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, declarou que o ataque mostra que “Putin não quer paz”, afirmando que “a resposta da Rússia à diplomacia são mais mísseis e destruição”.

Há crescentes discussões nos círculos diplomáticos ocidentais sobre a necessidade de medidas mais robustas para proteger o espaço aéreo ucraniano, especialmente nas regiões próximas às fronteiras da OTAN.

Implicações para a segurança global

O uso de mísseis balísticos de alcance intermediário próximo às fronteiras da OTAN representa uma escalada que preocupa estrategistas de segurança. A proximidade de Lviv com território de países aliados cria cenários complexos para a resposta ocidental.

Especialistas em relações internacionais debatem se esta demonstração de força indica desespero ou crescente confiança do regime russo. A resposta a esta questão pode definir a estratégia ocidental nos próximos meses.

A guerra na Ucrânia continua definindo realinhamentos geopolíticos globais, com implicações que vão além do conflito regional, afetando cadeias de suprimentos, mercados de energia e estabilidade econômica internacional.

Para cidadãos observando este conflito, a informação precisa torna-se ferramenta essencial para compreender as complexidades de uma guerra que já se estende por quase três anos, com consequências que se estendem muito além das fronteiras ucranianas.

Fontes

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