Vivek Ramaswamy arrecadou quase 20 milhões de dólares em 2025 para sua campanha ao governo de Ohio. Mas agora anuncia que deixará o Instagram e o X, alegando que as redes sociais são “armadilhas” para políticos. A decisão coincide com questionamentos públicos sobre alegadas irregularidades em creches no estado.
Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não afirma como fatos comprovados a prática de crimes ou ilícitos, nem substitui decisões judiciais. Seu objetivo é promover reflexão crítica sob uma perspectiva editorial libertária.
O empresário que virou político e agora foge das redes
Ramaswamy é filho de imigrantes indianos e construiu uma fortuna avaliada em 1,9 bilhão de dólares no setor de biotecnologia. Entrou na política como candidato à presidência em 2024, depois apoiou Trump e agora busca o governo de Ohio. Ele deletou X e Instagram de seu telefone em 31 de dezembro de 2025, dizendo que gastará seu tempo “ouvindo mais eleitores do Ohio real”.
O empresário que antes defendia o uso das redes sociais mudou completamente o discurso. “Planejo me tornar um abstêmio de mídias sociais em 2026. Na véspera de Ano Novo, deletei X e Instagram do meu telefone”, escreveu no Wall Street Journal. A guinada é radical: quem construiu sua carreira política nas redes agora as rejeita publicamente.
Sua campanha levantou 9,88 milhões de dólares no segundo semestre de 2025 e totalizou mais de 19,57 milhões no ano, números considerados recordes históricos de arrecadação em Ohio. Números impressionantes que deveriam sinalizar uma campanha vitoriosa. Mas algo mudou.
As creches que geram controvérsias
A mudança de tom de Ramaswamy coincide com debates sobre alegadas irregularidades em creches ligadas à comunidade somali em Ohio. A administração Trump suspendeu subsídios federais de cuidados infantis devido a alegações de fraude contra creches de propriedade somali em vários estados. As suspeitas se espalham: investigadores independentes alegam encontrar prédios vazios que supostamente cuidam de centenas de crianças.
Mais de 40 centros de creche em Columbus, todos lançados sob uma organização extinta, supostamente começaram operações no mesmo dia, segundo reportagens locais. É uma coincidência que gera questionamentos. Quarenta empresas começando exatamente no mesmo dia, todas do mesmo setor.
Há debates sobre possíveis conexões políticas com essas organizações. Das 5.200 creches do estado, 12 foram fechadas em 2025 por suspeitas de irregularidades – menos de 1% dos centros financiados pelo estado, informou o governador DeWine.
Quando a realidade contradiz o mundo virtual
Essa justificativa levanta questionamentos. As redes sociais mostraram informações que contradiziam sua narrativa política. Um post onde escreveu sobre uma cultura que “prioriza conquista sobre normalidade” foi usado contra ele, com críticos dizendo “chamando os habitantes de Ohio de preguiçosos e medíocres não cai muito bem”.
A questão é que as redes sociais funcionaram exatamente como deveriam: informaram os eleitores sobre fatos relevantes. “Há uma linha tênue entre usar a internet para distribuir sua mensagem e permitir que o feedback constante da internet altere sua mensagem”, escreveu no Wall Street Journal.
O político que evita o escrutínio
Ramaswamy alega que se inspirou na primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, que lhe disse evitar consumir notícias para impedir que narrativas da mídia moldem sua governança. Mas essa comparação gera debates: Meloni governa um país, Ramaswamy disputa uma eleição.
Quando você está pedindo votos, há quem argumente que precisa escutar todas as vozes – inclusive as críticas. “Há uma linha tênue entre usar a internet para distribuir sua mensagem e inadvertidamente permitir que o feedback constante da internet altere sua mensagem”, filosofa no Wall Street Journal.
Críticos interpretam isso como resistência ao escrutínio: ele não quer que os eleitores vejam informações que contradizem sua imagem construída. As redes sociais democratizaram o acesso à informação. Qualquer cidadão pode investigar, questionar, confrontar. Para um político acostumado a controlar a narrativa, isso pode ser desconfortável.
Em tom descontraído, admitiu que “se esta resolução for como as anteriores, posso estar de volta rolando o X em março”. Ou seja: nem ele mesmo demonstra certeza sobre essa decisão.
A contradição da “autenticidade política”
O mesmo homem que antes defendia que políticos precisavam ler todos os comentários das redes agora foge deles. Sua equipe continuará usando as plataformas para compartilhar mensagens e vídeos em seu nome. No entanto, ele não navegará mais pessoalmente ou se envolverá nessas plataformas. Ou seja: quer os benefícios da comunicação digital sem assumir os riscos da interação.
É a velha estratégia política: falar sem ouvir, comunicar sem dialogar. Argumentou que a mídia social cria uma imagem distorcida da realidade que cada vez mais afeta a governança. Disse que assessores políticos são frequentemente jovens e excessivamente focados em tendências online.
Quando o Estado cria os problemas que promete resolver
A questão das creches suspeitas revela um padrão clássico: o Estado cria um programa com “boas intenções”, estabelece uma burocracia para gerenciá-lo e depois expressa surpresa quando surgem irregularidades. O financiamento de creches de Ohio é baseado na presença, não na matrícula, com os pais usando um sistema PIN para fazer check-in e check-out das crianças. Surgiram preocupações sobre creches retendo esses PINs.
Funcionários públicos que administram esses programas têm interesse em mantê-los funcionando – mesmo quando há evidências de problemas. Eles ganham salários para supervisionar os subsídios e não querem perder suas posições. Quanto maior o programa, maior seu poder e prestígio. É a lógica perversa da burocracia estatal.
Ramaswamy, que deveria defender a redução do Estado, se vê em meio a debates sobre esse sistema de dependência governamental. Um empresário de sucesso que construiu riqueza no mercado livre agora depende de votos de comunidades que vivem de programas assistenciais. A contradição é evidente para observadores atentos.
Por isso a fuga das redes sociais faz sentido estratégico: lá, essa contradição fica exposta para milhões de pessoas. Melhor controlar a narrativa através de assessores e eventos selecionados do que enfrentar questionamentos diretos sobre conexões políticas inconvenientes.
A informação descentralizada incomoda quem tem algo a esconder
As redes sociais representam a descentralização da informação. Qualquer pessoa com um celular pode investigar, denunciar, questionar. “Em uma era onde a confiança nas instituições está abalada, esse tipo de verificação de base ressoa”, comentam analistas.
Essa democratização incomoda políticos acostumados ao monopólio da comunicação. Antes, controlavam quando falar, como falar e para quem falar. As redes acabaram com esse privilégio. Agora, qualquer eleitor pode questionar, contradizer, expor inconsistências em tempo real.
Ramaswamy reclama que “a mídia social moderna está cada vez mais desconectada do eleitorado. As mensagens que você tem mais probabilidade de ver são as mais negativas e bombásticas”. Mas essa é exatamente a natureza da crítica política: ela é negativa e incômoda.
A questão não é se as críticas são “bombásticas” – é se são fundamentadas. E quando investigadores independentes alegam encontrar creches vazias recebendo milhões em subsídios públicos, a crítica se torna legítima segundo os questionamentos públicos. A resposta não deveria ser fugir das redes, mas investigar e esclarecer os fatos.
O que você pode fazer diante disso
A decisão de Ramaswamy expõe uma questão incômoda: muitos políticos preferem o controle da informação à transparência total. Quando as redes sociais funcionam como deveriam – informando e questionando – eles recuam. É um sinal que merece atenção dos eleitores.
Como eleitor, você tem o poder de exigir transparência. Use as ferramentas disponíveis para investigar, questionar e cobrar respostas. “Quando aqueles no poder confundem comentários online com consenso do mundo real, eles tomam decisões baseadas em uma imagem distorcida”, escreveu o próprio Ramaswamy.
A ironia é reveladora: ele critica os políticos que se baseiam nas redes sociais, mas sua própria decisão de abandoná-las é motivada exatamente pelo que encontrou lá. As informações sobre as creches suspeitas não surgiram de pesquisas oficiais ou investigações governamentais – vieram de cidadãos investigando por conta própria.
Essa é a beleza da informação descentralizada: ela não depende da permissão de burocratas ou da agenda da mídia tradicional. Qualquer pessoa pode investigar e compartilhar o que descobriu. É exatamente isso que pode incomodar políticos com algo a esconder.
A fuga de Ramaswamy das redes sociais não é necessariamente uma estratégia política inteligente – é um sinal de possível fraqueza. Sugere que ele pode não ter respostas convincentes para os questionamentos que surgiram. Em vez de enfrentar as críticas com transparência, prefere fugir para um ambiente mais controlado.
Mas os eleitores de Ohio não são obrigados a aceitar essa postura. Eles têm o direito de exigir respostas completas sobre qualquer conexão com esquemas suspeitos de financiamento público. E têm as ferramentas para investigar por conta própria, mesmo que os candidatos prefiram se esconder.
A informação é a melhor defesa contra políticos que prometem uma coisa na campanha e fazem outra no governo. Use-a com sabedoria.



