Diretor da PF Andrei Rodrigues em entrevista sobre operações irregulares na Venezuela

janeiro 31, 2026

Ludwig M

PF monitorava Caracas no dia da captura: operação clandestina ou cumplicidade?

No exato dia em que forças especiais americanas capturaram Nicolás Maduro em Caracas durante a madrugada, a Polícia Federal brasileira mantinha agentes na capital venezuelana com a missão de “antever movimentos” do conflito. A revelação bombástica veio do próprio diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, apenas oito horas depois da operação americana “Absolute Resolve” que resultou na captura do ditador venezuelano e sua esposa.

Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.

A confissão que expôs tudo

Rodrigues admitiu publicamente que “adidos da corporação atuavam em Caracas para antever movimentos relacionados ao conflito” e “assessorar sobre possíveis impactos para a segurança nacional”. O timing da declaração não poderia ser mais suspeito: a PF mantém adidos policiais em Caracas, que atuam na embaixada brasileira para coletar informações diárias e antecipar possíveis desdobramentos do conflito.

A operação americana foi resultado de meses de planejamento secreto, representando a ação mais assertiva dos EUA para mudança de regime desde a invasão do Iraque em 2003. Moradores de Caracas relataram tremores, barulho de aeronaves e correria nas ruas durante a madrugada, com pelo menos sete explosões ouvidas em 30 minutos e parte da cidade sem energia.

Se os americanos planejavam a operação há tanto tempo, que tipo de “movimento” exatamente a PF esperava antecipar? A resposta mais óbvia é preocupante: alertar Maduro sobre movimentações suspeitas. Isso explicaria por que Rodrigues foi pego de surpresa e deu declarações tão reveladoras logo após a captura.

PF atuando além de suas atribuições constitucionais

A Polícia Federal tem função específica e delimitada: investigar crimes federais dentro do território nacional. Embora possa ter adidos no exterior, isso deve se limitar a questões de cooperação investigativa bilateral, como tráfico de drogas transnacional.

O que Rodrigues descreveu – “antever movimentos relacionados ao conflito” e “assessorar sobre possíveis impactos para a segurança nacional” – está completamente fora do escopo constitucional da PF. Questões de segurança nacional e inteligência externa são atribuição exclusiva da ABIN e das Forças Armadas, não de uma polícia judiciária.

A escolha de enviar policiais federais, e não agentes da ABIN, revela uma questão de confiança política. O governo Lula confia mais na PF, comandada por Rodrigues – seu ex-segurança pessoal de campanha – do que nas instituições tradicionais de inteligência. A PF tornou-se, na prática, a agência de inteligência política não oficial do Planalto.

Isso não é apenas irregular – é perigoso. Cria estruturas paralelas que fogem aos mecanismos constitucionais de controle e supervisão do Congresso Nacional.

Os verdadeiros interesses em jogo

A presença de agentes da PF em Caracas no dia da captura expõe as verdadeiras prioridades geopolíticas do governo brasileiro. Não é segredo que Lula mantém simpatias pelo regime venezuelano – Maduro é herdeiro político de Hugo Chávez, histórico aliado do PT.

Trump declarou que os Estados Unidos vão “dirigir” a Venezuela até que uma transição segura ocorra e assumir controle das vastas reservas de petróleo. Para um governo que sonha em controlar recursos energéticos regionais através da Petrobras, ver os americanos assumindo o controle do petróleo venezuelano é um golpe estratégico devastador.

A missão real da PF em Caracas provavelmente ia muito além do que Rodrigues admitiu. Em vez de apenas “monitorar”, a função pode ter sido fornecer um sistema de alerta precoce para proteger o regime chavista. Se essa hipótese estiver correta, o governo brasileiro usou recursos públicos para tentar proteger um ditador estrangeiro.

A reação imediata também é reveladora: a Venezuela determinou o fechamento da fronteira com o Brasil em Pacaraima poucas horas após a operação americana, exclusivamente do lado venezuelano. Lula acompanhou os desdobramentos à distância e afirmou que ataques a países soberanos representam uma “linha inaceitável”.

Quando a polícia vira inteligência política

A sobreposição deliberada de funções entre PF e ABIN não é acidental – é estratégica. Ao usar a Polícia Federal para missões de inteligência externa, o governo contorna os mecanismos institucionais de controle que existem especificamente para fiscalizar atividades de inteligência.

O Congresso Nacional possui uma Comissão de Controle de Atividades de Inteligência para supervisionar operações sensíveis. Mas se a missão é oficialmente “policial” e não “de inteligência”, esse controle parlamentar fica comprometido. É um subterfúgio burocrático para operar sem transparência.

Essa centralização de operações políticas na PF sob Rodrigues explica outros episódios controversos, como a tentativa de interferência nas investigações envolvendo o ministro do STF Dias Toffoli. A Polícia Federal tornou-se um instrumento de poder concentrado nas mãos do Planalto, operando sistematicamente além de suas atribuições legais.

É uma inversão perigosa: em vez de investigar crimes, a PF passou a atuar como braço operacional da política externa não oficial do governo.

O laboratório autoritário venezuelano

A Venezuela sempre foi um laboratório para técnicas autoritárias que depois se espalham pela América Latina. O uso de tribunais eleitorais para anular oposições, a criação de “crimes de opinião”, a instrumentalização total da justiça – tudo isso foi testado primeiro em Caracas.

Cuba denunciou o “ataque criminoso dos Estados Unidos” e pediu condenação da comunidade internacional, classificando como “terrorismo de Estado”. O Irã condenou energicamente o ataque como violação flagrante da soberania nacional. A rede de regimes autoritários opera em coordenação clara.

Agora vemos o processo inverso: o Brasil exportando técnicas para proteger aliados autoritários. O uso da PF como agência de inteligência política não oficial, o controle de narrativas através de operações judiciais questionáveis, a criação de estruturas paralelas – são “inovações” do atual sistema político brasileiro sendo usadas internacionalmente.

A presença da PF monitorando Caracas no dia da operação americana foi parte desse sistema de proteção mútua entre regimes afins. O cidadão brasileiro tem direito de saber se está financiando a proteção de ditadores estrangeiros.

A queda inevitável e suas lições

A operação resultou da pressão mais intensa da administração Trump sobre Maduro e meses de planejamento secreto. Segundo um oficial venezuelano, pelo menos 80 pessoas foram mortas durante a ofensiva americana. A operação foi liderada pela Força Delta, unidade de operações especiais de elite do Exército dos Estados Unidos.

Contra essa máquina de guerra, toda a proteção cubana e o aparato de segurança venezuelano foram inúteis. Maduro e a esposa foram retirados à força e enviados de navio para Nova York, onde estão numa prisão federal no Brooklyn.

Para regimes como o brasileiro, que mantinham relações próximas com Caracas, a queda de Maduro representa um alerta claro. Se os americanos podem capturar um presidente na capital de seu próprio país, as regras do jogo mudaram completamente. Não admira que a PF estivesse monitorando – provavelmente avaliando as implicações para outros governos regionais.

A operação também expôs a inutilidade das proteções tradicionais. O Supremo Tribunal venezuelano nomeou a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina, tornando-a a primeira mulher a chefiar o executivo do país. Mas isso é irrelevante quando o poder real mudou de mãos.

Congresso tem oportunidade histórica

A revelação sobre a PF em Caracas oferece ao Congresso uma chance única de investigar não apenas essa operação específica, mas todo o padrão de abusos da Polícia Federal sob Rodrigues. A Comissão de Controle de Atividades de Inteligência pode convocá-lo para esclarecer missões que extrapolam as atribuições constitucionais da corporação.

Mais importante: estabelecer limites claros sobre o que a PF pode ou não fazer no exterior. A Constituição não permite que uma polícia judiciária atue como agência de inteligência externa não oficial. Há separação institucional clara que precisa ser respeitada e fiscalizada.

O timing é perfeito politicamente. Com o Congresso retornando do recesso e Rodrigues já em posição defensiva devido a outros escândalos, existe uma janela para forçar explicações e estabelecer controles mais rígidos sobre a atuação irregular da PF.

A questão vai além da Venezuela. É sobre impedir que qualquer governo use a Polícia Federal como instrumento de política externa paralela, operando sem transparência e fugindo aos mecanismos constitucionais de controle.

As perguntas que exigem respostas

A atuação da PF em Caracas levanta questões fundamentais sobre os limites do poder estatal e a instrumentalização de instituições públicas. Por que usar policiais federais para missão de inteligência? Por que não informar adequadamente o Congresso? Que outras operações irregulares a PF está conduzindo?

Mais grave: até onde o governo brasileiro estava disposto a ir para proteger Maduro? A presença de agentes em Caracas no dia da operação sugere, no mínimo, interesse desproporcional nos assuntos venezuelanos. Na pior hipótese, sugere cumplicidade ativa com um regime que negava direitos básicos ao próprio povo.

O cidadão brasileiro tem direito constitucional de saber se seus impostos financiam operações para proteger ditadores estrangeiros. Tem direito de saber se a PF está sendo usada como braço da política externa não oficial. E tem direito de exigir que instituições públicas respeitem rigorosamente seus limites constitucionais.

A captura de Maduro foi uma vitória para a liberdade dos venezuelanos, independente das motivações americanas. Qualquer governo que lamenta a queda de quem empobrecia e oprimia seu povo precisa explicar suas verdadeiras prioridades ao Congresso e aos cidadãos.

Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.

Versão: 31/01/2026 10:33

Fontes

Público – Maduro detido em Nova Iorque

Agência Brasil – Governo venezuelano manda prender envolvidos no sequestro de Maduro

Euronews – Captured Venezuelan leader Nicolás Maduro arrives in New York

CNN Brasil – Captura de Maduro completa uma semana

Agência Brasil – Nicolás Maduro passa noite em prisão de Nova York

Gazeta do Povo – Venezuela fecha fronteira com o Brasil após ação dos EUA

Wikipedia – Intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela em 2026

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