
O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse que “infelizmente surgiu essa possibilidade” ao ser questionado sobre a investigação de Luís Fábio Lula da Silva, o Lulinha. A declaração foi feita na segunda-feira, 15 de dezembro, durante encontro com jornalistas. O filho do presidente está no centro de um escândalo que pode abalar o governo federal.
Segundo testemunha ouvida na CPMI do INSS, Lulinha recebia mesada de R$ 300 mil por mês do “careca do INSS”. O dinheiro seria pago em troca de acesso privilegiado ao presidente da República. A denúncia foi feita por Edson Claro, auxiliar do principal investigado no esquema de fraudes da Previdência Social.
A situação se complicou ainda mais com a fuga de Lulinha para a Espanha. Ele deixou o Brasil em julho de 2025, exatamente quando a CPMI do INSS ganhou força no Congresso Nacional. Uma coincidência que levanta suspeitas sobre os reais motivos da mudança.
O escândalo não para por aí. Flávio Bolsonaro apresentou representação no TCU pedindo investigação por favorecimento e corrupção. O senador quer apurar não apenas as ações de Lulinha, mas também eventual responsabilidade do próprio presidente Lula no esquema.
A mesada milionária que comprava influência no governo
Edson Claro, auxiliar do “careca do INSS”, revelou detalhes explosivos sobre o esquema. Segundo ele, Lulinha recebia R$ 300 mil mensais para garantir acesso ao pai. O dinheiro funcionava como pedágio para encontros com o presidente e outras autoridades governamentais.
O mecanismo era simples e eficiente. Bastava o presidente pedir para alguém do governo encontrar com o “careca” que o encontro acontecia imediatamente. Essa facilidade de acesso valia muito dinheiro para quem estava por trás das fraudes no INSS.
Não é apenas tráfico de influência. É um esquema que transformou a máquina pública em balcão de negócios privados. O filho do presidente vendia algo que não lhe pertencia: o acesso ao poder do Estado brasileiro.
A revelação ganha ainda mais peso quando analisamos os números do INSS. Em 2023, primeiro ano do governo Lula, explodiu o número de descontos irregulares na Previdência. Os controles implementados durante o governo Bolsonaro foram afrouxados deliberadamente.
O timing não é coincidência. O governo chegou e transformou os controles rigorosos em festa completa para as empresas de desconto. Quem pagava a conta? Os aposentados brasileiros, que viram seus benefícios sendo devorados por empréstimos não solicitados.
Fuga para a Espanha levanta ainda mais suspeitas
Lulinha não esperou a tempestade passar. Em julho de 2025, quando a CPMI do INSS já estava sendo discutida, ele partiu para Madrid. Oficialmente, presta consultoria para empresas espanholas que atuam no Brasil.
Que conhecimento Lulinha tem sobre negócios brasileiros? Praticamente nenhum. Seu único ativo é o sobrenome e o acesso privilegiado ao presidente. É venda de influência disfarçada de consultoria empresarial.
As empresas espanholas não pagam pela expertise de Lulinha. Pagam pela capacidade dele de ligar para o pai e influenciar decisões governamentais. É o mesmo esquema do INSS, mas agora com roupagem internacional.
A mudança para a Espanha não foi planejamento de carreira. Foi fuga estratégica de quem sabia que as investigações chegariam perto demais. O filho do presidente preferiu se proteger no exterior a enfrentar as consequências no Brasil.
Existe um pedido de extradição de Lulinha tramitando na Câmara dos Deputados. O documento está nas mãos de Hugo Mota, presidente da Casa. Resta saber se ele terá coragem política para dar andamento ao processo.
O histórico de escândalos que se repete
Esta não é a primeira vez que Lulinha protagoniza polêmicas envolvendo tráfico de influência. No primeiro governo Lula, ele esteve no centro de um escândalo que marcou a gestão paterna.
As regras foram alteradas para beneficiar a Oi Telefônica. Ao mesmo tempo, a empresa fez aporte milionário na GameCorp, empresa de Lulinha que nunca saiu do papel. O “Ronaldinho dos negócios”, como o pai o chamava, enriqueceu da noite para o dia.
Antes de virar milionário, Lulinha era estagiário no zoológico de São Paulo. Limpava esterco de elefante e ganhava salário mínimo. Depois do aporte da Oi, tornou-se especialista em games para internet.
A transformação milagrosa nunca foi explicada satisfatoriamente. Como alguém que cuidava de animais se tornou empresário de tecnologia? A única explicação plausível é o sobrenome que carrega e as portas que ele abre.
O padrão se repete duas décadas depois. Lulinha continua monetizando o acesso ao pai, mas agora com métodos mais sofisticados. O esquema evoluiu, mas a essência permanece a mesma: vender influência política como se fosse produto comercial.
A tentativa de abafar o caso dentro da própria PF
Andrei Rodrigues tentou minimizar o caso após a repercussão negativa. Ele “esclareceu” que o “infelizmente” não se referia à citação de Lulinha, mas à possibilidade de divulgar informação sigilosa.
A explicação não convence ninguém. O diretor da PF demonstrou constrangimento ao admitir que o filho do presidente está sendo investigado. Sua reação inicial foi mais sincera que o esclarecimento posterior.
Rodrigues está do lado de Lula desde o início do mandato. É mais um cargo aparelhado pelo governo para proteger interesses políticos. Sua lealdade não é com a instituição, mas com quem o nomeou para o cargo.
O sigilo das investigações serve como escudo para proteger o governo de desgastes políticos. Enquanto isso, os brasileiros ficam sem saber a verdade sobre como seus recursos previdenciários estão sendo desviados.
A PF deveria ser técnica e imparcial. Na prática, tornou-se braço político do governo para blindar escândalos e perseguir adversários. É o aparelhamento do Estado em sua forma mais perigosa.
Conexões familiares que revelam esquema maior
Lulinha não é o único membro da família envolvido nas irregularidades do INSS. O irmão do presidente também aparece na investigação através de conexões suspeitas com sindicatos.
O irmão de Lula se tornou vice-presidente do SINDNAP, sindicato que pediu ao governo para afrouxar os controles da Previdência. Antes disso, ele não tinha ligação com a entidade sindical.
A sequência dos fatos é reveladora. Primeiro, o sindicato fez pressão para facilitar os descontos. Depois, o governo atendeu ao pedido. Em seguida, o irmão do presidente foi premiado com cargo na direção sindical.
Luiz Cláudio, outro filho de Lula, também está envolvido no esquema. Através da esposa ou ex-esposa, ele mantinha negócios com pessoas ligadas às fraudes do INSS.
O padrão familiar fica evidente: usar o parentesco com o presidente para facilitar negócios questionáveis. É a privatização dos benefícios do poder público em favor de interesses particulares da família presidencial.
O impacto político que pode definir 2026
Flávio Bolsonaro apresentou representação no TCU pedindo investigação completa do caso. Ele quer apurar não apenas as ações de Lulinha, mas também eventual responsabilidade direta do presidente.
A representação menciona “possível conflito de interesses e desvio de finalidade na máquina pública”. Se comprovadas as irregularidades, Lula pode enfrentar processo por improbidade administrativa.
O escândalo do INSS tem potencial para causar danos eleitorais significativos ao governo. As fraudes atingem diretamente os aposentados, base importante do eleitorado petista.
Os números são devastadores para quem depende da Previdência Social. Milhões de aposentados viram seus benefícios sendo consumidos por empréstimos não autorizados. O prejuízo individual se transforma em revolta coletiva.
A estratégia de culpar o governo anterior não funcionará desta vez. O afrouxamento dos controles aconteceu em 2023, primeiro ano da atual gestão. A responsabilidade política é inegável.
A privatização da influência presidencial
O caso Lulinha expõe como funciona a corrupção moderna no Brasil. Não são mais malas de dinheiro ou contas no exterior. Agora é venda de acesso disfarçada de consultoria empresarial.
O filho do presidente transformou o cargo paterno em produto comercial. Empresas pagam pela possibilidade de influenciar decisões governamentais através da relação familiar.
Este modelo é mais perigoso que a corrupção tradicional. Ele institucionaliza o tráfico de influência e torna a função pública refém de interesses privados da família presidencial.
A consultoria para empresas espanholas é apenas a ponta do iceberg. Quantos outros esquemas semelhantes existem? Quantas outras empresas pagam pelo acesso privilegiado ao presidente?
O Estado brasileiro não pode ser propriedade particular da família que ocupa o Palácio do Planalto. Quando isso acontece, a democracia se transforma em negócio de família.
O caso do INSS ainda vai causar muito estrago político ao governo federal. As investigações estão apenas começando, mas os indícios já são suficientes para questionar a lisura da atual gestão. A pergunta que não quer calar é: quantos outros esquemas familiares ainda serão descobertos?


