A demissão de mais de 50 funcionários da EPTV em janeiro de 2026 simboliza uma realidade assustadora: as afiliadas das TVs abertas estão morrendo. Em duas semanas, a emissora do Grupo EP dispensou jornalistas veteranos como Thales Rodrigues, âncora há oito anos em Varginha, e Pedro Guilherme, que comandava o Globo Esporte regional.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
EPTV: Quando “Melhor Empresa” Vira Pesadelo
Ironia amarga: a EPTV foi reconhecida como uma das melhores empresas para trabalhar no Brasil. Agora, críticos no mercado audiovisual questionam como uma empresa com contrato de R$ 27 milhões anuais com a Assembleia Legislativa de São Paulo justifica tamanha onda de demissões.
Os cortes atingiram as quatro praças de atuação da emissora. Analistas do setor apontam que foram dispensados profissionais das áreas técnica e administrativa, além de jornalistas, nas praças de Araraquara, Ribeirão Preto, São Carlos e Campinas. Entre os demitidos estava Walter Strozzi, diretor regional do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.
Programas tradicionais simplesmente desapareceram. O Globo Esporte regional de São Carlos e Araraquara foi descontinuado. O site A Cidade ON, que completaria dez anos em 2026, fechou as portas em várias cidades. Uma empresa que até cancelou a tradicional Taça EPTV de Futsal em 2025 — quando uma empresa para de patrocinar eventos que faz há décadas, observadores interpretam como sinal de crise financeira severa.
O Caos das Afiliadas: Cada Rede, Uma Tragédia
As afiliadas da Globo enfrentam situação dramaticamente pior que as demais. Segundo reportagens sobre a TV Fronteira, a afiliada da Globo em São Paulo perdeu sua afiliação após disputa judicial e críticos no setor interpretam que houve esvaziamento do jornalismo local.
Em Pernambuco, há relatos de que a TV Asa Branca tomou uma medida considerada desesperada por analistas do setor: reduziu salários de toda a equipe em 25%. Reduzir salário de todos os funcionários é interpretado por especialistas como sinal de que a situação financeira chegou ao limite.
As afiliadas do SBT vivem um pesadelo particular. Diferentemente da decisão histórica de Silvio Santos de jamais vender horário para igrejas, críticos observam que as afiliadas estão entupidas de programação religiosa. A razão é simples para analistas do mercado: audiência baixa e desesperança por faturamento.
A mudança constante de horários na programação do SBT é interpretada por profissionais do setor como um tormento para as afiliadas. No interior, o hábito de assistir TV ainda é forte. Quando a sede resolve trocar Chaves de horário, a afiliada perde credibilidade com anunciantes locais.
O Êxodo da Publicidade: A Migração Digital
O problema central está documentado: entre 2022 e 2025, a TV caiu de 50% para 37,1% dos investimentos publicitários enquanto o digital subiu de 27,6% para 36,5%, segundo dados do Fórum de Autorregulação do Mercado Publicitário.
Estudos de mercado mostram que a mídia digital já concentra 63% da verba publicitária, consolidando uma tendência irreversível. O anunciante local que antes colocava propaganda na afiliada da Globo agora prefere investir no Google e Facebook — consegue segmentar melhor, medir resultados em tempo real e pagar menos por cliente alcançado.
As afiliadas perderam a exclusividade do acesso ao público local. Qualquer empresa hoje pode fazer publicidade digital direcionada para sua cidade sem precisar da intermediação da TV local. Esse modelo de negócio, que sustentou as afiliadas por décadas, simplesmente desmoronou diante da concorrência digital.
Relatórios do setor apontam que apenas 17% dos brasileiros pagam por conteúdo jornalístico digital, criando um cenário onde as redações enfrentam redução de receita publicitária e crescimento modesto em assinaturas.
Estado: Parte do Problema, Não da Solução
Diante da crise, há vozes no debate público pedindo intervenção estatal. Querem que o governo “salve” as afiliadas com subsídios ou regulamentações que obriguem anunciantes a investir em mídia local. Na perspectiva libertária, essa visão ignora completamente a realidade do mercado.
O Estado brasileiro já consome recursos através da maior carga tributária do mundo. Agora querem que o contribuinte banque também a sobrevivência artificial de um modelo de negócio obsoleto? Para defensores do livre mercado, as afiliadas devem se adaptar ou morrer, como qualquer empresa em ambiente competitivo.
A verdadeira solução, segundo economistas liberais, passa pela liberdade de mercado. Empresas como Disney, Paramount, Warner e Sony poderiam comprar essas afiliadas e transformá-las em algo viável. Mas a legislação brasileira dificulta investimento estrangeiro no setor de comunicação.
Em vez de facilitar a entrada de capital internacional que poderia revitalizar essas empresas, críticos argumentam que o governo prefere manter regulamentações protecionistas que aceleram a morte do setor. O resultado está documentado: demissões em massa e fechamento de emissoras históricas.
O Futuro é Digital e Descentralizado
Enquanto as afiliadas tradicionais agonizam, criadores de conteúdo independentes prosperam no YouTube, TikTok e outras plataformas. Conseguem alcançar audiências maiores que muitas emissoras tradicionais, com custos infinitamente menores. A diferença fundamental: respondem diretamente ao público, sem proteções regulatórias.
A tecnologia democratizou a produção e distribuição de conteúdo. Qualquer pessoa com um celular pode alcançar milhões de espectadores sem concessão governamental, torre de transmissão ou licenças burocráticas. Para observadores do mercado digital, isso representa evolução natural de um setor que encontrou formas mais eficientes de entregar informação e entretenimento.
As afiliadas que conseguirem se reinventar como produtoras de conteúdo digital talvez tenham chance. As que insistirem no modelo antigo, segundo analistas, vão seguir o caminho da TV Alvorada: simplesmente sair do ar.
Na visão libertária, a crise das afiliadas não é acidente — é evolução natural. Resistir a essa mudança é como tentar segurar a maré com as mãos. O governo não pode salvar modelos de negócio ultrapassados. A única salvação possível vem da iniciativa privada, inovação e adaptação às realidades tecnológicas.
A pergunta que fica é: quantas mais vão quebrar antes que o mercado aceite definitivamente que a era das afiliadas tradicionais chegou ao fim?
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 20/01/2026 13:58


