Enquanto você discutia o preço do Bitcoin na mesa do bar, as stablecoins movimentaram silenciosamente US$ 27,6 trilhões em 2024, superando Visa e Mastercard juntas em 7,7%. Não foi acidente. Foi revolução – do tipo que acontece sem pedir licença para cartório nem ministério.
Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não afirma como fatos comprovados a prática de crimes ou ilícitos, nem substitui decisões judiciais. Seu objetivo é promover reflexão crítica sob uma perspectiva editorial libertária.
A revolução que a Globo “esqueceu” de noticiar
Aliás, a oferta total de stablecoins lastreadas em dólar já ultrapassa US$ 200 bilhões, mas isso não apareceu no Jornal Nacional. Coincidência? Claro que não. Há quem interprete que bancos centrais e gigantes financeiros preferem que você continue achando que o sistema deles é a única alternativa civilizada no planeta.
E mais: as stablecoins explodiram de míseros US$ 3,3 bilhões em 2018 para incríveis US$ 18,4 trilhões em 2024 – uma das curvas de crescimento mais selvagens da história das finanças. Para ter noção do tamanho dessa mudança, Visa cresceu de US$ 11,3 trilhões para US$ 15,7 trilhões no mesmo período, enquanto Mastercard subiu de US$ 5,9 trilhões para US$ 9,8 trilhões.
A conta é simples. Enquanto as “donas” do sistema tradicional crescem a passos de tartaruga burocrática, as stablecoins multiplicaram o volume por mais de 5.500 vezes em apenas seis anos. Isso não é melhoria incremental. É substituição pura.
E quer saber o mais revelador? 70% das transações com stablecoins em 2024 foram executadas por bots. Não são pessoas comprando pãozinho na padaria. São algoritmos operando uma infraestrutura financeira descentralizada em escala industrial, 24 horas por dia, sem supervisão de burocrata algum.
Duas empresas controlando 240 bilhões de dólares (sem pedir licença)
Tether (USDT) e Circle (USDC) dominam esse mercado gigantesco. Só a Tether mantém quase US$ 120 bilhões em títulos do Tesouro americano, colocando-a entre os maiores credores dos Estados Unidos no mundo inteiro.
Pense na ironia: duas empresas que a maioria dos brasileiros nunca ouviu falar controlam reservas maiores que o PIB de dezenas de países. E fazem isso sem precisar da benção do Banco Central, da CVM, da SEC ou de qualquer outro órgão regulador cheio de carimbos.
Por sinal, até o JPMorgan reconhece que as stablecoins processaram US$ 27 trilhões em volume em 2024, superando Visa e Mastercard combinadas. Quando um dos maiores bancos do mundo admite que uma tecnologia descentralizada já deixou os gigantes tradicionais comendo poeira, é porque a revolução não é mais questão de “se”, mas de “quando”.
A melhor parte? As stablecoins se tornaram máquinas digitais de demanda por dívida soberana americana. Enquanto alguns países tentam escapar do domínio do dólar, essas moedas digitais expandem globalmente a sede por títulos do Tesouro americano. Genial, não?
Quando máquinas substituem humanos (e ninguém perguntou sua opinião)
Em redes como Solana e Base, os bots representam 98% do volume total de transações com stablecoins. Essa automação massiva revela algo fundamental: o sistema financeiro descentralizado já opera em velocidade e escala que fazem o sistema bancário tradicional parecer uma carroça.
Não é só velocidade. É libertação de intermediários parasitas. Essas redes oferecem alta velocidade, custos baixíssimos e um ecossistema DeFi em plena expansão, criando um ambiente onde o dinheiro flui sem precisar da aprovação do gerente do banco, do compliance ou da papelada eterna.
Diferentemente das redes tradicionais de cartão, as stablecoins operam em blockchains públicas, permitindo transferências quase instantâneas e sem intermediários. Você manda US$ 100 mil para o Japão em segundos, pagando centavos de taxa, sem explicar para ninguém por que está fazendo isso.
Os números impressionam. O market cap da Ethereum cresceu 65% em 2024, parcialmente graças ao upgrade Dencun, que reduziu drasticamente as taxas de transação. Quando a tecnologia melhora e os custos despencam, a adoção explode. Assim funcionam mercados livres de verdade.
O desespero do sistema tradicional (tentando surfar na onda)
Visa e Mastercard não estão ignorando essa mudança. Estão correndo atrás como vendedor de guarda-chuva na chuva. Em julho de 2025, a Visa expandiu seu programa de liquidação com stablecoins para suportar USDC, PYUSD, USDG e EURC em quatro blockchains. Eles já liquidaram mais de US$ 3,5 bilhões através desses canais.
A Mastercard anunciou em agosto de 2025 parcerias com Circle, Paxos, Fiserv e PayPal, suportando múltiplas stablecoins em sua rede, começando com projetos piloto no Leste Europeu, Oriente Médio e África. A velha máxima: se não conseguir vencer o inimigo, junte-se a ele.
A estratégia é óbvia: em vez de brigar contra as stablecoins, os gigantes tradicionais querem se tornar “intermediários necessários” nesse novo sistema. Querem continuar cobrando suas taxas gordas, só que agora usando infraestrutura blockchain como muleta.
Mas há um probleminha técnico: a tecnologia não precisa deles. Quando você envia USDC de uma carteira para outra, a autorização e liquidação acontecem simultaneamente numa única transação atômica na blockchain. Não há processo de compensação separado, nem cadeia bancária correspondente. Simples assim.
O dia em que duas empresas decidiram o que você pode comprar
Mas a história mais reveladora de 2025 não foi sobre stablecoins. Foi sobre como Visa e Mastercard mostraram as garras de censores. A Valve, dona da Steam, foi pressionada por processadores de pagamento a remover centenas de jogos adultos da plataforma, com as empresas citando especificamente a Regra 5.12.7 da Mastercard.
Resultado prático: mais de 100 jogos, principalmente visual novels e títulos adultos, sumiram da Steam da noite para o dia. Não porque violaram alguma lei brasileira, americana ou japonesa. Simplesmente porque duas empresas privadas decidiram que esses conteúdos “não deveriam existir”.
O precedente é preocupante. Críticos levantam questionamentos se essa censura via controle financeiro pode se expandir para além de jogos adultos, afetando franquias como Grand Theft Auto ou outros gêneros controversos. Quando dois processadores controlam praticamente todos os pagamentos digitais do planeta, eles viram censores invisíveis da sua liberdade de escolha.
Pergunta que não quer calar: quem deu esse poder para eles?
A infraestrutura da liberdade (que já funciona, obrigado)
Com stablecoins, esse problema simplesmente não existe. Ninguém pode vetar sua transação por “questões morais”. Nenhuma empresa consegue decidir se você tem “permissão” de comprar algo. O dinheiro flui direto de você para o vendedor, sem atravessadores fazendo sermão no meio do caminho.
Stablecoins que rendem juros registraram ganhos extraordinários, com capitalização disparando 583% no ano, lideradas pela sUSDe com impressionantes 5.800% de crescimento. Quando você pode ganhar rendimento sobre seu dinheiro sem depender de gerente de banco, a proposta se torna irresistível.
A diversificação também avança. Ethereum e Tron ainda concentram 83% do mercado de stablecoins, mas essa dominância caiu dos 90% de janeiro, sinalizando maior diversificação. Redes de Camada 2 ganharam tração, com market cap crescendo 218% no ano.
O futuro não vai pedir permissão (e nem precisa)
Os dados são cristalinos: a infraestrutura financeira descentralizada deixou de ser experimento para virar realidade operacional em escala global. As stablecoins processaram US$ 27,6 trilhões em volume em 2024 e sua circulação passou de US$ 215 bilhões, com projeções de atingir US$ 55 trilhões em pagamentos até 2030.
A resposta do establishment é previsível: regulação, controle e criação de pânico. Há quem especule que tentarão enquadrar stablecoins nas mesmas regras burocráticas que sufocam o sistema bancário há décadas. Analistas sugerem que podem exigir licenças caríssimas, impor limites arbitrários, criar mil burocracias desnecessárias.
Só tem um problema: você não consegue “desinventar” tecnologia. Não dá para forçar as pessoas a voltarem para um sistema pior só porque “sempre foi assim”. Se uma alternativa funciona melhor, é mais rápida, mais barata e oferece mais liberdade, ela cresce independentemente do que governos e bancos centrais preferem.
A revolução financeira já começou. Não com passeatas nem discursos inflamados, mas com código funcionando e milhões de pessoas escolhendo alternativas que simplesmente entregam resultados melhores. E o mais importante: sem pedir permissão para ninguém.
Você pode continuar esperando a grande mídia te contar sobre isso daqui a cinco anos, ou pode prestar atenção agora. A escolha é sua. Mas lembre-se: quando o Estado promete “proteger” você das suas próprias decisões, alguém sempre paga a conta. E esse alguém é você.
Afinal, até quando vamos aceitar que duas empresas privadas decidam o que podemos ou não comprar com nosso próprio dinheiro? A tecnologia para escapar dessa armadilha já existe e está funcionando. Resta saber se teremos coragem de usá-la.
Fontes e Referências
- Cointelegraph – Volume de US$ 27,6 trilhões de stablecoins em 2024
- Visual Capitalist – Crescimento histórico das stablecoins
- Money Times – Reservas da Tether em títulos do Tesouro
- Visa – Lançamento oficial de liquidação com stablecoins
- Mastercard – Parcerias oficiais com stablecoins
- Brave New Coin – Censura da Steam por processadores de pagamento
- JPMorgan – Reconhecimento do volume de stablecoins



