Ministra Verônica Sterman durante cerimônia de posse no Superior Tribunal Militar

janeiro 12, 2026

Ludwig M

Ministra do STM recebeu R$ 700 mil de empresa investigada por ligação com o ‘Careca do INSS’

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) revelou que a ACX ITC Serviços de Tecnologia, empresa ligada ao “Careca do INSS”, pagou R$ 700 mil ao escritório de advocacia da ministra Verônica Abdalla Sterman, do Superior Tribunal Militar (STM). O pagamento aconteceu antes dela tomar posse no tribunal, mas gera questionamentos públicos sobre possíveis conexões com uma das principais investigações de corrupção no governo Lula.

Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções subjetivas a pessoas ou instituições, nem questiona a legitimidade dos Poderes da República. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.

O esquema milionário que chegou ao STM

A ACX ITC teve o sigilo fiscal quebrado pela CPMI do INSS por ser destinatária de recursos da Arpar Participações e Empreendimentos, pertencente ao Careca. Segundo relatório publicado pela Revista Oeste, a ACX ITC recebeu pelo menos R$ 4,4 milhões da Arpar. Esse valor representa apenas uma fatia do dinheiro que circulava no esquema investigado.

Segundo investigações da Polícia Federal reportadas pela ND Mais, a Arpar seria uma empresa de passagem, usada para “fragmentar o fluxo financeiro, dificultar o rastreamento da origem criminosa dos recursos e ocultar os beneficiários finais”. É o método clássico de lavagem de dinheiro — criar camadas de empresas para confundir investigadores e desviar recursos do Estado.

O que chama atenção é que a conta bancária da ACX ITC movimentou aproximadamente R$ 266,6 milhões no período analisado. Para uma empresa de tecnologia, é um volume desproporcional. E há um detalhe que desperta questionamentos: segundo reportagem do Metrópoles, a presença online da empresa se resume a uma página no Instagram, que fez o último post em abril de 2023, e há também um site, mas está fora do ar.

Isso levanta questionamentos sobre a natureza empresarial real da companhia. Uma empresa que move mais de R$ 260 milhões não deixa de ter presença digital por acaso. Que tipo de negócio sério opera sem nem um site funcionando?

A defesa da ministra e os pareceres de R$ 700 mil

A ministra Verônica Sterman informou, segundo reportagem da ND Mais, que “desconhece que a empresa mencionada pertença ao empresário citado e que não mantém qualquer relação com ele”. Ela esclareceu que “foi consultada por essa empresa exclusivamente sobre a possibilidade de elaboração de três pareceres jurídicos, todos relacionados a temas de natureza criminal”.

Segundo a ministra, conforme reportagem do Terra Brasil Notícias, “após a consulta, foi apresentada proposta de honorários, posteriormente aceita pela empresa. Os pareceres foram regularmente elaborados e entregues dentro dos prazos previamente estipulados, encerrando-se aí a relação profissional”. Uma explicação técnica e juridicamente impecável no papel.

Mas aqui surge uma questão prática que qualquer pessoa comum consegue entender: o pagamento dos R$ 700 mil foi feito em uma única parcela. Para três pareceres jurídicos, isso representa mais de R$ 230 mil por parecer. É um valor extraordinariamente alto para consultorias jurídicas, mesmo considerando a complexidade de temas criminais.

E há mais um detalhe que gera debate público: não foram identificados processos públicos em que o escritório tenha atuado para a ACX ITC ou outras empresas do grupo. Pareceres jurídicos são trabalhos internos, mas essa ausência total de rastros públicos suscita questionamentos sobre a verdadeira natureza dessa contratação milionária.

As conexões políticas que explicam tudo

Verônica Sterman não é uma advogada qualquer. Ela tomou posse como ministra do STM em 30 de setembro de 2025, indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mais importante: ela já tinha conexões profissionais sólidas com figuras centrais do governo petista.

Antes de assumir a vaga na corte militar, atuou como advogada de figuras politicamente relevantes, como a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Essas conexões profissionais não são coincidências. São indicadores claros de um círculo de influência política bem estabelecido.

Segundo reportagem do Metrópoles, ambos chegaram a apoiar seu nome para o cargo de desembargadora do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em São Paulo, evidenciando trânsito em círculos políticos de destaque. E quando políticos de primeiro escalão apoiam indicações para tribunais superiores, isso demonstra capital político significativo — não necessariamente mérito técnico.

O timing também é revelador: o pagamento ocorreu em período próximo à indicação de Verônica ao tribunal. Entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, justamente quando sua nomeação estava sendo articulada nos bastidores do governo. Coincidência? O debate público permanece aberto.

O Superior Tribunal Militar na mira do aparelhamento

Verônica se tornou a segunda mulher a integrar a mais alta corte da Justiça Militar brasileira. O STM, tradicionalmente composto por militares de carreira, agora tem duas indicações diretas de Lula. Há quem interprete isso não como progressismo — mas como estratégia política calculada para influenciar mais uma instituição.

Por sinal, o tribunal militar pode ganhar relevância especial em 2026. Haverá julgamentos importantes relacionados aos eventos de 8 de janeiro e outras questões militares. Ter aliados políticos em posições-chave, segundo críticos, não seria coincidência — seria preparação meticulosa para futuras decisões favoráveis ao governo.

A composição tradicional do STM sempre priorizou conhecimento técnico-militar. Agora, analistas observam advogados com conexões políticas ocupando essas vagas. É a diferença entre competência técnica e lealdade partidária governando as decisões que afetam você, cidadão comum.

Quando tribunais superiores passam a ser ocupados por indicações políticas em vez de méritos técnicos, parte do debate público considera que a independência do Judiciário pode ficar comprometida. E isso pode afetar diretamente a qualidade da Justiça — aquela que deveria proteger seus direitos e seu patrimônio contra os abusos do Estado.

O padrão que se repete: dinheiro do INSS irrigando aliados

Este não é um caso isolado. O senador Weverton Rocha é apontado pela PF como um dos beneficiários finais dos desvios de dinheiro. E há suspeitas envolvendo até mesmo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, mencionado pela proximidade com a empresária Roberta Luchsinger, acusada de receber pagamentos de R$ 1,5 milhão do “Careca do INSS”.

O padrão observado pelos críticos é sempre o mesmo: empresas de fachada, pagamentos em parcelas únicas, valores desproporcionais e beneficiários com conexões políticas diretas com o governo. Há quem interprete isso não como acidentes — mas como indícios de um sistema organizado de redistribuição de recursos desviados do seu bolso.

Weverton Rocha é vice-líder do governo no Senado e foi descrito pela Polícia Federal como o “núcleo político que viabilizaria as atividades de Antônio Camilo”, o “Careca do INSS”. Ou seja: havia uma estrutura política organizada para facilitar os desvios dos recursos da Previdência.

E quando dinheiro público desviado chega sistematicamente a advogados, políticos e indicados do governo, parte do debate público considera que isso não é má gestão. É projeto deliberado de usar recursos dos aposentados — que você paga todo mês — para financiar uma rede de influência política que beneficia apenas os mesmos de sempre.

A CPMI do INSS e o ano eleitoral que se aproxima

Parlamentares de oposição da CPMI do INSS vão se concentrar em tentar convocar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o senador governista Weverton Rocha para prestar depoimento nos primeiros dias da retomada dos trabalhos prevista para fevereiro de 2026. O ano eleitoral está chegando e as investigações ganham força política.

Diferentemente de outras CPIs que o governo conseguiu controlar, a CPMI do INSS tem documentos financeiros concretos. Relatórios do COAF, quebras de sigilo bancário e registros de transferências que não podem ser contestados politicamente. São números, datas e valores específicos — evidências que resistem ao discurso.

A oposição espera usar essas revelações para pressionar o governo em ano eleitoral. E o governo, naturalmente, tentará minimizar os danos mantendo seus aliados próximos — como evidenciado pela manutenção de Weverton Rocha na vice-liderança, mesmo com todas as suspeitas.

Para você, cidadão comum, o que importa é saber que seu dinheiro da Previdência pode estar financiando uma rede política de favorecimento. Cada real desviado é trabalho roubado de quem contribuiu a vida toda esperando uma aposentadoria digna — um direito básico que o Estado deveria proteger, não saquear.

O que você pode fazer diante dessa situação

Primeiro: acompanhe os desdobramentos da CPMI do INSS. As investigações ainda estão em andamento e novos documentos podem revelar a extensão real do esquema. Informação é sua melhor defesa contra a corrupção sistemática — e seu direito inalienável.

Segundo: cobre transparência dos órgãos de controle. O COAF e a Polícia Federal têm ferramentas para investigar, mas precisam de pressão pública para agir com eficácia. Tribunais de contas estaduais e federais também devem ser acionados. Afinal, eles trabalham para você — não para proteger políticos.

Terceiro: exija explicações detalhadas de todos os envolvidos. Respostas genéricas como “prestei consultoria jurídica” não são suficientes quando envolvem valores milionários e empresas investigadas por lavagem de dinheiro. O ônus da prova deve recair sobre quem recebeu os recursos — não sobre você, que os financiou.

A corrupção prospera no silêncio e na indiferença popular. Quando casos como este ganham visibilidade e geram pressão pública consistente, os responsáveis são obrigados a dar satisfações mais convincentes. Seu interesse e sua cobrança fazem diferença real — mais do que você imagina.

O sistema político brasileiro tem uma capacidade impressionante de transformar escândalos em “mal-entendidos” quando a população se distrai ou desiste. Não deixe isso acontecer desta vez. Mantenha-se informado, cobre explicações e exija punições efetivas para quem desvia dinheiro público.

A Previdência Social é um direito conquistado com décadas de luta dos trabalhadores. Ver esse dinheiro sendo usado para financiar redes de influência política é uma afronta a todos os brasileiros honestos. E você, como cidadão e contribuinte, tem o direito inalienável de saber exatamente para onde vai cada centavo do seu suor.

Será que ainda haverá tempo para responsabilizar os verdadeiros culpados, ou assistiremos mais uma vez ao espetáculo da impunidade travestida de “investigação em andamento”? A resposta, como sempre, depende de quanto você está disposto a cobrar.

Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.

Versão: 12/01/2026 14:03

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