Manifestantes nas ruas do Irã durante protestos de 2026 antes da repressão governamental

janeiro 22, 2026

Ludwig M

Massacre silenciado no Irã: como a repressão brutal e o corte da internet quebraram os protestos

Mais de 16 mil manifestantes foram mortos no Irã durante a repressão aos protestos que começaram em dezembro de 2025, segundo estimativas de organizações de direitos humanos. Pelo menos 2 mil manifestantes foram mortos em apenas 48 horas entre 8 e 10 de janeiro, enquanto grupos de direitos humanos estimam quase 4 mil mortos confirmados. O regime islâmico cortou completamente a internet há duas semanas e usa violência extrema contra o povo que exige mudanças.

Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.

O massacre que chocou o mundo: números que revelam a brutalidade

As forças de segurança iranianas intensificaram o uso de munição real contra os manifestantes, com hospitais em Teerã e Shiraz sobrecarregados. O que observadores internacionais classificam como estratégia sistemática de terror estatal.

O pico da violência aconteceu entre 8 e 10 de janeiro de 2026. Nesse período, a Guarda Revolucionária Islâmica e a polícia federal receberam ordens para atirar com balas reais nas multidões. Resultado documentado: milhares de mortos e o início do recuo das manifestações.

Segundo relatório da agência HRANA, até 18 de janeiro foram efetuadas mais de 24 mil prisões. Os números mostram a dimensão da resposta estatal contra civis desarmados. Há relatos de duas pessoas de 17 anos jogadas do sétimo andar de um prédio pelas forças do regime, segundo organizações de direitos humanos.

Aliás, imagens verificadas pela Anistia Internacional mostram ao menos 205 sacos com corpos em um necrotério improvisado. Quando um governo precisa criar necrotérios extras para dar conta dos próprios cidadãos mortos, críticos argumentam que isso já não é governar — é ocupar militarmente um território.

Internet cortada: a censura como arma de guerra

A internet foi cortada em todo o território iraniano desde 8 de janeiro, às 20h30 horário local. Especialistas em liberdades digitais interpretam a medida não apenas como controle — mas como declaração de guerra contra a liberdade de informação.

Desde então, mais de 85 milhões de iranianos vivem no que analistas chamam de “vácuo informacional”, com notícias vindas apenas de fontes estatais. O regime disponibilizou apenas alguns veículos de comunicação online, incluindo Tasnim e Fars, ambos afiliados à Guarda Revolucionária.

A diferença desta vez preocupa observadores internacionais: pela primeira vez, a própria Rede Nacional de Informação foi desligada, afetando até apoiadores do regime.

O regime aprendeu com 2019, segundo especialistas: manifestantes passaram a se organizar até por meio de chats de videogames autorizados. A conclusão interna teria sido direta: na próxima crise, seria necessário “cortar tudo”.

Por sinal, há planos de implementar permanentemente uma “internet chinesa” no Irã. Segundo fontes jornalísticas, o país não planeja levantar o bloqueio pelo menos até março. A ideia seria criar um sistema de controle total sobre informações, similar ao que existe na China.

Na perspectiva libertária, este é o futuro que todos os governos autoritários desejam: controle absoluto sobre o que você pode ler, ver ou compartilhar. A internet livre representa o maior obstáculo para qualquer sistema que depende do controle da informação para se manter.

China: a parceria tecnológica na repressão

Segundo reportagens internacionais, a China teria fornecido tecnologia de vigilância, permitindo às autoridades identificar opositores com maior eficiência. Pequim tem interesse direto na manutenção do regime iraniano, que faz parte da coalizão anti-ocidental ao lado da Rússia.

O apoio chinês vai além de tecnologia, segundo análises. As autoridades estariam fazendo verificações de celulares e monitoramento de postagens — o que críticos interpretam como modelo chinês de controle social sendo exportado para o Irã.

A China perdeu a Síria quando o regime Assad caiu. O Irã representa agora a principal peça no tabuleiro geopolítico regional para Pequim. Perder o Irã significaria ficar sem influência significativa no Oriente Médio, na avaliação de analistas.

Esta parceria sino-iraniana representa, na visão de observadores libertários, uma ameaça à liberdade global: dois regimes autoritários compartilhando tecnologias de repressão e se apoiando contra seus próprios povos.

Estados Unidos hesitam enquanto manifestantes são mortos

Israel teria pedido para Trump adiar ações militares, segundo analistas. O motivo apontado seria o baixo estoque de mísseis interceptadores do sistema Flecha.

Trump disse que ninguém o convenceu a não atacar — foi decisão própria. Mas movimentações militares americanas sugerem preparativos para possível ação. Doze caças F-15 chegaram à Jordânia vindos do Reino Unido, junto com aviões de reabastecimento.

Reforços também estão sendo enviados à ilha de Diego Garcia, no oceano Índico. No último fim de semana, ao menos seis cargueiros C-17 pousaram na base, considerada estratégica para operações de longa distância.

Os Estados Unidos deslocaram um grupo naval para o Oriente Médio. O porta-aviões USS Abraham Lincoln lidera a movimentação, acompanhado por outros navios e ao menos um submarino.

A hesitação americana tem um custo documentado em vidas humanas. Cada dia de indecisão significa mais manifestantes mortos, segundo organizações de direitos humanos. Críticos argumentam que o regime interpreta a inação como sinal verde para intensificar a repressão.

Diego Garcia: a base estratégica fora do alcance iraniano

Diego Garcia é uma ilha no Oceano Índico que serve como base militar americana. Com o fortalecimento das defesas iranianas, as bases americanas mais próximas se tornaram vulneráveis. Diego Garcia se mantém fora do alcance direto, a cerca de 4 mil quilômetros.

A base foi utilizada na Operação Eagle Claw (1980), na guerra Irã-Iraque, na Primeira Guerra do Golfo (1991) e nas invasões do Afeganistão (2001) e Iraque (2003). Agora pode ser novamente ponto de partida para ação militar, segundo analistas.

Diego Garcia está fora do alcance dos mísseis iranianos, o que a torna ponto ideal para operações com menor risco de retaliação. Imagens de satélite mostram movimentação incomum na base.

A localização estratégica ilustra como a geografia ainda importa na era moderna. Ter uma base militar fora do alcance das armas inimigas oferece vantagem tática decisiva, na avaliação de especialistas militares.

Alegações sobre armas “sujas”: nova preocupação

Há alegações preocupantes sobre possível uso de material radioativo pelo Irã. Segundo reportagens, membros americanos de bases atacadas pelo regime estariam reportando câncer, sugerindo uso de material radioativo nas bases do Iraque.

“Bomba suja” é quando material radioativo de baixo nível é espalhado numa explosão. Não mata imediatamente, mas pode causar câncer anos depois. É uma forma de guerra que ataca a saúde futura das vítimas.

Em 2020, quando houve ataques de mísseis iranianos na base de Al Asad, também teria havido presença de agentes tóxicos, incluindo radiação, segundo as mesmas fontes.

O uso de material radioativo contra tropas americanas, se confirmado, representaria escalada perigosa que justificaria resposta militar proporcional, na avaliação de analistas de defesa.

O silêncio seletivo da comunidade internacional

Onde estão os movimentos que sempre defendem direitos humanos quando mulheres são mortas por não usar hijab? Onde estão os defensores da democracia quando milhares de manifestantes são executados? O silêncio de muitos grupos internacionais expõe, na visão de críticos, uma seletividade moral preocupante.

Observadores libertários argumentam que certos segmentos não se importam verdadeiramente com direitos humanos — só quando podem usar essas bandeiras contra governos que desaprovam politicamente.

No Brasil, há quem note o silêncio sobre o Irã por parte de lideranças que costumam ser vocais em questões de direitos humanos. As mesmas pessoas que protestam contra declarações consideradas ofensivas permanecem quietas sobre um regime que mata mulheres e persegue minorias.

Esta seletividade, segundo críticos, prova que certas correntes não têm princípios consistentes — têm interesses políticos. Direitos humanos ficam secundários quando contradizem alianças geopolíticas.

Irã: um Estado que se sustenta apenas pela força

O regime iraniano pode ter contido temporariamente os protestos, mas isso não significa vitória sustentável. O país se transformou num Estado onde apenas a máquina de repressão funciona efetivamente.

Manter 85 milhões de pessoas sob controle policial é insustentável economicamente, segundo análises. Não se constrói prosperidade apontando fuzis para os próprios cidadãos. O Irã está se tornando um país pobre com armas — combinação perigosa.

Segundo especialistas, tentar controlar população pela violência nunca funciona no longo prazo. É caro demais, ineficiente demais. Pessoas são convencidas com ideias e melhoria de futuro, não com balas.

As pessoas nas forças de segurança ganham bem e não têm interesse em mudar o status quo, segundo análises internas. Mas essa estrutura não é sustentável quando o país está quebrado economicamente.

O regime construiu um sistema onde paga bem seus repressores enquanto o povo enfrenta dificuldades. É um modelo que pode funcionar temporariamente, mas não indefinidamente — a conta sempre chega, argumentam economistas.

O momento perdido e suas consequências

Segundo análises de especialistas, o momento passou. Protestos em larga escala aconteceram em todo o Irã, o regime estava vulnerável, as ruas estavam mobilizadas. Era o momento para ação internacional coordenada.

Mas Trump recuou. A ameaça diminuiu, os protestos perderam força. Muita gente no Irã está desapontada e argumenta que Washington falhou em agir no momento delicado.

Esta hesitação americana pode ter custado uma oportunidade histórica. Quando ditaduras estão vulneráveis, a janela de oportunidade é pequena e se fecha rapidamente, segundo historiadores especializados em mudanças de regime.

O povo iraniano se arriscou esperando apoio internacional que não veio. Essa situação pode ter consequências na confiança que outros povos oprimidos depositam nas democracias ocidentais.

A lição é dura: na luta contra tiranos, você está sozinho até que não esteja mais. E quando a ajuda chega, muitas vezes já é tarde demais.

Afinal, quantas oportunidades como esta o mundo vai desperdiçar antes de entender que regimes como o iraniano só entendem a linguagem da força? E até quando o povo iraniano terá que pagar o preço da indecisão internacional?

Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.

Versão: 21/01/2026 23:32

Fontes

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