
Mas Lula já sinalizou que vai vetar pontos do projeto, mesmo com o suposto acordo. É pura politicagem. Ele sabe que o Congresso pode derrubar o veto, então faz o teatro para a militância de esquerda. Aparenta resistência, mas permite que a lei seja aprovada.
A estratégia é cínica, mas eficiente. Lula não fica como quem “soltou” os condenados do 8 de janeiro, mas também não impede definitivamente que isso aconteça. É o famoso “fica em cima do muro” da política brasileira.
O problema é que cada etapa desse processo leva tempo. Aprovação no Senado, veto presidencial, derrubada do veto, revisão no STF. São meses de tramitação burocrática enquanto pessoas ficam presas por crimes questionáveis.
E ainda há outro risco: o STF pode aplicar a nova lei de forma seletiva. Benefícios máximos para os manifestantes do 8 de janeiro, tratamento rigoroso para Bolsonaro e lideranças políticas. É a “interpretação conforme a conveniência” que já vimos antes.
Alexandre de Moraes tem histórico de aplicar a lei de acordo com suas preferências políticas. Nada garante que ele será imparcial na hora de revisar as penas com base na nova legislação.
As mentiras que estão espalhando sobre o projeto
A primeira mentira é que o projeto beneficiaria condenados por incêndios e outros crimes violentos. É falso. O texto exclui especificamente crimes violentos do benefício. A dosimetria se aplica apenas a crimes contra o Estado sem violência contra pessoas.
A segunda mentira é que se trata de uma “tese derrotada” do ministro Luiz Fux no STF. Na verdade, o projeto muda a lei para estabelecer que crimes do mesmo capítulo do Código Penal sejam julgados em concurso formal, não material. É alteração legislativa legítima, não imposição de tese jurídica rejeitada.
A terceira mentira é a mais grave: que a pena de Bolsonaro cairia de 27 anos para apenas 2 anos. Como já explicado, a redução seria de 27 para 23 anos na pena total. O tempo em regime fechado cairia de 3 para 2,4 anos. É bem diferente do que propalam.
Essas distorções não são casuais. Fazem parte de uma estratégia coordenada para mobilizar a opinião pública contra o projeto. A mídia tradicional replica essas informações sem checagem, amplificando a desinformação.
O objetivo é claro: criar indignação popular para pressionar o Senado a rejeitar a proposta. É a mesma tática usada contra qualquer medida que não agrade à agenda progressista. Mentira repetida mil vezes vira verdade na cabeça das pessoas.
Por isso é fundamental esclarecer os fatos. A dosimetria não é “anistia para golpistas”. É correção técnica de excessos punitivos. Mas a verdade incomoda quem lucra politicamente com a prisão de adversários.
Por que o Alexandre de Moraes quer esse acordo agora
A situação dos condenados do 8 de janeiro está “pegando mal” para o STF. Pessoas sem antecedentes criminais recebendo penas de 17 anos por participar de manifestações. A opinião pública, mesmo crítica a Bolsonaro, considera excessivo.
Alexandre de Moraes usou essas penas altas como instrumento de pressão. A ideia era que alguém fizesse delação premiada contra Bolsonaro em troca de benefícios. A estratégia não funcionou. Ninguém “entregou” o ex-presidente. As pessoas preferiram cumprir penas absurdas a mentir em depoimento.
Agora, com Bolsonaro já condenado, Moraes pode “soltar” o resto dos manifestantes sem parecer injusto. É a cereja do bolo: condena o líder com pena máxima e “alivia” para os seguidores. Parece equilibrado para quem não conhece os bastidores.
Mas há uma pegadinha nessa história. A dosimetria permite interpretação na hora da aplicação. Moraes pode usar o “intervalo razoável” de forma generosa para os manifestantes comuns e rigorosa para Bolsonaro e lideranças.
É a justiça seletiva em ação. A mesma lei aplicada de forma diferente conforme a pessoa. Quem tem relevância política recebe tratamento mais severo. Quem é “peão” ganha benefícios maiores.
Essa estratégia permite que o STF pareça justo e moderado, quando na verdade mantém o viés político. É sofisticado, mas ainda é parcialidade judiciária disfarçada de técnica jurídica.
O cronograma real para libertação dos presos
Mesmo que tudo corra perfeitamente, o processo ainda levará meses. Primeiro, aprovação no Senado. Depois, veto de Lula. Em seguida, derrubada do veto pelo Congresso. Por fim, revisão criminal no STF.
Cada etapa tem seus riscos e demoras. O Senado pode alterar o texto, forçando nova votação na Câmara. Lula pode demorar para vetar, travando o processo. O STF pode arrastar os pés na revisão das penas.
A estimativa mais otimista é que algumas pessoas estejam livres no Carnaval de 2026. Isso se não houver sabotagem política pelo caminho. É tempo demais para quem está preso injustamente, mas é a realidade do sistema brasileiro.
O pior é que essa demora é proposital. Cada dia de prisão a mais é uma vitória política para quem quer manter os adversários neutralizados. A morosidade da justiça vira instrumento de perseguição.
Para os presos políticos, cada semana conta. Famílias destroçadas, carreiras interrompidas, vidas suspensas. Mas para o sistema, são apenas “processos em andamento”. A frieza burocrática esconde o drama humano por trás dos números.
Por isso a dosimetria, mesmo imperfeita, representa esperança. Não resolve tudo, mas é um primeiro passo para corrigir injustiças gritantes. É melhor pouco do que nada em situações extremas como essa.
A lição sobre como funciona o jogo político real
Este episódio da dosimetria revela como funciona o poder no Brasil. Acordos de bastidores, pressões midiáticas, manobras parlamentares. O que aparece na superfície é só a ponta do iceberg.
Hugo Mota “surpreendeu” o governo ao pautar a votação. Mas essa surpresa pode ter sido combinada. Alcolumbre “concorda” com o projeto, mas pode recuar sob pressão. Lula “vai vetar”, sabendo que o veto será derrubado. É teatro político em múltiplos atos.
A mídia faz sua parte espalhando versões distorcidas dos fatos. A opinião pública reage com base em informações falsas. Os políticos se posicionam conforme a pressão popular. É um ciclo vicioso de manipulação e desinformação.
No meio disso tudo, pessoas reais ficam presas por crimes questionáveis. Suas vidas são peças num tabuleiro de xadrez político onde elas não têm voz nem voto. É a face mais cruel do jogo pelo poder.
O cidadão comum assiste a tudo sem entender as regras reais. Acredita na narrativa superficial, ignora os interesses por trás das decisões. Fica indignado com as consequências, mas não identifica as causas verdadeiras.
Por isso a informação independente é tão importante. Só conhecendo os bastidores é possível entender o que realmente acontece. E só entendendo é possível cobrar mudanças efetivas.
O projeto da dosimetria pode ou não ser aprovado. Mas a lição fica: no Brasil, a justiça está subordinada à política. E a política está subordinada ao jogo de interesses das elites. O resto é conversa para boi dormir.
Enquanto o Senado debate e Lula prepara seu veto, dezenas de pessoas permanecem presas. Suas famílias aguardam, suas vidas ficam suspensas. Mas o espetáculo político continua, indiferente ao sofrimento real que causa.
E você, ainda acredita que vivemos em um Estado de Direito? Ou já percebeu que as regras mudam conforme a conveniência de quem está no poder?


