dezembro 19, 2025

Ludwig M

Lula sente saudades do PSDB: a confissão que explica tudo

Lula sente saudades do PSDB: a confissão que explica tudo

“Eu era feliz quando tinha o PSDB como oposição. A gente estava em partidos diferentes, mas era todo mundo mais ou menos amigo.” Essa confissão de Lula, feita em entrevista recente, não passou despercebida. O próprio ex-presidente entregou o que muitos brasileiros já desconfiavam: a política brasileira era um teatro.

A declaração expõe o que realmente acontecia nos bastidores da política nacional. Fernando Henrique Cardoso passou a faixa presidencial para Lula “cheio de orgulho”, como se entregasse o país para um aliado, não para um opositor. Era tudo encenação.

Esse desabafo nostálgico do petista revela mais do que ele gostaria. Mostra que existia uma zona de conforto entre PT e PSDB. Um acordo não declarado onde todos saíam ganhando – exceto o povo brasileiro.

O teatro que enganou o Brasil por décadas

Durante anos, PT e PSDB venderam para os brasileiros a imagem de uma disputa acirrada. Nas campanhas eleitorais, trocavam acusações pesadas. Lula chamava os tucanos de nazistas, usando as mesmas estratégias que hoje emprega contra Bolsonaro.

Mas depois das eleições, voltava tudo ao normal. A “cordialidade” retornava. Os pedidos de impeachment contra Fernando Henrique eram apresentados toda semana pelo PT, mas nunca levados a sério. Era só para inglês ver.

O PSDB, por sua vez, adotava a postura “prudente e sofisticada”. Não revidava na mesma moeda. Não pressionava de verdade. Preferia manter as aparências de civilidade democrática enquanto o país afundava em escândalos.

Essa conivência custou caro ao PSDB. O eleitorado percebeu o jogo. A sigla que já foi protagonista da política nacional hoje patina em torno de 2% nas pesquisas. O povo brasileiro não perdoa quem finge oposição.

A nostalgia de Lula não é sobre democracia ou civilidade. É sobre ter um adversário que não incomodava de verdade. Um oponente domesticado, que aceitava perder sem criar problemas para o sistema.

Por que Lula realmente sente falta do PSDB

A verdade por trás da saudade petista é simples: Lula ganhava do PSDB com facilidade. O partido tucano era a oposição perfeita – existia no papel, mas não na prática. Era o adversário ideal para quem queria governar sem pressão real.

Contra o PSDB, Lula podia dormir tranquilo. Sabia que os tucanos não iriam às últimas consequências. Não mobilizariam as ruas. Não pressionariam as instituições. No máximo, fariam discursos elegantes no Congresso.

O contraste com o bolsonarismo é gritante. Jair Bolsonaro nunca aceitou ser oposição decorativa. Confrontou Lula de frente, mobilizou multidões, questionou cada passo do governo petista. Isso tirou o sono da esquerda.

Agora, com Flávio Bolsonaro subindo nas pesquisas para 2026, Lula enfrenta a perspectiva de uma oposição real novamente. Uma oposição que não aceita ser coadjuvante no teatro político brasileiro.

A confissão do ex-presidente expõe o tamanho do desespero petista. Eles querem voltar aos tempos em que a política era um negócio entre amigos, onde as eleições eram apenas formalidade para ratificar acordos de bastidores.

Haddad abandona o barco que está afundando

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que deixará o cargo e não será candidato em 2026. A decisão surpreendeu até mesmo aliados próximos. Haddad era visto como sucessor natural de Lula caso o ex-presidente desistisse da reeleição.

Segundo Haddad, a saída do ministério acontecerá até fevereiro para “ajudar a campanha de reeleição do Lula”. A justificativa oficial é que considera incompatível ser ministro da Fazenda e trabalhar numa campanha eleitoral.

Mas há outras interpretações para essa decisão. Haddad pode estar lendo as pesquisas e percebendo que 2026 não será um bom ano para candidatos petistas. Melhor ficar de fora do que amargar mais uma derrota.

O PT gostaria que Haddad concorresse ao governo de São Paulo ou ao Senado. Em ambos os cargos, teria chances reais de vitória. Sua recusa indica que não quer ser usado como bucha de canhão eleitoral.

Lula declarou que “gostaria que Haddad fosse candidato em 2026”, mas respeitará sua decisão. A fala demonstra o isolamento crescente do ex-presidente dentro do próprio partido. Até os aliados mais próximos estão hesitando em apostar nele.

O bolsonarismo que não era para existir

A esquerda calculou errado. Acreditava que o bolsonarismo era um “acidente de percurso”, resultado apenas de disparos em massa no WhatsApp. Bastaria tirar Bolsonaro do poder para tudo voltar ao “normal”.

Essa análise equivocada custou caro ao campo progressista. Eles não entenderam que o bolsonarismo representa uma mudança estrutural na política brasileira. Uma parcela significativa da população não aceita mais ser governada pela velha política.

Com Flávio Bolsonaro crescendo nas pesquisas, o cenário para 2026 se complica para Lula. O filho do ex-presidente carrega o mesmo DNA político do pai, mas com menos rejeição e mais tempo para construir alianças.

Para piorar a situação petista, a direita está crescendo mundialmente. O fenômeno não se limita ao Brasil. Argentina elegeu Milei, Estados Unidos trouxeram Trump de volta, Europa vê partidos conservadores ganhando força.

Lula enfrenta uma onda global que vai na direção contrária às suas convicções. O mundo está rejeitando o progressismo estatista que ele representa. Sua nostalgia pelo PSDB reflete o desespero de quem vê o próprio projeto político em xeque.

Tarcísio versus Flávio: o dilema petista

O governador Tarcísio de Freitas tem chances maiores de derrotar Lula do que Flávio Bolsonaro. Mas, paradoxalmente, a esquerda tem mais medo do filho do ex-presidente. A explicação está na narrativa política que cada um representa.

Perder para Tarcísio permitiria a Lula vender a história de que “acabou com a polarização” e “derrotou o bolsonarismo”. Seria uma derrota com sabor de vitória moral, preservando seu legado histórico.

Já uma derrota para Flávio seria a confirmação de que nada mudou. O bolsonarismo continuaria vivo e forte, provando que 2022 foi apenas um intervalo, não um ponto final.

Essa diferença explica por que o PT prefere enfrentar qualquer candidato a não ser um Bolsonaro. A família representa a continuidade de um projeto que a esquerda jurava ter enterrado para sempre.

O desânimo visível de Lula nas entrevistas recentes reflete essa percepção. Ele sabe que pode estar caminhando para uma derrota que destruirá toda a narrativa construída em torno de sua “vitória democrática” em 2022.

O fim da velha política brasileira

A confissão de Lula sobre suas saudades do PSDB marca o fim de uma era. A era em que a política brasileira funcionava como um clube fechado, onde adversários eram, no fundo, sócios de um mesmo projeto de poder.

O eleitorado brasileiro amadureceu. Não aceita mais encenações. Quer oposição real, confronto verdadeiro, alternativas concretas. O bolsonarismo nasceu dessa demanda por autenticidade política.

Por isso o PSDB desapareceu do mapa eleitoral. Por isso Lula enfrenta hoje uma oposição que não se domestica. Por isso a velha política agoniza enquanto emerge uma nova direita que não pede licença para incomodar.

A democracia brasileira está mais saudável quando existe confronto real de ideias. Quando a oposição faz oposição de verdade. Quando o governo precisa justificar cada ato, cada gasto, cada decisão.

O que Lula chama de “enraivecimento” da política é, na verdade, o fim do teatro. É a política voltando a ser sobre projetos diferentes para o país, não sobre acordos de bastidores entre amigos.

As lições de uma confissão involuntária

Quando Lula diz que sente falta da época em que “era todo mundo mais ou menos amigo”, ele entrega o jogo. Revela que existia uma conivência entre PT e PSDB que prejudicava o interesse nacional.

Essa confissão explica muitas coisas. Por que o país patinou durante décadas alternando entre os mesmos grupos. Por que as reformas estruturais nunca saíam do papel. Por que o Brasil ficou para trás enquanto outros países emergentes cresciam.

A “amizade” entre PT e PSDB custou caro ao desenvolvimento nacional. Enquanto eles dividiam o poder civilizadamente, o país acumulava problemas que explodiram na crise de 2014-2016.

O surgimento do bolsonarismo rompeu esse conforto. Trouxe para a política brasileira o que ela não tinha há décadas: confronto real entre projetos distintos de país.

Isso incomoda quem estava acostumado com o poder sem pressão. Mas é assim que a democracia funciona de verdade: com oposição vigilante, mídia questionadora, povo participativo.

A nostalgia de Lula pelo PSDB é a nostalgia de quem perdeu o controle da narrativa. De quem não consegue mais governar sem ser questionado. É o lamento de quem vê o próprio projeto político sendo rejeitado por uma população que não aceita mais ser enganada.

E você, acredita que o Brasil está maduro demais para voltar aos tempos do “teatro das tesouras” entre PT e PSDB?

Fontes

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