Lula discursa para milhares de militantes do MST em Salvador durante anúncio de R$ 2,7 bilhões em desapropriações

janeiro 26, 2026

Ludwig M

Lula lança R$ 2,7 bi em desapropriações para alimentar máquina eleitoral do MST

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta sexta-feira (23), um pacote de R$ 2,7 bilhões em ações de reforma agrária durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do MST, realizado no Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador, diante de mais de 3 mil militantes. O recado não poderia ser mais claro: ano eleitoral pede máquina de mobilização azeitada.

Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.

A matemática eleitoral da reforma agrária

Paulo Teixeira afirma que, dos quatro anos deste terceiro mandato de Lula, a maior entrega será em 2026. O ministro foi fortemente criticado pelo MST nos últimos dois anos por causa da demora no avanço da reforma agrária. A pressão funcionou. Agora, com as municipais se aproximando, o governo corre para satisfazer as demandas de quem sempre foi peça-chave na mobilização petista.

Para o governo, o pacote tem peso político. Ele responde às cobranças do MST e de movimentos do campo e, ao mesmo tempo, reforça a ligação com a base social da esquerda em um ano de disputas e reorganização de alianças. O cálculo é transparente: terra em troca de mobilização eleitoral. O MST sai satisfeito, Lula consolida sua base radical, e o contribuinte paga a conta de R$ 2,7 bilhões.

A última edição nacional do encontro do MST foi realizada há 17 anos, no Rio Grande do Sul. O timing da cerimônia em Salvador não é coincidência. Após anos de críticas internas e resultados tímidos, o governo precisava dar uma resposta contundente ao movimento que ajudou a elegê-lo. A teatralização cumpriu esse papel perfeitamente.

Os números que o governo não quer que você veja

A agenda incluiu a desapropriação de imóveis rurais em Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, além de um acordo judicial histórico no Paraná, que envolve R$ 584 milhões para regularizar 32.378 hectares e beneficiar 1.900 famílias. Também foi anunciada a criação de dez novos assentamentos, com destaque para áreas no Pará, Paraíba, Goiás e Sergipe. Os números impressionam, mas escondem uma realidade mais inconveniente.

Em dezembro, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) anunciou que 71.414 famílias foram assentadas durante 2024. Segundo o MST, esses números não correspondem à realidade. O movimento calcula que cerca de 100 mil famílias estão acampadas à espera de terra hoje no país. Ceres Hadich, membro da coordenação nacional do movimento, diz que nenhuma família vinculada ao MST foi assentada. “Efetivamente, desde o ano passado, nenhuma família foi para terra. Não temos uma foto para mostrar”.

No balanço do governo, das 71 mil famílias registradas como assentadas, 38,9 mil foram “regularizadas” – ou seja, 55% do total. Outras 18,6 mil famílias foram “reconhecidas” – 26% –, o que também não entra no cálculo do MST. Já 4,3 mil famílias – 6% das 71 mil – foram assentadas em “assentamentos tradicionais”, segundo o MDA. O MST diz que os dados são inflados, pois o MDA contabiliza não só as famílias alocadas em terras novas (que seriam apenas 5.800), mas também as famílias que já estavam em lotes e passaram por processos de “regularização” ou “reconhecimento”. As 5.800 famílias assentadas, portanto, representariam apenas 4% da demanda.

A diferença entre propaganda e realidade é gritante. Mesmo com toda essa verba de R$ 2,7 bilhões, a demanda permanecerá reprimida. A conta não fecha, mas o show deve continuar para garantir os votos de 2026.

Quem realmente ganha com essa operação

Por trás do discurso de justiça social há interesses muito concretos em jogo. O MST não é apenas um movimento social – é uma máquina de mobilização política que historicamente opera como braço de massa do PT. Débora Nunes, da Direção Nacional do MST, apontou o interesse do movimento em cooperar com o governo. “Nesses dias também discutimos projetos estratégicos que podem colocar a agricultura familiar e a reforma agrária num patamar de cooperação com o governo Lula, produzindo massivamente bioinsumos”.

Para o governo, a equação é vantajosa. Com R$ 2,7 bilhões, compra a lealdade de um movimento que tem capacidade de mobilizar milhares de militantes, organizar marchas e influenciar a opinião pública rural. É um investimento em capital político, não em eficiência agrícola ou produtividade.

O setor privado rural, responsável pelo superávit comercial brasileiro e por mais de 27% do PIB, assiste a tudo isso com apreensão justificável. Enquanto produtores eficientes enfrentam burocracia sufocante, impostos altos e insegurança jurídica, o governo destina bilhões para assentamentos que historicamente apresentam baixa produtividade. A distorção de prioridades é evidente.

A lição zimbabuense que o Brasil insiste em ignorar

A experiência do Zimbabwe deveria servir de alerta para qualquer governo que flerta com reformas agrárias baseadas em desapropriação forçada. A reforma agrária de Mugabe foi lançada em Fevereiro de 2000, com o “nobre” objectivo de melhor redistribuir as terras agrícolas, até então nas mãos de apenas um por cento da população, os fazendeiros brancos.

Robert Mugabe e a sua mulher foram dois dos principais beneficiados da Reforma Agrária lançada no ano 2000. A nacionalização das chamadas “farms” dos brancos, no Zimbabué, deixou milhares de trabalhadores negros desempregados, destituídos e expulsos das terras onde viviam. Perto de quatro mil agricultores brancos, que empregavam cerca de 40 mil trabalhadores, foram expulsos das suas terras.

Considerado durante muitos anos como “o celeiro de África”, o Zimbabué poderá juntar-se brevemente à lista de países africanos que sofrem com a fome. Nem os avisos de que o país, outrora conhecido como “o celeiro de África”, se arrisca a enfrentar o espectro da fome conseguiram demover o presidente. Mnangagwa admitiu claramente o falhanço da reforma agrária quando disse ao jornal “Daily News of Zimbabwe” que o colapso da economia do país se deveu a uma série de medidas erradas, sobretudo na gestão das terras.

A lição é clara: quando se ignora produtividade em nome de ideologia, o resultado é sempre o mesmo. O Zimbabwe hoje tenta convencer os fazendeiros expulsos a voltarem. Destruir é fácil, reconstruir demora décadas.

A insegurança jurídica como política de Estado

Desapropriações em massa enviam um sinal terrível para o mercado: a propriedade privada no Brasil não é segura. Quando o Estado pode tomar terras produtivas baseado em critérios políticos, nenhum investidor está protegido. O efeito é imediato: retração de investimentos e fuga de capital.

O setor agrícola brasileiro é responsável por mais de 27% do PIB e garante o superávit comercial do país. Esse desempenho depende de segurança jurídica, previsibilidade e respeito aos contratos. Políticas que ameaçam esses pilares colocam em risco toda a cadeia produtiva.

Produtores rurais investem milhões em tecnologia, infraestrutura e melhoramento genético. Esses investimentos só fazem sentido com garantia de propriedade de longo prazo. Quando essa garantia é questionada, o resultado é inevitável: menos investimento, menor produtividade, preços mais altos para o consumidor final.

A alternativa que o governo rejeita

O problema dos sem-terra não se resolve com mais desapropriações, mas com menos burocracia e mais liberdade de mercado. O Estado criou um mercado de terras travado por regulações excessivas, custos cartoriais absurdos e ameaças constantes de invasão. Depois culpa o mercado pelos preços altos.

Um mercado livre de terras permitiria que proprietários vendessem, arrendassem ou firmassem parcerias com quem tem vontade de produzir mas não tem capital inicial. Contratos de arrendamento e parcerias agrícolas são mais eficientes que assentamentos subsidiados. Permitem que pessoas comecem a produzir sem violência ou burocracia excessiva.

O crédito privado é mais competente que o estatal para avaliar riscos e financiar produtores rurais. Bancos têm incentivos reais para que os empréstimos sejam pagos. O Estado empresta dinheiro de terceiros e socializa os prejuízos quando os projetos fracassam. A diferença de eficiência é brutal.

Desregulamentar o setor rural, reduzir impostos e garantir segurança jurídica faria mais pelos pequenos produtores que décadas de assentamentos subsidiados. Mas isso não gera votos nem mobiliza militância. Por isso o governo prefere o espetáculo das desapropriações ao trabalho árduo da liberalização econômica.

O custo real da demagogia

R$ 2,7 bilhões não surgem do ar. Esse dinheiro sai do bolso do contribuinte através de impostos que incidem sobre tudo: combustível, alimentos, energia elétrica, salários. Cada real destinado aos assentamentos é um real a menos para saúde, educação ou redução da carga tributária.

O governo gasta bilhões em assentamentos que frequentemente fracassam por falta de gestão, conhecimento técnico e acesso a mercados. Muitos assentados abandonam as terras e migram para as cidades, deixando para trás áreas improdutivas e dívidas no INCRA. O ciclo se repete indefinidamente, sempre com dinheiro do contribuinte.

Enquanto isso, produtores eficientes pagam impostos altos, enfrentam burocracia sufocante e competem com produtos subsidiados. A distorção penaliza quem produz e premia quem depende do Estado. É a lógica invertida que empobrece países inteiros.

O setor privado gera empregos, paga impostos e exporta alimentos. Os assentamentos consomem recursos públicos, dependem de subsídios eternos e raramente se tornam autossustentáveis. A comparação de eficiência é constrangedora, mas o governo insiste no modelo falido porque rende votos.

Entre o populismo e a realidade

Em seu discurso, o presidente destacou o compromisso com a redistribuição mais justa das terras. “Quando tomei posse em 2023, chamei o ministro da Reforma Agrária e a presidência do Incra e disse a eles que eu desejava um levantamento de todas as terras no Brasil possíveis de serem disponibilizadas para Reforma Agrária”. A frase revela tudo: não se trata de política pública baseada em evidências, mas de jogo de poder e acomodação de interesses eleitorais.

O pacote de R$ 2,7 bilhões não resolverá o problema da concentração fundiária no Brasil. Mas não foi desenhado para isso. Seu objetivo é manter a militância aquecida, satisfazer os líderes do MST e criar narrativa positiva para as eleições de 2026. É política pura, não solução econômica.

Países que desenvolveram agricultura próspera fizeram isso através de propriedade privada segura, mercados livres e inovação tecnológica. Não há exemplo de nação que tenha prosperado baseada em desapropriações e assentamentos estatais. A história é clara, mas ideologia é surda.

O Brasil poderia liderar a produção mundial de alimentos se garantisse segurança jurídica, reduzisse impostos e desburocratizasse o setor rural. Em vez disso, escolhe o caminho da demagogia que empobrece o país e enriquece apenas os intermediários políticos. É uma escolha, não uma fatalidade. E cada eleição oferece a chance de escolher diferente.

Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.

Versão: 26/01/2026 14:25

Fontes

Jornal de Brasília – Lula anuncia R$ 2,7 bilhões para reforma agrária no Encontro do MST

Repórter Brasil – Governo diz ter assentado 71 mil famílias em 2024; MST contesta

Agência Gov – Com R$ 2,7 bi para desenvolver assentamentos, Lula anuncia avanços na reforma agrária

Gazeta do Povo – Lula reforçará desapropriações de terra para o MST neste ano

Correio da Manhã – A reforma de Mugabe

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