Manifestantes nas ruas do Irã durante protestos de janeiro 2026

janeiro 9, 2026

Ludwig M

Internet derrubada no Irã durante protestos massivos gera debate sobre repressão digital

O regime iraniano derrubou totalmente a internet do país nesta quinta-feira, cortando o Irã do resto do mundo no 12º dia de protestos massivos. A medida extrema aconteceu quando enormes multidões tomaram as ruas de Teerã e outras cidades iranianas, segundo relatórios da CBS News.

Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens de veículos jornalísticos (com links para as fontes). Não afirma a prática de crimes ou ilícitos como fatos comprovados, nem atribui intenções a pessoas ou instituições. As críticas expressas representam a linha editorial do veículo, no exercício da liberdade de opinião. Mencionados que desejarem manifestar-se podem entrar em contato para direito de resposta.

O apagão digital mais amplo da história recente iraniana

A organização NetBlocks confirmou que o Irã enfrenta um “apagão digital” completo, com conectividade despencando após chamados para protestos nacionais. Doug Madory, diretor de análise de internet da Kentik, confirmou que o país está em “apagão quase total” desde 11h30 da manhã no horário da costa leste americana, equivalente às 20h em Teerã.

A Cloudflare e o NetBlocks reportaram a interrupção da internet, atribuindo-a à interferência do governo iraniano. Tentativas de ligar para números fixos e celulares do Dubai para o Irã não conseguiam ser conectadas, segundo a Associated Press. O corte não afetou apenas a internet – a Associated Press relatou que linhas telefônicas também foram cortadas em partes do Irã.

Uma fonte da CBS News na capital confirmou a existência de “multidões enormes por toda Teerã. Sem precedentes” e que a internet estava fora do ar para a maioria das pessoas na cidade. Pouco depois, essa mesma fonte se tornou inalcançável, sugerindo que o apagão havia se expandido ainda mais.

Protestos explodem após desvalorização devastadora da moeda

Os protestos anti-governo tomaram conta do Irã desde 28 de dezembro, representando um dos maiores desafios aos quase 50 anos de governo da República Islâmica. As sanções se intensificaram e o Irã enfrentou dificuldades após a guerra de 12 dias, com o rial colapsando em dezembro, chegando a 1,4 milhão para US$ 1.

O que começou como protestos de comerciantes contra a desvalorização brutal da moeda se transformou rapidamente em uma revolta generalizada. Comerciantes de celulares ficaram furiosos porque compravam equipamentos no exterior para revender no Irã e, de repente, o governo desvalorizou a moeda quase 10 vezes, destruindo seus negócios da noite para o dia.

O governo iraniano luta para conter protestos que começaram no final do mês passado com comerciantes em Teerã e explodiram em manifestações em massa e greves prolongadas em cidades por todo o país. A situação econômica desastrosa criou o estopim perfeito. A população iraniana se sente maltratada por um regime que, segundo críticos, prefere gastar dinheiro com grupos armados regionais do que cuidar do próprio povo.

Violência de ambos os lados marca escalada perigosa

Grupos de direitos humanos baseados nos EUA reportaram que pelo menos 42 pessoas morreram, incluindo pelo menos quatro membros das forças de segurança, e mais de 2.260 outras foram detidas. A organização norueguesa Iran Human Rights NGO diz que 45 manifestantes foram mortos por forças de segurança iranianas desde que os protestos começaram no final de dezembro. Os números reais podem ser muito maiores devido ao apagão de comunicações.

Há relatos de confrontos violentos entre manifestantes e forças da Guarda Revolucionária Islâmica. Em alguns lugares, há indicações de que parte da polícia se aliou aos manifestantes, criando um cenário de divisão dentro das próprias forças de segurança. Em outros locais, forças de segurança confrontaram manifestantes em várias cidades, disparando gás lacrimogêneo.

Segundo relatos, um oficial iraniano, tenente que era vice-chefe de polícia em uma cidade, foi executado por manifestantes. Um grupo militante assumiu a responsabilidade pelo ataque. Por outro lado, profissionais de saúde relatam crimes contra a humanidade sendo cometidos pelas forças do regime.

Segundo relato de um trabalhador hospitalar, pacientes de muitas cidades têm sido trazidos com ferimentos graves. Forças de segurança têm respondido repetidamente com violência, incluindo matar manifestantes, segundo grupos de direitos humanos. Crianças de apenas 5 anos e mulheres com mais de 70 anos chegam com tiros nos olhos e ferimentos de metal – não balas de borracha, mas metal real.

Elite do regime planeja fuga desesperada

Legislador britânico Tom Tugendhat disse ao parlamento quinta-feira que há relatos de aeronaves de carga russas pousando em Teerã, presumivelmente carregando armas e munições, e relatos de grandes quantidades de ouro saindo do Irã. É o sinal clássico de uma elite se preparando para a fuga, segundo analistas.

Há especulações de que o líder supremo Aiatolá Khamenei tem planos para fugir para Moscou se a situação continuar escalando. Ele faria companhia a Bashar al-Assad como outro ditador deposto que encontrou refúgio na Rússia. Jornais franceses reportaram que muitos oficiais iranianos procuraram vistos para suas famílias nos dias recentes, incluindo dignitários de alto escalão e o presidente da Assembleia Islâmica.

A França é um dos poucos lugares onde conseguem obter esses vistos. Putin pode proteger Khamenei, mas o resto do governo está por conta própria. Se uma revolução acontecer, eles terão que se virar sozinhos.

Aviões de carga russos chegando ao Irã carregados de armas e grandes quantidades de ouro saindo do país pintam o quadro de um regime em pânico, segundo a interpretação de críticos. A elite sabe que está perdendo controle e se prepara para o pior cenário.

Internet como arma de repressão estatal

O Irã cortou acesso à internet antes durante protestos em massa em 2022, 2019 e 2009. Essas medidas coincidiram com ataques mortais contra manifestantes que finalmente sufocaram os movimentos de protesto. Durante os protestos de novembro de 2019, o apagão de internet de uma semana permitiu que o regime cometesse assassinatos em massa de manifestantes, protegido de críticas.

Autoridades iranianas regularmente restringem ou desabilitam acesso à internet quando esperam protestos significativos ou outros eventos potencialmente desestabilizadores. O país mantém um dos sistemas mais restritivos de censura de internet do mundo.

O governo iraniano, que mantém controle rígido sobre o acesso à internet do país, está por trás do apagão de internet. Amir Rashidi, pesquisador de cibersegurança iraniano que trabalha para a organização sem fins lucrativos Miaan Group, afirmou: “Acho que estamos em uma desconexão quase total do mundo exterior agora”.

A estratégia é clara: isolar completamente a população para impedir que o mundo veja os protestos e, pior ainda, fornecer cobertura para que as forças de segurança matem manifestantes longe dos olhos internacionais, segundo críticos dos métodos do regime.

Reza Pahlavi mobiliza oposição no exterior

Reza Pahlavi havia emitido um aviso em 7 de janeiro de 2026 dizendo que o regime estava assustado e que tentaria desligar o acesso à internet, e se fizesse isso seria um sinal para continuar com os protestos para derrubar o regime. O chamado de Pahlavi para gritar no horário especificado alcançou 80 milhões de visualizações no Instagram na manhã de 8 de janeiro.

Quando o relógio bateu 20h na quinta-feira, bairros por toda Teerã explodiram em gritos. Os gritos incluíam “Morte ao ditador!” e “Morte à República Islâmica!” Outros elogiaram o xá, gritando: “Esta é a batalha final! Pahlavi voltará!”.

“Os iranianos exigiram sua liberdade hoje à noite. Em resposta, o regime no Irã cortou todas as linhas de comunicação”, disse Pahlavi. “Desligou a internet. Cortou linhas fixas”. O príncipe herdeiro do antigo regime monárquico se tornou um símbolo da resistência ao atual governo.

Muitos manifestantes pedem explicitamente a volta do rei. O Irã era governado pelo Xá Reza Pahlavi até 1979, quando sofreu o golpe dos religiosos. Os aiolás depuseram o rei, que fugiu para os Estados Unidos, e criaram a República Islâmica com suas leis restritivas obrigando mulheres a usar hijab e impondo a lei islâmica.

Embora nem todos os iranianos queiram a volta da monarquia, há consenso crescente de que querem o fim dos aiolás. O filho do antigo xá, que também se chama Reza Pahlavi, mora nos Estados Unidos e se disse disposto a voltar e assumir o Irã.

Sinais de divisão dentro do regime

Oficiais iranianos começaram a culpar publicamente uns aos outros e inimigos estrangeiros pela agitação em curso pelo país, expondo divisões agudas em Teerã sobre um dos maiores desafios já enfrentados pela República Islâmica. Membros do parlamento acusaram tanto o governo quanto o público de contribuir para o colapso econômico que desencadeou a agitação. O presidente Massoud Pezeshkian e membros de sua administração, por sua vez, apontaram o dedo de volta para o parlamento.

Em reunião com oficiais e acadêmicos na terça-feira, 6 de janeiro, Pezeshkian reconheceu que a responsabilidade pela situação atual era compartilhada. Em tom caracteristicamente autocrítico, ele disse que sua administração e o Majles tinham culpa pelas falhas que levaram à agitação.

Notavelmente ausente das declarações oficiais foi qualquer prestação de contas sobre o papel do Líder Supremo Ali Khamenei ou os efeitos de décadas de centralização. O próprio Khamenei mantém postura inflexível. O líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, disse em comentários na sexta-feira que o governo “não recuaria” contra os manifestantes, a quem descreveu como “vândalos”.

Essas divisões internas mostram um regime sob pressão extrema. Quando líderes começam a se culpar publicamente, é sinal de que a unidade do poder está rachando. A elite política iraniana sabe que está enfrentando sua maior crise em décadas.

Resposta internacional e ameaças de Trump

O presidente Trump disse ao apresentador de rádio conservador Hugh Hewitt na quinta-feira que sua administração está monitorando os protestos no Irã. Ele ameaçou tomar ação severa se autoridades matarem manifestantes. Trump avisou na semana passada que se Teerã “matar violentamente manifestantes pacíficos”, a América “virá em seu socorro”.

O Líder Supremo Aiatolá Ali Khamenei descartou Trump como tendo mãos “manchadas com o sangue de iranianos” enquanto apoiadores gritavam “Morte à América!” Manifestantes estão “arruinando suas próprias ruas para fazer o presidente de outro país feliz”, disse Khamenei, referindo-se a Trump.

A troca de ameaças entre Washington e Teerã adiciona uma dimensão geopolítica explosiva aos protestos domésticos. Trump claramente vê uma oportunidade de pressionar um regime inimigo em momento de fraqueza. Por outro lado, o regime iraniano tenta deslegitimar os protestos como manipulação externa.

A situação coloca o mundo diante de uma possível mudança histórica no Oriente Médio. Se o regime dos aiolás cair, toda a estrutura de poder regional pode se reorganizar. Os próximos dias serão cruciais para determinar se estamos testemunhando o fim de uma das últimas ditaduras teocráticas do mundo.

O povo iraniano demonstra coragem extraordinária ao desafiar um dos regimes mais brutais do planeta. Mulheres que já foram mortas por usar o hijab “errado” agora lideram protestos contra a tirania. Jovens que cresceram sob repressão saem às ruas exigindo liberdade.

O corte total da internet é o último recurso de um regime desesperado. Quando um governo precisa isolar totalmente seu país do mundo, é porque sabe que perdeu a legitimidade. A questão agora é se a comunidade internacional terá coragem de apoiar efetivamente o povo iraniano neste momento histórico decisivo.

E você, acredita que estamos testemunhando o fim da República Islâmica do Irã? O silêncio digital pode esconder uma revolução em curso?

Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.

Versão: 09/01/2026 12:34

Fontes

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