Um enfermeiro americano de 37 anos foi executado com múltiplos tiros por agentes do ICE (Imigração e Alfândega dos EUA) em Minneapolis no sábado, 24 de janeiro. Alex Jeffrey Pretti era cidadão americano e trabalhava como enfermeiro de UTI. O vídeo mostra que ele estava dominado no chão por múltiplos agentes quando foi morto.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
A execução de um cidadão americano
As imagens são devastadoras. Alex Pretti foi repetidamente e fatalmente baleado por agentes da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos na manhã de sábado, 24 de janeiro. O tiroteio ocorreu perto da Avenida Nicollet e Rua 26 no sul de Minneapolis por volta das 9h, com temperaturas em torno de 10 graus abaixo de zero.
O vídeo da execução revela uma realidade perturbadora: uma testemunha relatou que Pretti “estava focado em ajudar as pessoas” quando “os agentes do ICE se aproximaram de nós, nos disseram para recuar. Eu subi no banco de neve, e da próxima coisa que soube, eles atiraram nele”. Não houve resistência violenta. Não houve ameaça iminente. Apenas um americano ajudando outros cidadãos.
Registros de aplicação da lei mostraram que ele não tinha histórico criminal sério; buscas em registros revelaram apenas multas de trânsito. Outros registros mostraram que ele era graduado pela Universidade de Minnesota e possuía licença ativa de enfermeiro. Este era um homem sem antecedentes, trabalhando para salvar vidas no hospital, que foi morto por agentes federais treinados para “proteger e servir”.
O que torna a situação ainda mais revoltante é que o comandante da Patrulha de Fronteira Gregory Bovino disse que o homem que atirou em Pretti servia na Patrulha de Fronteira há oito anos e tinha “treinamento extenso”. Oito anos de treinamento para executar um cidadão desarmado no chão? Que tipo de “treinamento” é esse?
O homem por trás da tragédia
Alex Jeffrey Pretti, 37 anos, era enfermeiro de unidade de terapia intensiva em um hospital do Departamento de Assuntos dos Veteranos, alguém dedicado a salvar vidas todos os dias. Aos 37 anos, era um aventureiro ao ar livre que amava sair em aventuras com Joule, seu amado cão Catahoula Leopard, que também morreu recentemente.
Seu pai Michael explicou: “Ele se importava profundamente com as pessoas e estava muito chateado com o que estava acontecendo em Minneapolis e nos Estados Unidos com o ICE, como milhões de outras pessoas estão chateadas. Ele achava terrível, sequestrando crianças, simplesmente agarrando pessoas da rua”.
Alex cresceu em Green Bay, Wisconsin, onde jogou futebol americano, baseball e correu na Preble High School. Era escoteiro e cantava no Green Bay Boy Choir. Após a graduação, foi para a Universidade de Minnesota, formando-se em 2011 com um diploma de bacharel em biologia, sociedade e meio ambiente. Trabalhou como cientista de pesquisa antes de voltar à escola para se tornar enfermeiro registrado.
Pretti vivia sozinho e trabalhava longas horas como enfermeiro, mas não era um solitário, disseram seus vizinhos, e às vezes recebia amigos. Seus vizinhos sabiam que ele tinha armas — ocasionalmente levava um rifle para atirar em um campo de tiro — mas ficaram surpresos com a ideia de que ele pudesse carregar uma pistola nas ruas.
Os interesses em jogo na operação federal
A morte de Pretti não aconteceu no vácuo. Esta é uma operação massiva que vai muito além de “segurança nacional”. Empresas de segurança privada que fornecem equipamentos e treinamento para essas operações faturam bilhões. A indústria de prisões privadas tem contratos lucrativos para deter imigrantes. Há muito dinheiro em jogo quando o governo federal decide “mostrar força”.
A reação do Secretário de Defesa Pete Hegseth foi reveladora: “Graças a Deus pelos patriotas do @ICEgov — temos 100% de apoio a vocês. Vocês estão SALVANDO o país. Vergonha da liderança de Minnesota — e dos lunáticos na rua”. Chamar cidadãos americanos protestando pacificamente de “lunáticos” enquanto celebra a morte de um enfermeiro americano? Isso não é patriotismo. É autoritarismo.
O timing também é suspeito. O presidente Trump foi briefado sobre o tiroteio. Depois de ameaçar invocar a Lei de Insurreição no início do mês, Trump acusou o governador Walz e o prefeito Jacob Frey de incitar insurreição com suas críticas ao ICE após o tiroteio. Criticar brutalidade policial agora é “insurreição”? O Estado criou um pretexto perfeito para expandir seus poderes.
A narrativa oficial não faz sentido
O Departamento de Segurança Nacional disse que o homem foi baleado depois que ele “se aproximou” dos oficiais da Patrulha de Fronteira dos EUA com uma pistola semiautomática de 9 mm. Oficiais não especificaram se Pretti brandiu a arma, e ela não é visível no vídeo de espectador do tiroteio obtido pela Associated Press.
Mas os fatos contradizem essa narrativa. O chefe de polícia Brian O’Hara disse que o homem morto acreditava-se ser um cidadão americano e tinha licença legal para portar armas. Membros da família disseram que Pretti possuía uma pistola e tinha licença para portar uma arma oculta em Minnesota. Eles disseram que nunca o conheceram por carregá-la.
Se você tem licença legal para portar armas nos Estados Unidos, isso agora é crime punível com morte? Se você protesta pacificamente contra ações governamentais, isso justifica execução sumária? A América que conhecemos está desaparecendo diante dos nossos olhos.
O padrão de violência federal crescente
Esta não é a primeira vez. O incidente foi o terceiro tiroteio por oficiais federais em Minneapolis em dezessete dias, seguindo a morte de Renée Good e o tiroteio de um homem venezuelano. Em 7 de janeiro, um agente federal matou fatalmente Renée Good, de 37 anos e mãe de três filhos.
Um padrão claro está emergindo: o Estado federal está usando força letal com frequência crescente. Após o tiroteio, mais de 100 pessoas se reuniram no local do incidente para protestar. Agentes federais dispararam gás lacrimogêneo e granadas atordoantes em confrontos com manifestantes. Pelo menos uma pessoa foi borrifada com spray de pimenta. Dois manifestantes foram presos após tentar cruzar a fita policial. A resposta do governo a protestos pacíficos? Mais violência.
Horas após o tiroteio, antes de qualquer investigação ser resolvida, o principal assessor da Casa Branca Stephen Miller alegou sem evidências que Pretti era um “terrorista doméstico” que “tentou assassinar agentes federais”. Sem investigação, sem devido processo, apenas acusações instantâneas para justificar o injustificável.
A escalada autoritária que ninguém quer ver
O que estamos testemunhando não é “aplicação da lei”. É escalada autoritária sistemática. Esta administração não apenas expandiu as operações do ICE, mas também instruiu agentes a entrarem em casas sem mandados. Como você identifica uma “casa de imigrante” sem um mandado legal? Pela aparência dos moradores? Pelo sotaque? Pela cor da pele?
A Quarta Emenda à Constituição protege contra busca e apreensão irreasonáveis. Mas aparentemente isso não se aplica mais quando o governo decide que você “parece” um imigrante. Esse precedente é perigoso para TODOS os cidadãos americanos. Hoje são os imigrantes. Amanhã pode ser qualquer pessoa que critique o governo.
O governador Tim Walz disse: “Eu acabei de falar com a Casa Branca após outro tiroteio horrível por agentes federais esta manhã. Minnesota já teve o suficiente. Isso é revoltante. O Presidente deve acabar com esta operação. Retire os milhares de oficiais violentos e destreinados de Minnesota”. Quando governadores eleitos democraticamente têm que implorar ao governo federal para parar de matar seus cidadãos, algo está profundamente errado.
As eleições de meio de mandato de 2026 estão se aproximando. Este tipo de brutalidade federal não vai passar despercebido pelos eleitores. Trump pode estar calculando que “parecer forte” vai ajudar politicamente. Mas executar enfermeiros americanos em plena luz do dia? Isso não é força. É tirania.
A hipocrisia republicana exposta
O sindicato trabalhista que representa agentes da patrulha de fronteira dos EUA disse que a retórica de políticos e mídia “encorajaram esses confrontos imprudentes e ataques aos nossos agentes e oficiais”, dizendo que agentes são bem treinados para proteger a si mesmos e outros. “Bem treinados” para executar cidadãos no chão?
A resposta republicana tem sido defender os agentes incondicionalmente. Mas onde estão os conservadores que costumavam se preocupar com governo limitado? Onde estão os defensores da Constituição? Onde estão aqueles que sempre disseram “não confie no governo”?
O partido republicano se tornou o partido do Estado policial federal. Eles celebram quando agentes federais matam cidadãos, desde que as vítimas sejam da “tribo” errada. Isso não é conservadorismo. É culto à personalidade com distintivos e armas.
A hipocrisia é gritante. Os mesmos políticos que gritaram sobre “tirania federal” durante os lockdowns agora aplaudem quando agentes federais executam americanos nas ruas. Onde estava essa energia quando se tratava de defender direitos constitucionais reais?
A lição libertária que ninguém quer aprender
Esta tragédia ilustra uma verdade fundamental que tanto a esquerda quanto a direita se recusam a aceitar: o Estado é violência. Não importa qual partido está no poder, não importa quais são as intenções declaradas, o governo sempre recorre à força quando quer impor sua vontade.
A esquerda que agora protesta contra a brutalidade do ICE ficou em silêncio quando Obama deportou mais pessoas que qualquer presidente anterior. A direita que agora defende essas execuções ficaria furiosa se um presidente democrata ordenasse operações similares contra, digamos, proprietários de armas rurais.
A realidade é que NENHUM governo deveria ter o poder de mandar 3.000 agentes armados para uma cidade americana e dar-lhes carta branca para entrar em casas sem mandados e matar cidadãos que “resistem”. Esse poder vai ser abusado, independentemente de quem esteja no comando.
Alex Pretti era um enfermeiro que dedicou sua vida a salvar outros. Ele foi morto por agentes que supostamente trabalham para “proteger” os americanos. O problema não são apenas alguns “maçãs podres” – é o sistema que dá a qualquer burocrata armado o poder de decidir quem vive e quem morre.
A pergunta que todo americano deveria estar fazendo não é “ele mereceu?” ou “os agentes estavam certos?”. A pergunta é: “Por que demos ao governo federal tanto poder sobre nossas vidas?” Até respondermos essa pergunta honestamente, mais Alex Prettis morrerão nas ruas americanas. E da próxima vez, pode ser você.
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 25/01/2026 14:30
Fontes
Wikipedia – Killing of Alex Pretti
PBS News
CBS News Minnesota
ABC News
MPR News
KSTP News


