A presidente de Honduras, Xiomara Castro, assinou decreto que anula oficialmente a vitória do conservador Nasry “Tito” Asfura e determina recontagem voto a voto das eleições realizadas em 30 de novembro de 2025. A medida, aprovada em sessão extraordinária do Congresso sem quórum na madrugada de 9 de janeiro de 2026, representa uma tentativa controversa na América Central que gera debate sobre diferentes interpretações de questionamentos eleitorais.
Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens de veículos jornalísticos amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções subjetivas a pessoas ou instituições, nem questiona a legitimidade dos Poderes da República ou equipara o Brasil a regimes autoritários. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
Os números que revelam a diferença entre questionamento e ação direta
Segundo informações divulgadas na imprensa internacional, o decreto anula a declaração prévia do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que havia proclamado vencedor Nasry “Tito” Asfura, aliado de Donald Trump. A decisão foi aprovada à meia-noite entre os dias 8 e 9 de janeiro, em sessão extraordinária convocada pelo presidente do Congresso, Luis Redondo, do partido governista Liberdade e Refundação.
Para entender a natureza da situação, é preciso analisar os números. Segundo reportagens, a sessão denunciou alegações de fraude em favor do candidato Nasry Asfura, do Partido Nacional, apoiado pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Os resultados iniciais mostravam uma preferência do eleitorado por candidatos conservadores.
De acordo com reportagem da Bloomberg, mais de 70 deputados da oposição denunciaram ter sido impedidos de entrar na sessão legislativa. O decreto foi aprovado por um grupo reduzido de deputados do partido governista Libertad y Refundación (Libre), em uma sessão parlamentar realizada sem quórum. Este tipo de procedimento gera questionamentos sobre métodos democráticos estabelecidos.
A diferença com debates eleitorais em outros países é significativa. No Brasil, quando há questionamentos sobre sistemas eleitorais, estes são feitos dentro do marco legal existente. Em Honduras, Castro decidiu anular resultados oficiais através de decreto. A forma dos procedimentos é fundamental para avaliar sua legitimidade institucional.
A resposta das Forças Armadas que limitou o avanço da medida
Quando um presidente tenta anular eleições democráticas, o papel das Forças Armadas se torna crucial. Em Honduras, diferente do que imaginava Castro, os militares rejeitaram participar da tentativa. Segundo informações de veículos locais, Roosevelt Hernández, que havia sido nomeado chefe do Estado-Maior Conjunto pela presidente Xiomara Castro em dezembro de 2023, estava programado para deixar o cargo em janeiro de 2026.
Análises do processo indicam que o general Roosevelt Hernández deixou claro que as Forças Armadas respeitariam apenas o resultado oficial do CNE. Esta posição institucional impediu que a tentativa de anulação avançasse, demonstrando como instituições podem resistir a investidas questionáveis.
Conforme fontes que documentam a história política hondurenha, desde o golpe de Estado de 2009 contra o então presidente Manuel Zelaya, as Forças Armadas têm exercido um papel extraordinário na política hondurenha. A experiência institucional do país foi fundamental para evitar que a manobra de Castro prosperasse.
A lição é clara: instituições democráticas funcionam quando respeitam a lei, não quando a contornam. O que Castro tentou fazer difere substancialmente de questionamentos legais feitos dentro dos marcos constitucionais. Enquanto uns questionam dentro dos limites legais, outros tentam quebrar esses limites através de decretos.
A violência política como ferramenta de pressão
Como se não bastassem as controvérsias sobre a tentativa de anular eleições, a deputada do Partido Nacional das Honduras Gladis Aurora López foi atingida na cabeça por um artefato arremessado no exterior do congresso nacional na quinta-feira. A política da oposição ficou ferida no pescoço e nas costas, teve de ser encaminhada para o hospital mas sem correr risco de vida.
Segundo reportagem da BNO News, a explosão se registrou enquanto vários deputados opositores se encontravam com seu chefe de bancada, Tomás Zambrano, que oferecia declarações à imprensa no setor posterior do recinto legislativo. “Estávamos dando entrevistas à mídia, acompanhados por colegas deputados do Partido Nacional para começar a sessão extraordinária, e eles atiraram bombas em nós, com morteiros”, disse Zambrano.
Este tipo de violência política é característico de ambientes onde há tensão política extrema. Conforme reportagem da WION, “Estes atos de violência têm sido perpetrados contra a oposição por quatro anos. Eles não podem continuar abusando de seu poder”, afirmou Zambrano.
No Brasil, mesmo durante intensos debates políticos, jamais houve ataques físicos organizados contra deputados da oposição documentados desta forma. A diferença é fundamental: uma coisa é debate político acalorado, outra é violência física durante processos legislativos.
A reação internacional divide o continente
Castro tentou atribuir responsabilidade externa por sua situação eleitoral. Segundo declarações reportadas, as “declarações públicas” de Trump a favor de Asfura “influenciaram negativamente o desenvolvimento do processo democrático e afetaram o nosso candidato”, lamentou Castro, numa mensagem nas redes sociais.
Vários países da América Latina emitiram comunicados conjuntos criticando a tentativa de anulação eleitoral. Conforme reportagens, Paraguai, Argentina, Bolívia, Costa Rica, entre outros, expressaram posições contrárias ao decreto sancionado por Castro que ordena recontagem geral, desconsiderando a autoridade do Conselho Nacional Eleitoral.
É revelador observar quais países NÃO assinaram esses comunicados. O Brasil de Lula manteve-se discreto, demonstrando a complexidade das relações diplomáticas entre governos de orientação ideológica similar, mesmo quando um deles adota medidas controversas.
Esta situação expõe diferentes padrões de avaliação: há quem interprete questionamentos legais como tentativas de subversão, enquanto tentativas reais e documentadas de anular eleições podem receber tratamento mais tolerante por parte de alguns setores.
As irregularidades alegadas que justificariam a recontagem são questionáveis
Segundo informações divulgadas, o decreto determina que o CNE realize um novo escrutínio geral, alegando falhas graves no processo anterior. De acordo com o documento, teriam ficado fora da contagem 306 atas da eleição presidencial, o equivalente a 1,6% do total.
No pleito para deputados, segundo as alegações, teriam sido excluídas 2.620 atas, correspondentes a 13,21%, além de 1.848 atas pendentes relativas às eleições municipais, o que representa 9,65%. Estes números, mesmo que verdadeiros, geram debate sobre se justificam anular completamente uma eleição já certificada.
O problema não são apenas as irregularidades alegadas, mas o método utilizado para “corrigi-las”. Analistas consideram a iniciativa questionável do ponto de vista constitucional. Em democracias estabelecidas, irregularidades são resolvidas através de recursos legais apropriados, não por decretos presidenciais que ignoram o órgão eleitoral.
A diferença é que no Brasil, quando há questionamentos sobre sistemas eleitorais, estes são feitos dentro do marco legal. Em Honduras, Castro decidiu que não aceitava o resultado e determinou recontar tudo. A forma importa tanto quanto o conteúdo para avaliar a legitimidade dos procedimentos.
O padrão observado na América Latina: reações quando há derrotas eleitorais
Honduras não é caso isolado. Este padrão se repete quando determinados setores políticos da esquerda latino-americana se veem derrotados nas urnas e percebem que perderam o apoio popular. A estratégia costuma ser similar: questionar a legitimidade do processo, alegar interferência externa, usar pressão política e tentar anular resultados.
Pedro Castillo tentou estratégia semelhante no Peru quando enfrentou impeachment. Nicolás Maduro na Venezuela simplesmente se recusa a aceitar resultados desfavoráveis. Evo Morales na Bolívia tentou burlar limitações constitucionais para se perpetuar. O padrão é observável e repetitivo.
Enquanto isso, quando a direita questiona processos eleitorais – como ocorreu no Brasil – é frequentemente acusada de “tentativas de subversão”. A diferença está na execução: questionar é exercício democrático legítimo, tentar anular através de decretos é controverso. Esta distinção parece escapar a analistas que veem “tentativas de subversão” onde há apenas exercício do direito de questionamento.
O caso Honduras expõe diferentes padrões na narrativa sobre democracia na América Latina. Há quem interprete que quando a esquerda tenta subverter eleições, é “defesa da democracia”. Quando a direita questiona procedimentos, é “ameaça à democracia”.
As consequências para a democracia regional
Conforme informações sobre o processo eleitoral, Asfura, conforme estipulado por lei, deveria assumir o cargo a 27 de janeiro, quando terminasse o mandato de Xiomara Castro. A atual Presidente havia declarado a 18 de dezembro que aceitaria os resultados do CNE. A contradição é evidente: primeiro aceita, depois tenta anular.
Esta instabilidade institucional tem consequências que vão além de Honduras. Ela pode sinalizar para outros governos na região que tentativas de anulação eleitoral são toleráveis quando partem de determinados setores. A discrição de alguns países latino-americanos pode reforçar essa percepção preocupante.
Segundo análises sobre o incidente, ele intensificou preocupações sobre violência política em Honduras durante um período sensível de transição. Enquanto López deve se recuperar, o ataque aumentou os pedidos de autoridades governamentais e parceiros internacionais por maior proteção das instituições públicas.
A comunidade internacional precisa ser consistente: ou condena tentativas de subversão eleitoral venham de onde vierem, ou aceita que a democracia na América Latina seja apenas um verniz sobre disputas de poder. A seletividade pode encorajar mais aventuras autoritárias.
O que diferentes lideranças fizeram: comparação de métodos
Para encerrar a discussão sobre o que constitui realmente uma tentativa de subversão, é fundamental comparar as ações concretas. Há líderes que questionaram sistemas eleitorais, pediram mais transparência, criticaram metodologias. Mas é diferente:
– Convocar sessões extraordinárias sem quórum para anular eleições
– Impedir deputados da oposição de participar de votações
– Assinar decretos ignorando decisões de tribunais eleitorais
– Promover ou tolerar violência física contra opositores políticos
Castro, por outro lado, executou exatamente essas ações. Menos de 24 horas após aprovação relâmpago no Congresso, a presidente sancionou o decreto que obriga o recálculo individual de todas as atas da eleição presidencial. Com isso, perdeu validade a proclamação do Conselho Nacional Eleitoral.
A diferença entre questionar e executar medidas é a linha que separa exercício democrático de tentativas controversas de subversão. No Brasil, houve questionamentos dentro do marco legal. Em Honduras, houve execução de medidas extralegais. É esta a lição que a América Latina precisa aprender se quiser preservar suas instituições democráticas.
Diante de tudo isso, resta uma pergunta relevante: se aqueles que tanto falam em defesa da democracia se calam diante de tentativas reais de subversão, será que realmente se importam com a democracia ou apenas com alinhamentos ideológicos? A resposta está nas ações, não nos discursos.
E você, o que pensa sobre essa situação? O debate está aberto, mas os fatos falam por si só.
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 11/01/2026 10:34



