Em 2025, o Grupo Globo celebra 100 anos de história, mas a festa acontece em meio a uma crise profunda. A emissora não deverá bater sua meta de receita com publicidade em 2025, da ordem de R$ 10 bilhões, com faturamento ficando cerca de R$ 700 milhões abaixo do projetado. Para uma empresa que se proclama “o jornal mais lido e confiável do país”, os números contam uma história diferente.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
O Império em Ruínas
O reflexo dessa realidade já pode ser observado nas movimentações mais fortes de corte de custos nos últimos meses. As novelas da emissora estão com menos cenas externas e figurantes. Até as tradicionais festas de final de ano da empresa foram canceladas em 2025, ano em que a emissora completou 60 anos e o Grupo Globo, 100.
A emissora faturou R$ 4,1 bilhões no primeiro trimestre, resultado 13% superior ao do mesmo período de 2024. No entanto, os custos e despesas operacionais cresceram 22%, chegando a R$ 3,5 bilhões. Com esse aumento nos custos, a capacidade da Globo de gerar caixa caiu. O chamado Ebitda recuou de R$ 812 milhões para R$ 647 milhões, uma queda de 20%.
A pressão foi exposta na semana passada por um funcionário que enviou um e-mail a todas as lideranças da casa questionando o corte de custos e a degradação das condições de trabalho. A mensagem circulou em toda a Globo e o profissional foi demitido. A empresa que prega direitos trabalhistas demite quem questiona seus métodos.
William Bonner: Fuga Estratégica
Após 29 anos no Jornal Nacional, William Bonner âncora passou a apresentar o Globo Repórter. O jornalista é âncora do telejornal já 29 anos, sendo que há 26 anos também assumiu o posto de editor-chefe. Sua saída está prevista para o dia 2 de novembro de 2025, abrindo espaço para a estreia de César Tralli.
De acordo com a Globo, há cinco anos o jornalista manifestou a vontade de deixar o jornal diário para dedicar mais tempo à família e a seus projetos pessoais. A justificativa oficial é noble, mas a realidade é mais crua: O Jornal Nacional deve encerrar 2025 com média de 22,3 pontos, meio ponto abaixo do número do ano passado. Em cinco anos, o telejornal perdeu 25% da audiência.
Bonner não é tolo. Entende que sair agora preserva seu legado antes que a derrocada se torne irreversível. É mais inteligente deixar a bancada sendo lembrado como “o âncora histórico” do que como “aquele que assistiu ao naufrágio”.
Audiência em Queda Livre
Faltando poucas semanas para o fim de 2025, os dados consolidados da audiência na Grande São Paulo revelam um ano de retração para todas as principais emissoras abertas. A Globo, apesar de manter a liderança isolada, encerra o ano com média de 10,5 pontos, o que representa uma queda de 2%.
Na última semana completa de 2025, a Globo registrou média de apenas 9,01 pontos na Grande São Paulo – desempenho inferior ao dos dois anos anteriores e que representa uma queda acumulada de cerca de 25% no período.
No horário nobre, nem mesmo as novelas têm conseguido reagir. Três Graças, por exemplo, acumula média de 21 pontos na Grande São Paulo, número inferior ao de Dona de Mim, que encerrou sua exibição na faixa das sete com 21,5 pontos. Na semana de 12 a 16 de janeiro, a trama chegou a ameaçar baixar da marca dos 20 pontos.
Globoplay: A Miragem Digital
Segundo o relatório mais recente da JustWatch, a plataforma da Globo registrou apenas 8% de participação no último trimestre de 2025, após perder quatro pontos percentuais em relação a 2024. Mesmo com o crescimento da base de usuários — 42% em 2024 — impulsionado pelo acordo firmado com a Claro, que oferece o acesso gratuito a cerca de 10 milhões de assinantes, os números reais são decepcionantes.
A parceria com a operadora fortalece o alcance da plataforma, mas não impacta diretamente as receitas com assinaturas. É o modelo clássico: dar de graça o que ninguém quer pagar. Usuários que não pagam pela assinatura também não se engajam com o conteúdo. São números inflados para impressionar anunciantes, não audiência real.
Executivos da plataforma revelaram que 65% dos usuários são mulheres acima de 35 anos. Para uma plataforma que compete globalmente, essa concentração demográfica é um problema estratégico gigantesco.
O Parasita que Precisa do Hospedeiro
Há indícios de que uma parcela significativa da publicidade da Globo tenha origem no governo federal. Durante a gestão Bolsonaro, a verba publicitária era distribuída de forma mais pulverizada entre diferentes veículos. Com o retorno do PT ao poder, a concentração na Globo voltou aos padrões históricos.
É uma relação simbiótica perversa: o governo banca a Globo com dinheiro público e a Globo trabalha para manter o governo no poder. Qualquer ameaça ao projeto de poder do PT se torna uma ameaça ao fluxo de recursos nos cofres da emissora.
Essa dependência explica por que a Globo se transformou de empresa de comunicação em aparato de campanha permanente. Não é mais sobre audiência ou credibilidade – é sobre sobrevivência financeira através da captura do Estado.
Os Interesses Ocultos da Decadência
A crise da Globo não é acidental. É consequência direta de décadas priorizando agenda política sobre qualidade jornalística e entretenimento. Quando a internet democratizou a informação, a emissora perdeu o monopólio que sustentava seu modelo de negócio.
Em vez de se adaptar ao mercado competitivo, a Globo escolheu se socorrer do Estado através de verbas publicitárias governamentais, subsídios culturais e proteções regulatórias. O resultado é uma empresa que depende mais da benevolência estatal que da preferência do consumidor.
O mercado já deu sua sentença: com dezenas de opções de entretenimento e informação, por que o brasileiro escolheria uma emissora que o trata como idiota há décadas? Por que assistir a um telejornal que esconde mais do que informa?
O Fim de uma Era
A Globo comemora 100 anos preparando o próprio obituário. O grupo faz aniversário descobrindo que existem competidores maiores e mais eficientes lá fora. Com tecnologia disruptiva surgindo na área da informação e entretenimento, a era dos monopólios midiáticos chegou ao fim.
O Brasil não precisa da Globo. É a Globo que precisa do Brasil – tal qual o parasita precisa do hospedeiro. Sem o controle da informação que sustentou seu império por décadas, restou uma empresa em declínio que sobrevive às custas do contribuinte.
A verdadeira pergunta não é se a Globo vai sobreviver aos próximos 100 anos, mas quanto tempo o cidadão brasileiro ainda vai ser obrigado a financiar sua agonia através de impostos que viram verbas publicitárias governamentais. A liberdade de escolha já deu sua resposta: quando há opções melhores, ninguém escolhe o pior.
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 02/02/2026 08:41
Fontes
A Tarde – Rombo R$ 700 milhões
Brasil Paralelo – Globo fatura mais
Meio & Mensagem – Bonner deixa JN



