
O Ibovespa despencou 4% em uma única sessão. O dólar explodiu. Os juros futuros dispararam. Tudo porque Jair Bolsonaro anunciou Flávio Bolsonaro como seu candidato à Presidência da República em 2026. Mas o que realmente assustou o mercado não foi a candidatura em si – foi a perspectiva de uma possível reeleição de Lula.
De uma hora para outra, o jogo virou completamente. Bolsonaro passou de chantageado na prisão para chantageador do centrão. A estratégia é clara: sem anistia para os presos políticos, Flávio mantém a candidatura. E isso pode significar um segundo turno entre Lula e Flávio – deixando o centro de fora da disputa presidencial.
O que parecia ser o fim do bolsonarismo se transformou na maior jogada política dos últimos anos. Agora as cartas estão na mesa: quem quer derrotar Lula terá que negociar com a família Bolsonaro. Os votos bolsonaristas não são mais gratuitos para ninguém.
Como Alexandre de Moraes criou o monstro que queria destruir
A prisão de Bolsonaro deveria ter sido o golpe final no projeto político da família. Alexandre de Moraes escalou gradualmente: começou com influenciadores, passou por jornalistas, chegou aos parlamentares e generais. Por fim, prendeu idosos e mães que ousaram protestar com batom em estátuas.
A cada avanço autoritário, a reação foi praticamente nenhuma. O Congresso, refém de seus próprios crimes, preferiu o silêncio. Afinal, um inquérito parado poderia do nada começar a andar. A população, cansada de lutar sozinha e ser perseguida, se calou perante tanta arbitrariedade.
Mas a prisão de Bolsonaro saiu barata demais para Alexandre e Lula. Eles subestimaram a capacidade de reação da família. Enquanto tentavam promover o esquecimento do nome Bolsonaro através do silenciamento forçado, não perceberam que estavam criando as condições para um contra-ataque devastador.
O centro ficou animado demais, achando que herdaria automaticamente os votos bolsonaristas. Tarcísio de Freitas, homem honrado e com apoio de Bolsonaro, seria o candidato natural – agradando tanto a direita quanto os moderados. Era o plano perfeito, até sexta-feira passada.
O projeto petista que implodiu o país
Em 2022, Lula precisou do centro para vencer. Chamou Geraldo Alckmin, o mesmo que já havia acusado de ter “pezinho no nazismo”. Construiu a tal “frente ampla pela democracia”, com direito a cartinha assinada por empresários assustados.
Mas após as eleições, o centro se sentiu completamente enganado. Quem mais se decepcionou foi o mercado financeiro. Lembra do Armínio Fraga fazendo o “L” pela democracia? Agora ele está com medo das próprias escolhas que fez.
Os números são brutais e incontestáveis. Bolsonaro entregou uma dívida pública de 73,5% do PIB. Lula entregará em 2026 uma dívida de 82% – aumento de quase 10% em apenas quatro anos. Além disso, os juros estão em 15%, estrangulando qualquer possibilidade de crescimento econômico.
Simone Tebet foi obrigada a admitir a realidade: em 2027, seja quem for o presidente, terá muita dificuldade para governar porque “acabou o dinheiro”. O arcabouço fiscal se mostrou completamente insustentável, e o teto de gastos foi jogado no lixo. Em maio de 2025, Lula nomeou bolos e decretou oficialmente o fim da frente ampla.
Hugo Mota: o refém que segura as pautas da direita
Há quase um ano, o presidente da Câmara Hugo Mota está sentado em cima de pautas extremamente caras à direita. A anistia para os presos políticos é a principal delas. Durante meses, a direita esperou pacientemente, acreditando que político ainda tinha palavra.
Mas Hugo Mota é outro refém de suas próprias atitudes no passado. Prefere não arriscar, não confrontar o sistema. A estratégia era clara: deixar Bolsonaro apodrecer na cadeia enquanto as lideranças do centro assumiam o protagonismo da oposição a Lula.
O que eles não esperavam era o contra-ataque. Agora Mota enfrenta uma pressão completamente diferente. Se não houver mobilização para aprovar a anistia ainda este ano, Flávio se mantém na disputa. E isso significa que o centro pode ficar de fora do segundo turno presidencial.
A chantagem mudou de lado. Antes era: “Bolsonaro anuncia logo o candidato ou esquece a anistia”. Agora é: “Aprova a anistia ou enfrenta Lula sozinho em 2026”. A diferença é que a segunda opção é infinitamente mais assustadora para quem quer derrotar o petismo.
O escândalo do INSS que pode explodir na cara de Lula
Enquanto isso, um mega escândalo de corrupção está prestes a explodir bem na cara do governo. O esquema de roubo de aposentados do INSS chegou até a família presidencial. Lulinha, filho de Lula, está diretamente envolvido no caso mais abjeto dos últimos anos.
O empresário ex-sócio do “careca do INSS” já prestou mais de 70 horas de depoimento à Polícia Federal. Ele entregou todo mundo. Segundo essas delações, o careca repassava mensalmente R$ 300 mil para Lulinha através de uma empresa de cannabis em Portugal.
O relator da CPMI fez uma denúncia explosiva ao vivo na televisão: no dia 8 de novembro de 2024, Lulinha e o careca do INSS viajaram juntos para Portugal no mesmo voo. O relator chegou a dizer que se isso fosse mentira, renunciaria à relatoria na mesma hora.
Mas a base governista impediu a quebra de sigilo do voo que comprovaria essa conexão. Agora dizem que “não há provas” – as mesmas provas que eles impedem que sejam reveladas. Esse caso está prestes a explodir em pleno ano eleitoral, mostrando como a corrupção petista lesou idosos, crianças e deficientes.
A mídia e o Supremo: quando o feitiço vira contra o feiticeiro
Por anos, a grande mídia apoiou entusiasticamente a concentração de poderes no Supremo Tribunal Federal para perseguir Bolsonaro. Agora está chocada porque a Corte se recusa a “voltar para a caixinha” depois de tanto poder acumulado.
Foi uma semana em que toda a mídia, com exceção do Reinaldo Azevedo, criticou duramente os excessos do STF. A Folha publicou “A Suprema exceção”, dizendo que Gilmar Mendes alterou a legislação e que o STF se iguala a quem tenta ficar acima da lei.
O Globo chamou Alexandre de Moraes de “Napoleão” e disse que seus “devaneios napoleônicos” atestam que o STF foi longe demais. Ironicamente, quem defendeu publicamente que o Supremo continue aumentando seus próprios poderes foi exatamente Reinaldo Azevedo.
Reinaldo usou o mesmo discurso do período militar que tanto critica: antes era “vamos manter tudo por causa da ameaça comunista”, agora é “vamos manter por causa da ameaça bolsonarista”. Violar a democracia para “salvar” a democracia, em alto e bom som. O Supremo literalmente deu de ombros para as críticas.
Os números que mostram a força da candidatura Flávio
Apesar de toda a resistência, os números iniciais da candidatura Flávio são impressionantes. Em apenas um dia, a candidatura alcançou 117 milhões de pessoas nas redes sociais. Uma consultoria especializada apontou 38% de menções positivas contra 28% negativas.
No dia do sorteio da Copa do Mundo, todo mundo estava falando de Flávio Bolsonaro. A Folha de São Paulo chegou a dizer que “Flávio Bolsonaro é o vencedor da semana”, enquanto Davi Alcolumbre foi considerado “o perdedor” após ser atropelado pelo Supremo.
Mais importante: uma pesquisa Datafolha de sábado mostrou que Lula tem 44% de rejeição, contra 38% de Flávio. Ou seja, o atual presidente é mais rejeitado que o filho de Bolsonaro. Vale lembrar que em 2018, mesmo após a facada, as pesquisas diziam que Bolsonaro tinha o maior índice de rejeição entre todos os candidatos.
Valdemar Costa Neto foi direto ao ponto: ninguém deve duvidar da capacidade de Bolsonaro de transferir votos. E realmente não devem. Quem já disse “ninguém vai votar no Bolsonaro” em 2018 está repetindo o mesmo erro de análise sobre Flávio em 2026.
A nova frente ampla que se anuncia para 2026
Anunciar Flávio como candidato foi o maior ato de rebeldia contra um sistema que já havia decretado a morte do bolsonarismo. Bolsonaro pegou o tabuleiro político e arremessou tudo para cima. Na sequência, nomeou o filho como seu interlocutor oficial.
A primeira coisa que Flávio fez foi chamar todo mundo para conversar. Está nascendo uma nova frente ampla para 2026 – desta vez contra Lula, não a favor. A estratégia é clara: o bolsonarismo precisa do centro, e o centro precisa do bolsonarismo para derrotar o petismo.
Sozinho, ninguém sabe se Flávio consegue vencer Lula. Sozinho, o centrão definitivamente não consegue. Então chegou a hora de negociar de igual para igual. Bolsonaro mostrou que os votos bolsonaristas não serão mais gratuitos para quem quer que seja.
O sistema vai investir pesado contra essa candidatura, mas imaginem o Supremo tornando Flávio inelegível. Seria impossível vender isso como “defesa da democracia” – ficaria claro que se trata da maior perseguição política já vista neste país, elevada a uma potência jamais imaginada.
O que realmente está em jogo em 2026
A comemoração tímida de Lula e todo seu entorno mostra que essa festa foi surpresa. Talvez eles não estejam tão felizes quanto a mídia quer fazer parecer. Afinal, enfrentar o centro dividido seria muito mais fácil do que enfrentar uma frente ampla anti-Lula.
O cenário que se avizinha para 2026 tem cara de mudança radical mesmo. Lula terá que lidar com desânimo generalizado, dólar alto, juros altos, estatais quebrando e esquemas de corrupção explodindo em sua cara. Tudo isso sem dinheiro para bancar o assistencialismo desenfreado.
Há quem diga que a candidatura Flávio é apenas um balão de ensaio. Outros garantem que é para forçar a anistia, já que o centrão se sentiu dono do poder e foi encurralado por uma jogada que ninguém esperava. Mas também há quem garante que é para valer de verdade.
Por essa ninguém esperava mesmo. Bolsonaro mostrou que não vai ficar sentado na cadeia esperando o mesmo destino dos opositores de Maduro na Venezuela. A direita passou por muita coisa ao longo desses anos, e chegou a hora de mostrar que amadureceu e entendeu seu verdadeiro tamanho político.
Para quem está em pânico com medo da reeleição de Lula, a dica é simples: não vote nele. É mais fácil do que parece. Ninguém está colocando arma na cabeça de ninguém na hora de votar. Quem não gostou da candidatura Flávio tem todo o direito de lançar seu próprio candidato e disputar os votos democraticamente.
Depois de todo esse terremoto político, uma coisa ficou clara: se a direita desistir agora, eles ganham por WO. Os jogos recomeçaram, e desta vez as regras mudaram completamente. Não são mais eles os donos desse negócio.
A pergunta que fica é: essa candidatura é para arrancar a anistia na força ou Flávio Bolsonaro será mesmo o nome da direita em 2026?


