
Essa estrutura de poder paralelo explica como o regime venezuelano consegue se manter no controle mesmo com toda pressão internacional. Não é um homem só comandando, mas uma rede articulada de interesses criminosos que se beneficia da manutenção do status quo.
Como funciona a fraude eleitoral da Smart Matic
O general Carlos Quinteiro é a peça-chave do esquema eleitoral venezuelano. Membro da inteligência militar e vice-presidente do CNE (equivalente ao nosso TSE), ele seria o “engenheiro encarregado da Smart Matic” para executar fraudes eleitorais.
Alcalá revela que o regime usa “sistema de votação paralelo” para alterar resultados especialmente em locais onde não há representantes significativos da oposição. Isso torna as irregularidades muito difíceis de detectar. A estratégia é simples: onde não tem fiscal, a fraude rola solta.
Mas o ex-general deixa uma informação ainda mais preocupante: “essa mesma tecnologia é usada em outros países, inclusive pelos Estados Unidos”. A Smart Matic realmente opera em território americano, algo que já gerou controvérsias nas eleições de 2020.
Para o Brasil, é importante esclarecer: a Smart Matic não tem relação com nossas urnas eletrônicas. A empresa foi contratada no passado apenas para serviços de suporte ao TSE, nunca para fabricar ou operar equipamentos de votação. Confundir isso seria cair numa narrativa incorreta.
O método descrito por Alcalá sugere que a fraude venezuelana funciona mais por compra de votos e conivência de mesários do que por hackeamento de máquinas. Isso poderia acontecer no Brasil em locais onde todos os integrantes da mesa eleitoral fossem coniventes com o esquema.
A origem criminosa do Trem de Aragua
Uma das revelações mais surpreendentes da carta é sobre a origem do Trem de Aragua. A organização criminosa que hoje aterroriza vários países da América Latina nasceu de um projeto ferroviário chinês na Venezuela.
Em 2011, Alcalá comandou uma operação militar na prisão de Tocorón, no estado de Aragua, resultando na morte de 16 criminosos. Os líderes do que viria a ser o Trem de Aragua estavam presos naquela instalação. Hugo Chávez enviou o ministro dos esportes, Antonio Henrique Álvarez (conhecido como “Potro” Álvarez), para coordenar diretamente com esses criminosos.
O projeto de trem entre Aragua e Carabobo, patrocinado pela China, serviu de base para formar o grupo criminoso. “Líderes de sindicatos corruptos ligados ao projeto formaram parte de um grupo que hoje é conhecido como Trem de Aragua”, explica o general.
Quando Maduro assumiu o poder em 2013, Alcalá se recusou a continuar servindo porque via claramente que se tratava de “um líder de gangue que estava tomando poder”. A partir daí, a estrutura político-prisional foi fortalecida, com criminosos indo e vindo livremente das prisões.
O paralelo com o Brasil é inevitável. O Comando Vermelho surgiu da ligação entre comunistas e criminosos comuns nas prisões brasileiras durante a ditadura militar. A conexão ideológica entre movimentos de esquerda e organizações criminosas não é coincidência, é método.
Maduro exporta crime organizado para outros países
Segundo Alcalá, o regime venezuelano não se contenta em destruir apenas seu próprio país. “O governo do Nicolás Maduro exportou essa organização criminosa para outros países, inclusive para os Estados Unidos da América”.
Maduro foi “treinado e formado em Cuba” e usa criminosos em esquemas baseados em práticas aprendidas na ilha. A metodologia comunista de usar o crime organizado como braço operacional do Estado se replica em diferentes países.
Para os Estados Unidos, isso representa ameaça direta à segurança nacional. Para o Brasil, significa risco ainda maior pela proximidade geográfica e pelas relações políticas entre os governos Lula e Maduro.
O ex-general menciona que existem “laços muito próximos” entre o grupo de poder venezuelano e congressistas americanos. Segundo ele, Maduro e seus cúmplices “exercem controle sobre alguns congressistas”. Se isso é possível nos Estados Unidos, imagine no Brasil.
A infiltração do crime organizado venezuelano em território brasileiro já é realidade documentada. Organizações como o Trem de Aragua operam em cidades fronteiriças e se articulam com facções locais. O que falta saber é até que ponto essa articulação chegou ao poder político.
A rede de corrupção mineral e drogas
Alcalá revela que tráfico de drogas e mineração ilegal são “as duas mais importantes atividades criminosas do regime venezuelano”. Maduro usa o próprio filho para controlar operações na região do Arco Mineiro do Orinoco, rica em ouro, diamantes e minerais estratégicos.
“Ouro e diamante servem como commodities para lavagem de dinheiro e tráfico de drogas”, explica o general. São atividades complementares dentro do que chama de Cartel dos Soles. Roubam os minerais para facilitar o narcotráfico.
Essa estrutura criminosa tem ramificações internacionais. Alcalá menciona relações próximas com a Guarda Revolucionária do Irã e com o Hezbollah. Venezuela virou ponte entre o terrorismo internacional e o crime organizado continental.
Para o Brasil, isso significa que não estamos lidando apenas com instabilidade política na Venezuela. Estamos diante de um Estado criminoso que exporta caos, drogas e violência para países vizinhos. Nossa segurança nacional está diretamente ameaçada por essa rede.
A pergunta que não quer calar: se Hugo Carvajal falou sobre financiamento de Maduro para campanhas de Lula, até que ponto o governo brasileiro está comprometido com essas redes criminosas? As delações podem estar apenas começando a arranhar a superfície de um esquema muito maior.
Brasil na mira da máquina de corrupção venezuelana
As revelações de Cliver Alcalá ganham peso especial quando lembramos das declarações anteriores de Hugo “El Pollo” Carvajal, ex-chefe de inteligência de Chávez e Maduro. Carvajal já havia mencionado possível financiamento de Maduro para campanhas de Lula no Brasil.
Se essas informações se confirmarem com provas concretas, estaríamos diante do maior escândalo de interferência estrangeira da história política brasileira. Não seria mais questão de afinidade ideológica, mas de subordinação criminosa.
O método venezuelano de cooptação política descrito por Alcalá é sofisticado. Utilizam dinheiro do narcotráfico, mineração ilegal e controle de organizações criminosas para comprar influência política em outros países. No Brasil, com nossa tradição de corrupção sistêmica, seria terreno fértil para essa infiltração.
A proximidade entre o PT e o regime venezuelano nunca foi segredo. Lula sempre defendeu Maduro publicamente, mesmo diante das maiores atrocidades do regime. Agora sabemos que pode existir motivação financeira por trás dessa lealdade.
Para o cidadão brasileiro, isso significa que parte dos nossos impostos pode estar sendo direcionada para manter um regime criminoso no poder. Seja através de empréstimos do BNDES, seja através de acordos comerciais suspeitos, o dinheiro público brasileiro pode estar financiando o crime organizado venezuelano.
As lições para a segurança eleitoral brasileira
Embora a Smart Matic não tenha relação com as urnas eletrônicas brasileiras, os métodos de fraude descritos por Alcalá servem de alerta para nossa realidade eleitoral. A estratégia de fraudar onde não há fiscalização adequada pode ser aplicada em qualquer sistema.
O ex-general venezuelano deixa claro que a fraude acontece principalmente em “localizações onde não há partidos de oposição, representantes significativos”. Isso torna as irregularidades difíceis de detectar. No Brasil, isso seria equivalente a fraudar em locais onde não há fiscais de urna da oposição.
A compra de votos, mencionada indiretamente na carta, é praga conhecida da política brasileira. Em muitas regiões do país, especialmente no interior, essa prática corrupta ainda decide eleições. Combinada com a ausência de fiscalização adequada, pode gerar distorções significativas nos resultados.
Para 2026, os partidos de oposição brasileiros deveriam aprender com essas revelações. A melhor forma de impedir fraudes eleitorais não é questionar a tecnologia das urnas, mas garantir fiscalização humana em cada zona eleitoral do país.
A democracia se defende com transparência e fiscalização, não com confiança cega em sistemas ou pessoas. Quando deixamos locais de votação sem representantes da oposição, abrimos espaço para os mesmos esquemas que devastaram a democracia venezuelana.
As revelações de Cliver Alcalá mostram que estamos lidando com uma máquina de corrupção internacional que ameaça a estabilidade democrática de toda a América Latina. No Brasil, país vizinho e com laços políticos estreitos com o regime venezuelano, a ameaça é ainda mais real e presente.
A pergunta que todos os brasileiros deveriam fazer é: até que ponto nosso país já foi infiltrado por essa rede criminosa que domina a Venezuela? As delações podem estar revelando apenas a ponta de um iceberg que compromete nossa própria soberania nacional.


