Os Estados Unidos suspenderam a emissão de vistos para 75 países, incluindo o Brasil, a partir de 21 de janeiro de 2026. A informação foi confirmada pela Bloomberg através de um comunicado interno do Departamento de Estado americano. A medida não tem prazo definido para terminar.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
Brasil na mesma lista que Rússia e Irã
Entre os países afetados estão Rússia, Irã, Afeganistão, Iraque, Somália, Egito, Nigéria, Tailândia e Iêmen. O Brasil aparece ao lado de nações consideradas pelo governo americano como de alto risco para imigração indevida.
Segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Piggott, a medida visa “considerar inelegíveis potenciais imigrantes que se tornariam um fardo para os Estados Unidos e explorariam a generosidade do povo americano”. A declaração deixa clara a intenção de barrar estrangeiros que possam depender do sistema de assistência social americano.
O congelamento foi determinado pelo Departamento de Estado dos EUA e entrará em vigor a partir de 21 de janeiro sem prazo para terminar. Até o momento, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil informou que ainda não havia sido oficialmente notificada da nova restrição.
A suspensão atinge em cheio quem planejava viajar para eventos como a Copa do Mundo de 2026, que acontecerá nos Estados Unidos. Brasileiros que ainda não possuem visto americano podem enfrentar sérias dificuldades para conseguir a documentação necessária.
O contexto das fraudes descobertas
A decisão tem relação com escândalos de fraudes descobertos em Minnesota, envolvendo o sistema de benefícios sociais americano. Promotores identificaram o uso indevido em larga escala de programas de benefícios financiados por contribuintes, com casos envolvendo cidadãos somalis ou somali-americanos.
O esquema funcionava de forma simples, mas eficiente. Pessoas abriam creches fictícias, solicitavam auxílio governamental para essas instituições e recebiam recursos sem prestar os serviços. A fiscalização era praticamente inexistente.
Havia creches no mesmo endereço, estabelecimentos que não funcionavam e instituições que atendiam muito mais crianças no papel do que na realidade. O governo de Minnesota bancava esses programas sem verificar se realmente existiam.
Trump pediu recentemente que somalis deixem os Estados Unidos até meados de março, após o governo anunciar o fim do status que permitia a permanência e o trabalho temporário desse grupo no país. A situação evidencia como casos específicos podem gerar políticas mais amplas de restrição migratória.
Impacto direto no turismo brasileiro
Ainda não está completamente claro se os vistos para turistas serão afetados pelo congelamento. Esta é a principal dúvida para milhares de brasileiros que planejavam viajar aos Estados Unidos em 2026.
O processo normal de obtenção do visto americano leva cerca de dois meses. Com o congelamento começando em 21 de janeiro, quem ainda não iniciou o processo provavelmente não conseguirá viajar no primeiro semestre de 2026.
Para quem já possui visto válido, em princípio não há alteração. O congelamento afeta apenas novos pedidos e renovações. Mas mesmo isso pode mudar conforme a política se desenvolver.
A medida atinge diretamente o setor de turismo brasileiro. Os Estados Unidos são um dos principais destinos internacionais para brasileiros, movimentando bilhões em gastos anuais.
Critérios que vão além da documentação
Conforme reportagem da CNN, o memorando indica que Washington estuda barrar pessoas mais velhas ou com sobrepeso, reforçando informações da agência Associated Press que já apontava a intenção de Trump de restringir a entrada de pessoas obesas.
Em novembro de 2025, o departamento havia enviado comunicado a consulados em todo o mundo determinando regras mais rígidas de avaliação com base na cláusula de “encargo público” da legislação migratória. A medida busca identificar pessoas que possam vir a depender de programas sociais americanos.
No caso dos vistos de estudantes, exigências adicionais já haviam sido implementadas em junho do ano passado. Desde então, candidatos precisam autorizar o acesso do governo norte-americano a seus perfis em redes sociais para identificar conteúdos considerados hostis aos Estados Unidos.
Os critérios avaliam saúde, idade, capacidade de falar inglês, situação financeira e necessidade de atendimento médico de longo prazo. Trata-se de uma reformulação completa do sistema de avaliação de candidatos a visto.
A estratégia migratória de Trump
A decisão está alinhada à nova estratégia de defesa e política externa dos Estados Unidos, divulgada em dezembro de 2025, que previa o endurecimento das regras de imigração e de concessão de vistos.
A expectativa de analistas é que, ao longo de 2026, Trump volte suas políticas anti-imigração para restrições à entrada de estrangeiros e à concessão de vistos. “Ele basicamente vai desativar o sistema de imigração legal dos Estados Unidos”, prevê a diretora de relações governamentais da Associação de Advogados de Imigrantes dos EUA.
Trump já havia prometido endurecer as políticas migratórias durante a campanha eleitoral. A suspensão de vistos para 75 países representa uma das primeiras medidas concretas nessa direção.
O governo americano alega que a medida é temporária e serve para reavaliar os procedimentos atuais. Na prática, pode se tornar uma barreira permanente para milhões de pessoas ao redor do mundo.
O que fazer diante da incerteza
Brasileiros que já possuem visto válido devem ficar atentos a possíveis mudanças nas regras de entrada. Mesmo com documentação em dia, podem surgir novas exigências na hora do embarque ou da imigração americana.
Para quem planejava solicitar visto, a recomendação é aguardar posicionamentos oficiais. O governo americano ainda não confirmou formalmente todos os detalhes da medida.
A decisão já provoca incertezas entre turistas, estudantes e pessoas que aguardam processos em andamento. Brasileiros que aguardam a emissão do visto ou pretendem iniciar o processo seguem sem respostas claras sobre os próximos passos.
O Itamaraty deve se posicionar sobre a questão nos próximos dias. A medida afeta diretamente as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
Reflexão sobre soberania e reciprocidade
A inclusão do Brasil na mesma lista que países com os quais os Estados Unidos mantêm relações tensas levanta questões sobre os critérios utilizados. Observadores diplomáticos questionam se há justificativa técnica para equiparar a situação brasileira à de nações em conflito com Washington.
Países soberanos têm direito de controlar suas fronteiras. Mas quando as medidas são baseadas em generalizações questionáveis, críticos argumentam que ultrapassam os limites da razoabilidade. Na visão de analistas diplomáticos, o governo brasileiro deveria considerar medidas recíprocas.
Se os Estados Unidos dificultam a entrada de brasileiros, por que facilitar a entrada de americanos no Brasil? A reciprocidade diplomática é um princípio básico das relações internacionais, defendem especialistas.
A medida também expõe a dependência brasileira do mercado americano de turismo. Na perspectiva libertária, diversificar destinos e fortalecer o turismo interno podem ser alternativas mais sustentáveis a longo prazo.
O episódio mostra como políticas internas americanas afetam milhões de pessoas ao redor do mundo. É uma demonstração clara de como o poder unilateral pode ser exercido sem consideração por parceiros.
Afinal, que critérios justificam colocar o Brasil ao lado de países em situação de conflito? E como o governo brasileiro deve responder a uma medida que afeta diretamente milhões de cidadãos?
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 14/01/2026 14:50



