
Uma cena de caos tomou conta da Câmara dos Deputados na tarde desta segunda-feira, 9 de dezembro. O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou à força a cadeira do presidente Hugo Mota e precisou ser removido pelos seguranças da Casa. O objetivo era claro: impedir a votação do PL da Dosimetria, que reduziria as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
A confusão foi tanta que a Polícia Judiciária foi acionada. Jornalistas foram agredidos e expulsos do plenário. O que deveria ser uma sessão ordinária virou um campo de batalha político, com deputados se empurrando e gritaria generalizada.
Braga sabia que sua votação de expulsão estava marcada para terça-feira, 10 de dezembro. E sabia também que perderia. Então resolveu criar o maior tumulto possível para atrasar a pauta que realmente importava: o projeto que daria alívio aos presos do 8 de janeiro.
A estratégia de obstrução que virou pancadaria
O deputado do PSOL não estava sozinho na empreitada. Lindbergh Farias e outros parlamentares de esquerda ocuparam toda a mesa diretora, repetindo a mesma tática que criticaram quando a oposição fez movimento similar durante a discussão da anistia aos golpistas de 2023.
A diferença é gritante no tratamento. Quando a direita ocupou a mesa, choveram processos disciplinares. Marcel van Hattem enfrenta processo. Marcos Pollon também. Uma série de deputados conservadores foram punidos por protestos muito menores que este de Braga.
Já a esquerda? Nada. Zero consequências. Braga será expulso, mas por outras razões – suas agressões anteriores a colegas parlamentares. Os demais que participaram do tumulto desta segunda seguem impunes, protegidos pelo mesmo sistema que persegue seus opositores.
Hugo Mota precisou pedir que a imprensa se retirasse do plenário. O pedido virou ordem à força. Policiais da Casa empurraram e agrediram jornalistas, numa cena que mais parecia regime autoritário que democracia funcionando.
Por que tanto desespero para impedir a dosimetria
O PL da Dosimetria não é a solução ideal, mas representa um primeiro alívio para as vítimas da perseguição política do STF. O projeto reduziria as penas absurdas aplicadas aos manifestantes de 8 de janeiro – muitos condenados a 14 ou 17 anos de prisão por quebrar vidraças.
Para ter noção do absurdo: um golpista real no Peru, que dissolveu o Congresso na televisão e tentou tomar o poder pela força, pegou 11 anos de cadeia. Aqui no Brasil, quem filmou dentro do Palácio do Planalto pode pegar mais que isso. A desproporção é criminosa.
Com a dosimetria aprovada, a maioria dos presos do 8 de janeiro teria as penas reduzidas para 4 ou 5 anos. Muitos já conseguiriam progressão para regime aberto. Alguns até mesmo já teriam cumprido a pena integralmente. É por isso que a esquerda está desesperada para impedir.
O próprio Jair Bolsonaro deu sinal verde ao projeto, mesmo sabendo que para ele pessoalmente mudaria pouco. Sua pena cairia de 27 para 21 anos – ainda um absurdo, mas pelo menos um gesto na direção correta. O ex-presidente entendeu que não pode deixar os apoiadores apodrecerem na cadeia enquanto busca uma solução mais ampla.
Senado também vira campo de batalha
A estratégia de obstrução não se limitou à Câmara. No Senado, o presidente da CCJ, Otto Alencar, tentou sequestrar o projeto alegando que precisaria passar pela comissão antes da votação em plenário.
Era uma manobra óbvia para enterrar a proposta. Alencar queria tempo para articular a rejeição e matar o projeto por asfixia burocrática. A mesma tática que a esquerda usa há décadas: quando não consegue vencer no mérito, apela para o processo.
Mas Davi Alcolumbre, presidente do Senado, já sinalizou que pode colocar o projeto em regime de urgência. Isso permitiria votar diretamente em plenário, sem passar pelas garras da CCJ. Uma decisão sensata, que pode acelerar o alívio para centenas de famílias.
A informação é que o acordo já está fechado não apenas entre Câmara e Senado, mas também com o próprio STF. Os ministros estariam dispostos a aceitar a dosimetria como uma solução parcial, mantendo suas perseguições maiores intactas mas dando uma satisfação à opinião pública.
O STF como arquiteto da vingança
Toda essa novela tem um roteirista principal: Alexandre de Moraes e seus colegas de toga. Eles aplicaram penas medievais no pessoal do 8 de janeiro com um objetivo claro – preparar terreno para uma condenação ainda mais absurda de Bolsonaro.
A lógica é perversa mas eficiente: se um manifestante comum pega 17 anos, então 27 anos para o “mandante” parece até razoável. É a mesma técnica de vendedor desonesto que mostra primeiro o produto mais caro para o mais barato parecer pechincha.
O problema é que viraram o Judiciário numa máquina de perseguição política. Assassinos no Brasil pegam penas menores que manifestantes de 8 de janeiro. Estupradores saem mais cedo da cadeia que aposentados que entraram no Congresso sem quebrar nada.
Agora, vendo a pressão popular crescer e a situação ficar insustentável, acenam com uma “generosa” redução de penas. Como se fosse benevolência reduzir uma injustiça para uma injustiça menor. O povo deveria agradecer pela migalha.
A normalização da violência institucional
O episódio desta segunda-feira mostra para onde caminha o país quando as instituições abandonam qualquer pretensão de imparcialidade. Se o STF faz o que quer “na base da força”, como disse o próprio relato dos acontecimentos, então todo mundo acha que pode fazer igual.
Deputados se agridem no plenário. Policiais espancam jornalistas. Presidentes de Casa fazem acordos nas costas da sociedade. Tudo vira vale-tudo porque não existe mais um árbitro confiável para mediar os conflitos.
Quando a lei vira instrumento de perseguição, ela perde legitimidade. Quando a Justiça serve apenas um lado, deixa de ser Justiça. O que sobra é a barbárie, disfarçada de solenidade e protocolo.
Arthur Lira precisou aparecer pessoalmente para acalmar os ânimos e permitir que Hugo Mota voltasse à presidência da mesa. Uma cena constrangedora, que expõe a fragilidade de instituições capturadas por interesses partidários.
As consequências para quem realmente sofre
Enquanto deputados brigam por poder e protagonismo, centenas de famílias amargam a separação forçada. Pais de família cumprindo penas de terrorista por terem tirado selfie no Palácio. Aposentados tratados como criminosos de alta periculosidade.
Cada dia de atraso na votação da dosimetria significa mais sofrimento para pessoas que já pagaram um preço desproporcional por seus atos. Suas famílias também são vítimas dessa vingança institucionalizada, privadas do convívio com seus entes queridos.
O PL da Dosimetria não é perfeito, mas representa esperança concreta para essas pessoas. É a diferença entre passar mais uma década na cadeia ou poder reconstruir a vida. Para os deputados de esquerda, é apenas mais uma jogada política.
A frieza com que tratam o sofrimento alheio revela o caráter desses políticos. Para eles, a dor das famílias vale menos que uma vitória tática contra Bolsonaro. São pessoas tratadas como peças num jogo de poder.
O projeto deve voltar à pauta nos próximos dias, depois que os ânimos esfriarem. Hugo Mota já deixou claro que tem o “poder de pauta” e pretende usar. Resta saber se a esquerda tentará novas manobras de obstrução ou se a razão prevalecerá.
Esta segunda-feira ficará marcada como mais um dia em que o Congresso Nacional se transformou em ringue de luta. Parlamentares agindo como hooligans, policiais agredindo jornalistas, e o país assistindo estarrecido à deterioração de suas instituições.
O que você acha dessa escalada de violência no Congresso? Até onde chegará essa guerra institucional?


