Crianças protestando virtualmente no Roblox contra novas regras de verificação de idade para chat

janeiro 21, 2026

Ludwig M

Crianças burlam verificação do Roblox em horas e expõem fragilidade total do controle estatal

O que deveria ser uma medida de proteção infantil virou piada mundial. A plataforma Roblox implementou verificação de idade obrigatória por câmera para usar o chat, bloqueando menores de 9 anos por padrão. O resultado? Crianças organizaram protestos virtuais na própria plataforma, usando placas personalizadas para expressar revolta. Em menos de 24 horas, descobriram como contornar todas as barreiras tecnológicas.

Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.

A solução que não resolve nada

As mudanças foram implementadas pela Roblox Corporation após debates globais sobre segurança infantil na plataforma. Usuários abaixo de 9 anos têm o chat bloqueado por padrão, enquanto no Brasil crianças abaixo de 13 anos precisam de aprovação dos pais. Em teoria, parece uma medida sensata para proteger os pequenos de predadores online.

Na prática, é mais uma demonstração de como regulações criam problemas enquanto fingem resolver outros. Jogadores sem idade verificada são impedidos de usar o chat, e a plataforma restringe conversas entre pessoas de idades muito diferentes para evitar contato direto entre adultos e crianças. O resultado prático? Milhões de crianças perderam uma ferramenta de socialização que usavam para conversar com outras crianças.

A ironia é gritante. Uma medida criada para proteger crianças acabou punindo exatamente quem deveria ser protegido. Os verdadeiros predadores? Esses já estão contornando o sistema com a mesma facilidade que uma criança desenha bigode no rosto.

Como as crianças driblaram o Big Brother em poucas horas

A reação das crianças foi imediata e reveladora. Relatórios indicam casos de menores pintando barbas falsas no rosto para passar na verificação facial. Outros descobriram que podem comprar contas já verificadas em sites especializados – um mercado negro de perfis do Roblox surgiu da noite para o dia.

Pais recebem convites por e-mail para criar contas vinculadas e passar pela própria verificação, autorizando formalmente o chat para a criança. Resultado? Muitos pais simplesmente fazem a verificação para os filhos, burlando completamente o propósito da medida.

Existem ainda aplicativos que criam avatares digitais capazes de responder aos comandos de verificação facial. O avatar vira o rosto para os lados conforme solicitado pelo sistema, enganando facilmente os algoritmos. É tecnologia básica, acessível a qualquer criança com smartphone.

O mais preocupante: se é fácil para uma criança contornar essas barreiras, imagine para um adulto mal-intencionado com recursos e conhecimento técnico. A medida criou uma falsa sensação de segurança enquanto os verdadeiros riscos permanecem intactos.

Lei Felca e o projeto ainda mais radical

O caso ganhou força após o influenciador Felipe Bressanim (Felca) publicar vídeo-denúncia sobre exploração de crianças em plataformas digitais, mobilizando a sociedade contra o que críticos chamam de adultização de menores na internet. A Lei Felca determina que crianças e adolescentes até 16 anos devem ter contas em redes sociais vinculadas a um responsável.

A partir de março de 2026, plataformas digitais no Brasil terão que seguir novas regras de proteção, incluindo verificação obrigatória de idade e vinculação de contas de menores de 16 anos aos perfis dos responsáveis. Diferente da Austrália, que simplesmente proibiu redes sociais para menores de 16 anos, o Brasil optou por um modelo de controle parental.

Mas há projetos ainda mais radicais tramitando. Existe proposta para proibir completamente o acesso de menores de 16 anos a redes sociais – sem exceções, sem supervisão parental, proibição total. Isso incluiria X, Instagram, YouTube e até jogos como Pokémon Go, que já possui controles específicos para menores há anos.

É o Estado brasileiro querendo ser mais restritivo que países com histórico de controle digital mais rigoroso. Nem na China, conhecida pela censura digital, existe proibição tão ampla para menores de 16 anos em plataformas de entretenimento.

O mercado negro que regulações criam

As consequências não intencionais dessa regulação são preocupantes. Sites especializados em vender contas do Roblox já verificadas proliferaram rapidamente. Crianças podem comprar contas de qualquer idade desejada por valores baixos – o vendedor fornece login, senha e pronto.

Isso cria novos riscos de segurança. Contas compradas podem estar comprometidas, programadas para coletar dados pessoais ou monitorar atividades da criança. O que parecia ser um “mecanismo de segurança” pode gerar mais insegurança para os menores.

Pior ainda: crianças que antes apenas jogavam honestamente agora aprendem a contornar regras desde cedo. Descobrem que é possível “fingir” ter outra idade e começam a questionar outras barreiras etárias na internet. A medida pode estar ensinando crianças a burlar controles de idade em contextos muito mais perigosos.

Críticos libertários argumentam que esse é o padrão: regulações estatais criam problemas complexos para justificar soluções ainda mais complexas, enquanto o cidadão comum – neste caso, as crianças – arca com as consequências de políticas mal pensadas.

A falácia da proteção estatal

Defensores da medida argumentam que pelo menos “dificultou” o acesso de predadores a crianças. É uma ilusão perigosa. Relatórios mostram que contornar essas verificações é “ridiculamente fácil” – palavras usadas por especialistas em segurança digital.

O Roblox enfrenta pressão crescente nos EUA, onde foi processado no estado da Louisiana sob acusação de permitir que predadores sexuais “prosperem” na plataforma. A empresa implementou essas mudanças mais por pressão legal do que por eficácia comprovada.

O resultado prático é zero proteção adicional para as crianças, mas muito menos diversão e socialização para milhões de usuários legítimos. É a típica solução que reguladores oferecem: pune as vítimas, cria novos problemas e deixa os verdadeiros criminosos com ainda mais vantagens.

Compare com o setor privado: quando uma empresa falha em proteger seus usuários, estes podem trocar de plataforma. Quando o Estado impõe uma “solução”, não há alternativa. Você deve aceitar a medida ineficaz ou sair do mercado completamente.

Protestos virtuais e a nova geração libertária

Dentro do ambiente virtual, usuários foram às ruas carregando mensagens como “Devolve o chat”, mimetizando protestos do mundo real e usando recursos de customização para criar cartazes digitais, com referências a Maria Antonieta e trechos da música “Cálice”, de Chico Buarque.

O influenciador Felca relatou estar sendo atacado por crianças em suas redes sociais, com mensagens inadequadas. Embora as ameaças sejam impróprias, a revolta das crianças revela algo profundo sobre como a nova geração rejeita controle excessivo.

Essas crianças estão aprendendo na prática que regulações nem sempre resolvem problemas – elas os multiplicam. Estão descobrindo que tecnologia pode ser usada para contornar regulações que consideram absurdas. Estão desenvolvendo, ainda que intuitivamente, uma mentalidade agorista: ignore regras inadequadas e encontre soluções práticas.

Na perspectiva libertária, quando crianças de 8 anos conseguem burlar sistemas de verificação criados por engenheiros bem pagos, fica claro que o problema não é técnico – é conceitual. O Estado não pode nem deve ser babá universal da sociedade.

O que realmente protege as crianças

A verdadeira proteção para crianças online não vem de leis ou algoritmos governamentais. Vem de pais atentos, educação digital e supervisão familiar responsável. Mas isso exige que os pais façam seu trabalho, não que terceirizem a educação dos filhos para burocratas.

Conversar com os filhos sobre os riscos da internet, supervisionar suas atividades ocasionalmente e explicar como identificar comportamentos suspeitos são medidas infinitamente mais eficazes que qualquer verificação facial automatizada. Mas isso dá trabalho – algo que muitos pais preferem evitar.

É mais fácil aplaudir quando o governo promete “resolver” o problema com uma lei. O resultado são medidas como essas do Roblox: aparentemente sérias, tecnicamente impressionantes, politicamente corretas e completamente inúteis na prática.

O livre mercado oferece soluções melhores: plataformas que priorizam segurança infantil ganham a confiança dos pais e prosperam. Aquelas que falham perdem usuários e receita. É um sistema de incentivos que funciona – diferente das imposições estatais que ninguém pode contestar.

Conclusão: quando crianças ensinam sobre liberdade

O caso do Roblox é um microcosmo perfeito de como regulações modernas operam. Identificam um problema real (predadores online), propõem uma solução espetaculosa (verificação facial), implementam medidas que punem inocentes (bloqueia chat de crianças) e falham completamente em resolver o problema original (predadores continuam atuando).

Enquanto isso, crianças de todo o mundo estão dando uma aula prática de economia austríaca e agorismo. Diante de uma regulação que consideram absurda, elas não ficaram esperando políticos resolverem – criaram soluções práticas instantaneamente. Mercado negro de contas, técnicas de verificação facial, pressão sobre os pais para autorizar o acesso.

Críticos libertários argumentam que, quando o governo falha, não há mecanismo de mercado para corrigir o erro. A medida ineficaz permanece, os problemas se multiplicam e a população fica refém de uma burocracia que nunca admite seus equívocos.

Talvez devêssemos aprender com essas crianças: quando uma regra é inadequada, a resposta civilizada não é obedecê-la cegamente, mas encontrar formas criativas de preservar nossa liberdade e bem-estar. Afinal, quem está mostrando mais maturidade nesta situação: as crianças que encontraram soluções práticas ou os adultos que acreditaram que uma lei iria magicamente resolver problemas complexos da natureza humana?

Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.

Versão: 21/01/2026 08:15

Fontes

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