Os Correios acabaram de assinar um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco grandes bancos. O contrato foi firmado na sexta-feira (26) e publicado no Diário Oficial da União no sábado (27). Mas aqui vem o susto: mesmo com todas as medidas planejadas, o prejuízo dos Correios deve chegar a R$ 23 bilhões em 2026.
Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em debates públicos e fontes abertas. Não afirma como fatos comprovados condutas ilegais ou ilícitas. Seu objetivo é promover reflexão crítica sobre temas de interesse público.
A conta que o contribuinte vai pagar
O empréstimo foi dividido entre Banco do Brasil, Caixa e Bradesco com R$ 3 bilhões cada, enquanto Itaú e Santander entraram com R$ 1,5 bilhão cada. O que chama atenção é a garantia: o Tesouro Nacional deu aval à operação, o que praticamente elimina o risco para os bancos. Quem vai pagar se der errado? O contribuinte brasileiro.
A taxa de juros ficou em 115% do CDI, considerada “aceitável” pelo governo. Mas vamos aos números reais: serão liberados R$ 10 bilhões ainda em 2025 e outros R$ 2 bilhões até janeiro de 2026. O prazo para pagamento? Quinze anos, até 2040. É a próxima geração pagando a conta desta gestão.
O mais grave é que o valor ficou abaixo dos R$ 20 bilhões inicialmente pedidos, e os Correios vão precisar de novo crédito ou aporte do Tesouro em 2026. Ano eleitoral, vale lembrar. A estratégia fica clara: empurrar o máximo de gastos para depois da eleição.
Na prática, o governo está transformando uma empresa pública deficitária em mais uma dívida do Estado. O cidadão comum paga duas vezes: pelos serviços ruins dos Correios e pelos empréstimos para mantê-los funcionando.
O plano que não resolve o problema
O plano de reestruturação prevê corte de até 15 mil funcionários através de programa de demissão voluntária, sendo 10 mil em 2026 e outros 5 mil em 2027. Também está previsto o fechamento de cerca de mil agências dos Correios. São medidas necessárias, mas chegaram tarde demais.
A redução representa 18% do quadro de funcionários e 20% das agências. A economia anual estimada com essas medidas é de R$ 2,1 bilhões a partir de 2027. Ou seja, nenhum alívio para os próximos dois anos.
Segundo o presidente dos Correios, não haverá mudança substancial em 2025, e a expectativa é de piora em 2026. É o reconhecimento oficial de que o problema vai se agravar antes de qualquer melhora.
O mais perverso é o programa de demissão voluntária. Quem aceita sair são justamente os funcionários mais capacitados, que têm chances de emprego em outros lugares. Ficam os acomodados, que sabem que não conseguirão trabalho melhor. É o Estado premiando a incompetência e punindo a eficiência.
O rombo que só cresce
Entre janeiro e setembro de 2025, os Correios acumularam prejuízo de R$ 6,1 bilhões. No primeiro semestre, o prejuízo foi de R$ 4,3 bilhões, três vezes maior que os R$ 1,3 bilhão do mesmo período em 2024.
A receita dos Correios vem caindo consistentemente: R$ 19,8 bilhões em 2022, R$ 19,2 bilhões em 2023 e R$ 18,9 bilhões em 2024. Até setembro de 2025, a receita diminuiu em quase R$ 2 bilhões no comparativo com 2024.
A matemática é simples: receita em queda, gastos em alta, prejuízo explodindo. Segundo o presidente da estatal, há um déficit estrutural anual de R$ 4 bilhões. Em 2025, a empresa tem patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões.
É uma empresa tecnicamente falida sendo mantida artificialmente com dinheiro público. Cada real que entra nos Correios é um real que não vai para saúde, educação ou segurança. Essa é a realidade que ninguém quer discutir.
A farsa da “reestruturação”
Mesmo com o empréstimo de R$ 12 bilhões, será necessário captar mais R$ 8 bilhões para executar o plano em 2026. Vinte bilhões no total para uma empresa que não consegue se sustentar. É dinheiro suficiente para construir hospitais, escolas ou investir em infraestrutura produtiva.
A empresa contratou consultoria externa para avaliar reestruturação e não descarta rearranjo societário, mas descarta privatização. Traduzindo: vão criar novas estruturas burocráticas para justificar mais gastos públicos.
O plano tem três fases pomposas: recuperação do caixa, modernização tecnológica e nova governança. A expectativa é que a primeira fase gere impacto positivo de R$ 7,4 bilhões. São números no papel, sem garantia alguma de resultado.
A realidade é que os Correios se tornaram um cabide de empregos políticos. Não é coincidência que no primeiro semestre de 2025 o prejuízo foi três vezes maior que 2024. Mudou o governo, mudaram as prioridades, piorou a situação.
Por que só dá prejuízo com a esquerda
Há um padrão que não pode ser ignorado. Durante os governos Temer e Bolsonaro, os Correios apresentaram resultados positivos. A crise atual é marcada pela queda no volume de correspondências físicas e crescente concorrência no mercado. Mas isso não explica a deterioração acelerada desde o retorno da esquerda ao poder.
A explicação está na forma de gestão. Governos de esquerda veem empresas estatais como instrumentos de política social e emprego, não como negócios que precisam ser sustentáveis. O resultado são estruturas inchadas, gestão ideológica e desprezo pela eficiência.
Segundo o presidente dos Correios, “90% das despesas têm perfil de despesa fixa”, gerando rigidez para correções de rota. É o reconhecimento de que a empresa virou uma máquina de gastar dinheiro sem flexibilidade para se adaptar ao mercado.
Quando uma empresa privada tem prejuízo, ela quebra ou se reestrutura rapidamente. Quando é estatal, vira problema do contribuinte. Os Correios são o exemplo perfeito de como o Estado destrói valor em nome de “políticas sociais”.
A greve que piorou tudo
Os trabalhadores dos Correios estão em greve desde 16 de dezembro, depois que a maioria dos sindicatos rejeitou o acordo coletivo para 2025/2026. Tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho não avançaram, e o dissídio coletivo foi marcado para 30 de dezembro.
É o cenário perfeito: empresa falida, funcionários em greve, serviços parados e governo emprestando bilhões para manter a estrutura funcionando. O cidadão fica sem o serviço e ainda paga a conta da bagunça.
A greve acontece justo no momento em que se anuncia corte de 15 mil empregos. É natural que haja resistência, mas a matemática não mente: ou a empresa se ajusta ou quebra de vez. A diferença é que, sendo estatal, quem paga é sempre o contribuinte.
O mais irônico é que os mesmos que fazem greve contra a reestruturação são os que mais se beneficiam da irresponsabilidade fiscal. Em uma empresa privada, prejuízo significa demissão. No Estado, significa empréstimo garantido pelo Tesouro.
A conta final para o brasileiro
Vamos ao que realmente importa: quanto isso custa para cada brasileiro. Com uma população de 215 milhões de habitantes, o empréstimo de R$ 12 bilhões representa cerca de R$ 56 por pessoa. Parece pouco? Some os R$ 23 bilhões de prejuízo previstos para 2026: mais R$ 107 por habitante.
São R$ 163 por brasileiro apenas para manter os Correios funcionando mal. Uma família de quatro pessoas paga R$ 652 indiretamente para sustentar essa estrutura ineficiente. É mais do que muitas famílias gastam em alimentação por mês.
A empresa projeta receita de R$ 21 bilhões para 2027, mas mesmo atingindo essa meta, não cobrirá os custos acumulados. É um buraco sem fundo, alimentado por decisões políticas em detrimento da realidade econômica.
O brasileiro trabalha parte do ano só para pagar impostos. Desse montante, uma fatia vai para manter empresas estatais deficitárias como os Correios. É trabalho forçado em benefício da ineficiência do Estado.
A verdade inconveniente é que os Correios se tornaram símbolo do fracasso da gestão estatal de empresas. Não prestam serviço de qualidade, não geram lucro, mas consomem recursos que poderiam resolver problemas reais da população brasileira.
Enquanto isso, empresas privadas de logística crescem, inovam e prestam serviços superiores. A diferença é que quando uma empresa privada falha, ela sai do mercado. Quando é estatal, vira problema eterno do contribuinte. Até quando vamos aceitar pagar essa conta?


