Que jogada foi essa? Ciro Gomes oficializou sua filiação ao PSDB em evento realizado no Hotel Mareiro, em Fortaleza, encerrando uma década de ligação com o PDT. E não foi qualquer evento: o evento contou com a presença de figuras como André Fernandes (PL) e Capitão Wagner (União Brasil), sinalizando que a oposição no Ceará está se reorganizando – e de uma forma que ninguém esperava.
Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não afirma como fatos comprovados a prática de crimes ou ilícitos, nem substitui decisões judiciais. Seu objetivo é promover reflexão crítica sob uma perspectiva editorial libertária.
O retorno de Ciro ao ninho tucano
Ozires Pontes, presidente estadual do PSDB no Ceará, confirmou a filiação de Ciro Gomes ao partido pelo qual foi eleito governador em 1990. Não foi apenas uma troca de legenda. Foi um retorno às origens de um dos nomes mais experientes (e polêmicos) da política cearense.
E quem articulou tudo? Ciro retorna ao partido pelo qual governou o Estado entre 1991 e 1994, sendo sua volta articulada pelo próprio Tasso Jereissati. O velho raposo tucano moveu suas peças certinho. Tasso Jereissati é creditado como tendo papel decisivo para persuadir Ciro a se filiar ao partido. Quando Tasso fala, o pessoal escuta.
Mas por que agora? O retorno de Ciro ao ninho tucano ocorre no mesmo dia em que anunciou sua saída do PDT, legenda à qual esteve vinculado por uma década. A permanência de Gomes na sigla se tornou insustentável após o rompimento político com a direção pedetista. As brigas internas estavam ficando feias mesmo.
O que quebrou o pau de vez? O estopim foi o apoio do PDT ao governo do petista Elmano de Freitas, movimento que isolou o ex-ministro e aprofundou o desgaste interno. Para quem sempre bateu no PT, aceitar essa aproximação foi demais. A saída virou questão de princípio – ou pelo menos de estratégia política.
As duas missões de Ciro no PSDB
Tasso não chamou Ciro só para encher linguiça. Segundo analistas, Tasso Jereissati definiu duas missões para Ciro: uma ao nível nacional para ajudar a reconstruir o PSDB como um partido de centro. O PSDB anda meio perdido nacionalmente, né? Ciro pode ser o cara para dar uma mexida nesse galinheiro.
Primeira missão: salvar o PSDB nacional. A missão de Ciro Gomes é em âmbito nacional: ajudar a reconstruir o PSDB como um partido relevante para o Brasil, com um posicionamento de centro. Porque, convenhamos, o partido precisa urgentemente voltar ao jogo. Não dá para ficar só na nostalgia dos tempos de FHC.
A segunda missão é de caráter estadual, voltada para o Ceará, onde Ciro tem a responsabilidade de revitalizar o orgulho cearense e o partido no estado. Traduzindo: fazer o PSDB cearense respirar de novo.
E a estrutura? Tasso anunciou que Ciro assumirá a presidência do PSDB no Ceará, e o ex-prefeito de Fortaleza, José Sarto, a presidência do PSDB em Fortaleza. Aposta alta na capacidade de articulação do ex-ministro – que, diga-se de passagem, entende do riscado.
O projeto 2026: governo do Ceará na mira
Agora vem a parte interessante. Ozires Pontes anunciou que Ciro Gomes será o candidato do partido ao governo do estado nas eleições de 2026. O caminho para o Palácio da Abolição está traçado.
Ele pretende disputar o governo do Ceará em 2026, enfrentando o atual governador Elmano de Freitas (PT), que deve buscar a reeleição. Vai ser embate de gigantes: de um lado, toda a máquina governista; do outro, quem já comandou o estado e sabe onde apertam os sapatos dos cearenses.
Mas a estratégia não é ir sozinho. O retorno de Ciro ao PSDB pode servir como catalisador para fortalecer a oposição e desenvolver novas estratégias políticas. Com a liderança de Ciro na presidência estadual, espera-se que o partido intensifique sua atuação em todo o estado. É união da direita e centro-direita contra a hegemonia petista.
O timing é cirúrgico. A filiação antecipa movimentos para a disputa eleitoral de 2026, com Ciro devendo disputar mais uma vez o Governo do Estado – ele comandou o Executivo estadual de 1991 a 1994. Três décadas depois, quer mostrar que ainda tem fôlego para comandar o Ceará. E quem conhece Ciro sabe: fôlego é o que não falta.
Alianças que dão o que falar
Aqui que a coisa fica interessante – e polêmica. As principais lideranças do PL no Ceará compareceram ao evento de filiação de Ciro. E olha que não foram poucos.
Entre os presentes no evento de filiação estão o presidente do PL Ceará e deputado federal André Fernandes; o presidente do União Brasil Ceará, Capitão Wagner, deputados federais, deputados estaduais, lideranças de outros municípios. Uma verdadeira festa da oposição. Quem diria, né?
E essa aproximação com o PL? Gerou reações diversas. Para uma parcela dos eleitores tradicionais de Ciro, representou um movimento muito à direita. Afinal, o histórico dele sempre foi mais para o centro-esquerda, não é mesmo?
Outros veem como pragmatismo político puro. O próprio André Fernandes já declarou publicamente que a legenda terá candidatura própria nas eleições majoritárias em 2026, sendo que as definições sobre as chapas e alianças devem ser fechadas até meados de 2026. Ou seja: ainda tem muito papo pela frente. Política é isso mesmo – hoje somos adversários, amanhã podemos ser aliados.
O histórico de migrações partidárias
Aliás, trocar de partido não é novidade para Ciro. Ciro Gomes passou por sete partidos políticos ao longo da carreira, iniciando a trajetória política pelo PDS em 1982, tendo então passado pelo PMDB (1983-1990), antes de ingressar no PSDB (1990-1997), onde esteve no período em que governou o Ceará. Quem acompanha política sabe: fidelidade partidária virou artigo de luxo.
E o currículo? Ciro alternou alianças partidárias e cargos públicos: foi ministro da Integração Nacional no governo Lula (2003 a 2006), deputado federal e candidato à Presidência da República em quatro eleições (1998, 2002, 2018 e 2022). Experiência é o que não falta para o homem.
A saída mais recente do PDT tem explicação clara e direta. Ciro deixou o PDT em meio a divergências políticas na sigla, especialmente pela aproximação do PDT com o PT no Ceará. A decisão está diretamente relacionada à aliança da sigla com o governo petista do Ceará. Era sair ou perder a cara.
E por que o PSDB? Tasso Jereissati é creditado como tendo papel decisivo para convencer Ciro a escolher o PSDB, após o ex-governador avaliar convites de outras legendas, incluindo União Brasil e PP. Quando você tem opções mas escolhe voltar para casa, é porque a casa ainda faz sentido.
O debate nas redes sociais
Como era de esperar, o Twitter pegou fogo. Apoiadores celebram como uma jogada de mestre: Ciro finalmente encontrou o espaço ideal para suas ambições e pode ajudar a formar uma oposição que funcione de verdade – não apenas como barulho.
Do outro lado, críticos questionam a coerência ideológica. “Ciro sempre foi centro-esquerda, como é que vai fazer aliança com a direita?” É o tipo de pergunta que rola solta por aí. Para eles, é traição aos princípios.
Tem também quem vê puro pragmatismo na decisão. Em política, às vezes você precisa se reinventar – ou ficar no passado reclamando da vida. Em um cenário fragmentado como o atual, alianças amplas podem ser a única forma de quebrar hegemonias estabelecidas.
O próprio perfil de Ciro sempre foi controverso mesmo. Político que nunca coube em caixinhas ideológicas tradicionais, ele historicamente navegou conforme as circunstâncias exigiam. E sobreviveu politicamente por décadas fazendo exatamente isso.
Perspectivas para a oposição cearense
E agora? A avaliação é de que existe uma oposição ampla, sendo que há muitos anos, muitos ciclos eleitorais, o Ceará não via uma oposição tão forte, tão ampla. Quando o governo se incomoda, é sinal de que a coisa está funcionando.
A união de diferentes forças de oposição sob a liderança de Ciro é aposta na experiência do ex-ministro. Ele vai precisar costurar alianças entre centro e direita – não é tarefa fácil, mas se alguém pode fazer isso, é ele.
Para quem defende mais liberdade econômica e menos Estado na vida das pessoas, essa rearticulação da oposição pode significar uma alternativa real ao modelo petista no Ceará. O histórico de Ciro como administrador – especialmente na Prefeitura de Fortaleza e no Governo do Estado – pode atrair quem está cansado da atual gestão.
O grande desafio? Manter coesa uma aliança tão diversificada ideologicamente. PSDB, PL e União Brasil têm diferenças significativas. Ciro precisará usar toda sua lábia política para fazer essa engenharia funcionar na prática.
A eleição de 2026 no Ceará promete ser épica. De um lado, Elmano buscando a reeleição com toda a máquina petista; do outro, Ciro retornando com uma aliança que pode mudar o jogo político estadual.
Para quem acompanha a política cearense, o retorno de Ciro ao PSDB é mais que filiação partidária. É o início de uma nova fase que pode redefinir completamente os rumos do estado. Afinal, depois de décadas de hegemonia de um grupo político, uma renovação pode ser exatamente o que o Ceará precisa.
Será que essa aposta na renovação da oposição vai conseguir quebrar a hegemonia no estado? O eleitor cearense vai dar a resposta final em 2026 – e pode ter certeza de que será uma das eleições mais interessantes dos últimos anos.



