Roberto Farias após ser encontrado vivo no Pico Paraná demonstrando sobrevivência individual

janeiro 6, 2026

Ludwig M

Cinco dias perdido no Pico Paraná: jovem sobrevive seguindo rio e expõe falhas na prevenção

Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, foi encontrado vivo após cinco dias desaparecido no Pico Paraná. O jovem chegou sozinho a uma fazenda em Antonina, no litoral paranaense, após caminhar mais de 20 quilômetros. O caso ilustra como uma trilha que deveria ser prazerosa pode virar pesadelo rapidamente — e como o conhecimento individual de sobrevivência pode ser mais eficaz que toda a estrutura estatal de resgate.

Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não afirma como fatos comprovados a prática de crimes ou ilícitos, nem substitui decisões judiciais. Seu objetivo é promover reflexão crítica sob uma perspectiva editorial libertária.

A aventura que virou tragédia evitável

Roberto iniciou a subida ao Pico Paraná no dia 31 de dezembro, acompanhado de uma amiga. O plano era simples: passar o Réveillon no cume e assistir ao nascer do sol. O Pico Paraná representa o ponto mais alto da região Sul do Brasil — uma conquista que atrai aventureiros de todo país.

Mas nem tudo correu como esperado. Durante a ascensão, o jovem passou mal e chegou a vomitar algumas vezes, mas mesmo assim conseguiu alcançar o cume da montanha. A dupla alcançou o pico por volta das 4h da manhã de quinta.

Após um período de aproximadamente duas horas, os amigos iniciaram a descida da montanha. O segundo grupo, que havia ficado no cume, também iniciou a descida pouco tempo depois e chegou a passar pelo ponto onde o jovem teria ficado, mas já não o encontraram. Roberto simplesmente sumiu no meio da mata.

Durante a descida, ele acabou se separando do grupo e não foi mais visto. Uma separação que poderia durar minutos se transformou em cinco dias de pesadelo na selva.

Quando o Estado promete ajudar e você fica na mão

A operação de busca começou na tarde do dia 1º e envolveu diversas frentes especializadas em resgate em montanha, com use de helicópteros com câmeras térmicas, drones, cães farejadores e apoio logístico de equipes civis. Todo esse aparato custoso do Estado em ação.

As operações de resgate chegaram ao quinto dia mobilizando equipes especializadas em uma ação considerada cada vez mais complexa. O terreno acidentado, a mata fechada e as condições climáticas adversas dificultaram os trabalhos das equipes de resgate. Cinco dias de recursos públicos sendo queimados.

Mas aqui está o ponto que gera questionamentos: Roberto chegou sozinho à localidade de Cacatu, após caminhar mais de 20 quilômetros. Ele se salvou sozinho! Não foram os helicópteros, nem os drones, nem todo o aparato estatal. Foi ele mesmo, usando conhecimento básico de sobrevivência e determinação.

“Pelo menos uma vez por mês tem alguém perdido na área do Pico Paraná ou em outras regiões da Serra do Mar. Uma pessoa perdida sem experiência tem um grande risco de ter um final trágico”. Um caso por mês! Isso levanta questionamentos sobre por que o Estado prefere gastar com resgate caro em vez de investir em prevenção eficaz.

A estratégia que salvou sua vida

Roberto fez algo inteligente quando percebeu que estava perdido: seguiu o rio. “Se estiver irremediavelmente perdido procure encontrar um riacho ou rio e descer o seu curso. Além de ter água, mais cedo ou tarde encontrará gente”, explica um manual de sobrevivência. É geografia básica.

“Ele tinha que pegar pela via central, mas com certeza pegou para a direita, onde tem várias trilhas antigas que acabam descendo para o vale do rio Cacatu”. Uma decisão que literalmente salvou sua vida.

Seguir o rio tem duas vantagens fundamentais. Primeira: você tem água para beber. Roberto ficou cinco dias na mata — sem água, ele teria morrido em três dias. Segunda: o rio sempre desce em direção à civilização. É uma trilha natural que a natureza oferece para quem tem conhecimento básico.

“Cheio de roxos no corpo, mas estou bem”

“Estou cheio de roxo no corpo, várias escoriações, não consigo enxergar porque perdi meu óculos, sem bota, mas estou bem”, disse Roberto em vídeo. Palavras de alguém que passou pelo inferno e voltou para contar.

Aos familiares, afirmou que atribui sua sobrevivência à fé: “Foi Deus”, disse ao ser resgatado. Na hora da verdade, as pessoas se lembram do que realmente importa.

De acordo com o tenente Ícaro Gabriel, do Corpo de Bombeiros, Roberto chegou sozinho à localidade de Cacatu, na descida do Pico Paraná. O jovem chegou andando, com as próprias pernas.

Encaminhado ao hospital da região, Roberto passa por avaliação médica. Segundo os profissionais que o atenderam, ele está debilitado, mas estável. Cinco dias na mata deixaram marcas no corpo, mas não quebraram o espírito.

O problema conhecido que ninguém resolve

A região onde Roberto se perdeu tem histórico recorrente. “Pelo menos uma vez por mês tem alguém perdido na área do Pico Paraná ou em outras regiões da Serra do Mar”. É um problema sistemático, absolutamente previsível.

Se é um problema conhecido, por que não há sinalização adequada? Por que não há mapas claros disponíveis? Por que não há orientação prévia obrigatória? Gera debates se não seria mais eficiente investir em prevenção barata do que manter equipes de resgate caras funcionando constantemente.

A crítica injusta à amiga Thayane

A internet não perdoou Thayane Smith, a amiga que estava com Roberto. Assim que as buscas iniciaram, Thayane ainda publicou um story onde dizia: “Interrogações, investigações, eita 2026 kkkkk. Feliz Ano Novo”. A publicação gerou revolta nas redes sociais.

Mas é preciso cautela. “Esse foi meu erro. Eu conversei com família e eu assumo meu erro. Eu sei que errei nisso de ter deixado ele ter vindo sem mim, mas tinham outras pessoas com ele”, declarou ela. A própria amiga reconheceu o erro.

As duas pessoas têm 19 anos. São jovens inexperientes que cometeram erros típicos da idade. Na mata, sob pressão, cansada e assustada, as pessoas fazem escolhas que podem parecer questionáveis depois. Roberto não culpa a amiga, mas a internet já condenou e julgou.

Lições que não se ensinam nas escolas

Roberto é estudante de Administração da UFPR e se apresenta nas redes sociais como técnico em segurança do trabalho, bombeiro civil e socorrista resgatista. Familiares e amigos o descrevem como ativo, experiente em trilhas e acostumado a desafios físicos. Mesmo sendo experiente, ele se perdeu!

Isso mostra que a natureza não respeita currículo. Roberto se salvou porque sabia seguir um rio, não porque tinha certificados. A natureza é democrática: ou você sabe ou não sabe.

Conhecimento básico de sobrevivência deveria ser obrigatório — mas não é. Em vez de teorias abstratas, que tal ensinar como encontrar água, como se orientar, como sobreviver na natureza? Há quem interprete que o Estado prefere formar cidadãos dependentes que precisam de resgate caro quando a situação aperta.

O episódio serve como um importante lembrete dos perigos e desafios inerentes às trilhas de montanha, especialmente em locais de grande altitude e dificuldade como o Pico Paraná. Aventura sem preparo gera riscos desnecessários.

O verdadeiro heroísmo está na responsabilidade individual

Roberto Farias Thomaz representa o que há de melhor no ser humano: a capacidade de se virar sozinho quando tudo dá errado. Ele não ficou parado esperando resgate. Não entrou em pânico. Seguiu o rio, caminhou 20 quilômetros e chegou vivo à civilização — com as próprias pernas, com a própria determinação.

As circunstâncias do caso ainda serão apuradas, mas o reencontro com a família nesta segunda-feira encerrou, com alívio, um episódio que testou os limites físicos e emocionais de todos os envolvidos. Um final feliz que poderia facilmente ter sido tragédia.

Este caso ilustra a diferença entre quem espera o Estado resolver seus problemas e quem resolve os próprios problemas. Roberto escolheu o segundo caminho — e por isso está vivo hoje. Ele poderia ter ficado parado, esperando o barulho do helicóptero. Escolheu caminhar.

A liberdade individual não é só sobre direitos políticos. É sobre a capacidade concreta de ser responsável pela própria vida, de tomar decisões difíceis sob pressão. Roberto mostrou isso na prática — cinco dias perdido na mata, mas nunca perdido como pessoa.

Diante disso, a pergunta que fica é: quantos de nós teríamos a mesma coragem e conhecimento para sobreviver cinco dias na mata? A resposta diz muito sobre quem somos — e sobre que tipo de sociedade queremos ser.

Fontes

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