
A Câmara dos Deputados está prestes a votar a cassação de quatro parlamentares em um movimento que promete marcar os últimos dias de 2025. Glauber Braga (PSOL), que deveria ter perdido o mandato há muito tempo, finalmente terá seu caso decidido no plenário. Mas não será o único: Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem também podem perder seus mandatos.
Hugo Mota, presidente da Câmara, pautou todas as cassações em um “pacotão” que expõe a seletividade do sistema político brasileiro. Enquanto Glauber Braga agrediu fisicamente uma pessoa dentro da Câmara, os outros três são vítimas de perseguição política orquestrada pelo Supremo Tribunal Federal.
A diferença de tratamento é gritante. Um caso envolve violência real e falta de decoro parlamentar. Os outros três envolvem deputados que incomodam o establishment por defenderem posições conservadoras e questionarem abusos do Judiciário.
O timing da votação também não é casual. Estamos no último ano de mandato de Glauber Braga, após Hugo Mota ter “enrolado” sua cassação por meses através de um acordo político. Agora, com o recesso parlamentar se aproximando, a Câmara finalmente age – mas contra todos, independentemente da gravidade dos casos.
Glauber Braga: violência sem consequências por meses
O caso de Glauber Braga deveria ter sido resolvido há muito tempo. O deputado do PSOL agrediu fisicamente uma pessoa dentro da Câmara dos Deputados, atitude totalmente incompatível com o decoro parlamentar. Não estamos falando de palavras duras ou discursos inflamados – estamos falando de violência física real.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) já aprovou sua cassação, mas o plenário ainda não havia votado. Hugo Mota manteve um acordo político para protelar a decisão, permitindo que Braga permanecesse no cargo mesmo após cometer agressão dentro do Parlamento.
Ontem, Braga fez mais um show de desrespeito às instituições. Ocupou a cadeira de Hugo Mota e se recusou a sair, precisando ser removido por policiais. Depois ainda abriu boletim de ocorrência contra os próprios policiais e contra o presidente da Câmara.
Esse comportamento exemplifica a mentalidade autoritária da esquerda brasileira: democracia só quando convém, violência quando não conseguem o que querem. Braga confunde censura com consequências legais, discurso com agressão física.
“Palavra não machuca ninguém. Palavra pode te deixar chateado, mas te machucar não machuca. Violência é outra coisa”, explica a diferença fundamental que Braga e seus apoiadores se recusam a reconhecer.
A cassação de Glauber Braga é vista como inevitável por analistas políticos. E deveria ser mesmo – um parlamentar que usa violência física dentro do Congresso não pode representar o povo brasileiro.
Zambelli, Eduardo e Ramagem: perseguição disfarçada de justiça
Os casos de Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem são completamente diferentes. Aqui não temos violência física ou falta clara de decoro parlamentar. Temos perseguição política orquestrada pelo Supremo Tribunal Federal contra deputados que ousaram questionar abusos do sistema.
Eduardo Bolsonaro está sendo processado por excesso de faltas, já que permanece nos Estados Unidos desde o início do ano. Zambelli e Ramagem tiveram suas cassações recomendadas pelo STF, em mais um episódio da interferência do Judiciário no Legislativo.
A diferença de tratamento é gritante. Enquanto Glauber Braga pôde agredir pessoas e permanecer meses no cargo através de “acordos políticos”, deputados conservadores são perseguidos por suas posições ideológicas e questionamentos legítimos ao sistema.
O STF transformou-se em tribunal de exceção, recomendando cassações baseadas em critérios políticos, não jurídicos. E a Câmara, dominada pelo centrão, provavelmente acatará as recomendações para não “comprar briga” com o Supremo.
Essa submissão do Legislativo ao Judiciário representa grave desequilíbrio entre os poderes. Deputados eleitos pelo povo podem perder mandatos por decisões políticas de ministros não eleitos.
A injustiça é evidente: três parlamentares que defendem posições conservadoras e questionam abusos do Estado podem ser cassados, enquanto um agressor físico só agora, no final do mandato, terá seu caso julgado.
O jogo político por trás das cassações
Hugo Mota decidiu pautar todas as cassações em sequência, criando um “pacotão” que mistura casos completamente diferentes. Hoje a CCJ vota o caso Zambelli, à noite o plenário decide sobre Glauber Braga e Zambelli. Na próxima semana, Eduardo Bolsonaro e Ramagem.
Essa estratégia não é casual. Misturar um caso claro de violência física com perseguições políticas cria confusão na opinião pública e facilita a aprovação de todas as cassações em bloco.
O centrão, que domina a Câmara, provavelmente votará pela cassação de todos. Não por questões de mérito, mas para evitar conflitos com o STF. É o pragmatismo político sobrepondo-se à justiça e ao equilíbrio entre poderes.
O PL certamente votará pela manutenção dos mandatos de Zambelli, Eduardo e Ramagem. Mas não tem votos suficientes para impedir as cassações se centrão e esquerda se unirem contra os deputados conservadores.
Estamos diante da operação de limpeza ideológica no Congresso, disfarçada de zelo democrático. O mesmo sistema que protegeu Glauber Braga por meses agora quer cassar deputados conservadores em semanas.
A diferença de velocidade e tratamento expõe a seletividade do sistema: violência física da esquerda é tolerada, questionamentos da direita são punidos com cassação.
Consequências práticas das cassações
Se Zambelli, Eduardo e Ramagem forem cassados, seus suplentes assumirão. Como são do mesmo partido, teoricamente votariam da mesma forma nas pautas do Congresso. Alguns analistas veem isso como positivo para a direita.
Atualmente, os três deputados não podem votar devido às restrições impostas pelo STF. São três votos que a direita perde nas votações importantes. Com suplentes em seus lugares, esses votos voltariam a contar.
“Três votos não é muita coisa, mas é de pouquinho em pouquinho que você junta os votos necessários para aprovar alguma coisa”, explica a importância numérica das cadeiras no Congresso.
Porém, as cassações representariam vitória simbólica importante para o sistema contra parlamentares que incomodam o establishment. Seria o recado claro: questione o STF e perca o mandato.
A mensagem intimidaria outros deputados que pensem em confrontar abusos do Judiciário. O medo da cassação tornaria o Congresso ainda mais submisso aos caprichos do Supremo.
Além disso, perder mandato de deputado não deixa de ser violência institucional contra parlamentares eleitos pelo povo. É punição desproporcional por “crimes” de opinião e posicionamento político.
O timing suspeito e a diferença de tratamento
O timing das votações expõe ainda mais a seletividade do sistema. Glauber Braga agrediu pessoas há meses, mas só agora, no final do mandato e às vésperas do recesso parlamentar, sua cassação será votada.
Durante meses, Hugo Mota manteve “acordo” para protelar a decisão sobre Braga. Quando a oposição ocupou a mesa do Senado anteriormente, houve três dias de negociação. Mas quando Braga fez show ontem, foi removido imediatamente.
A diferença está no timing político. No início do ano há tempo para negociações e acordos. Agora, com Natal e Ano Novo se aproximando, não há tempo a perder. Janeiro é mês morto no Congresso.
Mas há diferença mais profunda: Braga estava sozinho em sua ocupação, enquanto anteriormente foi toda oposição unida. O sistema negocia com força política, não com indivíduos isolados.
Essa lógica pragmática ignora completamente a gravidade dos atos. Violência física deveria ter consequências imediatas, independentemente de calendário político ou acordos de bastidor.
Enquanto isso, Zambelli, Eduardo e Ramagem são processados com velocidade impressionante, sem “acordos” ou delongas. Para perseguir conservadores, o sistema é eficiente.
A democracia seletiva da esquerda brasileira
O comportamento de Glauber Braga exemplifica perfeitamente a “democracia” da esquerda brasileira: vale tudo quando estão no poder, autoritarismo quando são contrariados.
Primeiro agrediu fisicamente pessoas na Câmara. Quando finalmente será punido, faz novo show de desrespeito ocupando cadeira do presidente. Removido pela polícia, ainda abre boletim contra os policiais.
Depois reclama de “censura” e “perseguição”, confundindo propositalmente violência com palavras, agressão com discurso, consequências legais com repressão política.
É a mesma mentalidade que domina a esquerda mundial: democracia é ferramenta para chegar ao poder, descartável quando não serve mais aos seus interesses.
Braga “adora fazer confusão entre violência física e palavras”, como se agressão fosse forma legítima de expressão política. Não é: violência é violência, independentemente da ideologia de quem a pratica.
Essa inversão moral permite que a esquerda se vitimize mesmo sendo agressora, que reclame de autoritarismo mesmo praticando violência, que defenda democracia mesmo desrespeitando instituições.
O que esperar das votações
Glauber Braga certamente será cassado – e deveria mesmo, depois de meses de proteção indevida do sistema. Sua cassação é questão de decoro mínimo do Parlamento brasileiro.
Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Ramagem provavelmente também serão cassados, mas por motivos completamente diferentes. Não por violência ou falta de decoro, mas por perseguição política orquestrada pelo STF.
O centrão não quer “comprar briga” com o Supremo, então votará pela cassação de todos. É o pragmatismo covarde sobrepondo-se à justiça e ao equilíbrio institucional.
Essa diferença de tratamento – meses de proteção para agressor da esquerda, cassação rápida para conservadores perseguidos – expõe a natureza seletiva da “justiça” brasileira.
Se as cassações passarem, será vitória do autoritarismo judicial sobre a representação popular. Ministros não eleitos decidindo quem pode ou não representar o povo no Congresso.
“Tem uma chance” para os três deputados conservadores, mas pequena diante da covardia política do centrão e da pressão do STF sobre o Legislativo.
O resultado dessas votações definirá se ainda temos separação de poderes no Brasil ou se o Judiciário já capturou completamente o Legislativo. A resposta, infelizmente, parece óbvia.
Enquanto isso, deputados que realmente deveriam representar o povo brasileiro podem perder mandatos por questões ideológicas, e agressores protegidos por acordos políticos finalmente enfrentam consequências apenas no final de seus mandatos.
É a “democracia” brasileira em ação: seletiva, autoritária e profundamente injusta. Resta saber se a sociedade ainda consegue enxergar essa diferença gritante de tratamento entre casos completamente distintos.


