dezembro 16, 2025

Ludwig M

Brasil prende americano por ‘ajudar’ Ramagem: Moraes compra briga com Trump

Brasil prende americano por ‘ajudar’ Ramagem: Moraes compra briga com Trump

A Polícia Federal prendeu no último sábado (13) um cidadão americano acusado de ajudar Alexandre Ramagem a fugir do Brasil pela Guiana. Rodrigo Celso de Melo, filho de empresários de Roraima, estava no país para seu casamento e foi detido por ordem de Alexandre de Moraes. O caso complica ainda mais as já tensas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos no governo Trump.

Segundo a versão oficial, Ramagem teria saído do Brasil sem passar pelos controles migratórios, com ajuda de terceiros. A rota escolhida: atravessar de carro a fronteira com a Guiana e seguir até Georgetown, capital guianense, de onde pegou um voo para os Estados Unidos. Uma viagem de aproximadamente 13 horas por estrada.

O problema é que a acusação não faz sentido do ponto de vista prático. A fronteira entre Brasil e Guiana na região é facilmente contornável, com múltiplas rotas alternativas que dispensam qualquer controle oficial. Qualquer pessoa com um mapa pode identificar essas passagens.

Mais grave: o detido é cidadão americano, residente na Flórida, que segundo o próprio Ramagem só ofereceu ajuda depois que ele já estava nos Estados Unidos. Ajuda para coisas básicas como alugar apartamento e comprar carro – serviços comuns oferecidos por comunidades de brasileiros no exterior.

A rota pela Guiana: fácil demais para precisar de ‘ajuda’

A análise da geografia da fronteira revela o absurdo da acusação. Entre Boa Vista (Roraima) e Georgetown (Guiana) existem várias rotas que contornam facilmente os pontos de controle oficial. A região tem fiscalização precária, com múltiplas estradas secundárias que permitem atravessar sem detectação.

O trajeto oficial passa pela ponte que liga os dois países, onde ficam os postos da Receita Federal brasileira e da imigração guianense. Mas qualquer pessoa pode simplesmente pegar ruas paralelas, como a RC20, atravessar por outras pontes menores e entrar diretamente na cidade de Lethem, já em território guianês.

De Lethem até Georgetown são 13 horas de viagem por uma estrada que, embora longa, é perfeitamente transitável. Georgetown tem voos diretos para os Estados Unidos, completando uma rota de fuga óbvia para qualquer pessoa minimamente informada.

A questão que ninguém responde: para que Ramagem precisaria de ajuda para fazer algo tão simples? A resposta é que não precisaria. E esse é exatamente o ponto que derruba toda a narrativa oficial.

Cidadão americano vira refém de birra judicial

Rodrigo Celso de Melo não é um brasileiro qualquer. É cidadão americano, portador de passaporte americano, residente na Flórida. Estava no Brasil para resolver questões pessoais e retornar aos Estados Unidos para seu casamento.

Segundo explicação do próprio Ramagem, só conheceu o rapaz depois de já estar nos Estados Unidos. A ajuda oferecida foi para questões básicas da vida americana: alugar imóvel, comprar carro, se estabelecer no país. Qualquer brasileiro que já viveu no exterior conhece esses grupos de apoio mútuo.

Nos Estados Unidos, especialmente na Flórida, é praticamente impossível viver sem carro. Diferente de grandes centros brasileiros onde transporte público funciona, lá você precisa de veículo próprio para tudo. Grupos de brasileiros estabelecidos naturalmente ajudam recém-chegados nessas questões práticas.

A prisão de um cidadão americano por algo que sequer configura crime representa uma escalada perigosa. Moraes não está apenas perseguindo opositores brasileiros – agora mira em americanos que ousam ajudar quem ele considera inimigo.

Trump mostra fraqueza, Moraes aproveita para provocar

O timing da prisão não é coincidência. Trump recentemente recuou na pressão sobre Alexandre de Moraes, retirando autoridades brasileiras da lista Magnitsky de sanções. Era um gesto de boa vontade diplomática que Moraes interpretou como sinal de fraqueza.

Agora o ministro do STF testa os limites da paciência americana prendendo um de seus cidadãos. É uma provocação calculada para medir até onde pode ir sem sofrer consequências. Uma aposta arriscada que pode sair muito cara para o Brasil.

A estratégia é clara: mostrar que mesmo com Trump no poder, ainda pode agir impunemente contra quem considera adversário. Seja brasileiro, seja americano. A soberania americana, para Moraes, vale menos que sua agenda de perseguição política.

O resultado prático será o oposto do pretendido. Em vez de facilitar uma eventual extradição de Ramagem, a prisão do americano fornece argumentos poderosos para caracterizar perseguição política. Nenhum país entrega seus nacionais quando há evidências de motivação política nas acusações.

Extradição de Ramagem: uma missão quase impossível

O pedido de extradição de Alexandre Ramagem já enfrentava obstáculos significativos na Justiça americana. Diferente do caso de Alan dos Santos, que envolvia apenas prisão preventiva por opiniões, Ramagem é acusado de crimes mais complexos relacionados ao uso de sistemas da Abin.

Mesmo assim, as chances de extradição eram baixas desde o início. A Justiça americana analisa não apenas se houve crime, mas se o processo tem motivação política. O padrão de perseguição do STF contra opositores já levantava suspeitas legítimas nesse sentido.

A prisão do americano complica definitivamente qualquer possibilidade de cooperação. Fornece evidência concreta de que se trata de perseguição que extrapola cidadãos brasileiros. Demonstra um padrão de abuso que a Justiça americana dificilmente ignorará.

O processo de extradição nos Estados Unidos é longo e tem várias etapas. Primeiro a Justiça analisa os aspectos técnicos, depois o Executivo tem a palavra final. Trump agora tem um cidadão americano preso por ajudar alguém que pode ser considerado refugiado político.

A falta de lógica que expõe a farsa

O caso revela a total falta de fundamento das acusações. Se a rota pela Guiana é tão simples de ser percorrida sozinho, qual seria exatamente a “ajuda” prestada pelo americano? A Polícia Federal não consegue explicar essa questão fundamental.

Rodrigo Celso de Melo é filho de empresários de Roraima que têm negócios na região. Conhecem a área, mas isso não significa envolvimento em fuga de ninguém. O pai é investigado por atividades de garimpo, mas investigação não é condenação, muito menos prova de envolvimento do filho em outros crimes.

A realidade é que qualquer pessoa com acesso ao Google Maps pode traçar a rota que Ramagem supostamente usou. Não precisa de conhecimento especializado, contatos especiais ou apoio logístico complexo. É uma viagem longa, mas perfeitamente factível de forma independente.

A insistência em criminalizar o óbvio revela o verdadeiro objetivo: criar uma rede de culpados para justificar a narrativa de “organização criminosa”. Quanto mais pessoas envolvidas, mais robusta parece a acusação, mesmo que o envolvimento seja forçado e artificial.

As consequências diplomáticas de uma obsessão

Alexandre de Moraes transformou sua obsessão pessoal contra opositores em problema diplomático de Estado. Não contente em perseguir brasileiros, agora mira em cidadãos americanos que sequer estavam no país durante os fatos investigados.

A administração Trump agora precisa lidar com um cidadão americano preso por motivações claramente políticas. Isso força uma resposta que pode incluir desde protestos diplomáticos até retomada de sanções contra autoridades brasileiras.

O Brasil perde credibilidade internacional ao demonstrar que sua Justiça atua por motivação política, não técnica. Países democráticos observam com preocupação um Judiciário que prende estrangeiros para pressionar processos internos.

Pior: cria precedente perigoso para brasileiros no exterior. Se o Brasil prende americanos por motivação política, outros países podem fazer o mesmo com nossos nacionais. A reciprocidade diplomática pode ser cruel para quem quebra as regras primeiro.

O governo Lula, que deveria controlar os excessos do Judiciário, permanece omisso diante da escalada. Prefere o apoio de Moraes contra opositores a defender os interesses nacionais nas relações exteriores. Uma miopia política que pode custar caro ao país.

A situação expõe como uma obsessão pessoal pode comprometer interesses nacionais. Alexandre de Moraes não representa apenas a si mesmo – suas ações afetam a imagem e os interesses de 220 milhões de brasileiros no cenário internacional.

Resta saber se a comunidade internacional continuará tratando essas arbitrariedades como “questão interna” ou se finalmente reconhecerá o padrão autoritário que se consolidou no sistema de Justiça brasileiro. A prisão de um cidadão americano pode ser o limite que faltava para essa percepção mudar.

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