
Vale Peru cancelado: quem paga são os trabalhadores
O simbolismo da suspensão do Vale Peru é perfeito para entender como funciona a gestão socialista das estatais. Quem paga o pato da má administração são sempre os trabalhadores que efetivamente produzem valor na empresa.
O Vale Peru não é um benefício qualquer. Foram R$ 2.500 por funcionário em 2024, dinheiro que faz diferença real na vida de quem ganha salários modestos. Para um carteiro ou funcionário de agência, esse valor representa uma ajuda significativa para as festas de fim de ano.
Mas enquanto os funcionários da ponta perderam o benefício, é certo que os dirigentes indicados politicamente não sentiram o mesmo aperto. Para a nomenklatura petista instalada na alta direção dos Correios, haverá “Vale Peru, Vale Panetone, vale tudo” nas comemorações de fim de ano.
Essa é a lógica perversa das estatais loteadas politicamente. Os sacrifícios sempre recaem sobre quem trabalha de verdade. Os parasitas políticos mantêm seus privilégios enquanto empurram os custos da crise para baixo na hierarquia da empresa.
A empresa ainda anunciou um Programa de Demissão Voluntária para 15.000 empregados. Ou seja, além de perder benefícios, os trabalhadores ainda enfrentam a ameaça do desemprego. É o preço que se paga por manter uma estrutura inchada de cargos políticos no topo da pirâmide.
Governo retira R$ 10 bilhões de meta das estatais
Para completar o quadro de destruição das empresas estatais, o governo Lula teve que retirar R$ 10 bilhões da meta de dividendos das estatais para 2025. O ministro Fernando Haddad chamou a medida de “preventiva”, mas todo mundo sabe que é desespero puro.
A manobra revela o tamanho do rombo nas contas públicas. O governo contava com esse dinheiro para fechar as contas de 2025, mas a realidade das estatais mal administradas não permite mais essa fantasia contábil.
Por que Lula não retirou esse valor definitivamente da meta? Porque ainda espera conseguir dinheiro das estatais para torrar na campanha eleitoral de 2026. É a velha estratégia petista de usar empresas públicas como caixas eleitorais privados.
As estatais como um todo ainda apresentam lucro quando somadas, principalmente por causa da Petrobras. Mas esse lucro está muito abaixo do potencial que essas empresas poderiam ter sob gestão eficiente e focada em resultados, não em loteamento político.
A Petrobras só se salvou porque o preço do petróleo internacional caiu significativamente, mas o governo manteve os preços internos praticamente inalterados. Resultado: a estatal lucrou às custas do consumidor brasileiro, que continuou pagando caro pelo combustível.
O preço da estatização: todos perdem, exceto os políticos
Os Correios são um exemplo perfeito do que acontece quando o Estado resolve administrar empresas. Em 2022, a estatal dava lucro e estava preparada para a privatização. Dois anos depois, virou um poço sem fundo de dinheiro público.
A diferença não é técnica nem conjuntural. É ideológica e política. O governo Bolsonaro enxergava os Correios como uma empresa que deveria ser eficiente e, eventualmente, privatizada. O governo Lula vê a estatal como um instrumento de poder político e distribuição de cargos.
Quando políticos administram empresas, o resultado é sempre o mesmo: ineficiência, desperdício e socialização dos prejuízos. Os custos recaem sobre o contribuinte, que banca os rombos com seus impostos. Os trabalhadores perdem benefícios e enfrentam instabilidade no emprego.
Quem ganha com essa lógica? Apenas a classe política que se apropria das estatais como feudos pessoais. Cargos bem remunerados são distribuídos para aliados, independentemente de competência técnica ou capacidade gerencial.
A privatização dos Correios teria sido muito melhor para todos os envolvidos. Os trabalhadores realmente produtivos teriam estabilidade em uma empresa eficiente. Os consumidores teriam serviços de melhor qualidade. O contribuinte não precisaria bancar os prejuízos de uma gestão incompetente.
Auditoria pode definir eleições de 2026
A bomba-relógio dos Correios pode ser decisiva para as eleições de 2026. Uma auditoria detalhada do TCU, revelando os meandros da destruição de uma estatal, terá impacto eleitoral significativo.
Os brasileiros vão poder ver com detalhes como R$ 6 bilhões de dinheiro público foram torrados em dois anos de gestão petista. Vão entender como uma empresa lucrativa virou um sorvedouro de recursos em tempo recorde.
Mais importante: vão descobrir para onde foi esse dinheiro todo. Quantos cargos foram criados, quem foi nomeado, que salários são pagos para a nomenklatura política instalada na direção da empresa.
O timing da auditoria é perfeito para quem quer mudança política no país. Março de 2026 é exatamente quando a campanha eleitoral começará a esquentar. As revelações sobre os Correios vão dominar o noticiário político por meses.
Para o governo Lula, será praticamente impossível controlar os danos. Uma auditoria técnica do TCU tem credibilidade que nenhuma narrativa política consegue desconstruir. São números, fatos e documentos que falam por si só.
A auditoria dos Correios representa muito mais do que a investigação de uma estatal específica. É o símbolo de um modelo de gestão pública que transforma empresas eficientes em cabides de emprego político.
Os R$ 6 bilhões de prejuízo em dois anos mostram o preço que o país paga quando ideologia substitui competência na gestão das estatais. É dinheiro que poderia estar financiando hospitais, escolas ou infraestrutura, mas foi desperdiçado em loteamento político.
O mais grave é que essa não é uma situação isolada. É o padrão de comportamento do atual governo em relação às empresas públicas. Os Correios são apenas o caso mais evidente e documentado dessa filosofia de gestão.
Diante de tudo isso, uma pergunta fica no ar: até quando o contribuinte brasileiro vai aceitar bancar os prejuízos de uma classe política que usa as estatais como propriedade particular?


