
O Bitcoin está vivendo seus últimos dias prisioneiro. Entre os dias 19 e 26 de dezembro de 2025, cerca de US$ 23 bilhões em contratos de opções vão expirar. Esse montante representa 67% de todo o mercado de derivativos da criptomoeda. O resultado pode definir se o Bitcoin finalmente rompe a barreira dos US$ 90 mil ou continua oscilando entre US$ 85 mil e US$ 90 mil.
Nos últimos meses, nem boas nem más notícias conseguem mover significativamente o preço do Bitcoin. Dados de inflação espetaculares nos Estados Unidos, que deveriam impulsionar a moeda digital, não surtiram efeito. Do mesmo lado, o Japão elevou os juros ao maior nível em 30 anos, notícia que historicamente derruba o Bitcoin em mais de 20%. Resultado? O preço permanece estagnado em torno de US$ 88 mil.
A explicação está nos contratos de derivativos que mantêm o Bitcoin artificialmente preso nessa faixa de preços. Grandes apostadores lucram mantendo essa volatilidade controlada, liquidando tanto quem aposta na alta quanto na baixa. Essa manipulação tem data de validade: 26 de dezembro, um dia após o Natal.
Segundo análise da Bloomberg publicada no Valor Econômico, a volatilidade do Bitcoin cresce justamente por causa do vencimento desses US$ 23 bilhões em opções. Metade de todos os contratos existentes na Deribit, maior corretora de opções do mercado, expira nesse período específico.
A guerra silenciosa entre apostadores de alta e baixa
O gráfico de liquidação revela uma clara batalha entre investidores otimistas e pessimistas. Os maiores níveis de liquidação, representados pelas barras mais altas, concentram-se exatamente entre US$ 85 mil e US$ 90 mil. Essa concentração não é coincidência.
Os grandes players do mercado descobriram uma mina de ouro: manter o Bitcoin oscilando nessa faixa específica gera lucros constantes. Quando o preço sobe para US$ 90 mil, eles forçam uma queda. Quando desce para US$ 85 mil, promovem uma alta. Esse movimento constante liquida apostadores de ambos os lados.
A estratégia funciona porque a maioria dos investidores usa alavancagem. Pequenas oscilações de 5% a 6% são suficientes para eliminar posições alavancadas em 10x, 20x ou mais. Os manipuladores coletam as perdas desses investidores enquanto mantêm o preço dentro da zona de interesse.
Análises técnicas mostram que o Bitcoin testa diariamente a linha de tendência de baixa sem conseguir rompê-la. Sempre que o preço se aproxima dessa resistência, é rejeitado e volta ao patamar anterior. Essa repetição gera previsibilidade para quem tem capital suficiente para influenciar o mercado.
O padrão se repete há semanas. Todo dia o Bitcoin vai até a resistência e volta, liquidando ambos os lados da operação. Isso mantém o preço dentro de uma região muito lucrativa para um grupo específico que manipula o mercado conscientemente.
Para o investidor comum, essa manipulação representa armadilhas constantes. Quem compra esperando uma alta para US$ 95 mil é liquidado. Quem vende esperando uma queda para US$ 80 mil também perde dinheiro. O jogo está viciado temporariamente.
O cronograma da manipulação: 415 milhões de dólares em jogo
Um analista identificado como David detalhou o cronograma preciso dessa operação. Segundo ele, estamos diante de um “evento de liquidez duplo” que eliminará 67% de todo o mercado de derivativos até 26 de dezembro. O processo acontece em duas etapas bem definidas.
A primeira etapa, chamada de “faísca”, aconteceu no dia 19 de dezembro. Nessa data, US$ 128 milhões em contratos gama expiraram, representando 21% do total. Esse foi apenas o aperitivo, removendo a restrição imediata que mantinha o Bitcoin abaixo de US$ 90 mil.
A segunda etapa, denominada “comporta”, está marcada para 26 de dezembro, sexta-feira após o Natal. Nesse dia, US$ 287 milhões em contratos gama expiram. Os investidores têm incentivo de um quarto de bilhão de dólares para manter a volatilidade baixa até essa data.
Esses investidores precisam manter o Bitcoin entre US$ 85 mil e US$ 90 mil para colher o prêmio dos contratos. Sair dessa faixa significa perder centenas de milhões em lucros garantidos. Por isso o preço não escapa desse intervalo, independentemente das notícias do mercado.
O esquema funciona porque os grandes players coletam bônus e vantagens financeiras mantendo o preço artificialmente estável. Eles lucram com a previsibilidade, enquanto investidores menores perdem dinheiro tentando adivinhar a direção do mercado.
Após 26 de dezembro, segundo a análise, não haverá mais incentivo financeiro para manter essa manipulação. Os contratos expiram, os lucros são realizados, e o Bitcoin pode voltar a se comportar conforme fundamentos técnicos e macroeconômicos.
Por que nem boas nem más notícias movem o Bitcoin
A situação atual contradiz décadas de comportamento do mercado cripto. Historicamente, dados de inflação positivos nos Estados Unidos impulsionavam o Bitcoin. Núcleo da inflação americana desacelerou para 2,6% em novembro, menor nível desde 2021, muito abaixo das expectativas.
Essa queda na inflação aumenta a probabilidade de cortes na taxa de juros americana, exatamente o que o presidente Donald Trump deseja para estimular o mercado. Tradicionalmente, essa combinação faria o Bitcoin disparar. Desta vez, nada aconteceu.
Do lado negativo, o Banco Central do Japão elevou a taxa de juros ao maior nível em 30 anos. Nas três últimas vezes que isso aconteceu, o Bitcoin despencou mais de 20%. Investidores se preparavam para outra queda significativa. Novamente, o preço permaneceu inalterado.
A explicação está nos US$ 23 bilhões em contratos que precisam ser honrados. Grandes instituições têm tanto dinheiro em jogo que não podem permitir movimentos bruscos de preço. Elas interferem ativamente no mercado para proteger suas posições.
Isso cria uma situação inédita: um ativo especulativo que ignora completamente as notícias fundamentais. O Bitcoin se tornou temporariamente imune tanto a catalisadores positivos quanto negativos. A manipulação superou os fundamentos.
Para investidores acostumados com a volatilidade tradicional do Bitcoin, esse período representa uma anomalia. O mercado está funcionando de forma artificial, controlado por interesses específicos que têm poder financeiro para sustentar essa manipulação por semanas.
O muro de 700 milhões que pode cair em janeiro
A tese principal dos analistas aponta para uma mudança dramática a partir de 1º de janeiro de 2026. Segundo projeções técnicas, o preço justo do Bitcoin deveria estar em torno de US$ 118 mil, baseado em análises gráficas e fundamentalistas tradicionais.
Essa faixa de preço vem sendo artificialmente suprimida devido aos incentivos financeiros do mercado futuro e de opções. Os contratos criam um verdadeiro muro de contenção que impede o Bitcoin de atingir seu valor técnico natural.
A partir de primeiro de janeiro, esse muro pode desabar. Ninguém está disposto a colocar US$ 700 milhões em um único dia para sustentar artificialmente o Bitcoin sem movimentação. Os custos se tornam proibitivos quando não há mais contratos garantindo lucros.
Grandes instituições como MicroStrategy, comandada por Michael Saylor, continuam comprando Bitcoin durante esse período de manipulação. Elas podem estar aproveitando preços artificialmente baixos para acumular posições antes da eventual correção de preços.
A estratégia faz sentido do ponto de vista institucional. Se o Bitcoin realmente vale US$ 118 mil segundo análises técnicas, comprar a US$ 88 mil representa um desconto de 25%. Instituições com visão de longo prazo podem estar explorando essa oportunidade.
Investidores individuais enfrentam um dilema: apostar na continuidade da manipulação ou posicionar-se para a eventual liberação de preços. A decisão envolve tanto análise técnica quanto tolerância a risco durante um período de mercado artificialmente controlado.
Brasil de fora: como isso afeta o investidor nacional
Para investidores brasileiros, essa situação cria oportunidades e riscos específicos. O Bitcoin cotado em reais acompanha as oscilações do mercado internacional, mas também sofre influência da volatilidade cambial entre dólar e real.
Durante períodos de manipulação internacional, investidores brasileiros podem aproveitar oscilações do câmbio para otimizar entradas e saídas. Se o dólar se fortalece contra o real enquanto o Bitcoin permanece estável em dólares, o preço em reais sobe automaticamente.
A estratégia de acumulação gradual pode funcionar melhor que tentativas de timing de mercado. Com preços artificialmente controlados, compras regulares pequenas reduzem o risco de entrada em momentos desfavoráveis.
Plataformas P2P brasileiras oferecem alternativas para compra e venda com maior privacidade. Durante períodos de manipulação, spreads entre plataformas podem criar oportunidades de arbitragem para investidores atentos.
O risco principal está na alavancagem. Investidores brasileiros que usam derivativos podem ser liquidados nas oscilações artificiais entre US$ 85 mil e US$ 90 mil, mesmo que tenham a direção certa do movimento de longo prazo.
A educação financeira se torna crucial nesse cenário. Entender a mecânica da manipulação temporária ajuda investidores a não tomar decisões emocionais baseadas em movimentos de preço que não refletem fundamentos reais do ativo.
O que esperar após o Natal: liberdade ou nova prisão
A expectativa para 26 de dezembro é alta entre analistas e investidores. Com a expiração de US$ 287 milhões em contratos gama, o Bitcoin pode finalmente romper a faixa de US$ 85 mil a US$ 90 mil que o mantém preso há semanas.
Três cenários principais emergem das análises. O primeiro prevê uma explosão de alta em direção aos US$ 118 mil, conforme análises técnicas tradicionais. O segundo aponta para uma queda acentuada devido ao alívio da pressão compradora artificial. O terceiro sugere nova faixa de manipulação em patamares diferentes.
A direção do rompimento pode depender de fatores externos que estão sendo artificialmente suprimidos atualmente. Dados econômicos, decisões de bancos centrais e movimentações institucionais voltarão a ter influência significativa sobre o preço.
Investidores institucionais como Michael Saylor podem revelar suas verdadeiras intenções após o período de manipulação. Se continuarem comprando com preços livres, isso sinalizará confiança genuína no potencial de alta do Bitcoin.
O volume de negociação provavelmente aumentará significativamente após 26 de dezembro. Investidores que evitaram o mercado durante a manipulação podem voltar a operar quando os preços refletirem novamente oferta e demanda naturais.
Para quem investe no longo prazo, o período pós-manipulação pode oferecer maior clareza sobre a direção real do Bitcoin. Sem interferências artificiais, análises técnicas e fundamentalistas voltarão a ter relevância prática.
A manipulação artificial do Bitcoin entre US$ 85 mil e US$ 90 mil está com os dias contados. Com US$ 23 bilhões em contratos de opções expirando até 26 de dezembro, o mercado se prepara para uma possível mudança radical de cenário. Grandes instituições lucram mantendo essa faixa de preços, mas os incentivos financeiros desaparecem após o Natal.
Investidores precisam se preparar para maior volatilidade a partir de janeiro de 2026. Após semanas de preços artificialmente controlados, o Bitcoin pode finalmente buscar seu valor técnico em torno de US$ 118 mil – ou revelar que a manipulação estava impedindo uma correção de baixa.
Você acredita que o Bitcoin vai explodir para cima ou despencar quando essa manipulação acabar?


