dezembro 11, 2025

Ludwig M

Austrália proíbe menores nas redes: jovens burlam em horas

Austrália proíbe menores nas redes: jovens burlam em horas

VPN: a solução mais simples que governos fingem não conhecer

A rota mais popular de contorno foi instalar VPN. Virtual Private Network permite que usuários australianos apareçam como se estivessem em outros países. É uma tecnologia amplamente disponível, muitas vezes gratuita, e ridiculamente fácil de usar.

Noan Lawis, um garoto de Perth, acordou com mensagens dos amigos compartilhando nomes de usuário no IOP. É uma cópia do Snapchat. Todos migraram em massa assim que a proibição entrou em vigor. Em questão de horas, reconstituíram suas redes sociais em plataformas alternativas.

A internet foi criada pelo exército americano durante a Guerra Fria. O objetivo era manter comunicações funcionando mesmo com bombardeios nucleares destruindo cidades inteiras. Ela foi literalmente projetada para contornar qualquer obstáculo ou censura.

Políticos acreditam que uma lei escrita no papel vai derrotar uma arquitetura construída para resistir a guerra nuclear. É ingenuidade ou má-fé. Provavelmente os dois.

A rebelião legal dos jovens australianos

Dois garotos de 15 anos entraram com ação na Suprema Corte australiana. Argumentam que o banimento viola seus direitos de liberdade e comunicação política. A Corte aceitou ouvir o caso, com argumentos marcados para fevereiro de 2026.

É um precedente importante. Jovens de 15 anos têm direitos constitucionais à liberdade de expressão. Não perdem esses direitos por serem menores de idade. A ação questiona se o Estado pode cercear comunicação política de cidadãos baseado apenas na idade.

O caso também expõe uma contradição fundamental da legislação. Se jovens de 15 anos podem trabalhar, dirigir e até votar em alguns contextos, por que não podem se comunicar digitalmente? A idade de 16 anos é arbitrária e sem base científica sólida.

Enquanto isso, pais australianos já criticam as redes sociais por “não conseguirem impedir” que seus filhos acessem as plataformas. Transferem para empresas privadas a responsabilidade que é exclusivamente deles: educar e supervisionar os próprios filhos.

Reino Unido segue o mesmo caminho equivocado

O Reino Unido multou o 4chan porque crianças britânicas estavam acessando a plataforma usando VPN. O 4chan respondeu corretamente: não tem como controlar usuários que usam VPN para mascarar sua localização real. É uma questão técnica, não legal.

Mas o governo britânico insiste em responsabilizar plataformas por algo tecnicamente impossível de controlar. É como multar fabricantes de carros porque motoristas dirigem em velocidade excessiva. A responsabilidade está no usuário, não na ferramenta.

Essa abordagem revela desconhecimento técnico profundo dos legisladores. Eles não entendem como a internet funciona, mas querem regulá-la mesmo assim. O resultado são leis ineficazes que apenas criam novos problemas.

À medida que gerações mais velhas saem de cena, praticamente todos terão conhecimento básico de tecnologia. Em poucos anos, será impossível proibir qualquer pessoa de acessar qualquer coisa na internet. A janela para esse tipo de censura está se fechando rapidamente.

Por que a estratégia falha: lições de economia comportamental

Proibições criam mercados paralelos. É uma lei econômica básica que se aplica desde drogas até redes sociais. Quando você torna algo ilegal, não elimina a demanda. Apenas transfere o mercado para canais não regulamentados.

Jovens têm ainda mais incentivos para contornar restrições. Redes sociais são parte integral da vida social moderna. Não é entretenimento opcional – é comunicação essencial. Cortar isso é como proibir adolescentes de conversar com amigos.

A mentalidade estatal sempre subestima a capacidade de adaptação das pessoas. Especialmente jovens, que cresceram com tecnologia e têm tempo livre para aprender novas ferramentas. Eles vão sempre estar um passo à frente de qualquer restrição governamental.

Organizações juvenis australianas alertaram sobre impactos em comunidades vulneráveis. Jovens LGBTI+, por exemplo, dependem de redes sociais para encontrar apoio e informação. A proibição os isola ainda mais, forçando-os a buscar essas conexões em espaços menos seguros.

A responsabilidade que o Estado não pode assumir

O Estado vende uma solução que não pode entregar. Promete aos pais que vai “cuidar dos filhos deles” através de leis. É uma transferência artificial de responsabilidade que sempre fracassa na prática.

Pais e mães precisam assumir que educação digital é responsabilidade deles. Não do governo, não das empresas de tecnologia. Ensinar filhos a usar internet com segurança é tarefa parental, como ensinar a atravessar a rua ou dirigir um carro.

Mas é mais fácil apoiar uma lei que promete resolver o problema automaticamente. Especialmente quando políticos vendem a ilusão de que “agora o Estado vai cuidar de tudo”. É uma mentira confortável que muitos pais preferem acreditar.

A internet não vai se adequar às preferências dos pais. Vai continuar sendo um espaço livre, caótico e potencialmente perigoso. A única defesa real é preparar os jovens para navegar nesse ambiente com segurança e discernimento.

A experiência australiana prova que legislação não substitui educação. Jovens australianos continuam usando redes sociais normalmente. A diferença é que agora fazem isso de forma mais clandestina, em plataformas menos seguras, sem supervisão adequada dos pais.

O Brasil está prestes a repetir exatamente o mesmo erro com a Lei Felca. Vamos gastar recursos públicos, criar burocracia desnecessária e gerar conflitos familiares. Tudo para atingir exatamente zero resultados práticos na proteção de jovens. A pergunta que fica é: quando vamos aprender que a liberdade responsável funciona melhor que a proibição autoritária?

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