O ato de 8 de janeiro de 2026 organizado pelo governo Lula registrou baixa participação popular e ausência das principais autoridades dos outros Poderes. A Praça dos Três Poderes ficou esvaziada e integrantes do PT temiam que o evento com movimentos sociais fosse esvaziado. O evento que deveria simbolizar a defesa da democracia gerou debates sobre mobilização política do presidente.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções subjetivas a pessoas ou instituições, nem questiona a legitimidade dos Poderes da República. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
As ausências que geram debate
O governo não conseguiu reunir as principais autoridades do país para o evento. Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), do Senado, não compareceram, assim como o presidente do STF, Edson Fachin. Três dos quatro presidentes dos Poderes da República não participaram do evento.
A ausência, segundo reportagens, teve justificativas formais. Hugo Motta alegou compromissos pessoais, enquanto Davi Alcolumbre está no Amapá cumprindo agenda. Mas nos bastidores, segundo interlocutores do Congresso, o evento é visto como uma iniciativa de caráter político-partidário em ano eleitoral.
A mensagem das ausências, segundo analistas, é que as principais autoridades buscam evitar associação com o discurso político do governo sobre o 8 de janeiro. Quando até o presidente do STF opta por não participar, isso gera questionamentos sobre o alcance do evento.
Vale notar que a ausência dos principais nomes do Congresso repete o cenário de anos anteriores, quando Rodrigo Pacheco e Arthur Lira também não participaram das cerimônias. O padrão se consolidou nas últimas edições do evento.
Participação popular aquém das expectativas
Não foram apenas as autoridades que registraram baixa participação. Os motivos incluem dificuldades de locomoção até Brasília e o período de recesso de janeiro, segundo reportagens sobre as preocupações dos organizadores.
Segundo fontes jornalísticas, entre parlamentares há concordância de que as bases em Brasília não têm histórico de mobilizações significativas, e os movimentos sociais se queixaram de poucas informações sobre o evento. Nem mesmo parte da militância demonstrou a participação esperada pelos organizadores.
O histórico recente mostra desafios de mobilização. Petistas citam a dificuldade de mobilização mesmo em cidades que são redutos da militância e lembram o ato de 1º de maio de 2024, em São Paulo, com público estimado em 1,6 mil pessoas, que irritou Lula. O padrão se repete em diferentes eventos da base governista.
A estratégia do governo de convocar servidores públicos para o evento foi reportada por veículos, destacando as dificuldades de mobilização espontânea em Brasília durante o recesso.
O veto da dosimetria como pauta central
Com o evento registrando baixa participação, Lula vetou integralmente o PL da Dosimetria durante a cerimônia no Salão Nobre do Palácio do Planalto, defendendo punição dos envolvidos nos atos. Foi o principal anúncio político do evento.
O projeto aprovado no Congresso, segundo análises, reduziria significativamente as penas dos condenados. Críticos apontam que a medida beneficiaria diversos condenados, incluindo figuras de destaque nos processos judiciais. O veto era esperado há semanas e não surpreendeu observadores políticos.
Mas o veto pode gerar novos atritos. Aliados de Davi Alcolumbre avaliam que o veto presidencial deverá ser derrubado pelo Congresso Nacional, embora não haja previsão para análise do tema. O governo pode ter criado mais um problema político para si mesmo no relacionamento com o Legislativo.
A estratégia de usar o veto para dar relevância ao evento mostra, segundo críticos, como o governo busca pautas que mobilizem sua base. Auxiliares avaliam que veto total reforçaria a narrativa de que não admite flexibilização das penas. Estratégia que gera debates sobre polarização política versus diálogo institucional.
A narrativa do 8 de janeiro e sua recepção
A baixa participação no evento levanta questionamentos sobre a recepção da narrativa do 8 de janeiro. Em 2025, o presidente participou de um ato em memória da data que foi esvaziado e não contou com a presença dos chefes dos Poderes Legislativo e Judiciário. O padrão se repetiu em 2026.
A insistência do governo neste tema gera debates. Lula afirma que “eles querem que o 8 de Janeiro caia no esquecimento” e que a sociedade “não se esqueça nunca de que um dia este país teve alguém que não soube perder eleição”. Mas a própria participação popular sugere diferentes prioridades na sociedade.
Três anos depois, a população parece ter outras preocupações prioritárias. Houve manifestantes que cometeram atos de vandalismo, foram presos, julgados e condenados através do sistema judicial. Para muitos cidadãos, que enfrentam desafios econômicos cotidianos, transformar isso em marco anual soa como prioridade secundária.
A tentativa do PT de transformar o evento em tradição anual enfrenta dificuldades práticas. Integrantes do partido esperavam que o evento se tornasse tradição anual, com manifestações nas principais cidades de todos os estados. Três anos depois, até mesmo em Brasília os números de participação são modestos.
O distanciamento político se aprofunda
As ausências das autoridades revelam questões sobre articulação política do governo. A avaliação de auxiliares do presidente Lula é que a opção por não ir ao evento é sinal de resistência à pauta do governo, especialmente diante do debate sobre o PL da Dosimetria. O governo enfrenta desafios de diálogo até mesmo com aliados potenciais no centro político.
O contexto político mais amplo também influencia as decisões. A ausência da cúpula do Legislativo ocorre em momento de reaproximação entre Lula e Congresso, com questões pendentes sobre nomeações e acordos políticos. Alcolumbre e outros senadores tinham preferências diferentes para certas indicações governamentais.
O cenário político de 2026, ano eleitoral, torna essas ausências ainda mais significativas para analistas. Políticos estão calculando riscos eleitorais e preferem evitar associações com pautas que possam ser controversas em suas bases. Parlamentares avaliam que a discussão sobre a dosimetria contaminou o ambiente político do 8 de Janeiro. Em outras palavras: as ausências refletem cautela institucional.
A estratégia do governo de transformar o 8 de janeiro em bandeira política enfrenta resistências até mesmo entre aliados próximos. Em vez de unir diferentes forças políticas em defesa da democracia — algo que deveria ser consensual —, o tema tem gerado divisões. Quando o vice-presidente é praticamente o único alto dirigente que aparece para apoiá-lo, isso sinaliza dificuldades de articulação mais ampla.
Por que o governo insiste nesta abordagem
A insistência na narrativa do 8 de janeiro pode refletir, segundo analistas, a falta de outras pautas de mobilização do governo. Sem grandes conquistas econômicas para comemorar, sem popularidade consistentemente alta, o governo tenta manter viva a única narrativa que ainda ressoa com sua base: a polarização com o campo político adversário. Mas isso é governar para quem, exatamente?
O problema é que essa estratégia tem prazo de validade limitado. A cada evento esvaziado, a cada ausência de autoridades, fica mais evidente que a sociedade quer virar a página. O brasileiro médio está preocupado com questões que afetam diretamente sua capacidade de prosperar — inflação, desemprego, segurança pública — não com eventos de três anos atrás.
O governo parece preso numa dinâmica perigosa de retroalimentação. Militantes do PT e movimentos sociais acompanharam por telão com palavras de ordem contra anistia aos envolvidos nos atos golpistas. Conversam apenas entre si, se retroalimentam, acreditam que representam o Brasil. Mas o Brasil real — aquele que trabalha, empreende e paga impostos — não apareceu no evento.
A tentativa de criar uma efeméride nacional fracassa quando não há aderência social espontânea. Diferentes países têm datas nacionais que surgiram organicamente de eventos transformadores e unificadores. Aqui, a tentativa de forçar uma efeméride artificial sobre algo que divide — em vez de unir — encontra resistência até mesmo entre aliados políticos.
As consequências políticas do cenário
A baixa participação no evento pode acelerar reavaliações no cenário político. Quando as principais autoridades do país se distanciam da pauta prioritária do governo, isso sinaliza questões de liderança e articulação. Em Brasília, demonstrações de força ou fraqueza se espalham rapidamente — e a percepção política importa.
O veto da dosimetria pode gerar mais problemas que soluções para o governo. O governo concentrará esforços na mobilização para evitar derrubada do veto em plenário, mas não tem maioria garantida. Uma eventual derrubada seria vista como derrota política significativa.
Segundo reportagens, interlocutores próximos a Hugo Motta afirmam que a forma como o veto foi anunciado reforça narrativa de polarização política, explicando o distanciamento da cúpula do Congresso. O governo parece estar perdendo o centro político ao apostar apenas na mobilização da base.
A baixa mobilização também pode afetar a capacidade de articulação para 2026. Se nem mesmo em ano eleitoral conseguem reunir militância em Brasília, como farão campanha competitiva nacionalmente? A desmobilização da base é sintoma que preocupa estrategistas políticos experientes.
Para um governo que chegou ao poder prometendo pacificar o país, o distanciamento político demonstrado no evento do 8 de janeiro gera questionamentos sobre capacidade de diálogo. A democracia brasileira funciona melhor quando governo e oposição conseguem conversar sobre temas essenciais, não quando alguém fala sozinho esperando que o eco resolva os problemas do país.
O governo precisa urgentemente repensar sua estratégia política, segundo críticos. Continuar apostando numa narrativa que não mobiliza mais ninguém além da base fiel pode ser problemático eleitoralmente. O povo brasileiro tem memória, sim, mas também tem prioridades imediatas: quer soluções para hoje, não apenas discursos sobre ontem. Quer liberdade para prosperar, não apenas narrativas sobre ameaças do passado.
A questão que permanece em aberto é: quanto tempo mais o governo vai insistir numa estratégia que claramente não amplia sua base de apoio? A baixa participação no ato do 8 de janeiro deveria servir de sinal para reavaliações, mas a tendência é que continuem na mesma abordagem até 2026. E aí, quem sabe, o eleitor dê sua resposta definitiva sobre essa insistência. Afinal, numa democracia de verdade, é o povo quem tem a palavra final.
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 09/01/2026 13:34
Fontes
- Revista Oeste – Praça dos Três Poderes fica esvaziada
- CNN Brasil – Petistas temem ato esvaziado
- CartaCapital – Cúpula do Congresso esvazia ato
- Jovem Pan – Hugo Motta e Alcolumbre não vão ao ato
- SBT News – Fachin decide faltar ao evento
- Poder360 – Quem foi ao ato de Lula
- Diário do Grande ABC – PT publica vídeo convocando militância
- Terra Brasil Notícias – Motta e Alcolumbre alertados sobre veto



