Negociadores em Abu Dhabi discutem fim da guerra na Ucrânia enquanto ataques russos continuam

janeiro 25, 2026

Ludwig M

Arsenal esgotado: mísseis russos fabricados em dezembro atacam Ucrânia durante negociações

Os últimos ataques russos contra a Ucrânia revelam uma realidade estratégica preocupante: as negociações trilaterais entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia em Abu Dhabi encerraram como “construtivas” mas sem acordo concreto, enquanto Moscou usa mísseis fabricados em dezembro de 2025. A Rússia disparou mais de 54 mil drones de longo alcance e mais de 1.900 mísseis contra a Ucrânia apenas em 2025.

Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.

Estoques esgotados: a guerra dos mísseis recém-fabricados

Fragmentos recuperados dos últimos ataques russos mostram datas de fabricação de dezembro de 2025 e janeiro de 2026. Isso significa que a Rússia está usando armamento que acabou de sair da linha de produção. Não há mais estoques significativos.

Para qualquer analista militar, essa é uma informação crucial. Quando um país recorre a munições recém-fabricadas, significa que suas reservas estratégicas se esgotaram. A Rússia não tem mais o luxo de manter arsenais para emergências futuras.

A questão central não é técnica, é econômica. Manter uma guerra com mísseis fabricados sob demanda custa muito mais caro que usar estoques acumulados. A Rússia aumentou drasticamente o tamanho, escala e destrutividade de seus pacotes de ataques durante 2025, mas cada projétil que sai da fábrica e vai direto para o campo de batalha representa um custo imediato para o Estado russo.

Negociações trilaterais: muito barulho por nada

As conversas entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia em Abu Dhabi foram descritas como “construtivas” por todas as partes, mas não resultaram em nenhum acordo concreto. Representantes militares identificaram questões para uma possível próxima reunião, que pode acontecer em 1º de fevereiro.

Trump enviou seu genro Jared Kushner e o enviado especial Steve Witkoff. Os dois se reuniram com Putin no Kremlin por cerca de quatro horas na madrugada de sexta-feira. Depois voaram para Abu Dhabi para encontrar os ucranianos. Muito movimento, poucos resultados.

O Kremlin deixou claro que Putin só aceita um acordo que entregue o controle do Donbas à Rússia, conforme alegadamente acordado em conversas anteriores com Trump no Alasca. Zelensky confirmou que a questão do Donbas é “chave” nas discussões.

Steve Witkoff disse em Davos que as negociações estão reduzidas a “uma questão”, referindo-se implicitamente às concessões territoriais que a Ucrânia teria que fazer.

Trump entre a promessa e a realidade

Trump prometeu resolver a guerra da Ucrânia rapidamente. Suas primeiras semanas mostram a distância entre campanha eleitoral e realidade geopolítica. O presidente americano espera que Putin faça concessões porque “todo mundo está fazendo concessões para resolver isso”, acrescentando que tanto o líder russo quanto o ucraniano querem um acordo.

A estratégia aparente é pressionar ambos os lados através de incentivos e ameaças. Em novembro de 2025, os Estados Unidos ameaçaram cortar o compartilhamento de inteligência para pressionar a Ucrânia a negociar um acordo de paz. Ao mesmo tempo, Trump busca demonstrar força para Putin.

O problema dessa abordagem é que nenhum lado se sente compelido a fazer concessões fundamentais. A Rússia acredita que pode continuar a guerra com custos controláveis. A Ucrânia teme que ceder território apenas incentive futuras agressões.

Trump disse que encontros trilaterais são sempre positivos porque “se você não se encontrar, nada vai acontecer”. Verdade. Mas encontros sem substância também não levam a lugar nenhum.

Kiev na escuridão: o preço da resistência

Ataques russos de drones mataram uma pessoa e feriram quatro em Kiev, enquanto em Kharkiv, segunda maior cidade da Ucrânia, 27 pessoas ficaram feridas. Mais importante que as baixas imediatas é o impacto na infraestrutura.

800 mil pessoas em Kiev ficaram sem energia elétrica após o último ataque russo, com 70% da cidade no escuro. Duas semanas após um ataque russo massivo obliterar a rede elétrica na capital, os residentes de Kiev ainda estão sob apagões de energia e aquecimento.

O bombardeamento russo de usinas elétricas e linhas de transmissão leva ao racionamento de energia, mantendo hospitais e serviços críticos funcionando enquanto residências ficam no escuro.

A solidariedade entre os ucranianos impressiona. Vizinhos se reúnem nos pátios durante apagões para cozinhar juntos em fogueiras, com vídeos nas redes sociais mostrando pessoas grelando carne, bebendo bebidas quentes e dançando para se aquecer.

Infraestrutura russa também em colapso

Enquanto ataca a infraestrutura ucraniana, a Rússia vê a própria rede de serviços básicos entrar em colapso. A causa não são apenas os ataques ucranianos em retaliação. É principalmente a falta de manutenção causada pelo desvio de recursos para a guerra.

Na região de Belgorod, cerca de 600 mil pessoas ficaram sem energia após um ataque ucraniano a uma subestação. Imagens de Belgorod mostraram luzes de rua apagadas e moradores locais se orientando com lanternas e faróis de carros.

Este inverno, particularmente rigoroso no hemisfério norte, expôs a fragilidade da infraestrutura russa. A guerra de desgaste não afeta apenas soldados – afeta sistemas inteiros de distribuição de energia, água e aquecimento.

Os interesses ocultos: quem ganha com as negociações

Por trás das conversas diplomáticas, há interesses econômicos e geopolíticos claros. A reconstrução da Ucrânia representa um mercado de US$ 800 bilhões em investimentos públicos e privados dos Estados Unidos, União Europeia e G7.

Os Emirados Árabes Unidos não ofereceram Abu Dhabi como sede das negociações por altruísmo. O país quer se posicionar como mediador em esforços “para promover diálogo e identificar soluções políticas para a crise”. Sucesso nessa mediação fortalece o soft power emirático e pode abrir portas para futuros negócios de reconstrução.

A Rússia demonstrou interesse em oportunidades de comércio com os Estados Unidos. Para Trump, resolver a guerra seria uma vitória política doméstica. Para Putin, um acordo que garanta o controle do Donbas justificaria os custos da guerra para a população russa.

Zelensky está na posição mais difícil. Ceder território pode lhe custar apoio interno, mas prolongar a guerra também tem custos políticos crescentes. Residentes de Kiev disseram que é o inverno mais frio que experimentaram desde o início da guerra.

A realidade dos números: guerra de desgaste

A Rússia tem conduzido uma campanha de ataques de longa distância que propositalmente visa a infraestrutura civil e energética ucraniana. Forças russas lançaram mais de 54 mil drones de longo alcance e mais de 1.900 mísseis contra a Ucrânia apenas em 2025.

Do lado ucraniano, a Ucrânia intensificou esforços para interromper as instalações de produção e exportação de petróleo russo, usando ataques de drone e míssil assistidos por inteligência ocidental. Até o final de outubro de 2025, estima-se que 50% das 38 principais refinarias da Rússia foram atingidas mais de uma vez.

O resultado foi uma queda estimada na produção de petróleo de 10 a 15%, levando ao aumento dos preços domésticos de combustível e escassez em algumas regiões. É uma guerra econômica tanto quanto militar.

Ambos os lados estão pagando um preço alto. A questão é quem consegue sustentar esses custos por mais tempo. Os mísseis fabricados em dezembro sugerem que esse momento pode estar mais próximo para a Rússia do que Putin gostaria de admitir.

Análise libertária: Estados em guerra, cidadãos que pagam

Dessa perspectiva, o que vemos em Abu Dhabi é um encontro entre representantes de três máfias estatais negociando como dividir território e recursos. Nenhum deles está genuinamente preocupado com a liberdade ou bem-estar dos cidadãos comuns.

Trump quer uma vitória política. Putin quer território e legitimação. Zelensky quer sobreviver politicamente. Os ucranianos querendo chá quente no inverno e os russos tentando manter a energia funcionando não estão na mesa de negociações.

A guerra da Ucrânia expõe a falência do sistema estatal como organizador da sociedade. Estados gastam trilhões destruindo infraestrutura para depois gastar trilhões reconstruindo. É o ciclo perfeito de desperdício e concentração de poder.

O que mais impressiona não é a brutalidade da guerra, mas como ela demonstra que os cidadãos conseguem se organizar e se ajudar mutuamente mesmo quando seus “protetores” estatais falham completamente. Residentes de Kiev com mais horas de luz oferecem ativamente ajuda nas redes sociais para aqueles que não têm.

O futuro próximo: expectativas realistas

Todas as partes concordaram em reportar às suas capitais cada aspecto das negociações e coordenar próximos passos com seus líderes. Uma próxima reunião pode acontecer em 1º de fevereiro.

As negociações continuarão porque nenhum lado pode se dar ao luxo de ser visto como o responsável pelo fracasso diplomático. Mas as posições fundamentais permanecem irreconciliáveis. A Rússia quer o Donbas. A Ucrânia não quer ceder.

A verdadeira resolução virá quando uma das partes não conseguir mais sustentar os custos da guerra. Os mísseis fabricados em dezembro sugerem que esse momento pode estar mais próximo para a Rússia do que Putin gostaria de admitir.

Enquanto isso, cidadãos comuns continuarão pagando o preço de decisões tomadas por políticos em capitais distantes. É sempre assim quando Estados decidem resolver diferenças através da força.

Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.

Versão: 25/01/2026 13:02

Fontes

Este artigo se baseia em reportagens de ABC News, CBS News, Euronews, NBC News, Critical Threats Project, Russia Matters e outras publicações especializadas em acompanhamento do conflito russo-ucraniano.

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