O porta-aviões USS Abraham Lincoln chegou ao Oriente Médio neste domingo, 26 de janeiro, confirmado pelo Comando Central dos EUA (CENTCOM), atualmente posicionado no Oceano Índico. A movimentação ocorre enquanto o balanço de mortos nos protestos iranianos atingiu pelo menos 5.002 pessoas, sendo 4.716 manifestantes, segundo a organização Human Rights Activists News Agency.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
Poder de fogo americano se posiciona estrategicamente
O Lincoln chegou acompanhado pelos destroyers USS Spruance (DDG 111), USS Michael Murphy (DDG-112), e USS Frank E. Petersen Jr. (DDG-121). O grupo de ataque inclui destroyers classe Arleigh Burke equipados com mísseis de cruzeiro Tomahawk capazes de atingir alvos no interior do Irã, além do sistema de combate Aegis, que oferece defesa aérea e antimíssil.
Quando Washington atingiu as instalações nucleares do Irã em junho, forças americanas lançaram 30 mísseis Tomahawk de submarinos e realizaram ataques com bombardeiros B-2. A atual mobilização, embora menor, demonstra capacidade militar significativa.
Trump declarou na quinta-feira que Estados Unidos tinham uma “armada” se dirigindo para o Irã, mas esperava não ter que usá-la. O presidente americano havia dito aos manifestantes iranianos que “a ajuda está a caminho” durante a repressão inicial.
Brasil escolhe o lado dos assassinos na ONU
Enquanto milhares são mortos no Irã, o Brasil optou por proteger o regime. Na sessão de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU, o Brasil se absteve na votação da resolução que condena as violações de direitos humanos no Irã, junto com outros 13 países. A resolução recebeu 25 votos favoráveis e 7 contrários.
O texto aprovado ordenou uma “investigação urgente” sobre as violações cometidas durante a repressão e ampliou o mandato da Missão Internacional Independente de Apuração dos Fatos sobre o Irã.
O embaixador brasileiro Tovar da Silva Nunes declarou: “Condenamos fortemente o uso de força letal contra manifestantes pacíficos e estamos preocupados com relatos de prisões arbitrárias e de crianças como alvo”. Mas na hora da votação, o Brasil protegeu quem mata crianças.
A diplomacia brasileira justificou a abstenção criticando “medidas unilaterais coercitivas contra o Irã” e alegando que “essas medidas impactam negativamente os direitos humanos da população e exacerbam os desafios econômicos do país”.
Tradução: o problema não é o regime matar manifestantes. É o Ocidente não deixar o regime matar em paz.
A brutal realidade dos massacres
Segundo o Iran International, pelo menos 2.000 manifestantes foram mortos em todo o país nas 48 horas anteriores a 10 de janeiro, enquanto as forças de segurança iranianas intensificavam o uso de munição real. Hospitais em Teerã e Shiraz ficaram sobrecarregados com manifestantes feridos, muitos com ferimentos por arma de fogo.
O Centro Internacional para Direitos Humanos no Irã revelou que pelo menos 43.000 pessoas foram mortas nas manifestações contra o regime. Organizações estimam que mais de 18.000 manifestantes tenham sido presos, com o Judiciário iraniano anunciando julgamentos rápidos, acendendo alerta sobre condenações sumárias e penas capitais.
Desde 8 de janeiro, as autoridades iranianas impuseram corte generalizado de internet, afetando o direito à liberdade de expressão e acesso à informação, interrompendo serviços de emergência e dificultando monitorização independente.
O chefe do Poder Judiciário do Irã prometeu acelerar os julgamentos de manifestantes, com pessoas consideradas lideranças sendo julgadas publicamente. A primeira execução foi marcada para 14 de janeiro.
Os interesses em jogo: muito além da liberdade
A situação iraniana não se resume a uma batalha entre bem e mal. Todos os lados têm interesses próprios.
Para os Estados Unidos, o Irã representa ameaça regional e obstáculo aos interesses americanos no Oriente Médio. O país possui 10% das reservas mundiais de petróleo e 18% das reservas de gás natural. Sua localização no Estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, torna qualquer mudança de regime questão de segurança energética global.
Israel tem interesse direto em ver o regime colapsado – menos ameaças de mísseis e menor financiamento para Hezbollah e Hamas. China e Rússia veem no Irã um parceiro estratégico contra o domínio ocidental na região.
E o Brasil? O representante iraniano na sessão da ONU criticou: “Os patrocinadores desta sessão nunca se importaram genuinamente com os direitos humanos dos iranianos. Não teriam imposto sanções desumanas nem apoiado a guerra de agressão de Israel”. Lula comprou completamente essa narrativa.
A hipocrisia da soberania seletiva
O governo Lula usa o argumento da “soberania” para não condenar massacres no Irã, mas não teve problema em apoiar sanções contra a Rússia ou criticar Israel. A soberania, ao que parece, só vale para regimes alinhados ideologicamente.
O Itamaraty justificou a abstenção elogiando “o envolvimento do Irã com os órgãos de tratados de direitos humanos” e reconhecendo “os esforços do Irã para acolher mais de 3,7 milhões de refugiados afegãos”.
Quando manifestantes iranianos pedem ajuda internacional, o Brasil responde com abstrações diplomáticas. Quando convém aos interesses ideológicos do PT, a soberania vira conceito flexível. O Itamaraty avaliou que “o isolamento do Irã apenas intensificaria o radicalismo em Teerã” – como se o regime não fosse já suficientemente radical para matar milhares.
O Brasil não está defendendo princípios. Está defendendo aliados ideológicos, independentemente de quantos civis matem. É uma posição que envergonha qualquer brasileiro que valorize a liberdade individual.
A farsa das “revoluções coloridas”
Os protestos começaram em 28 de dezembro de 2025 motivados pela frustração com inflação recorde, preços de alimentos e desvalorização da moeda, evoluindo rapidamente para movimento que exige o fim do regime atual.
A esquerda brasileira, previsível como sempre, já classificou os protestos como “revolução colorida” – termo usado para deslegitimar qualquer movimento popular contra ditaduras de esquerda. Quando o povo se revolta contra ditaduras capitalistas, é “luta pela liberdade”. Quando se revolta contra ditaduras socialistas, vira “golpe da CIA”.
Autoridades iranianas acusam os EUA e Israel de fomentar a agitação. Não precisamos da CIA para explicar por que pessoas fogem de regimes que as matam por protestar. A explicação é simples: ninguém gosta de viver sob tirania.
Entre máfias de Estado: a realidade crua
O regime iraniano mata manifestantes para manter o poder. Os Estados Unidos posicionam porta-aviões para proteger interesses estratégicos e econômicos. China e Rússia defendem aliado conveniente. O Brasil se abstém para não desagradar nenhum lado, mas na prática protege assassinos.
Após ameaças repetidas de Trump de ação militar contra o Irã, aliados americanos incluindo Arábia Saudita e Catar conduziram intensa diplomacia para evitar ataque, alertando sobre consequências regionais.
Para o cidadão comum – iraniano, americano ou brasileiro – nenhum desses Estados representa verdadeiramente seus interesses. O iraniano quer liberdade para protestar sem ser morto. O americano não quer que seus impostos financiem mais guerras. O brasileiro não quer que seu país legitime massacres.
A única posição coerente é a defesa da liberdade individual contra qualquer Estado que a suprima. Quando governos matam civis por protestar, não importa a bandeira no palácio. A violência estatal contra cidadãos desarmados sempre é condenável.
O regime iraniano afirmou que as manifestações foram suprimidas e divulgou balanço oficial de 3.000 mortes. Organizações de direitos humanos defendem que o número é muito maior.
O Abraham Lincoln chegou ao Golfo. Os protestos foram brutalmente reprimidos. O Brasil escolheu se alinhar com assassinos. No final, quem paga o preço são sempre os cidadãos comuns que só querem viver em liberdade – seja no Irã, nos EUA ou no Brasil.
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 26/01/2026 16:02
Fontes
Metrópoles – Porta-aviões dos EUA chega ao Oriente Médio
Poder Naval – EUA redirecionam USS Abraham Lincoln
Al Jazeera – US military moves to Middle East
Gazeta do Povo – Brasil se abstém em votação na ONU
Euronews – Death toll in Iran protests reaches 5,002



