
O centrão está inconformado, mas a matemática eleitoral é simples: Flávio Bolsonaro tem votos. Segundo o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, mesmo preferindo Tarcísio de Freitas, ele vai apoiar o filho do ex-presidente “até o fim” porque reconhece uma realidade que a imprensa tenta esconder.
A estratégia de Valdemar é clara. Ele sabe que mesmo em uma eventual derrota de Flávio, o PL sairia fortalecido no Congresso. O partido pretende eleger pelo menos 120 deputados federais e 20 senadores em 2026. Hoje tem 95 deputados na Câmara e 12 no Senado.
A conta é objetiva. Se Flávio tem capacidade de puxar tantos candidatos para o Legislativo, é porque ele tem base eleitoral sólida. Não é por acaso que políticos experientes como Valdemar fazem essa aposta, mesmo contra suas preferências pessoais.
Centrão tenta forçar Tarcísio, mas esbarra na realidade
Os setores que sustentaram o governo Bolsonaro – agronegócio, evangélicos e segurança pública – resistem à candidatura de Flávio. Preferem Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. A questão é que preferência não é sinônimo de poder eleitoral.
De acordo com reportagem do Estado, partidos do centrão chegaram a dar um ultimato a Flávio em reunião recente. A resposta foi o silêncio. Quem tem os votos não precisa se justificar para quem não tem.
O próprio Tarcísio entende essa dinâmica. Ele já deixou claro que só se candidata à presidência com o aval de Bolsonaro. Sabe que, sozinho, não tem força suficiente. Como foi dito na análise, “Tarcísio sozinho não ganhava nem para síndico de prédio em São Paulo”.
A terceira via com Tarcísio é um sonho da imprensa tradicional. Querem um candidato de direita sem os votos da direita. É uma contradição que não se sustenta na prática política.
A estratégia de independência de Tarcísio tem limites
Uma crítica válida ao governador paulista vem do líder do PL no Congresso. Tarcísio não faz acenos claros ao partido, mantendo-se no Republicanos mesmo com pressão para migrar. Essa postura tem uma lógica estratégica, mas também gera desconfiança.
Ao permanecer em outro partido, Tarcísio mantém poder de negociação com o PL e a família Bolsonaro. Se entrasse diretamente no PL, ficaria subordinado às decisões internas da sigla.
Ele prometeu migrar para o PL caso seja ungido candidato por Bolsonaro. Mas até agora não fez a mudança, o que alimenta questionamentos sobre seu compromisso real com o projeto bolsonarista.
Essa estratégia tem riscos. Se exagerar na independência, pode perder o apoio de Bolsonaro até mesmo para a reeleição em São Paulo. O ex-presidente tem poder suficiente para escolher outro candidato no estado.
Carlos Bolsonaro e os movimentos de bastidores
A renúncia de Carlos Bolsonaro à Câmara de Vereadores do Rio para se mudar para Santa Catarina gerou especulações. Alguns interpretaram como sinal de que Flávio não seria mesmo candidato à presidência.
A lógica seria: se Flávio concorresse à presidência, abriria vaga no Senado pelo Rio de Janeiro. Carlos poderia ocupar essa vaga em vez de disputar por Santa Catarina.
Mas essa análise ignora o calendário eleitoral. Carlos precisa estar domiciliado em Santa Catarina com antecedência para poder se candidatar lá. É uma questão de cumprimento de prazos legais, não de definição política.
O cenário no Rio de Janeiro já tem plano B definido. Se Carlos for mesmo para Santa Catarina, o pastor Sóstenes Cavalcante seria o candidato ao Senado pelo Rio. Uma escolha que fortaleceria ainda mais a base evangélica do partido.
Valdemar sabe que quem tem voto manda
O presidente do PL não é ingênuo. Desde agosto conversava com Tarcísio sobre uma possível candidatura à presidência e filiação ao partido. Mas quando percebeu que os votos estão com Flávio, mudou de estratégia.
Valdemar entende que política é matemática. Seu objetivo é fortalecer o partido no Congresso, e isso só acontece com um puxador de votos forte no topo da chapa. Flávio, com todos os questionamentos, continua sendo esse nome.
A declaração de ir “até o fim” com Flávio, mesmo em caso de derrota para Lula, revela cálculo pragmático. O importante é eleger bancadas robustas na Câmara e no Senado para 2027.
Essa postura irritou setores que esperavam uma resistência maior à candidatura de Flávio. Mas Valdemar não chegou onde chegou fazendo política com o coração. Faz com a cabeça.
Por que Flávio incomoda tanto a imprensa
A campanha midiática contra a candidatura de Flávio não é casual. Ele representa algo que o establishment político teme: um candidato com base eleitoral sólida, mas fora do controle dos grupos tradicionais de poder.
Diferentemente de 2022, quando Bolsonaro disputava como incumbente, Flávio chega como renovação. Tem o nome da família, mas não carrega o desgaste de quem esteve no Planalto durante a pandemia.
A eleição de 2026 se assemelha mais a 2018 do que a 2022. A esquerda está no governo, enfrenta problemas econômicos e sociais, e a direita aparece como alternativa de mudança.
Em 2018, ninguém acreditava que Bolsonaro fosse longe. As pesquisas não captavam sua força real. A imprensa subestimou sua capacidade de crescimento. O mesmo padrão pode se repetir com Flávio.
A decisão final será tomada em abril
O prazo para definição é claro: início de abril de 2026. Quem for candidato à presidência precisa se desincompatibilizar, deixando eventuais cargos executivos.
Isso vale para todos os governadores cotados: Zema (Minas Gerais), Ratinho Júnior (Paraná), Caiado (Goiás) e Tarcísio (São Paulo). Quem disputar a reeleição estadual pode permanecer no cargo até a eleição.
Até lá, Flávio tem tempo para consolidar sua posição nas pesquisas e desarmar resistências internas. À medida que crescer numericamente, as críticas tendem a diminuir.
O movimento é previsível: políticos profissionais sempre acabam aderindo ao candidato que tem mais chance de vitória. É a natureza do jogo político.
O que está realmente em jogo
Por trás dessa disputa está algo maior que preferências pessoais. É uma batalha entre dois modelos: o político tradicional negociado em gabinetes e o político que emerge das ruas com apoio popular direto.
Tarcísio representa o primeiro modelo. Competente, técnico, palatável para o establishment. Flávio representa o segundo: polêmico, mas com conexão direta com as bases.
A eleição de 2026 vai definir qual modelo prevalece na direita brasileira. Se Flávio se consolidar como candidato e vencer, provará que o poder continua nas ruas, não nos gabinetes.
Para os defensores do livre mercado e da redução do Estado, qualquer um dos dois seria melhor que a continuidade da esquerda no poder. A questão é quem tem mais condições de vencer.
A matemática atual aponta para Flávio Bolsonaro. Goste-se ou não, é ele quem tem os votos. Em democracia, no final das contas, isso é o que mais importa.
Resta saber se o centrão e os setores conservadores vão aceitar essa realidade ou continuar lutando contra a aritmética eleitoral. A resposta virá nos próximos meses, conforme as pesquisas se consolidarem.
E você, acredita que a força dos votos vai superar as resistências políticas tradicionais?


