O Banco Master captou mais de R$ 40 bilhões em cinco anos e foi liquidado em novembro de 2025 com um rombo de R$ 12 bilhões. Daniel Vorcaro, oficialmente o controlador, foi preso pela Polícia Federal. Mas uma suspeita circula pelos corredores do mercado financeiro e gera debates em Brasília: segundo investigações da Polícia Federal, há indícios de que Nelson Tanure seria o real controlador da instituição. Um empresário com cinco décadas de ligações políticas controversas.
Nota editorial: Este conteúdo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens amplamente divulgadas (com links para as fontes). Não afirma como fatos comprovados a prática de crimes ou ilícitos, nem substitui decisões judiciais. Seu objetivo é promover reflexão crítica sob uma perspectiva editorial libertária.
O empresário que navega pelos bastidores do poder há cinco décadas
Segundo o Ministério Público Federal, há indícios de que Nelson Tanure seria o verdadeiro controlador do Banco Master, mesmo sem aparecer formalmente como sócio. Por sinal, Tanure é um nome que poucos brasileiros conhecem – e isso não é coincidência. Há cinco décadas ele transita pelos bastidores do poder político nacional, onde as decisões bilionárias são tomadas longe dos holofotes.
Enquanto Vorcaro é um empresário relativamente novo no mercado financeiro, Tanure construiu sua carreira ao lado de figuras como Delfim Neto e Zélia Cardoso de Mello. Para quem não lembra (ou prefere esquecer), esses foram os mentores intelectuais do confisco da poupança nos anos 90 e da hiperinflação que devastou o país.
O Banco Master oferecia taxas de até 140% do CDI para atrair investidores – uma estratégia agressiva que fez os olhos do mercado brilharem. Mas poucos sabiam da complexa rede de negócios que conectava a instituição a Tanure. O banco captou mais de R$ 40 bilhões em menos de cinco anos, até que tudo ruiu com um rombo superior a R$ 12 bilhões, atingindo 1,6 milhão de clientes.
Afinal, quando 140% do CDI soa bom demais para ser verdade, provavelmente é.
“O mercado livre tende a distribuir. O Estado tende a concentrar.” E quando há ligações suspeitas entre empresários e governo, quem paga a conta sempre é o poupador comum – você.
A estrutura societária que levanta questionamentos
Críticos apontam que a estrutura de controle do banco envolveria diversos fundos e holdings, como a Banvox e o fundo Estocolmo, utilizados para ocultar a verdadeira relação de Tanure com o Master. Aliás, essa não seria a primeira vez que o empresário usa essa estratégia. É praticamente sua marca registrada.
Na prática, uma empresa controla outra, que controla outra, até chegar ao banco. É uma boneca russa financeira – você abre uma camada e encontra outra empresa. E mais outra. E mais outra.
O mesmo padrão se repetiu na Prio, empresa petrolífera onde Tanure inicialmente não aparecia como controlador. Posteriormente, investigações da CVM descobriram que ele era o controlador de fato. Hoje a situação está regularizada, mas o método levanta uma pergunta incômoda: quantas outras vezes isso aconteceu sem ninguém descobrir?
A gestora Esh Capital apontou como preocupação o uso de fundos encadeados que não revelam imediatamente os beneficiários finais, com analistas levantando dúvidas sobre possível estrutura dissimulada para capitalizar e controlar o banco de forma indireta. E mais: quando o dinheiro passa por tantas camadas, rastrear a origem vira um pesadelo para reguladores – exatamente o que alguns querem.
Cinco décadas navegando entre governos e crises
A trajetória de Tanure começou nos anos 70, quando conheceu Delfim Neto em Paris. Na época, o futuro ministro da Fazenda era embaixador brasileiro na França. Quando Delfim voltou ao Brasil para assumir o ministério pela segunda vez, Tanure também retornou. Coincidência? Claro que não.
Tanure passou a vender turbinas francesas para hidrelétricas no Rio de Janeiro. Por sinal, era exatamente o período do “milagre econômico” dos militares, quando o governo construía hidrelétricas por todo país. Ter um amigo no Ministério da Fazenda facilitava muito os negócios. Nos anos 80, conseguiu contratos da Petrobras para pequenas empresas, comprava essas empresas e ficava com os lucros garantidos pelos contratos estatais.
O auge veio durante o governo Collor, entre 1990 e 1992. Tanure era amigo de Bernardo Cabral, ministro da Justiça, e da economista Zélia Cardoso de Mello. Segundo relatos da época, os dois ministros tinham um relacionamento extraconjugal e usavam uma casa de Tanure em Petrópolis para os encontros. Os negócios do empresário prosperaram extraordinariamente nesse período. Que conveniente, não?
“Informação é a melhor defesa contra o Estado.” E quem tem acesso antecipado às decisões de Brasília pode ganhar muito dinheiro – sempre às custas de quem não tem esse privilégio.
O padrão que se repete: Estado, amigos e dinheiro do contribuinte
Durante o governo Collor, dez fundos de pensão de estatais – Previ do Banco do Brasil, Petros da Petrobras, FUNCEF da Caixa – compraram ações de empresas ligadas a Tanure. O BNDES também injetou milhões nos negócios do empresário. É o capitalismo de compadrio brasileiro em sua forma mais pura e destilada.
Veja só: há quem interprete que Tanure não constrói riqueza atendendo demandas do mercado livre ou criando produtos que melhorem a vida das pessoas. Críticos questionam se ele articula esquemas onde o governo bota dinheiro público em suas empresas, garantindo retorno sem risco. Isso não é capitalismo – é corporativismo de luxo.
O padrão se manteve ao longo das décadas: influência política, contratos estatais, fundos de pensão comprando participações, BNDES financiando operações. Sempre o mesmo script, apenas com nomes diferentes nos ministérios. Aos 73 anos, Tanure construiu trajetória especializando-se em empresas em crise, assumindo comando quando todos fogem e revirando estruturas com frieza de quem sabe que ativos em convulsão costumam esconder valor.
As conexões que geram questionamentos no mercado
Documentos societários mostram que a Ligga havia contratado uma Cédula de Crédito Bancário diretamente com o Master, enquanto fundos ligados ao empresário figuravam entre os principais detentores de ativos emitidos pelo banco. A sincronia é perturbadora: enquanto o Master inflava balanços com operações duvidosas, a Ligga expandia rapidamente no mercado de telecomunicações.
As investigações tiveram desdobramentos que alcançaram pessoas vinculadas ao Banco Master, com medidas como busca e apreensão e quebra de sigilo envolvendo Daniel Vorcaro. O cerco está se fechando, mas ainda não sabemos até onde vai a rede.
E tem mais: há rumores no mercado sobre possíveis contratos de Tanure com autoridades de alto escalão, seguindo o mesmo padrão já visto com outras autoridades. Se isso for verdade, o escândalo do Banco Master pode ser apenas a ponta do iceberg de um esquema muito maior de influência e favorecimento.
“Quando o Estado promete ajudar, alguém paga a conta.” E quem sempre paga são os trabalhadores honestos, os pequenos investidores, os contribuintes que sustentam essa máquina de privilégios com seu suor.
A queda do castelo de cartas
O banco investia em títulos de alto risco e operações circulares até que tudo ruiu no final de 2025, quando o Banco Central decretou liquidação extrajudicial citando grave crise de liquidez, simultaneamente à operação Compliance Zero da Polícia Federal. Vorcaro foi preso no aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar em jato particular. Nada suspeito, né?
A defesa de Tanure afirma que ele tem décadas de experiência profissional no mercado e jamais havia sido acusado de práticas delitivas nas empresas onde é acionista. Por enquanto, são apenas suspeitas e indícios. Tanure nega qualquer ligação irregular com o Banco Master.
Mas espera aí: o empresário já enfrenta denúncia do MPF por suposto uso de informações privilegiadas em investimentos ligados à Gafisa, onde era acionista relevante e ocupava cadeira no conselho de administração. Além disso, o Banco Master foi liquidado e Tanure perdeu o controle da Emae, tentando se desfazer de ativos para renegociar dívida superior a R$ 1 bilhão.
As investigações da Polícia Federal estão apenas começando. A PF busca esclarecer se houve violação à legislação bancária, e os envolvidos podem responder por crimes como gestão fraudulenta e infração à Lei do Sistema Financeiro Nacional. Se comprovadas as teses investigativas, as consequências podem ser devastadoras.
Por que isso deveria te preocupar
O caso Banco Master não é apenas mais um escândalo financeiro para ocupar as manchetes por algumas semanas. É a demonstração cristalina de como funciona o capitalismo de compadrio no Brasil: empresários com as ligações políticas certas prosperam às custas de quem trabalha honestamente e investe suas economias confiando no sistema.
Pense comigo: quando um banco oferece 140% do CDI, alguém precisa pagar essa conta. Ou a instituição descobriu uma fórmula mágica de fazer dinheiro (duvidoso), ou está assumindo riscos insustentáveis com o dinheiro dos depositários. Adivinha qual das duas opções se mostrou verdadeira?
“Liberdade econômica não é privilégio. É direito.” Mas enquanto o mercado for dominado por esquemas políticos, conexões suspeitas e favorecimentos estatais, quem perde é sempre o cidadão comum. O trabalhador que deposita sua poupança. O pequeno investidor que busca rentabilidade. O contribuinte que sustenta o Estado que alimenta esses esquemas.
O Brasil precisa de capitalismo de verdade, não de corporativismo disfarçado. Empresários que prosperam criando valor, não montando esquemas. Bancos que ganham dinheiro servindo clientes, não manipulando reguladores. Um sistema onde vença quem oferece o melhor produto, não quem tem os melhores contatos em Brasília.
Enquanto isso não acontecer, casos como o Banco Master continuarão se repetindo. E quem sempre pagará a conta será você. Afinal, alguém tem que financiar os privilégios dos bem conectados.
Diante de tudo isso, fica a pergunta que ninguém quer fazer: quantos outros “Vorcaro” existem por aí, servindo apenas de laranja para empresários poderosos que preferem ficar nas sombras? E quantas outras instituições financeiras estão sendo controladas por quem não deveria estar lá?
Fontes
- Seu Dinheiro – PF investiga se Nelson Tanure é controlador do Banco Master
- Investidor10 – Polícia apura controle oculto de Nelson Tanure
- Gazeta do Paraná – Como Tanure cresceu enquanto Master desabava
- Agência Brasil – Daniel Vorcaro preso pela PF em Guarulhos
- Revista Oeste – MP denuncia Tanure por informação privilegiada



