A farsa do INSS: 2,9 mi na fila, sistemas fora do ar por 2 meses e velha mídia só vê 'modernização'

janeiro 29, 2026

Ludwig M

A farsa do INSS: 2,9 mi na fila, sistemas fora do ar por 2 meses e velha mídia só vê ‘modernização’

Na manhã desta quarta-feira (29), aposentados e pensionistas encontraram todas as agências do INSS fechadas por uma ‘modernização dos sistemas’ que durará até domingo. As filas de pessoas desinformadas pelo país afora mostram que algo falhou gravemente na comunicação — ou será que não falhou?

O que a velha mídia não está contando é que o INSS enfrenta a maior fila de sua história: 2,962 milhões de requerimentos pendentes, enquanto os sistemas da Dataprev ficaram 1.466 horas fora do ar entre 2023 e 2024 — mais de dois meses inteiros de paralisia.

Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas. Não imputa crimes ou ilegalidades a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica sob perspectiva editorial libertária.

A Narrativa Oficial

Segundo o presidente do INSS, Gilberto Waller, a paralisação dos serviços de hoje até domingo é necessária para “modernizar os sistemas” e melhorar o atendimento. O órgão alega que os segurados foram avisados desde 9 de janeiro pelos “canais oficiais”.

A Dataprev, empresa responsável pelos sistemas, também garante que as falhas são “naturais” do processo de modernização. O presidente da estatal, Rodrigo Assumpção, declarou à Folha que opera com 98% de funcionamento conforme previsto em contrato.

Quem são os mocinhos? O INSS que “se moderniza para servir melhor”. Quem são os vilões? Ninguém — apenas “problemas técnicos inevitáveis”. A emoção que querem despertar? Paciência e compreensão com a “complexidade tecnológica”.

O Que Não Estão Contando

Os números que a velha mídia omite são assustadores. A fila do INSS saltou de 1,5 milhão em 2023 para 2,6 milhões em agosto de 2025, chegando ao pico de 2,962 milhões em novembro — o maior patamar registrado no ano.

Sobre as “falhas naturais” da Dataprev: dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram 1.466 horas de indisponibilidade entre agosto de 2023 e dezembro de 2024. Isso equivale a mais de 61 dias inteiros sem funcionamento — e estamos falando de sistemas que atendem 40 milhões de beneficiários.

A empresa também ficou conhecida internamente como “Vazaprev” após vazamentos de dados em 2024, além do vexame dos laudos médicos emitidos com “blá blá blá” no campo de justificativa dos peritos.

O Contexto Que Não Querem Que Você Saiba

Em abril de 2025, a Operação “Sem Desconto” revelou R$ 6,3 bilhões em fraudes no INSS entre 2019 e 2024. O então presidente do órgão, Alessandro Stefanutto, foi afastado no mesmo dia da operação e pediu demissão.

O escândalo levou também à queda do ministro da Previdência, Carlos Lupi, apenas nove dias depois. Enquanto isso, a Dataprev gastou US$ 10,5 milhões em inteligência artificial para combater fraudes, mas não consegue manter sistemas básicos funcionando.

O atual programa de bônus para servidores também foi suspenso por falta de verba de R$ 89,1 milhões — uma ninharia comparada aos bilhões perdidos em fraudes.

Dois Pesos, Duas Medidas

Imagine se essa catástrofe administrativa estivesse acontecendo durante o governo Bolsonaro. A velha mídia faria séries especiais sobre o “caos na Previdência”, “abandono dos mais vulneráveis” e “incompetência do desgoverno”. Teríamos manchetes dramáticas, reportagens investigativas e cobertura ao vivo das filas.

Mas como é governo Lula, vira “modernização necessária” e “aprimoramento dos sistemas”. Compare com o tratamento dado ao orçamento secreto — amplamente criticado pela mídia — enquanto fraudes bilionárias no INSS mal geram uma nota de rodapé.

A mesma imprensa que transformou qualquer problema técnico em “crise institucional” durante Bolsonaro agora pede “paciência” e “compreensão” com falhas crônicas que prejudicam milhões de pessoas que dependem de seus direitos para sobreviver.

O Jogo Por Trás

A Dataprev é uma empresa pública que mantém contratos bilionários mesmo com performance desastrosa. Criada em 1974, virou um monstro burocrático que ninguém ousa questionar. O próprio presidente da empresa admite que as falhas são “naturais” — imagine uma empresa privada dizendo isso para seus clientes.

A estratégia de longo prazo é clara: normalizar a disfunção do Estado como algo “complexo” e “inevitável”, reduzindo as expectativas da população sobre serviços públicos. Assim, 37 milhões de brasileiros se acostumam a depender de um sistema que os trata como reféns.

O verdadeiro poder não está com quem critica, mas com quem controla a narrativa. Transformar incompetência em “modernização” e falhas crônicas em “processo natural” é uma obra-prima da propaganda estatal.

Perspectiva Libertária

Na visão editorial, o INSS é a prova viva de por que monopólios estatais são uma maldição para quem precisa deles. Se uma empresa privada fizesse seus sistemas ficarem fora do ar por dois meses, faliria em semanas. Mas como é estatal, continua recebendo recursos independente da qualidade do serviço.

Por que 37 milhões de brasileiros são obrigados a depender de um sistema único, falido e sem concorrência? Por que não podem escolher outras formas de previdência? A resposta é simples: o Estado não quer perder o controle sobre suas vidas e recursos.

A fila de 2,9 milhões não é “problema técnico” — é o resultado inevitável de um monopólio que não tem incentivos para funcionar bem. Quando você não pode trocar de fornecedor, o fornecedor não precisa se esforçar para satisfazê-lo.

Enquanto isso, a velha mídia atua como departamento de relações públicas do Estado, vendendo falhas como virtudes e incompetência como “complexidade”. É o jornalismo chapa-branca disfarçado de imparcialidade.

Quando será que os brasileiros vão perceber que merecem escolha, concorrência e qualidade — não filas intermináveis, sistemas que não funcionam e desculpas sobre “modernização”?

Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos.

Versão: 29/01/2026 09:29

Fontes

Compartilhe:

Deixe um comentário