A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, fez ontem uma declaração que parecia rotineira: defendeu que Fernando Haddad seja candidato em São Paulo e que “todos têm que vestir a camisa” nas eleições de 2026. Para a velha mídia, apenas mais um capítulo da “organização estratégica” do PT para as próximas eleições.
O que não te contaram é que essa não é estratégia coisa nenhuma. É desespero puro. Haddad resiste a se candidatar a qualquer cargo e tem repetido que seu desejo é colaborar com a campanha de Lula, não uma candidatura. E a pressão pública de Gleisi vem depois que o governo Lula sofreu derrotas históricas no Congresso, perdendo completamente o controle de sua base parlamentar.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas. Não imputa crimes ou ilegalidades a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica sob perspectiva editorial libertária.
A Narrativa Oficial
Segundo a versão que a velha mídia quer que você acredite, o PT está simplesmente organizando sua estratégia eleitoral para 2026. Gleisi seria a estrategista responsável que defende candidaturas fortes para “defender a democracia” contra a “extrema-direita”. Haddad seria o nome natural e competitivo que deve aceitar a missão por dever cívico e partidário.
Nessa narrativa, Lula aparece como o estadista experiente que “conversa” e “convence gradualmente” seus aliados, respeitando suas vontades pessoais mas orientando o bem maior do projeto político. O objetivo seria garantir palanques fortes nos estados para fortalecer a reeleição presidencial e manter viva a chama democrática.
Gleisi seria apenas a porta-voz dessa articulação responsável, defendendo publicamente que os principais quadros do partido cumpram seu papel histórico na disputa eleitoral.
O Que Não Estão Contando
A realidade é bem diferente. Haddad já disse “não” a Lula outras vezes, incluindo em 2020, quando recusou concorrer à prefeitura de São Paulo, apesar dos apelos. A resistência não é de agora – é de anos. Petistas próximos a Haddad confirmam que o ministro reitera que prefere não disputar a eleição.
Mais importante: o PT não tem outros nomes. Haddad passou a ser tratado como a principal — e praticamente única — alternativa do PT para a disputa pelo governo de São Paulo. Dirigentes petistas afirmam que o partido trabalha exclusivamente com o nome de Haddad.
A pressão de Gleisi não é estratégia – é desespero depois que as “conversas” privadas falharam completamente. O ministro da Educação, Camilo Santana, foi direto: “Haddad não pode se dar ao luxo de querer tomar uma decisão individual. A gente precisa cumprir missões que muitas vezes, pessoalmente, a gente não queira”.
As Derrotas Históricas do Governo
A pressão sobre Haddad acontece em um contexto muito específico: o Congresso Nacional impôs uma derrota histórica ao governo Lula ao derrubar o decreto do IOF, sendo a primeira vez desde 1992 que um decreto presidencial foi derrubado. A última vez havia sido com Collor, seis meses antes do impeachment.
A derrota expôs a fragilidade da base aliada e escancara o desmanche da base parlamentar de Lula. Apesar de ter distribuído cargos em 14 ministérios, o Planalto não consegue converter esse loteamento em apoio nas votações.
Os números são devastadores: pelos placar de 251 a 193, os parlamentares decidiram retirar a medida da pauta, representando uma derrota significativa apoiada pelo Centrão e bancada ruralista. A equipe econômica estima que a decisão provocará um rombo de R$ 42,3 bilhões nas contas públicas até 2026.
E não foi caso isolado. Em junho, o Congresso derrubou 11 vetos presidenciais, com 347 deputados e 48 senadores votando contra Lula, incluindo 63 deputados do próprio PT.
O Jogo Por Trás
O que realmente está acontecendo é uma inversão completa da correlação de forças. Lula, que deveria estar na posição de força como presidente, precisa de candidatos fortes em São Paulo, seu berço político, e tem pressionado Haddad pela candidatura ao governo estadual.
Mas Haddad está na posição de poder nessa negociação. Mesmo sendo considerada distante a possibilidade de derrotar Tarcísio, aliados de Lula avaliam que é fundamental evitar uma reeleição confortável do governador. Ou seja: o objetivo nem é ganhar – é apenas não perder feio.
A estratégia maior é tentar salvar a candidatura de Lula em 2026. O PT considera que a atuação de Haddad em 2022 foi decisiva para o desempenho de Lula em São Paulo, onde o presidente ampliou em 4,3 milhões o número de votos.
Gleisi não está “organizando” nada. Ela é apenas uma ministra que já vai sair do cargo em março fazendo chantagem emocional pública porque as conversas privadas não funcionaram por anos.
Perspectiva Libertária
Na visão editorial libertária, esse episódio revela a verdadeira natureza do Estado brasileiro: uma máquina de poder desesperada por auto-preservação. O PT, partido que se vende como defensor do povo, na verdade funciona como qualquer oligarquia política – quando perde poder, parte para a chantagem e manipulação.
A velha mídia, que deveria questionar essa pressão sobre Haddad, prefere vender a narrativa romântica da “organização democrática”. Porque questionar o PT significaria admitir que o próprio sistema político brasileiro é uma farsa onde partidos manipulam pessoas para manter o poder.
Para o cidadão comum, pouco importa se é Haddad, Tarcísio ou qualquer outro político no poder. O que importa é que o Estado continue crescendo, gastando mais, intervindo mais e cobrando mais impostos. Enquanto isso, políticos profissionais como Haddad são tratados como peças de xadrez em jogos de poder que não têm nada a ver com o bem-estar da população.
A resistência de Haddad à candidatura pode ser a única coisa honesta nessa história toda – um político que não quer se candidatar é quase um milagre no Brasil de hoje.
A pergunta que fica é: se o PT precisa fazer chantagem pública para convencer seu próprio ministro a ser candidato, o que isso diz sobre as reais chances do partido em 2026? E mais importante: por quanto tempo a velha mídia vai continuar disfarçando desespero político como “estratégia democrática”?
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos.
Versão: 29/01/2026 11:55
Fontes
- Terra – Gleisi reforça coro para que Haddad seja candidato em São Paulo
- CNN Brasil – Aliados veem Haddad mais próximo da eleição em São Paulo
- Brasil Paralelo – Derrubada de decreto do IOF é derrota histórica para governo Lula
- Gazeta do Povo – Governo Lula desmancha base parlamentar
- InfoMoney – Câmara derruba MP alternativa ao IOF


