Lula no Panamá defendendo soberania venezuelana enquanto negocia com presidentes de direita

janeiro 28, 2026

Ludwig M

Lula no Panamá: defendendo ditador derrotado enquanto negocia com a ‘extrema direita’ que tanto critica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou no Panamá nesta terça-feira com uma missão clara: defender que “o presidente Trump permita que a Venezuela possa cuidar da sua soberania”, justo quando os Estados Unidos acabaram de capturar o ditador Nicolás Maduro. A ironia é deliciosa: enquanto prega “soberania venezuelana” no palanque, Lula vai fechar negócios bilionários com a mesma “extrema direita” que tanto ataca no Brasil.

Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.

A operação que mudou o jogo na América Latina

Nicolás Maduro foi capturado em uma operação militar americana, sendo levado presumivelmente para o sistema judicial americano, seguindo o padrão para o que os EUA chamam de fugitivo, com uma recompensa de 50 milhões de dólares. Mas há uma grave exceção: Maduro é chefe de Estado, cuja nação está sujeita a vários objetivos políticos americanos em andamento.

A Venezuela de Maduro não era apenas uma ditadura comum. A Venezuela indubitavelmente permitiu tráfico de drogas de seu espaço aéreo e costas, com a Colômbia, o maior produtor mundial de cocaína, logo do outro lado da fronteira. Trump fez em duas semanas o que Lula fingiu tentar fazer em anos: tirou um narcoditador do poder.

Enquanto isso, a própria embaixadora brasileira admite que “a Venezuela vive hoje uma certa estabilidade, sem uma crise aguda”. Coincidência? Depois que Trump removeu um regime narcoterrorista, a situação “se estabilizou”. Mas Lula prefere chamar isso de violação da “soberania”.

O timing suspeito da defesa da “soberania”

Lula e Trump conversaram por 50 minutos na segunda-feira, discutindo vários assuntos durante a ligação, incluindo a situação na Venezuela. A presidência disse que a visita aconteceria depois das viagens de Lula à Índia e Coreia do Sul em fevereiro, e que uma data seria definida “em breve”. Não é coincidência que logo após essa conversa, Lula apareça no Panamá pregando “soberania venezuelana”.

A estratégia é transparente: Lula quer se posicionar como o “mediador” responsável entre Trump e o resto da América Latina. Ele defende que “quem vai encontrar uma solução para o povo da Venezuela é o próprio povo venezuelano” – uma frase bonita que ignora o fato de que Maduro fraudou eleições, prendeu opositores e impediu exatamente isso durante anos.

Esta é a primeira visita do presidente ao Panamá neste mandato. Por que exatamente agora? Porque precisa fazer negócios econômicos enquanto constrói sua narrativa de “estadista” preocupado com princípios democráticos. O chanceler brasileiro tem encontros previstos nos quais serão tratados assuntos como facilitações e novas regras para investimentos, tanto do Brasil no Panamá como do Panamá no Brasil.

O encontro com a “extrema direita” que Lula tanto critica

No Fórum Econômico, também estão previstas as participações de José Antonio Kast, presidente-eleito do Chile. Lula se encontrará com o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, que irá ao hotel do petista para um primeiro contato. A ironia é deliciosa: o mesmo Lula que vê “fascismo” em qualquer movimento conservador no Brasil está de braços dados com a direita chilena quando convém aos seus interesses.

O petista aproveitará a viagem para ter um primeiro contato com novas lideranças da direita sul-americana, incluindo o presidente panamenho José Raúl Mulino, com quem já teve outros cinco encontros. Será o primeiro contato entre Lula e Rodrigo Paz, eleito em outubro de 2025, cuja chegada ao poder encerrou 20 anos consecutivos de governos de esquerda na Bolívia.

É a mesma hipocrisia de sempre: critica a “extrema direita” quando está no palanque eleitoralmente, mas negocia com ela quando precisa de acordos econômicos. O que importa não são os princípios, mas o jogo de poder e os interesses comerciais.

Os interesses bilionários por trás da retórica

Por que Lula está tão desesperado para se meter na crise venezuelana? Primeiro, porque o PT precisa de relevância internacional. Lula também solicitou que a nova proposta de Trump para um Conselho de Paz “seja limitada à questão de Gaza e inclua uma cadeira para a Palestina” – uma tentativa óbvia de parecer importante sem assumir responsabilidades reais.

Segundo, há interesses econômicos claros. Segundo o Itamaraty, o intercâmbio comercial entre Brasil e Panamá aumentou 78% em 2026, ficando em US$ 1,6 bilhão. O Brasil tem um estoque de US$ 9,5 bilhões no Panamá, que é o sétimo maior destino de investimentos brasileiros no exterior. O Panamá é porta de entrada para negócios na região, e Lula não quer ficar de fora da redistribuição geopolítica que Trump está promovendo.

O Panamá comprou recentemente quatro aviões Super Tucanos da Embraer, tornando-se o oitavo país da América Latina e Caribe a comprar a aeronave brasileira. O Brasil é o 15º maior usuário do Canal do Panamá. De acordo com o Itamaraty, a cada ano, passam por lá 7 milhões de toneladas de produtos exportados pelo Brasil.

A farsa do “multilateralismo” e da “democracia”

Lula também pediu a “reforma abrangente das Nações Unidas, incluindo a expansão dos membros permanentes do Conselho de Segurança”. É a velha tática: criticar as instituições internacionais por um lado, mas querer mais poder nelas por outro.

“Está prevalecendo a lei do mais fuerte, se está desmantelando a Carta da ONU, e em lugar de arreglar a ONU, que venimos exigiendo desde que era presidente em 2003 (…), lo que está pasando es que el presidente Trump está proponiendo crear una nueva ONU, en la que solo él sea el dueño de la ONU”, disse Lula.

Que tipo de crescimento econômico Maduro promoveu? O crescimento do tráfico de drogas e da corrupção. Mas Lula prefere defender a “soberania” de quem empobreceu milhões de venezuelanos.

A reação internacional revela as alianças

O Palácio do Planalto informou que Lula classificou a ação como uma “afronta gravíssima à soberania” da Venezuela e considerou a intervenção americana inaceitável. O país também condenou a ação no Conselho de Segurança da ONU. Interessante como nunca disse isso sobre a interferência cubana na Venezuela, sobre os assessores iranianos no regime de Maduro, ou sobre a presença militar russa no país.

O presidente argentino Javier Milei – um aliado de Trump de extrema direita – aplaudiu os ataques e a captura de Maduro como um golpe contra o autoritarismo, enquanto o presidente brasileiro de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva os condenou como violações de soberania e direito internacional. Quando você está do lado oposto de quem realmente defende liberdade, talvez seja hora de repensar suas posições.

“O Secretário-Geral está profundamente alarmado com a recente escalada na Venezuela, culminando com a ação militar dos Estados Unidos hoje no país, que tem implicações preocupantes potenciais para a região”, acrescentou. “O Secretário-Geral continua a enfatizar a importância do pleno respeito – por todos – do direito internacional, incluindo a Carta da ONU”. A mesma ONU que fica silenciosa quando ditadores massacram seus próprios povos se preocupa quando alguém finalmente age contra o terrorismo de Estado.

A verdade que ninguém quer admitir

Trump fez em duas semanas o que Lula fingiu tentar fazer em anos: tirou um narcoditador do poder. Enquanto Lula ficava naquele papo de “diálogo” e “não interferência”, milhões de venezuelanos fugiram do país. Muitos vieram para o Brasil, criando pressão social e econômica que o governo petista não consegue resolver.

O evento é tratado por auxiliares de Lula como uma versão “latino-americana” do Fórum Econômico de Davos. Ou seja, Lula quer estar presente onde os grandes negócios são decididos, mesmo que precise conviver com a “extrema direita” que tanto ataca em casa.

“Como é possível que não se respeite a integridade territorial de um país?”, declarou Lula, mas governa um país onde presos políticos apodrecem na cadeia há anos sem julgamento, onde ministros do STF viram investigadores e acusadores, e onde a censura a jornalistas virou rotina.

É o socialismo de iPhone em ação: critica quem toma atitude, mas quando dá certo quer participar do mérito. O povo venezuelano está melhor sem Maduro. Isso deveria ser óbvio para qualquer pessoa que valorize liberdade e dignidade humana.

Quem se beneficia quando Lula vira “estadista” internacional? O PT, que precisa se mostrar relevante. Quem se beneficia quando a conversa é Venezuela e não Brasil? Quem governa um país com perseguição política institucionalizada e não quer que você preste atenção na ditadura de toga que acontece bem na sua cara.

Para Lula, defender ditador de esquerda é mais importante que defender o direito dos venezuelanos de viverem livres do terrorismo de Estado. É assim que funciona a esquerda: princípios só quando convém aos negócios.

Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.

Versão: 27/01/2026 22:03

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