Lula e Trump discutem situação na Venezuela após operação militar americana que capturou Nicolás Maduro em janeiro de 2026

janeiro 28, 2026

Ludwig M

Lula conversa com Trump sobre Venezuela três semanas após operação: soberania ou interesses?

Em 26 de janeiro, Lula e Trump trocaram impressões sobre a situação na Venezuela durante conversa telefônica de 50 minutos. O presidente brasileiro ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano. O timing da ligação não é casual. Três semanas após Trump lançar a Operação Resolução Absoluta que envolveu explosões, ataques aéreos e movimentações militares em diversas regiões da Venezuela, resultando na captura de Maduro e sua esposa, Lula resolve dar pitaco diplomático. A pergunta que fica: por que agora?

Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.

A operação que mudou as regras do jogo

Para entender a conversa entre Lula e Trump, é preciso compreender o que aconteceu na Venezuela. A operação militar americana envolveu 150 aeronaves que partiram de 20 bases militares no continente. As tropas americanas chegaram ao complexo onde estavam Maduro e sua esposa, Cilia Flores. A operação foi liderada pela Força Delta, uma unidade de operações especiais de elite do Exército dos Estados Unidos.

O resultado foi imediato e definitivo. Maduro e sua esposa se entregaram sem resistência e foram detidos pelo Departamento de Justiça, com o apoio das Forças Armadas dos Estados Unidos, sem qualquer perda de vidas americanas. O Tribunal Supremo de Justiça ordenou que Delcy Rodríguez assumisse a presidência na ausência de Maduro.

Como uma operação tão complexa no coração de Caracas foi executada sem resistência significativa? Segundo um oficial venezuelano ouvido pelo jornal The New York Times, pelo menos 80 pessoas foram mortas durante a ofensiva americana, mas do lado americano não houve baixas. Isso sugere que havia informações privilegiadas ou acordos prévios que facilitaram a operação.

O petróleo entrou na equação rapidamente

Trump não age por altruísmo. Em menos de duas semanas após a captura de Maduro, o petróleo venezuelano já estava sendo liberado para “novos investimentos”. A presidente interina Delcy Rodríguez apresentou ao Congresso uma proposta de reforma da lei de hidrocarbonetos do país, permitindo que “fluxos de investimento sejam incorporados a novos campos, campos onde nunca houve investimento e campos onde não há infraestrutura”.

Delcy anunciou que “no ano passado, o investimento foi de quase 900 milhões de dólares e, para este ano, já foi assinado e está previsto um investimento de 1,4 bilhão de dólares”. A administração Trump já diz que cerca de 500 milhões de dólares foram gerados com vendas de petróleo venezuelano sob um acordo bilateral, com receitas mantidas em contas bancárias controladas pelos EUA.

Coincidência? Dificilmente. As petroleiras americanas têm bilhões para receber por ativos confiscados há décadas na Venezuela. Trump afirmou que empresas petrolíferas americanas investiriam 100 bilhões na produção petroleira venezuelana, mas em reunião com executivos de petrolíferas, a maioria não assumiu compromissos firmes de investimento.

O interessante é que ExxonMobil e ConocoPhillips deixaram a Venezuela depois que seus ativos foram expropriados em 2007, enquanto a Chevron continuou suas operações. Agora elas têm a chance de voltar com a casa arrumada pelos militares americanos.

O papel de Lula: estadista ou figurante?

Agora entra em cena o presidente brasileiro. Essa foi a primeira conversa entre os mandatários após a operação americana que capturou o então presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Por que Lula esperou três semanas para falar sobre “soberania venezuelana”?

Durante a conversa, Lula destacou a importância de preservar a paz e a estabilidade na região, além de trabalhar pelo bem-estar do povo da Venezuela. A fala revela uma posição de quem reconhece implicitamente a nova realidade de poder. Lula não contesta a operação americana diretamente – algo que seria esperado de um presidente que costuma criticar “intervenções imperialistas”.

Em vez disso, pede “paz e estabilidade” de forma genérica, sem mencionar que essa “estabilidade” foi criada por uma operação militar estrangeira três semanas antes. É como pedir “diálogo” depois que um dos lados já foi nocauteado.

O que exatamente Lula pode oferecer nesse contexto? Os Estados Unidos controlam militarmente a situação, Delcy Rodríguez já está negociando diretamente com Washington, e o petróleo já está fluindo para empresas americanas. O Brasil se posiciona como mediador quando na verdade não tem cartas na mesa.

A hipocrisia do discurso de soberania

Há uma ironia perversa no discurso de Lula sobre “soberania venezuelana”. O mesmo presidente que governa um país onde o sistema judicial persegue opositores políticos, prende pessoas por “crimes de opinião” e censura redes sociais agora se posiciona como defensor da soberania internacional.

No Brasil de Lula, Alexandre de Moraes pode prender quem quiser por “ameaça à democracia”, mas quando se trata da Venezuela, de repente a soberania vira valor sagrado. É preciso escolher: ou soberania importa sempre, ou é carta que se puxa conforme a conveniência política.

O mesmo vale para Trump. O presidente confirmou a operação e apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe. Trump invoca “combate ao narcoterrorismo” para justificar uma operação que claramente visa controle de recursos energéticos. Se fosse realmente sobre drogas, por que a primeira medida do novo governo venezuelano foi reformar a lei de hidrocarbonetos?

A verdade é que ambos os lados usam linguagem de direitos humanos e democracia para mascarar interesses geopolíticos e econômicos. Trump quer petróleo e projeção de poder. Lula quer manter relevância diplomática regional. O povo venezuelano – e o brasileiro, que paga a conta dessa diplomacia custosa – fica em segundo plano.

Os interesses em jogo

A operação na Venezuela atende múltiplos interesses estratégicos americanos. O primeiro e mais óbvio são os recursos energéticos. A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo – um ativo que empresas americanas querem recuperar há décadas.

O segundo interesse é geopolítico. A operação envia uma mensagem clara para outros países da região: os Estados Unidos estão dispostos a agir unilateralmente quando seus interesses estão em jogo. Não por acaso, Trump já ameaçou Colômbia, México e outros países latino-americanos.

Para Lula, há o interesse de manter relevância diplomática regional. O Brasil sempre se viu como potência natural da América do Sul, mas a operação americana na Venezuela mostra claramente quem realmente comanda a região quando há interesses estratégicos em jogo.

O que isso significa para a liberdade?

Para o cidadão comum – venezuelano, brasileiro ou americano – essa história é uma lição sobre como o poder real funciona. Não é sobre democracia, direitos humanos ou liberdade individual. É sobre recursos, controle geopolítico e interesses de elites.

O venezuelano comum, que sofreu décadas sob ditadura chavista, não ganhou liberdade real. Ganhou troca de patrão. Em vez de ser explorado pela máfia de Maduro, será explorado por uma parceria entre a máfia de Delcy Rodríguez e empresas americanas.

O brasileiro comum continua pagando a conta de uma diplomacia custosa e ineficaz. Enquanto Lula faz pose de estadista internacional, o cidadão brasileiro paga impostos altos, vive sob censura digital e não consegue abrir uma empresa sem enfrentar centenas de burocracias.

O americano comum descobriu que seu governo gasta bilhões em operações militares para garantir acesso a petróleo estrangeiro, mas não consegue resolver problemas básicos como imigração ilegal, crime urbano ou sistema de saúde.

A nova doutrina Monroe

Trump confirmou a operação e apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe. A referência não é coincidental. A Doutrina Monroe, de 1823, estabeleceu que as Américas eram “zona de influência” dos Estados Unidos. Trump está atualizando essa doutrina para o século XXI.

A diferença é que agora os Estados Unidos têm capacidade militar para impor sua vontade diretamente, não apenas ameaçar. A operação na Venezuela é um recado para todos os governos latino-americanos: vocês podem ter a soberania que quiserem, desde que ela não conflite com interesses estratégicos americanos.

Para o Brasil, isso coloca Lula em posição delicada. Como manter a retórica de “multilateralismo” e “soberania” quando o vizinho do norte demonstrou que está disposto a agir unilateralmente sempre que necessário?

Conclusão: quem realmente ganha?

A conversa entre Lula e Trump sobre Venezuela é sintomática de um mundo onde discursos de democracia e soberania mascaram interesses muito mais prosaicos. Trump quer petróleo e projeção de poder. Lula quer manter relevância diplomática. Delcy Rodríguez quer permanecer no poder.

Quem não ganha nessa equação? O povo venezuelano, que trocou uma ditadura bolivariana por uma ditadura “democrática” tutelada por Washington. O povo brasileiro, que continua pagando por uma diplomacia ineficaz enquanto vive sob Estado autoritário. O povo americano, que vê seus impostos financiarem aventuras militares para beneficiar petroleiras.

A operação na Venezuela marca o retorno da política de força nua nas relações internacionais. Organizações internacionais, direito internacional e diplomacia multilateral se revelaram irrelevantes quando há interesses estratégicos reais em jogo.

Para defensores da liberdade individual, a lição é clara: Estados nacionais, independente do tamanho ou orientação ideológica, são máfias territoriais que competem entre si por recursos e poder. Não há “mocinhos” nessa história. Há apenas diferentes graus de opressão e diferentes formas de exploração.

A verdadeira liberdade não virá de nenhum governo, seja ele brasileiro, americano ou venezuelano. Virá da capacidade dos indivíduos se organizarem de forma independente, criarem valor econômico real e se protegerem dos parasitas estatais que os governam.

A pergunta que fica é: quando o povo acordará para o fato de que Estados discutem “soberania” enquanto roubam a liberdade de seus próprios cidadãos?

Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.

Versão: 28/01/2026 02:30

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