Enquanto mais de 11 mil pessoas morreram em 2024 por doenças relacionadas à falta de saneamento básico, o PT mantém sua posição histórica contra a privatização do setor. O Brasil registrou mais de 344 mil internações por doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado, custando R$ 174 milhões aos cofres públicos apenas em internações. Ao mesmo tempo, o Congresso aprovou quase R$ 5 bilhões para o fundão eleitoral de 2026. A matemática é brutal: gastamos 30 vezes mais com campanhas políticas do que economizaríamos se tivéssemos saneamento universal.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
A tragédia silenciosa dos números
A falta de saneamento básico adequado gerou mais de 340 mil internações e 11.500 mortes no Brasil em 2024. São quase 950 internações por dia – uma ambulância a cada minuto levando alguém para o hospital por causa de doenças evitáveis. Crianças e idosos são os que costumam adoecer com mais gravidade, enquanto 168,7 mil internações estão relacionadas a doenças transmitidas por insetos, principalmente a dengue.
O impacto vai além da saúde. Essas doenças prejudicam o desenvolvimento físico, intelectual e neurológico das crianças, que muitas vezes não conseguem atingir sua plena capacidade. É uma condenação perpétua: nasceu pobre, não teve saneamento, desenvolveu problemas cognitivos, perdeu oportunidades de vida. O Estado condena gerações à pobreza por sua incompetência.
Atualmente, no Brasil há aproximadamente 34 milhões de pessoas que ainda não têm acesso à água tratada e mais de 90 milhões continuam sem receber serviço de coleta e tratamento de esgoto. Em pleno século 21, um terço da população brasileira vive sem o mínimo de dignidade sanitária. E os responsáveis por essa tragédia querem continuar no controle.
A ironia é que desde 2008, os registros têm caído, em média, 3,6% ao ano. Mesmo com a gestão estatal desastrosa, a situação melhora lentamente. Imagine se tivéssemos eficiência privada trabalhando nisso há décadas.
PT: o partido do “não” à solução
A posição do PT é cristalina e histórica. Parlamentares da bancada petista anunciaram voto contrário ao projeto de lei que altera o Marco do Saneamento e abre portas para a privatização do setor no país. A Bancada do PT foi a única a votar contra a privatização do saneamento básico brasileiro no Senado.
Os argumentos petistas seguem a cartilha estatista clássica. “Essas empresas não têm interesse algum em levar saneamento e água onde não existem esses serviços”, alegam os parlamentares do PT. É o velho truque: acusar o setor privado de buscar lucro como se fosse crime.
Deputados petistas foram ainda mais dramáticos: “agora nós estamos assistindo a vontade de se privatizar aquilo que nós temos de mais sagrado, que é a água”. Água é sagrada? Então por que 11 mil pessoas morreram por falta dela sob gestão estatal?
“O PT acredita que é o investimento público, associado ao investimento privado, que pode fazer a mudança”, declararam líderes do partido no Senado. Investimento público “associado” ao privado significa o Estado controlando e o setor privado pagando a conta. É socialização de custos e estatização de controle.
Os interesses ocultos da resistência petista
Por que o PT é tão fervorosamente contra a privatização do saneamento? A resposta está na matemática do poder. Empresas estatais de saneamento geram milhares de empregos públicos e cargos de confiança. São máquinas de distribuição de favores políticos e currais eleitorais.
Empresas estatais nos estados atendem 70% da população. Isso significa dezenas de milhares de funcionários públicos, diretores nomeados, fornecedores privilegiados e uma rede de dependência que vota no partido que mantém o sistema. Privatizar saneamento é privatizar votos – por isso a resistência é tão feroz.
Além disso, há o aspecto ideológico. Para o PT, o Estado deve controlar setores estratégicos. Água e saneamento se encaixam perfeitamente nessa narrativa. Não importa se o resultado é 11 mil mortes por ano – importa manter o controle estatal.
Os próprios petistas admitem: “metade da população brasileira ainda não tem saneamento neste País”. Após décadas de gestão estatal, metade do país vive sem dignidade básica. E a solução proposta? Mais Estado.
A matemática brutal das prioridades
Enquanto 11 mil brasileiros morreram por falta de saneamento, o Congresso aprovou R$ 5 bilhões para o fundão eleitoral de 2026. O governo Lula havia proposto R$ 1 bilhão, mas deputados e senadores aprovaram aumento para R$ 4,9 bilhões.
A conta é revoltante: se a universalização do saneamento fosse alcançada, o Brasil economizaria R$ 49,9 milhões por ano no SUS e R$ 1,25 bilhão a longo prazo. Gastamos quase 100 vezes mais em campanha eleitoral do que economizaríamos universalizando o saneamento.
Na prática, os recursos adicionais serão obtidos a partir de cortes em áreas nas quais o governo tem liberdade para remanejar verbas. O dinheiro do fundo eleitoral sai do recurso destinado a políticas públicas como saúde, educação e assistência social. Literalmente, tiramos dinheiro da saúde para financiar políticos.
O mais perverso: o Fundo Partidário e o Fundo Especial de Financiamento de Campanha passam a integrar o grupo de despesas obrigatórias, o que os protege de bloqueios orçamentários. Saneamento pode ser contingenciado, campanhas eleitorais não.
Quando a privatização funciona
A experiência internacional mostra que a privatização do saneamento, quando bem feita, resolve o problema. França, Reino Unido e Chile têm casos de sucesso. No Brasil, cidades que privatizaram seus sistemas obtiveram resultados superiores às estatais.
A universalização dos serviços de saneamento tem potencial para reduzir em 69,1% as taxas de internação por DRSAI em áreas atendidas, dentro de 36 meses após a implementação de infraestrutura adequada. É um resultado que nunca será alcançado com a velocidade estatal atual.
O argumento de que empresas privadas só visam lucro é falacioso. Claro que visam lucro – e é exatamente por isso que funcionam. Uma empresa privada que não entregar serviço de qualidade vai à falência. Uma estatal incompetente continua recebendo dinheiro do contribuinte.
“Apesar dos avanços que o país registrou nos últimos cinco anos, com o Novo Marco Legal do Saneamento Básico, ainda temos uma grande parcela da população sem acesso a serviços adequados”, admite especialista do setor. Os “avanços” vieram justamente com a flexibilização para entrada do setor privado.
O que está realmente em jogo
Esta não é uma discussão técnica sobre gestão pública versus privada. É uma disputa sobre quem controla um setor que movimenta bilhões e emprega centenas de milhares de pessoas. O PT prefere manter o controle político mesmo que isso signifique 11 mil mortes por ano.
A resistência petista à privatização do saneamento revela a verdadeira face do partido: poder acima de resultados, ideologia acima de vidas humanas. Enquanto defendem a “água sagrada”, 11 mil brasileiros morrem por falta dela sob gestão estatal.
O mais revoltante é a hipocrisia: reconhecem que políticos não investem em saneamento porque “não dá voto”, mas querem manter o setor nas mãos desses mesmos políticos desinteressados.
“A história mostrará que foram iludidos. Sem investimento público, não haverá água e saneamento para os mais pobres”, profetizou senador petista. A história já está mostrando: com investimento público, 11 mil pobres morrem por ano.
A conta que não fecha
O Brasil gasta R$ 5 bilhões em fundão eleitoral e economizaria R$ 49,9 milhões por ano no SUS com universalização do saneamento. Com o valor de um único ano de campanhas políticas, poderíamos financiar saneamento universal por décadas.
Com a universalização plena do saneamento básico, poderíamos reduzir em 69% a taxa de internação dessas doenças. Isso salvaria cerca de 7.500 vidas por ano. Mas nossos políticos preferem gastar com suas próprias campanhas.
A pergunta que fica é simples: se o Estado é tão competente para gerir saneamento, por que 34 milhões de brasileiros ainda não têm água tratada? Se empresas privadas são tão ruins, por que países desenvolvidos confiam nelas seus sistemas de saneamento?
A resposta é óbvia, mas os interessados na manutenção do status quo não querem ouvi-la: o Estado brasileiro é incompetente, corrupto e lento. A iniciativa privada, com todos os seus defeitos, entrega resultados. O PT sabe disso, mas prefere o poder ao progresso.
Enquanto o debate ideológico continua nos palácios de Brasília, mais 11 mil brasileiros morrerão ano que vem por falta de saneamento básico. E os responsáveis por essa tragédia continuarão gastando bilhões em suas próprias campanhas, financiadas com o dinheiro de quem não tem nem esgoto tratado.
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 24/01/2026 16:45
Fontes
Instituto Trata Brasil – Estudo Saneamento e Saúde 2024
Agência Brasil – Internações por falta de saneamento
Câmara dos Deputados – Orçamento 2026 e Fundão Eleitoral
Revista Exame – Impacto econômico da falta de saneamento
ES Brasil – Aumento do Fundo Eleitoral


