O governo Lula gastou R$ 800 mil para ajudar a produtora de “O Agente Secreto” na campanha para indicação de Melhor Filme Internacional do Oscar. É mais um capítulo da longa história de dinheiro público jogado fora em campanhas hollywoodianas que não dão resultado. O contribuinte brasileiro financia sonhos de burocratas enquanto serviços básicos continuam precários.
Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.
O programa invisível que ninguém fiscaliza
O contrato foi assinado em 10 de dezembro pelo diretor-presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Alex Braga Muniz. O montante foi liberado em 18 de dezembro de 2025 e só podia ser usado na campanha de promoção do filme junto aos votantes da Academia de Cinema. Segundo documentos obtidos pela imprensa, a Ancine destinou inicialmente R$ 400 mil, mas a produtora pediu para dobrar o valor — e foi atendida.
Poucos brasileiros conhecem esse programa. Os R$ 800 mil foram destinados com base em uma portaria que autoriza a autarquia a dar auxílio financeiro a filmes candidatos ao Oscar. Funciona assim: burocratas decidem em gabinetes fechados quanto do dinheiro público será jogado em campanhas de Hollywood. O contribuinte paga, mas raramente é informado sobre critérios, resultados ou prestação de contas.
O histórico de fracassos bilionários
Outras obras que receberam auxílio incluem “Marte Um”, “Bingo: O Rei das Manhãs” e até mesmo “Lula, o Filho do Brasil”. Nenhuma delas chegou ao Oscar. O Estado brasileiro mantém há décadas um programa de subsídios que não entrega resultados mensuráveis. Milhões de reais em campanhas, zero estatuetas conquistadas com dinheiro público.
Os números são claros: décadas de programas de fomento, centenas de milhões investidos, e nenhuma vitória veio de filme bancado pelo contribuinte. É a prova de que jogar dinheiro público em Hollywood não funciona. Mas a máquina estatal continua operando, alimentando uma indústria que vive de subsídios.
R$ 10 milhões do contribuinte em um único filme
“O Agente Secreto” não recebeu apenas os R$ 800 mil para campanha. O governo investiu muito mais. Somando produção e comercialização, o Estado brasileiro colocou quase R$ 10 milhões no projeto. Mais de dois terços do orçamento total de R$ 13 milhões vieram do contribuinte. O “cinema independente brasileiro” é, na prática, massivamente dependente de recursos públicos.
A pergunta óbvia: se o filme é tão bom, por que precisa de tanto dinheiro público? Se tem potencial comercial real, investidores privados não deveriam estar interessados? A dependência extrema do Estado sugere que o mercado real não vê viabilidade econômica suficiente para bancar esses projetos.
O filme chegou a ter uma exibição especial para o presidente Lula e a primeira-dama Janja no Palácio da Alvorada. O presidente assiste em primeira mão ao filme financiado com verbas federais. Quando o governo é o principal financiador, criar conteúdo que agrade ao governo vira questão de sobrevivência empresarial.
Hollywood não premia mérito — premia agenda
Não se engane: o Oscar não é termômetro de qualidade cinematográfica. É termômetro de alinhamento ideológico. A Academia de Hollywood tem viés progressista notório e premia consistentemente filmes que se alinham com sua visão de mundo. Narrativas sobre ditaduras, opressão e temas caros à esquerda internacional têm vantagem automática.
“Ainda Estou Aqui”, que venceu o prêmio em 2025, conta uma história sobre a ditadura militar brasileira — exatamente o tipo de conteúdo que Hollywood adora premiar. Não foi o “mercado” que escolheu o vencedor. Foi uma academia de quase 10 mil votantes, majoritariamente progressistas, que premiou o filme que mais agradou sua sensibilidade ideológica.
A vitória de um filme brasileiro no Oscar não é prova de que “o mercado funciona”. É prova de que Hollywood tem preferências políticas claras. Filmes que agradam essas preferências têm portas abertas. Os que não agradam podem ser tecnicamente brilhantes e nunca serão reconhecidos.
Os interesses ocultos da indústria subsidiada
O setor cinematográfico brasileiro se tornou altamente dependente de recursos públicos. É um sistema perverso: empresas privadas pagam impostos que financiam filmes que podem concorrer com elas. A Ancine tem orçamento bilionário. São centenas de milhões de reais circulando anualmente no setor. Uma indústria inteira vive dos subsídios estatais.
Produtores, diretores, distribuidores e toda a cadeia cinematográfica nacional se beneficiam desse esquema. Não é coincidência que o setor defenda ferrenhamente os programas de fomento. A liberdade criativa fica comprometida pela dependência financeira. O resultado são filmes feitos para agradar burocratas e festivais progressistas, não o público brasileiro.
O programa de apoio ao Oscar serve principalmente para manter o aparato funcionando. Dá visibilidade internacional ao sistema de fomento brasileiro, justifica os gastos perante a opinião pública e cria a ilusão de que o dinheiro público está gerando reconhecimento mundial. Na prática, é marketing institucional caro para a própria Ancine.
Cinema desconectado do público
A consequência de décadas de subsídios é previsível: cinema brasileiro desconectado do público brasileiro. Os filmes nacionais mais assistidos raramente são os que recebem verbas de fomento cultural. O público prefere comédias populares, filmes religiosos e produções que falem sua língua — não obras feitas para agradar júris de festivais europeus.
Enquanto o governo gasta milhões em campanhas para o Oscar, salas de cinema em cidades pequenas fecham por falta de público. A prioridade é errada. O dinheiro público vai para o prestígio internacional de burocratas, não para democratizar o acesso à cultura no próprio país.
Países com indústrias cinematográficas saudáveis dependem muito menos de recursos públicos. Índia, Nigéria e Coreia do Sul construíram cinematografias vibrantes focadas em seus públicos internos, não em agradar Hollywood. O Brasil fez a escolha oposta: prefere gastar fortunas tentando impressionar a Academia americana.
A conta que o contribuinte paga
O programa de apoio ao Oscar é sintoma de um problema maior: a infantilização da indústria audiovisual brasileira. Em vez de desenvolver modelos de negócio sustentáveis, o setor se viciou em mamatas estatais. Produtores passam mais tempo em Brasília negociando editais do que desenvolvendo projetos comercialmente viáveis.
R$ 800 mil podem parecer pouco no orçamento federal. Mas é dinheiro que poderia estar em escolas, hospitais ou simplesmente no bolso do contribuinte. Quando multiplicamos por décadas de programas similares, chegamos a cifras bilionárias gastas para manter uma indústria que não se sustenta sozinha.
O Brasil precisa decidir se quer continuar financiando sonhos hollywoodianos de uma elite cultural ou se prefere deixar o mercado decidir quais filmes merecem existir. A resposta deveria ser óbvia: menos Estado, menos subsídio, menos dinheiro público jogado em campanhas de prestígio. O contribuinte brasileiro merece que parem de usar seu dinheiro para bancar vaidades de burocratas e cineastas.
Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.
Versão: 24/01/2026 00:15
Fontes
- Metrópoles – Governo gasta R$ 800 mil com campanha de O Agente Secreto ao Oscar
- Agência Gov – Oscar 2025: “Ainda Estou Aqui” conquista três indicações
- CNN Brasil – Oscar: compare os caminhos de “O Agente Secreto” e “Ainda Estou Aqui”
- CNN Brasil – Vitória de “Ainda Estou Aqui” no Oscar 2025 mobiliza autoridades


