Gráfico mostrando estatísticas de feminicídios no Brasil em 2025 com números por estado e evolução histórica desde 2015

janeiro 21, 2026

Ludwig M

1.470 feminicídios: Brasil bate novo recorde trágico em 2025

O Brasil registrou ao menos 1.470 feminicídios em 2025, estabelecendo um novo recorde nacional desde a criação da lei que tipificou o crime em 2015. São Paulo lidera com 233 casos, seguido por Minas Gerais com 139, Rio de Janeiro com 104, Bahia com 103 e Rio Grande do Sul com 87. Os números representam uma média de quatro mulheres assassinadas por dia no país.

Nota editorial: Este artigo tem caráter analítico e opinativo, baseado em informações públicas e reportagens jornalísticas (com links para as fontes). Não imputa crimes, ilegalidades ou intenções a pessoas ou instituições. Limita-se à análise crítica de decisões e seus efeitos no debate público, sob perspectiva editorial libertária.

A escalada de uma tragédia nacional

A Lei do Feminicídio, sancionada em 2015, deveria ter sido um marco na proteção das mulheres brasileiras. Dez anos depois, os dados revelam o oposto. O país registrou ao menos 1.470 mulheres assassinadas em contextos de violência doméstica, familiar ou por misoginia em 2025. Para ter dimensão do tamanho dessa tragédia, imagine uma cidade do interior perdendo toda sua população feminina a cada ano. É isso que acontece anualmente no Brasil.

O crescimento é assustador. Em 2015, primeiro ano da lei, foram 535 casos. Uma década depois, chegamos a quase três vezes esse número. O aumento expõe o que especialistas interpretam como falha completa do Estado brasileiro na proteção básica que deveria garantir às cidadãs. Não é apenas incompetência, argumentam críticos libertários. É a demonstração de que estruturas burocráticas não resolvem problemas sociais complexos.

Entre janeiro e junho de 2025, foram registrados 718 feminicídios — uma média de cerca de 4 mulheres mortas por dia. Esse número dobrou quando consideramos o ano inteiro. Cada estatística representa uma família destroçada, filhos órfãos, sonhos interrompidos. O Estado cobra impostos para proteger, mas onde está essa proteção?

A distribuição geográfica revela outro padrão preocupante. Estados com maior população concentram mais casos absolutos, mas as taxas proporcionais mostram que o fenômeno atinge todo o território nacional. As maiores taxas de feminicídio concentram-se em estados como Acre, Mato Grosso, Rondônia e Tocantins.

O mapa do terror doméstico

São Paulo não lidera por acaso. Com 233 casos registrados em 2025, o estado mais rico do país também concentra a maior violência letal contra mulheres. Isso sem contar que os dados de dezembro ainda não foram incluídos no balanço.

Minas Gerais vem em segundo lugar com 139 casos, seguido pelo Rio de Janeiro com 104. A Bahia registrou 103 assassinatos e o Rio Grande do Sul fechou o ranking dos cinco primeiros com 87 casos. Esses números não são abstratos. Cada um representa uma mulher que poderia estar viva hoje se o sistema de proteção funcionasse.

Dados de registros policiais mostram uma realidade perturbadora: a maioria dos feminicídios acontece dentro de casa, na maioria dos casos por parceiros ou ex-parceiros. O lar, que deveria ser refúgio, tornou-se o local mais perigoso para as brasileiras. Essa realidade expõe o que observadores libertários classificam como falência do modelo de proteção atual.

Do total de vítimas analisadas em levantamento específico, 86% foram atingidas por companheiros ou ex-companheiros. O padrão se repete: homens que não aceitam o fim de relacionamentos e transformam o que chamam de “amor” em instrumento de morte. A cultura do machismo encontra no feminicídio sua expressão mais brutal.

Quando o Estado endurece a lei mas falha na execução

Em resposta aos números crescentes, o governo federal modificou a legislação em 2024. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou lei que endurece a pena para feminicídio, podendo chegar a 40 anos — a maior prevista no Código Penal brasileiro. A medida também aumentou punições para lesão corporal e violência doméstica.

Mas endurecer penas resolve o problema? A experiência internacional mostra que não. Países com menores índices de violência contra a mulher investem em prevenção, educação e mudança cultural. O Brasil prefere apostar na punição depois que o crime já aconteceu. É como tentar apagar incêndio apenas comprando mangueiras mais caras, argumentam críticos da abordagem estatal.

A legislação brasileira já era robusta antes das mudanças. Especialistas destacam que, apesar da existência de leis como a Lei Maria da Penha e a criminalização específica do feminicídio, a aplicação efetiva exige fortalecimento de redes de apoio e articulação entre órgãos estatais e civis. O problema não está na lei. Está na execução.

As medidas protetivas, teoricamente disponíveis, funcionam precariamente. No Distrito Federal, uma média de centenas de vítimas de violência contra a mulher requerem medidas protetivas por ano, concedidas pelo Tribunal de Justiça baseadas na Lei Maria da Penha. Mas quantas dessas medidas realmente protegem? Os números de feminicídios sugerem que a resposta é desanimadora.

O drama das armas de fogo e agentes de segurança

Um dado alarmante emergiu em 2025: pelo menos 29 mulheres foram vítimas de feminicídio ou tentativa com arma de fogo até agosto, sendo que em um quarto dos casos o agressor era agente de segurança. Isso significa que homens treinados e armados pelo Estado para proteger a sociedade estão usando suas armas contra mulheres.

Levantamento do Instituto Fogo Cruzado em 57 municípios indica que pelo menos 29 mulheres foram vítimas de feminicídio ou tentativa com arma de fogo até agosto de 2025. O principal local dos crimes foi o ambiente doméstico, com 15 das 29 vítimas atingidas dentro de casa.

A facilidade de acesso a armas de fogo por parte de agentes de segurança cria um risco adicional. Quando um policial ou militar decide agredir a companheira, ele não usa apenas a força física. Usa o treinamento e o armamento que o Estado lhe forneceu. O resultado é previsível: maior letalidade.

Essa realidade questiona as políticas de armamento civil. Se nem os profissionais treinados conseguem separar vida pessoal do uso responsável de armas, como esperar que cidadãos comuns o façam? A violência doméstica armada mata mais e perdoa menos.

A subnotificação que esconde a realidade

Especialistas alertam que, embora os dados revelem cenário alarmante, as ocorrências ainda são subnotificadas devido às dificuldades de cobertura do sistema ou pelo não preenchimento adequado de fichas pelos profissionais de saúde. Ou seja: os números reais são ainda piores.

Compare dois levantamentos sobre violência sexual. Segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação, milhares de meninas e mulheres sofreram violência sexual em contexto doméstico em 2023. Já os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam números muito superiores de registros de estupro e estupro de vulnerável de vítimas femininas no mesmo período.

A diferença é gritante: mais de três vezes superior nos registros policiais. Isso mostra como os sistemas de saúde capturam apenas uma fração da violência real. Se a subnotificação atinge os casos de estupro dessa forma, imagine o que acontece com outros tipos de agressão que não chegam aos hospitais.

O Laboratório de Estudos de Feminicídios identificou mais de 5.500 feminicídios consumados e tentados no país até outubro de 2025. Esse número inclui tentativas, mostrando que para cada morte, outras mulheres sobreviveram por pouco.

Quando o governo promete proteção mas entrega estatísticas

As autoridades adoram anunciar novas leis, novos programas, novos órgãos para combater a violência contra a mulher. O presidente Lula fez pronunciamentos firmes pedindo mudança de postura masculina e defendendo a criação de “um grande movimento nacional” contra a violência de gênero.

Discursos bonitos, intenções nobres. Mas os resultados falam mais alto. Dez anos de Lei do Feminicídio e os números só crescem. Segundo observadores especializados no tema, “estamos em um dos momentos mais críticos e violentos desde que o feminicídio foi tipificado como crime em 2015”.

O Estado brasileiro gasta bilhões em estruturas burocráticas para “proteger a mulher”. Secretarias, coordenadorias, observatórios, comissões. Cada órgão tem seu orçamento, seus funcionários, seus carros oficiais. Mas na hora que uma mulher precisa de proteção real, o sistema falha. Não é falta de dinheiro. É falta de eficiência.

O Observatório da Mulher Contra a Violência, vinculado ao Senado Federal, produz o Mapa Nacional da Violência de Gênero — uma plataforma que reúne dados públicos sobre violência contra mulheres. Mais um órgão, mais dados, mais relatórios. Enquanto isso, quatro mulheres morrem por dia.

A resposta da sociedade civil

Enquanto o Estado produz estatísticas e discursos, a sociedade civil se mobiliza. Movimentos feministas convocaram atos simultâneos em diversas cidades, com mobilizações previstas para ocupar as ruas vestidas de roxo, portando faixas e cartazes. Atos foram confirmados em quase 50 cidades, incluindo capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Belém.

A mobilização popular surge onde o Estado falha. Não é novidade. Historicamente, as conquistas de direitos no Brasil vieram da pressão social, não da generosidade governamental. O movimento feminista entende que não pode esperar que políticos resolvam sozinhos um problema que eles próprios ajudam a perpetuar.

Para pesquisadores do tema, “a tendência de alta em tantos estados revela que o feminicídio continua sendo um problema estrutural no Brasil. A subnotificação nos dados oficiais reforça a importância de iniciativas independentes”.

Iniciativas independentes funcionam melhor porque não dependem de aprovação política, orçamento governamental ou interesses eleitorais. Elas surgem da necessidade real e respondem diretamente a ela. É a diferença entre burocracia e ação efetiva.

O custo real da violência contra a mulher

Cada feminicídio representa não apenas uma vida perdida, mas um custo econômico e social enorme. Uma mulher morta deixa de contribuir para a economia, de cuidar dos filhos, de pagar impostos. Os órfãos precisarão de assistência do Estado. Os agressores ocuparão vagas no sistema prisional.

Sem contar o impacto psicológico nas comunidades. Mais de 2,7 mil mulheres sobreviveram a tentativas de assassinato entre janeiro e setembro de 2025. Essas sobreviventes carregarão traumas pelo resto da vida. Muitas não conseguirão trabalhar normalmente, estabelecer relacionamentos saudáveis ou confiar nas instituições.

O sistema de saúde gasta fortunas tratando vítimas de violência doméstica. Hospitais, medicamentos, cirurgias, terapias. O Judiciário processa milhares de casos por ano. A Polícia Civil investiga, a Polícia Militar atende ocorrências. Tudo isso custa dinheiro público. Dinheiro que poderia estar sendo usado de forma mais eficiente.

A prevenção sempre sai mais barata que a punição. Mas o Estado brasileiro prefere remediar a prevenir. É mais fácil criar uma nova lei depois que o problema explode do que trabalhar na causa raiz. Falta visão de longo prazo e sobra demagogia eleitoreira.

Perspectiva libertária: quando o Estado monopoliza a proteção e falha

Na visão libertária, os números de 2025 expõem uma contradição fundamental: o Estado monopoliza a função de proteção dos cidadãos, mas se mostra sistematicamente incapaz de cumprir essa promessa. Quatro mulheres morrem por dia enquanto bilhões são gastos em estruturas burocráticas que produzem mais relatórios do que resultados.

Defensores da liberdade individual argumentam que a centralização das soluções no aparato estatal cria uma dependência perigosa. Quando o sistema falha — como claramente está falhando —, as pessoas ficam desamparadas. A pergunta que fica é: até quando a sociedade vai aceitar essa incompetência institucionalizada?

Os números de 2025 mostram que chegamos a um ponto insustentável. Mil e quatrocentas e setenta mulheres mortas são mil e quatrocentas e setenta famílias que perderam a confiança no sistema de proteção estatal. Na perspectiva libertária, soluções descentralizadas, baseadas na ação da sociedade civil e na responsabilidade individual, tendem a ser mais eficazes que promessas burocráticas.

Afinal, quando o Estado promete resolver tudo e falha sistematicamente, não seria hora de buscar alternativas? O que você acredita que realmente pode proteger as mulheres brasileiras: mais órgãos governamentais ou uma sociedade que assume a responsabilidade pela proteção mútua?

Este artigo pode ser atualizado caso surjam novos fatos ou manifestações dos citados.

Versão: 21/01/2026 08:39

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